quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lá em casa manda o Porto

Acabei de saber que o Red Bull Air Race vai passar a ser organizado em Lisboa. Claro, desde quando é que o Porto pode ficar com uma coisa que dá milhões e visibilidade internacional? Não interessa se o mérito foi da Invicta por atrair a prova, não interessa se o Douro é mil vezes mais bonito e se as nossas pontes dão mil vezes mais espectáculo.



Teoria da conspiração? Complexo de inferioridade? Vamos antes chamar-lhe revolta. Não daquela que Zeca Afonso sentia, certamente, mas uma outra, - atrevo-me a dizer - tão ou mais emocional do que a de Abril. Não, não é por causa de uma prova de aviões. Nem por causa dos nossos empregos, nem por causa do nosso dinheiro, nem por causa da nossa gente. É pelo princípio. “Eles comem tudo, eles comem tudo…” E não nos deixam nada, carago!

Só há uma coisa que nos resta. Uma coisa tão grande, tão forte, tão nossa, que eles não conseguem vencer. Não dá, isto não nos podem tirar. Por muito que queiram. Por muito que tentem (e oh, como eles tentam!).



Não, eu não odeio Lisboa. É a cidade onde vivo. Eu só odeio o benfica, mas tinha de arranjar um pretexto bonito para falar disso.

… entrar no modo EU ODEIO O BENFICA E NÃO PRECISO DE LETRAS DO ZECA AFONSO PARA O EXPLICAR …

No domingo à noite só espero que os meus rapazes consigam ser do Porto 1% do que eu sou. Isso chega para se matarem todos, para comerem a relva, para os assustar. Eles já tremem, é só ir lá mostrar-lhes porquê.

E não é preciso jogar bonito. Por favor, Jesualdo, não queiras jogar bonito contra aqueles! Quero tudo muito simples, rápido e eficaz. Vamos lá como quem vai ver um filme ao cinema. Entramos, caladinhos, sentamo-nos, não é nada connosco, não somos nós os protagonistas, desfrutamos, com um sorrisinho na cara, e vamos para casa com a missão cumprida. Ao de leve, como quem não quer a coisa.

Olhem bem para as camisolas deles e sintam também 1% do ódio que tenho por eles. Não é difícil, eles conseguem ser bem detestáveis. Lembrem-se das capas dos jornais desportivos: vocês só aparecem quando perdem; quando ganham são sempre eles que aparecem, ou porque são os melhores do mundo, ou porque compraram o novo melhor do mundo. Lembrem-se dos comentadores a destruírem-vos, a criticarem-vos, a gozarem-vos, a darem-vos como mortos vezes sem conta.

Mostrem-lhes que podem ficar com os aviões, com o dinheiro e a visibilidade internacional. Ali, no relvado, quem manda somos nós.

“Eles comem tudo, eles comem tudo…” Mas ficam sempre sem nada!

O clássico

Eu sou do Sul. Nasci em Lisboa, mas cresci em Faro, mesmo à beira - mar. A Sul. Sempre tive família no Norte e sempre fui fascinado pela honestidade dos palavrões calorosos de lá.
O Benfica - porto mexe comigo porque é sempre um jogo importante para o Glorioso. Odeio, claro, os azuis. Odeio, são execráveis. Mas sempre estiveram lá longe. Eu cresci em turmas onde não havia gente desse clube e onde o tipo do fóculporto na minha escola primária ainda hoje é conhecido como "O Tripeiro". "O" - artigo definido singular. Singular porque ele era só um. Ninguém lhe ligava.



Quando o fóculporto ganha um título na minha terra não há buzinas nem festa. Não há ninguém na rua - os 4 ou 5 tripeiros que até nos recebem bem no restaurante onde o meu grupo de amigos costuma jantar deve festejar em casa, até porque deve ser chato ir para a rua e toda a gente olhar de lado.
Na minha turma sempre houve só verdes. Lembro-me dos meus três anos de liceu serem um inferno de risos atrasados mentais inflamados por 190.423 penalties. Os anos em que o fóculporto ganha eram tão calmos como aquele em que o boavista ganhou. A diferença de representatividade entre os dois clubes era 1-0 na cidade.
Não escondo que os detesto. Detesto o teu clube. Pela minha incredulidade - era tão tenrinho - quando vi o penalty do Rui Bento sobre o Rui Filipe em 91/92 na Luz, quase quatro metros fora da área. Era tão novo que achava que o fêcêpê não tinha culpa - "pai, quem se enganou foi o árbitro, não foi?". "Não. O porto pagou-lhes." E foi assim que eu perdi a inocência.



