terça-feira, 9 de julho de 2019

Jonas


“....Jonas hoje sem marcar ainda, a bola vem para Renato Sanches, vai meter a bola para o lado esquerdo, a bola para Eliseu, carrega o Benfica, vai mandando subir o treinador Rui Vitória, levanta Eliseu, a bola bombeada para a área... É para Carcela Gonzalez, é para Jonas... Atirou.... GOLOOOOOOOOOOOO!!!! GRITA-SE GOLOOOOOO! GOOOOOOOOOOOOOLOOOOOOOOOOOOO! JONAAAAS! JONAS PISTOLAS! GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLO! É DO BENFICA! TODO O ESTÁDIO! TODO O ESTÁDIO A FESTEJAR ESTE GOLO DE JONAS! À PONTA DE LANÇA!”


Foste a minha alegria. Desde um dia em 2014, enquanto via um Benfica-Arouca no iPhone num hostel em Los Angeles, na espera para o aeroporto e em que me brilharam os olhos ao perceber que tínhamos encontrado ouro.
Foste a nossa extensão no campo, foste o meu porto de abrigo durante os jogos do Benfica, a minha fé, a cabeça, os pés e a inteligência em que eu depositava todas as minhas esperanças e sonhos. Mas antes que eu desate a chorar já enquanto escrevo isto, voltemos atrás.  

Eu cresci com um Benfica que não ganhava e tinha uma relação difícil com o golo. Nunca éramos suficientemente bons ou organizados para marcá-los com facilidade. (E quando começávamos a marcar muitos, anulavam-nos. Mas não consta que o Martins dos Santos tivesse e-mail, portanto avancemos). Tudo custava. Quando o Pringle marcava um golo, aquilo era uma coisa tão difícil que eu nem sequer sonhava com outro. No fim de se escalar uma montanha, a pessoa não pensa em escalar outra, e era assim que eu me sentia. E do outro lado havia Jardel, que escalava montanhas a descer, portanto a coisa era negra.
Alguns anos depois, surgiu um paraguaio alto e magro, desengonçado, mas com golo. Cardozo não saltava muito, parecia capaz de perder todas as bolas, mas tinha uma caçadeira no pé esquerdo. Até fazia aquele barulho que a gente ouve nos filmes quando se carrega a arma: tchk-tchk – golo - tchk-tchk – golo tchk-tchk – golo.
Foi quando eu percebi que o Benfica já não tinha dificuldades em marcar golos. Que o golo não era uma quimera impossível, não era tão difícil como ter borbulhas, falta de jeito para falar com raparigas e jogar com esquemas de três centrais com o Ronaldo, Paulo Madeira e Sérgio Nunes. O Benfica não era hegemónico, mas já era uma ameaça. E tinha golo. Quando Cardozo se despediu em 2013/14 (em que faz um início de época verdadeiramente fundamental: jogo em Coimbra, hattrick no derby da Taça que talvez tenha salvo JJ), pensei que dificilmente veríamos alguém igual. Acabar uma relação goleador/adeptos é um desgosto de amor muito difícil de suportar (há uma geração de benfiquistas mais velhos que ainda fala de Eusébio como se falasse da tal e vive ali preso, ainda a sonhar com esse baile de finalistas), e eu achei que ia demorar anos a apaixonar-me outra vez. Estamos ainda em 2014 (Cardozo saiu há meses), a jogar com o Arouca, estou em Los Angeles com a mochila aos pés e o meu coração já tem dono, mas eu não faço ideia do quão feliz me farás. Se soubesse, era possível que eu não aguentasse e que o meu coração tivesse explodido ali mesmo.


O golo, de repente, era uma inevitabilidade. Já não tinha que encomendar a alma ao diabo ou esperar que Poborsky, João Pinto e Nuno Gomes se livrassem dos empecilhos que eram o resto da equipa: o golo ia chegar porque tu estavas lá. Trinta e um na primeira época. Como cartão de apresentação e com golo roubado no final que te tirou o título de melhor marcador do campeonato. Os golos surgiam – e isto é extraordinário – como um bónus de tudo o resto. A equipa girava por tua causa, impunhas sempre o ritmo que nos convinha, baixavas quando era preciso e mesmo que tivesses marcado zero golos eras o nosso melhor jogador. Mas saber que em qualquer cruzamento ou que em qualquer bola perdida na área tu estarias lá foi um bálsamo na minha vida. Porque o golo é o golo. Podemos falar da tomada de decisão, do tabelar, do jogar para a equipa, mas o ter golo não tem preço. Podemos meter as tabelas todas pelas nossas ideias tacticistas acima se ao fim do dia não estiver lá alguém para a meter lá dentro. E tu estavas. Sempre. De pé direito ou esquerdo. De cabeça. Golos feios, lindos ou mais ou menos. Tu estavas sempre. Com a alegria dos amantes e a regularidade dos funcionários. Como se fosses Aimar e Cardozo num só. Hoje, amanhã, para a semana, contra este, contra aquele (só um contra os verdes e contra os azuis e ambos de pénalti, mas perdoamos-te tudo). Tiveste direito a alcunha: Jonas Pistolas (criada pelo Cota do Bigode, lenda da internet). Eras o nosso Pistolas.

