segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A selecção de todos vós: ponto de vista portista

Eu fui ver a final do Euro 2004 e senti-me única, ou não tivesse sido a única pessoa que fala português que saiu do estádio da luz contente. Foi o final perfeito para mim. Tinha-me rido com as cabazadas dos jogos de preparação, tinha rejubilado com o primeiro jogo com a Grécia e tinha ficado verdadeiramente irritada quando a minha equipa campeã europeia foi chamada a intervir para levar aqueles marmanjos à final.

Não é que eu estivesse mesmo, mesmo a torcer contra eles. Para isso, era preciso eu dedicar-me àquilo com algum ódio e não me dei a esse trabalho. Mas, quando entrei naquele estádio, algo me obrigou a ficar com a equipa visitante. Ainda por cima eram de uma cor linda. Estava tudo a nosso favor. E ganhar com um frango do Ricardo é ou não é o sonho de qualquer adepto de futebol?



O Mundial 06 e o Euro 2008 passaram-me mais ao lado, no que à selecção portuguesa diz respeito. Torci por Itália e Espanha (esta minha mania de ganhar...) e ignorei o resto. Se em 2004 ainda tinha aquela raivazinha pós-Baía-eleito-melhor-guarda-redes-da-Europa-mas-não-convocado-para-a-selecção, nos quatro anos seguintes já não sentia mesmo nada.

Entrei num estado de letargia, interrompido apenas por breves momentos de ódio profundo a todos aqueles que não percebem NADA de bola, nunca falam de bola, não vivem para a bola, mas que durante estes campeonatos se sentem na obrigação de reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar as caras de vermelho e verde (com estas cores, queriam mesmo que eu fosse por eles?) e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.



E depois, ele foi embora. O Queirós é mais simpático e a raivazinha já não faz sentido. E agora? Poderei continuar a ignorar a selecção?

Foste tu que me respondeste a esta pergunta. Tu, com essa tua admiração pelo homem que se atreveu a desafiar o Porto, mas que não ganhou NADA. Tu, com esse teu sorriso ao cantarolares a música do Baía fora da selecção, como se a tua equipa tivesse alguém de jeito naquele onze. Tu, com esse teu empenho em que Portugal não vá à África do Sul, só porque agora já não é uma equipa anti-Porto.

E assim aprendi a gritar “golo” quando a selecção marca (parêntesis para garantir que só o faço quando é um jogador do Porto a marcar e não um gajo qualquer que eu odeio). Não é um “GOLO” como se o Porto tivesse marcado ao rio ave, e certamente nunca será um “GOOOOOOOOOLOOOOOOOOO” como se o Porto acabasse de marcar na luz. Mas é um “golo” simpático, sem raivazinha à mistura.

Continuo sem conseguir parar de torcer para que o liedson se lesione, ou para que o simão se assuma como homossexual. Lamento, mas a resposta que me deste não me motiva o suficiente para reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar a cara de vermelho e verde e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.

A verdade é que o Queirós tem piores jogadores, não tem uma equipa campeã europeia montada e não tem, definitivamente, a nossa senhora do caravaggio. Mas acredito que, na mesma situação, ele não iria dar esta bofetada gay:

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