Lembro-me de, em 1987, chegar a Faro. Tinha 3 anos. Ao lado do nosso prédio havia uma daquelas lojas de electrodomésticos, com éne televisões empilhadas, todas a passar o mesmo. Lembro-me do Madjer. E do meu pai a virar-me a cara, como que a tirar-me da frente de uma cena violência, antes de eu ver a bola entrar. Acho que ele percebeu o que aí vinha.
O clássico é sempre um jogo duro, cheio de porrada, intensíssimo. Uma batalha enorme. Uma batalha que eu quero sempre, sempre, sempre ganhar. Porque deve voltar ao Benfica aquilo que é do Benfica: o domínio total do futebol português.
Para mim não é uma questão fratricida porque ao contrário dos verdes, não há ódios psicanalíticos. Não é contra ti, nem contra os poucos adeptos tripeiros que conheço. Domingo é pelo Benfica. Pelo Benfica que depois de 94 decidiu entrar em coma. Pelo Benfica que nos anos 80 se deixou enganar e não percebeu a armadilha que Fortunatos Azevedos e Calheiros lhe iriam montar.
Domingo temos de nos lembrar que mesmo que eles sejam menos, que as vitórias deles pareçam tão distantes como as do Barcelona, que mesmo que até nós (às vezes) achemos que aquela gente até é um bocadinho maior que aquele bairrismo, é preciso ganhar. É preciso ganhar, mesmo que ninguém a sul do Douro vá ouvir bocas.
Odeio profunda e eternamente o fêcêpê. Detesto. São a face de dentes podres do futebol português. Odeio-vos, odeio-vos, odeio-vos. Tenho nojo. Não vejo notícias vossas, desligo a televisão quando estão a ganhar.
Mas não quero ganhar para vos arreliar. É pelo Benfica. Pelo meu Benfica.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O derby


O derby é o maior jogo do país. Só a sua aproximação aumenta a frequência cardíaca do país, já que nele se encontram as duas equipas com mais adeptos do país (apesar de uma larga distância entre as duas). O jogo contra os verdes é a única altura em que não estou concentradíssimo no final prize: ganhar-lhes por si dá gozo, mesmo que não contasse para nada.
O jogo de sábado soube-me a pouco. Uma equipa que quer ser campeã quando empata na casa do 8º classificado está, obviamente, a perder dois pontos. Acho que Jesus teve medo do impacto psicológico que uma derrota nos poderia ter causado e contentou-se em segurar um empate. Sem forçar, empatámos com uma equipa que fez o melhor jogo da época (e, como em todos os anos, o seu jogo mais importante).
Como explicar o derby aos adeptos do clube culpado de tentativa de corrupção?
Bem, há fenómenos fáceis: os lagartos, como muito bem aqui foi escrito, vivem uma existência relativa e, inclusive, têm já alguns distúrbios de personalidade, na medida em que se identificam com tudo o que odiar o glorioso manto vermelho.




 (retirado do site oficial da lagartada)