Veio depois 2015/2016 e, se um dia alguma coisa te faltar na vida (comida, casa, sexo, amor, o que for), fala com um benfiquista – qualquer um – e ele terá esta época no coração e tudo se arranjará. Não fosse uma tarde suicida do Depor contra o Barça (que acabou com vários golos de Suarez) e tinhas sido Bota de Ouro. Foram golos, golos e golos. Mas mais que isso, foi o amor. O amor em todo o seu esplendor. Eu penso que foi o Diego Armés a primeira pessoa a quem ouvi ou li a frase “Jonas é o amor” e acho que nada podia ser mais justo. Tu foste o amor. A plenitude, a felicidade, a raiva gritada contra a almofada como um adolescente, o primeiro cigarro depois do sexo e a noite de copos em Berlim com os amigos. Foste o amor. Começaste na Supertaça, ao rejeitar o cumprimento de Jorge Jesus como que a prometer guerra, brilhaste de alegria e sorrisos numa segunda-feira na Choupana como se soubesses que tudo ia acabar bem, paraste no ar para cabecear uma bola contra o União da Madeira, atiraste de pé esquerdo no último minuto no Bessa e fizeste-me atirar para a televisão e levar com mais três benfiquistas em cima de mim enquanto uma criança de dois anos olhava para nós estupefacta, e mais depressa me esqueço do aniversários dos meus irmãos do que daqueles primeiros vinte minutos infernais que tu e o Mitroglou jogaram em Alvalade, numa noite de Março de 2016. Tu eras o amor. O nosso chão, o nosso tecto, a nossa casa. Tu eras o nosso lar, até nas associações: com Lima, com Gaitan, a eterna sociedade com Pizzi e até com André Almeida. Além disso, os rivais odiavam-te e eu amava-te ainda mais por isso.


Um dos lances que mais me marcou no Vietname do Benfica foi num Leiria-Benfica, penso que em 2000/2001. Há uma jogada a meio-campo, é assinalada uma falta quando Sabry cai e, com o jogo parado e com Sabry no chão com a bola no meio das suas pernas, Bilro e Tiago aproveitam o facto da bola lá estar e pontapeiam-no várias vezes. Nas barbas do árbitro (Lucílio Baptista?). Nem um amarelo. Nada. Éramos achincalhados e gozados. Ninguém nos respeitava. Odiavam-nos e faziam de nós o que queriam. Chorei de raiva a ver esse lance. Lembro-me de berrar para a televisão sozinho em casa. Quando insultaste, sem vergonha e para as câmaras, o guarda-redes do Marítimo que passou o tempo a chatear-nos e a fazer anti-jogo, quando cavavas penáltis e a redacção d`O Jogo espumava tanto de raiva que te dedicava capas, eu sorria. Eu amava-te mais. Continuávamos a ser odiados, mas já ninguém nos dava pontapés no chão. Porque contigo voávamos. E tu eras cabrão o suficiente para vingares aquilo que tínhamos passado. Representavas-nos.

São só dezoito golos em 2016/2017 porque estiveste muito tempo lesionado. No ano seguinte foram trinta e sete e a jogar sozinho na frente, mas as lesões tiram-te do jogo do título. A retirada aproximava-se (nós sabíamos e já tínhamos vivido isto com Cardozo) e tornas-te um líder espiritual. No banco e de barba, a dar indicações. A manter-nos vivos no Inverno de 2018 (vitórias em Setúbal e na Madeira) e a ser absolutamente decisivo a entrar contra o Portimonense e a dar electricidade à equipa. É tua a pressão que dá o primeiro golo do Rafa e põe o estádio no jogo. No teu pior ano, quinze golos. No total, são 137 golos, 42 assistências e 4 campeonatos em 5. O Benfica é hegemónico por tua causa. Aos trinta e tal anos tive direito ao meu Jardel. Foi como se me limpasses a adolescência e me alegrasses a vida adulta. Não há 126 milhões que paguem isso.
Foste a minha alegria. Foste o golo que vinha sempre. És o amor, Jonas Pistolas. Obrigado por tudo.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O Diário Secreto de Rui Carlos com 48 anos e meio


