Teoria da conspiração? Complexo de inferioridade? Vamos antes chamar-lhe revolta. Não daquela que Zeca Afonso sentia, certamente, mas uma outra, - atrevo-me a dizer - tão ou mais emocional do que a de Abril. Não, não é por causa de uma prova de aviões. Nem por causa dos nossos empregos, nem por causa do nosso dinheiro, nem por causa da nossa gente. É pelo princípio. “Eles comem tudo, eles comem tudo…” E não nos deixam nada, carago!
Só há uma coisa que nos resta. Uma coisa tão grande, tão forte, tão nossa, que eles não conseguem vencer. Não dá, isto não nos podem tirar. Por muito que queiram. Por muito que tentem (e oh, como eles tentam!).

Não, eu não odeio Lisboa. É a cidade onde vivo. Eu só odeio o benfica, mas tinha de arranjar um pretexto bonito para falar disso.
… entrar no modo EU ODEIO O BENFICA E NÃO PRECISO DE LETRAS DO ZECA AFONSO PARA O EXPLICAR …
No domingo à noite só espero que os meus rapazes consigam ser do Porto 1% do que eu sou. Isso chega para se matarem todos, para comerem a relva, para os assustar. Eles já tremem, é só ir lá mostrar-lhes porquê.
E não é preciso jogar bonito. Por favor, Jesualdo, não queiras jogar bonito contra aqueles! Quero tudo muito simples, rápido e eficaz. Vamos lá como quem vai ver um filme ao cinema. Entramos, caladinhos, sentamo-nos, não é nada connosco, não somos nós os protagonistas, desfrutamos, com um sorrisinho na cara, e vamos para casa com a missão cumprida. Ao de leve, como quem não quer a coisa.
Olhem bem para as camisolas deles e sintam também 1% do ódio que tenho por eles. Não é difícil, eles conseguem ser bem detestáveis. Lembrem-se das capas dos jornais desportivos: vocês só aparecem quando perdem; quando ganham são sempre eles que aparecem, ou porque são os melhores do mundo, ou porque compraram o novo melhor do mundo. Lembrem-se dos comentadores a destruírem-vos, a criticarem-vos, a gozarem-vos, a darem-vos como mortos vezes sem conta.
Mostrem-lhes que podem ficar com os aviões, com o dinheiro e a visibilidade internacional. Ali, no relvado, quem manda somos nós.
“Eles comem tudo, eles comem tudo…” Mas ficam sempre sem nada!