Mas há algo mais. A lagartada, por muito miserável que seja, tem o condão de disputar connosco cada café, cada local de emprego. Em todos os sítios onde se fala cinco minutos de futebol, há sempre um anormal que acha que o Moutinho é um grande médio centro que não de matraquilhos / subbuteo. E é essa permanente disputa em todo o país que torna este jogo grande e único em Portugal.
Eu cresci num sítio onde nunca ninguém ouviu falar do clube do presidente que leva senhoras da noite e beijarem a mão do Papa. Os meus arqui - inimigos futebolísticos (aqueles tipos a quem, depois de uma vitória, apetece gritar TOMA LÁ!) sempre foram lagartos. Joguei o derby toda a vida, no campo de futebol improvisado na primária e joguei-o sempre que num jantar da faculdade os verdes infectos tentavam atacar o Benfica. Todos os dias na rua ouço um deles dizer uma alarvidade daquelas que nos faz logo pensar: “Lagarto…” e penso nas mil e uma maneiras de o desmentir.
Daí que o empate me saiba mal. Aturar aqueles snobs que vivem num complexo imenso de inferioridade para connosco a achar que são da nossa gema, é horrível. Benfica e verdes não são comparáveis e com este empate eles podem pensar que sim. E isso custa-me. Irrita-me.
O derby é incrível porque é grande, porque retrata a luta do clube do povo, vermelho e vibrante, cheio de vida, contra a aristocracia de dentes podres, que olha para nós com uma inveja brutal e que tudo o que sempre quis e quer é ser como nós.

O derby é fantástico porque o que acontece naqueles 90 minutos acontece todos os dias das nossas vidas, quando discutimos futebol e os esmagamos com aquele argumento que eles não estão à espera e gritamos “Golo!” na nossa cabeça, enquanto nos imaginamos vestidos à Benfica, a festejar um golo no estádio deles.

Aquele jogo

É estranho viver numa cidade onde as pessoas não sabem conduzir nas rotundas (se algum lisboeta me está a ler, quando se quer sair na primeira não se entra tudo para a esquerda na rotunda, OK?), onde atravessar o rio nunca se faz sem filas de trânsito de mil quilómetros e onde tudo pára por causa daquele jogo. Afinal, o que é que aquilo tem de especial?

Ora vejamos. Há duas equipas: uma de vermelho, outra de verde. Parece o Natal. Há dois tipos de adeptos: uns são parolos, os outros são queques. Parece uma praia algarvia no Verão. É que nem sequer o árbitro anima, porque está tão habituado a roubar para os dois, que não sabe para onde se virar.

É claro que é o maior derby de Portugal, o maior clássico, o maior tudo. É o único equilibrado, o único onde ano após ano se discute um segundo ou terceiro lugar, o único onde, aconteça o que acontecer, no dia seguinte há sempre um denominador comum: com este resultado, ficamos a quantos pontos do Porto?

Mas fora quando começam todos à porrada, ou quando são expulsos, ou quando se lesionam, ou - o meu sonho - quando um dá um murro, leva vermelho e ao sair tropeça e parte uma perna... qual é a piada?

Pois é, a piada está quando um perde e isso dá jeito ao meu clube. Não tenho vergonha nenhuma de assumir - pelo contrário, tenho orgulho em dizê-lo - que já torci por uns e outros. Já festejei golos do Sabry e do Liedson como se estivessem de azul (blhack, que nojo).

É um bocado como se o tempo parasse, a Terra deixasse de girar e eu ficasse durante 90 minutos fora de mim. Há coisas mais importantes do que desejar que caia uma bomba na Segunda Circular naquela altura. Há pontos em jogo, pontos que me vão dar jeito. É preciso estar atenta, é preciso avisar-te que não é falta sobre o Aimar porque ele se atirou (mais uma vez...) para o chão, é preciso pedir falta sobre o Liedson e amarelo para o David Luiz, é preciso defender umas bolas porque o Polga e o Carriço são os piores centrais do mundo.

Sim, este ano tinha de estar pelos verdes. Primeiro porque os outros vão à frente e segundo porque fico sempre com pena destas equipas pequenas e por isso quero que ganhem. Eu não sei torcer por eles, é verdade e difícil e dói, por isso o truque é torcer contra os outros. E isso é fácil e até sabe bem.