25 de Agosto de 2018
Benfica 1 Sporting 1
Hoje empatámos com o Sporting 1-1. Sorte do caraças. Não estava nada confiante para o jogo. Hoje de manhã ligou-me uma das minhas filhas. Dá sempre azar, quando uma das minhas filhas me liga dia 25. Uma vez perdi com o Fátima com o Benfica de Castelo Branco num 25 de Março à custa disso. Quando eles marcaram pedi ao Arnaldo para ir lá dentro responder-lhe: “Obrigadinho, filhota, obrigadinho”. A imprensa tem boa ideia minha, mas é porque eu me controlo. Nunca os deixo ver este Rui Carlos rancoroso. Coitada da miúda, não tem culpa nenhuma, de certeza que achava que era dia 26. O que vale é que não perdi o controlo e fiz o costume: contei o número de letras da terceira palavra da próxima frase do Arnaldo e deu 4. Contei 4 cadeiras e saiu o miúdo, o Félix, ou lá o que é. Não é que o miúdo marcou? Há coisas que nunca falham. É uma ciência, esta das letras. Porra, nem sabia quem era o miúdo, os gajos do scouting é que não se calavam lol. Os gajos atrás de mim na bancada estavam sempre a dizer “o cabrão do forcado não percebe nada disto” e “foda-se, não ganhas a estes gajos, só vais a touradas!”. É indecente, acho o Peseiro um excelente treinador. E é grande prato. Mas pronto, isso as pessoas não podem saber. Agora, mandar vir com o homem, depois de tudo o que se passou no Verão? As pessoas não têm memória.

“O general que vence a batalha faz muitos cálculos antes de a travar. O general que perde a batalha faz poucos cálculos antecipadamente”



27 de Setembro de 2018
Chaves 2 Benfica 2

Há dias em que mais vale não se sair de casa, Rui Carlos. Correu tudo mal. Hoje cheguei e vi que aquele Conti se sentou à janela no autocarro. Um central à janela. Na la-te-ral do autocarro. Vê-se mesmo que vem de um futebol mais atrasado, estes argentinos chegam e temos que lhes explicar tudo. É nestas coisas que o futebol europeu não perdoa: um central à janela. Uma vez disse isto no Fórum dos Treinadores de Elite, no Mónaco: “In my team, I don`t allow centrals in the window of the bus”. Bem, ficou tudo maluco. O Wenger riu-se e contestou. Roguei-lhe uma praga que acabou por ser despedido. (Tu és danado, Rui Carlos, tens de parar de ser assim, má pessoa). O careca, o Pepê ou lá o que é (falava montes de línguas, acabei sem perceber que equipa é que ele treinava, há pessoas assim, mal sabem comunicar), disse muitas vezes “What is this guy doing here?” e eu respondi-lhe que a vida era mesmo assim, que o guy estava à janela porque vinha de um campeonato mais atrasado e que aquilo eram fases. "Phases" - em inglês, para o gajo ver que comigo não brincava e que são precisos dois para dançar o tango. Importante era pegar o touro pelos cornos e encarar esses problemas de frente. Senti-me a mais naquela reunião. Foi como se vivesse noutro planeta. Às vezes tenho de entender que nem sempre estou no balneário, onde sou rei e senhor e onde toda a gente me respeita.
Perdi-me. Bom, o estúpido do Conti foi à janela e a partir daí foi um descalabro: o Jardel lesionou-se, o Conti foi expulso. Foi uma coisa das trevas. Até o Rafa marcou! Duas vezes! Quando cheguei ao balneário ouvi o Pizzi a falar com o Gedson, a começar a dizer “fomos dominados, não fizemos dois passes. Se aquele gajo não percebe que levámos um banho do Chaves... Parecemos aquelas equipas de merda onde ele estava”, mas aí entrei logo na conversa e cortei logo aquele mal-estar. Expliquei ao Pizzi que ia falar com o Conti e que ia esclarecer tudo. O Pizzi ficou muito atrapalhado quando percebeu que eu estava a ouvir, mas eu meti-lhe a mão no ombro e expliquei-lhe que estava tudo bem, que também estava zangado com “ele” (e não disse o nome para ninguém perceber. Tu és de uma frieza, Rui Carlos...), mas que ele com o tempo ia ao lugar. No autocarro estava um silêncio... Bem, ninguém falava. Tudo lixado com o Conti. Ainda ouvi o Jonas a ligar ao Luisão e a pedir o indicativo da Arábia Saudita. Ri-me e disse-lhe que o mercado já tinha fechado. Está todo lixado, o Jonas.

