quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aquele jogo

É estranho viver numa cidade onde as pessoas não sabem conduzir nas rotundas (se algum lisboeta me está a ler, quando se quer sair na primeira não se entra tudo para a esquerda na rotunda, OK?), onde atravessar o rio nunca se faz sem filas de trânsito de mil quilómetros e onde tudo pára por causa daquele jogo. Afinal, o que é que aquilo tem de especial?

Ora vejamos. Há duas equipas: uma de vermelho, outra de verde. Parece o Natal. Há dois tipos de adeptos: uns são parolos, os outros são queques. Parece uma praia algarvia no Verão. É que nem sequer o árbitro anima, porque está tão habituado a roubar para os dois, que não sabe para onde se virar.

É claro que é o maior derby de Portugal, o maior clássico, o maior tudo. É o único equilibrado, o único onde ano após ano se discute um segundo ou terceiro lugar, o único onde, aconteça o que acontecer, no dia seguinte há sempre um denominador comum: com este resultado, ficamos a quantos pontos do Porto?

Mas fora quando começam todos à porrada, ou quando são expulsos, ou quando se lesionam, ou - o meu sonho - quando um dá um murro, leva vermelho e ao sair tropeça e parte uma perna... qual é a piada?

Pois é, a piada está quando um perde e isso dá jeito ao meu clube. Não tenho vergonha nenhuma de assumir - pelo contrário, tenho orgulho em dizê-lo - que já torci por uns e outros. Já festejei golos do Sabry e do Liedson como se estivessem de azul (blhack, que nojo).

É um bocado como se o tempo parasse, a Terra deixasse de girar e eu ficasse durante 90 minutos fora de mim. Há coisas mais importantes do que desejar que caia uma bomba na Segunda Circular naquela altura. Há pontos em jogo, pontos que me vão dar jeito. É preciso estar atenta, é preciso avisar-te que não é falta sobre o Aimar porque ele se atirou (mais uma vez...) para o chão, é preciso pedir falta sobre o Liedson e amarelo para o David Luiz, é preciso defender umas bolas porque o Polga e o Carriço são os piores centrais do mundo.

Sim, este ano tinha de estar pelos verdes. Primeiro porque os outros vão à frente e segundo porque fico sempre com pena destas equipas pequenas e por isso quero que ganhem. Eu não sei torcer por eles, é verdade e difícil e dói, por isso o truque é torcer contra os outros. E isso é fácil e até sabe bem.

Correu mal, o empate não sabe a nada. E o tempo volta a correr, a Terra recomeça a girar e eu volto a odiar ambos da mesma forma.

2 comentários:

  1. Como eu festejei aquele livre do Sabry :D Sentido de oportunidade, há que torcer por quem nos dá mais jeito!

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  2. Esse golo não era preciso... O empate chegava para os vossos planos. Festejaram em vão!

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