Correu mal, o empate não sabe a nada. E o tempo volta a correr, a Terra recomeça a girar e eu volto a odiar ambos da mesma forma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A selecção de todos vós: ponto de vista Benfiquista

Não me interessa a selecção nacional. Sou louco por Europeus e Mundiais pelo seu misticismo, mas não me sobra paixão nenhuma pela equipa portuguesa porque o Benfica me leva tudo. Irrita-me que as mesmas pessoas que não têm qualquer respeito pela minha loucura futebolística diária possam, naqueles dias da “equipa de todos nós”, dizer todas as alarvidades sobre futebol que lhes passarem na cabeça.
Mas há o ponto de vista “histórico – político” da selecção que importa nunca esquecer: as lutas dos clubes à volta da mesma. E aqui, por uma questão de militância Benfiquista, há opiniões que não posso deixar de ter. Scolari chegou a Portugal como campeão do mundo e abriu uma guerra contra o clube azul ao fazer-lhes ver que, ao contrário do braga e tantos outros, não iria ao beija - mão. Mais, percebeu depressa o domínio sobre clubes mais pequenos (com medo que lhes aconteça o que aconteceu ao Portimonense ou Campomaiorense) e viu como as coisas funcionavam. Comprou uma guerra com um sistema que há muito se sabe mexer nestas coisas.
Não tenho nada a favor de Scolari, este é-me completamente indiferente. Mas a partir do momento em que afrontou o futebol clube do porto e o seu sistema, não me resta mais que defender o senhor como aliado nessa jornada. E por muito que custe aos azuis, a não convocação de Vitor Baía (e por conseguinte, a não convocação das amigas da Paula para os estágios) defendeu um grupo que de 2004 a 2006 alcançou resultados espectaculares. Repito, estou-me completamente a borrifar para estes “resultados espectaculares”. Mas estes resultados eram um dedo do meio bem estendido ao fã de… Carlos Queirósz.
Pinto da Costa (PdC), animal político, colou-se mais depressa ao homem que fez a substituição que recordo com mais carinho na minha vida (para os ignorantes: Queirósz era o treinador dos lagartos no 3-6 de alvalade e, ao intervalo, resolveu retirar o Paulo Torres, defesa esquerdo, permitindo que o Benfica marcasse 3 golos por esse lado) do que aos presidentes da câmara do Porto.



Ora, posto isto, os resultados e futebol da selecção do tipo que foi bicampeão mundial de juniores com uma dupla de avançados que tinha uma média de idades de 29 anos serão irremediavelmente comparados aos de Scolari. A dicotomia é tão óbvia que PdC convidou o seleccionador nacional para ver o fcp – Leixões do ano passado ao seu lado na tribuna presidencial e este, vejam a pouca vergonha, até queria jogar o playoff no dragão. O estádio é mais pequeno, portanto tirando o descarado favor ao dono, não há razão racional para o fazer. Claro que estamos a falar do recordista de derrotas consecutivas do Real Madrid no campeonato, portanto pode haver qualquer coisa na manga. Mas até ver, o que Queirósz fez foi uma colagem aberta ao clube do Guarda Abel. E isso, como Benfiquista, é mais que razão para querer a eliminação de Portugal na quarta feira.




Claro que há outros argumentos: o apuramento pode fazer com que jogadores azuis e verdes se poupem durante a época para a África do Sul ou, ainda, pode fazer com que estes se lesionem em jogos de preparação na ânsia de se mostrarem. Esta é, para mim, a única razão para querer que a selecção do Madaíl passe. Porque pode beneficiar o Benfica. De resto, estou-me a borrifar.

A selecção de todos vós: ponto de vista portista

Eu fui ver a final do Euro 2004 e senti-me única, ou não tivesse sido a única pessoa que fala português que saiu do estádio da luz contente. Foi o final perfeito para mim. Tinha-me rido com as cabazadas dos jogos de preparação, tinha rejubilado com o primeiro jogo com a Grécia e tinha ficado verdadeiramente irritada quando a minha equipa campeã europeia foi chamada a intervir para levar aqueles marmanjos à final.

Não é que eu estivesse mesmo, mesmo a torcer contra eles. Para isso, era preciso eu dedicar-me àquilo com algum ódio e não me dei a esse trabalho. Mas, quando entrei naquele estádio, algo me obrigou a ficar com a equipa visitante. Ainda por cima eram de uma cor linda. Estava tudo a nosso favor. E ganhar com um frango do Ricardo é ou não é o sonho de qualquer adepto de futebol?