“Não estamos preparados para liderar a marcha de um exército a não ser que conheçamos a geografia da região, as suas montanhas e florestas, perigos e precipícios, pântanos e brejos”



7 de Outubro de 2018
Benfica 1 Porto 0

Jogaço. Epá, Rui Carlos, entraste para a história. História! Um a zero ao Porto. PUMBA. EMBRULHA. TOMA LÁ MORANGOS. 
Bem, tenho a certeza que este jogo vai entrar para a história como um dos mais bem jogados. Aquilo parecia a Red Bull Air Race. Bem, eu até dizia ao Arnaldo: “Olha a bola, sempre no ar, maravilha” "OLHA-ME A VELOCIDADE A QUE A BOLA VAI, ARNALDO!". Grande jogo do Porto também. Bola sempre lá bem no ar (os gajos chutam muito alto, mesmo. Amanhã vou pedir ao Benfica Lab a estatística, porque eu não quis estar a dizer nada em público, mas acho que os gajos ainda deram um chuto para o ar mais alto que o nosso. Tivemos sorte, porque a bola saiu directa, mas até me arrepio quando penso no lance. Se o Marega – QUE JOGADOR! – a apanha...), jogo super intenso, super duro, montes de faltas.... Hoje vou ver o que é que aquele gajo da RTP3 de óculinhos diz. De certeza que vai fazer aqueles gráficos todos cheios de linhas, mas connosco. E o golo? Bem, QUE JOGADA. Parecia futvolei. Aquele Pizzi, realmente... Chego ao intervalo e está o gajo a dizer: “Nem a cheiro, esta merda é pior que o Fão, bola na relva nem vê-la”. E eu – “o cheiro está dentro de ti, Luís Miguel”. E grande chapada no peito, tipo forcados. O gajo ficou com uma cara! E depois no golo, que é que aconteceu? O gajo cheirou a bola de cabeça junto à relva. Eu às vezes sinto-me como um jogador de xadrez e os jogadores são como peças para mim. Eu entro na cabeça deles e faço o que quero. O jogaço foi tal que até meteram a música da tourada, em minha honra.

“Quando combina a energia dos seus soldados, estes tornam-se numa força demolidora à semelhança de troncos e pedras”


23 de Outubro de 2018

Bem, eu às vezes tenho de respirar fundo. Não me dão condições para trabalhar. Aquele Ferreira ou Ferreiray (sei que tem um y, o gajo nem sabe falar português) é uma nódoa. O gajo passa os treinos de olhos abertos a olhar para mim, não percebe metade das minhas metáforas. Estou sempre a dizer ao scouting que não pode vir qualquer um, mas eles só vêm a dimensão futebolística, não percebem nada da humana. Vou meter um gajo a jogar que não percebe a “vai ser de rabo e orelha”? Já não estou no Paços, já não tenho que aturar jogadores destes. Estou irritado a pensar nisto e aparece-me o Pietra outra vez com a conversa do Zivkovic e que temos que lhe dar oportunidades. Expliquei-lhe outra vez que não. O Zivkovic é signo Caranguejo com ascendente Touro! Não percebo o que é que o Pietra não vê! Eu acho que isto é um lobby, porque o Pietra é Peixes e também é do elemento água, mas é nestas alturas que eu tenho de ser forte e astuto como o Sun Tzu. Os grandes clubes são assim, há lobbies, há grupos de interesse, há jogos de empresários e signos. Mas antes votar PAN do que meter um Caranguejo com ascendente Touro num jogo em Outubro. Irrita-me isto, o Pietra é de outro tempo em que era tudo à balda. Há umas semanas ouvi-o no gabinete: “Tenho saudades do Jo...” e eu entrei logo: “JÁ TE DISSE QUE SE DISSERES O NOME DO JONAS ENQUANTO ELE ESTÁ LESIONADO É UM AZAR DEZ VEZES PIOR E ELE NÃO VOLTA!” O Arnaldo nunca ia cometer uma gaffe destas. Tens de estar sempre alerta, Rui Carlos. Às vezes parece que só tu é que queres levar este clube para a frente.