O Mundial 06 e o Euro 2008 passaram-me mais ao lado, no que à selecção portuguesa diz respeito. Torci por Itália e Espanha (esta minha mania de ganhar...) e ignorei o resto. Se em 2004 ainda tinha aquela raivazinha pós-Baía-eleito-melhor-guarda-redes-da-Europa-mas-não-convocado-para-a-selecção, nos quatro anos seguintes já não sentia mesmo nada.

Entrei num estado de letargia, interrompido apenas por breves momentos de ódio profundo a todos aqueles que não percebem NADA de bola, nunca falam de bola, não vivem para a bola, mas que durante estes campeonatos se sentem na obrigação de reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar as caras de vermelho e verde (com estas cores, queriam mesmo que eu fosse por eles?) e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.



E depois, ele foi embora. O Queirós é mais simpático e a raivazinha já não faz sentido. E agora? Poderei continuar a ignorar a selecção?

Foste tu que me respondeste a esta pergunta. Tu, com essa tua admiração pelo homem que se atreveu a desafiar o Porto, mas que não ganhou NADA. Tu, com esse teu sorriso ao cantarolares a música do Baía fora da selecção, como se a tua equipa tivesse alguém de jeito naquele onze. Tu, com esse teu empenho em que Portugal não vá à África do Sul, só porque agora já não é uma equipa anti-Porto.

E assim aprendi a gritar “golo” quando a selecção marca (parêntesis para garantir que só o faço quando é um jogador do Porto a marcar e não um gajo qualquer que eu odeio). Não é um “GOLO” como se o Porto tivesse marcado ao rio ave, e certamente nunca será um “GOOOOOOOOOLOOOOOOOOO” como se o Porto acabasse de marcar na luz. Mas é um “golo” simpático, sem raivazinha à mistura.

Continuo sem conseguir parar de torcer para que o liedson se lesione, ou para que o simão se assuma como homossexual. Lamento, mas a resposta que me deste não me motiva o suficiente para reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar a cara de vermelho e verde e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.

A verdade é que o Queirós tem piores jogadores, não tem uma equipa campeã europeia montada e não tem, definitivamente, a nossa senhora do caravaggio. Mas acredito que, na mesma situação, ele não iria dar esta bofetada gay:

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O nosso Benfica - porto

Sou do Benfica desde que me lembro de ser gente. O Benfica faz parte de mim como se fosse parte imprescindível do meu corpo. Se eu não fosse do Benfica não era eu, era outra pessoa que me mete nojo só de imaginar.
O Benfica faz parte de mim desde sempre. Cresci com Paneira, Mozer, Thern, Valdo e tantos outros. As camisolas vermelhas tão berrantes, o Estádio da Luz enorme, imponente. Quando penso no meu clube, emociono-me. É como se fosse demasiado grande para caber só em mim. O Benfica sou eu, mas é também o meu pai, o D., o F. e o amigo do meu pai que ontem foi connosco à Luz e gritou comigo aquela cabeçada do Javi Garcia (e, como sou doente, ao escrever isto não consigo deixar de fazer um gesto de cabeceamento – perfeito, aliás – e abrir os braços enquanto ouço aquele GOOOOOOOOOOLOOOOOOOOOOOO!!!! que a Luz gritou ontem).

Quero que o Benfica seja campeão como quem quer entrar na faculdade ou um emprego. É de todos os projectos da minha vida aquele a que, claramente, dedico mais tempo a pensar. Quero que o Benfica ganhe o Campeonato e depois outro e depois outro e por ai adiante. As Taças e a Europa são muito engraçadas, mas não me fascinam. Quero o Campeonato. Doentiamente.
Sei que é contigo que o vou discutir. Os lagartos são o comic – relief do campeonato e o braga uns tipos chatos que hão-de ir abaixo (esperamos nós), portanto isto no fundo resume-se a nós e vocês. O Bem e o Mal.
Estou contente com o Benfica deste ano, mas os anos ensinaram-me a desconfiar. Não sei se a equipa aguenta este ritmo e tenho medo que uma boa carreira na Europa nos lixe fisicamente. E para um defensivista como eu, este esquema é uma crueldade permanente para o meu sistema nervoso (aquele tipo da Naval ontem, sozinho desde antes do meio campo, tirou-me anos de vida e roubou-me paciência que eu devia guardar para os nossos netos), portanto temo inclusive que o Benfica seja campeão, mas que eu não chegue a Maio.

Estou doido para que o Benfica mantenha ou alargue a vantagem para o teu clube. Revejo mil vezes por dia os nossos e os vossos pontos fortes e fracos, como se o facto de eu pensar muito no assunto pudesse melhorar o Benfica e piorar-vos.
Amo o Benfica, fiquei doido com o jogo de ontem, passei a manhã a trocar mensagens com obcecados como eu e todos concordamos: é preciso ganhar em alvalade, sim. Mas é preciso ganhar lá como quem tem de ganhar em Vila do Conde ou em Leiria. Fundamental é ganhar ao porto na Luz. Ai sim, decide-se muito disto.
Só penso no Benfica. Quero muito isto. Quero muito o meu Benfica feliz outra vez. Porque o amo. Porque não me faz sentido que vocês ganhem. Porque odeio tanto o teu clube como gosto de ti.

O nosso Porto-benfica

Antes de mais nada, olá a todos e espero que gostem. E viva o Porto!

Parece-me um bocado injusto iniciar esta aventura online numa altura em que a balança tende claramente para um dos nossos clubes. Assim é mais fácil um de nós ter moral e argumentos para atacar o outro. Esperto, portanto, que te aguentes com o facto de eu ser tetra.

Por outro lado, não podíamos ter escolhido melhor semana para divulgar a nossa já antiga constatação de que somos adeptos dos dois grandes de Portugal: Porto e benfica (maldito word que me coloca esta palavra com maiúscula e me obriga ao trabalho de voltar atrás e corrigir). Como tal, este blog representa tudo o que interessa no futebol português.

E, tendo isso em conta, apresento-me: sou do Futebol Clube do Porto desde que nasci, desde que a minha família assim o obrigou (desejou talvez ficasse mais bonito), desde que cresci na cidade mais maravilhosa do mundo, desde que comecei a falar com sotaque, desde que comecei a andar até ao Estádio das Antas.

Quem me conhece sabe que não havia outra hipótese. É verdade que nunca joguei futebol (as raparigas basicamente não o sabem fazer) e que só coleccionei cromos porque tenho um irmão. Eu nem sei como se calçam umas chuteiras, confesso. Mas fiquei com o resto.

Apaixonei-me por ver este desporto. E, como sou orgulhosamente fanática e não uma adepta do fair-play, este desporto para mim resume-se a um clube. Claro que gosto de acompanhar os outros campeonatos, saber quem são os outros jogadores, ver bons golos e boas jogadas. Mas tudo isso se evapora quando, por exemplo (e aviso já que vou dar um exemplo mesmo inconcebível), o Porto perde com o marítimo. E tudo depende disso.

Continuando com hipóteses impossíveis e absolutamente fictícias, imaginem que o Porto está a cinco pontos da liderança e que eu estou a ver um lyon-marselha espectacular, escaldante, recheado de golos. O que penso? Que o futebol é lindo? Que nojo.

Penso que tenho saudades do Lisandro e do Lucho. Momento triste. Penso como seria se cá estivessem. Momento nostálgico. Penso que somos capazes de dar a volta e que não é pela falta deles que não vamos lá. Momento de esperança. Penso que sou uma otária em pensar assim, que o Lisandro e o Lucho já lá vão e que é preciso é ir ganhar à luz. Momento de raiva.

E assim passo uns bons minutos da minha vida a pensar nisto. E passam 24 horas e eu continuo a pensar mais ou menos nisto, acrescentando-lhe um penalty que ficou por marcar para a naval. E já passaram mais umas boas horas e a coisa está mais ou menos na mesma.

Não sei se é obsessão, doença, ou paranóia. Nem sequer sei se amor ou paixão se encaixam bem nisto. Sei que estou obcecada em tentar perceber o que está mal na minha equipa. Sei que estou doente por a tua equipa ter mais pontos do que a minha. Sei que fico paranóica quando chegas a casa e eu estou a pensar que o benfica é uma merda. Só sei que amo o meu clube e que gosto tanto de ti como odeio o teu.