27 de Outubro de 2018
Belenenses 2 Benfica 0

Meti o Zivkovic. Foi aos 84 minutos, mas fui eu que dei cabo de tudo, tenho a certeza. Rui Carlos: ou tu és firme e acreditas nas tuas convicções ou abandona. Se é para te venderes ao interesses do horóscopo do Pietra, mais vale estares quieto. É que foi só mesmo para o calar. Estávamos a perder e eu meti um médio. Porque é que não meteste um guarda-redes, Rui Carlos? Se estás a perder metes avançados, se estás a ganhar metes defesas, mas qual é a dúvida, o que é que te deu? Alguma vez fizeste alguma coisa sem acreditar nela? O gajo não fica maluco por tu passares jogadores da bancada para o jogo e do jogo para a bancada – MESMO JÁ LHE TENDO TU PROVADO COM NÚMEROS A SORTE QUE ISSO DÁ? No dia em que deixares de acreditar em ti e nos teus métodos, Rui Carlos, acabas mal. O que vale é que me voltei a sair bem na conferência de imprensa. (O jornalista era Sagitário, percebi logo que éramos compatíveis).

29 de Outubro de 2018

Esta semana vai correr bem. Já disse à equipa ao Zivkovic que com o Moreirense ia para a bancada e que o Félix que estava na bancada ia para jogo “porque em equipa que ganha não se mexe!”. Bem, o silêncio do plantel... Tudo a olhar para ti, Rui Carlos. Foda-se, até se sentia a aura da tua liderança no Seixal. Só o burro do yFerreira é que abanava a cabeça. É tão estúpido. Há gajos que não se adaptam a métodos mais avançados, parece que vivem parados no tempo.
À saída do treino passei pelo Presidente. Também estava a pedir o indicativo da Arábia Saudita. Disse-lhe que se queria vender o Feryreira em Dezembro que tinha todo o meu apoio. Ele abriu muitos os olhos para mim, ficou sem saber o que dizer. Tu às vezes parece que lês pensamentos, Rui Carlos. As pessoas até perdem o pio.


30 de Outubro

Hoje aconteceu uma coisa estranha: apanhei, depois do treino, o André Almeida com o Jardel, o Rúben e o outro espanhol pequenino, sozinhos os quatro a tentarem fazer uma dança. Bem, nunca tinha visto. Um subia, os outros também. Um ia para para a frente e os outros também, depois o Jardel levantava o braço. Depois é que reparei que estava o Luisão de apito. Ficou tudo a olhar para mim em silêncio, sentiram-se apanhados. Mas eu disse-lhes: “Continuem como se eu não tivesse visto nada!” e fui-me embora. De certeza que estavam a treinar a celebração de um golo. Depois vão dedicar ao Luisão. Tenho que me fingir surpreendido quando eles fizerem isto. Dá ideia que eles são livres e que eu não sou um ditador como às vezes as pessoas pensam.

2 de Novembro de 2018
Benfica 1 Moreirense 3

Não sei o que se passou. Pus o Zivkovic na bancada, o Félix a jogar e levámos 3. 1-3 do Moreirense. Grande barraca. Os adeptos no fim estavam todos a mostrar uns lenços brancos, como em Fátima. O adepto do Benfica é assim, é muito conhecedor. Se os meus truques não estão a dar, isto só lá vai com a Nossa Senhora. E os assobios para os jogadores do Moreirense quando eles iam fazendo quarto? Bem... Nem me ouvia a mim mesmo! Isto é que é o Inferno da Luz. Eu bem vi o olhar espantado dos jogadores quando lhes disse: “Quando se tem assim o público, é difícil não gostar deste lugar!”. Depois no fim começaram a pedir a demissão do treinador do Moreirense. Estes adeptos do Benfica, grande lata lol. Só porque um treinador nos ganha, não pode ser demitido. As pessoas às vezes não têm fair play nenhum...
Cheguei a casa e só ouvi a minha mais velha para a minha mulher “A sério, mãe, já era hora de ele assumir que não tem competência e que se devia demitir”. Bem... Dei-lhe uma chazada. Tinha deixado a novela da TVI a gravar e ela estraga-me logo o final. Andava há dias numa tensão para saber se o Rúben se demitia ou não da fábrica na novela e a garota faz-me isto. Estragou-me o dia. Mas a culpa foi minha. Já dizia o Sun Tzu: “Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem.”


9 de Novembro de 2018
Apanhei o Presidente ao telefone. “Está feito, Jorge. Sim, só estou à espera que o gajo perceba que tem que bazar. Porra, não há maneira”. Já acertou com o Jorge Mendes a saída do Ferrerya. É mortal, o Presidente.