segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A selecção de todos vós: ponto de vista Benfiquista

Não me interessa a selecção nacional. Sou louco por Europeus e Mundiais pelo seu misticismo, mas não me sobra paixão nenhuma pela equipa portuguesa porque o Benfica me leva tudo. Irrita-me que as mesmas pessoas que não têm qualquer respeito pela minha loucura futebolística diária possam, naqueles dias da “equipa de todos nós”, dizer todas as alarvidades sobre futebol que lhes passarem na cabeça.
Mas há o ponto de vista “histórico – político” da selecção que importa nunca esquecer: as lutas dos clubes à volta da mesma. E aqui, por uma questão de militância Benfiquista, há opiniões que não posso deixar de ter. Scolari chegou a Portugal como campeão do mundo e abriu uma guerra contra o clube azul ao fazer-lhes ver que, ao contrário do braga e tantos outros, não iria ao beija - mão. Mais, percebeu depressa o domínio sobre clubes mais pequenos (com medo que lhes aconteça o que aconteceu ao Portimonense ou Campomaiorense) e viu como as coisas funcionavam. Comprou uma guerra com um sistema que há muito se sabe mexer nestas coisas.
Não tenho nada a favor de Scolari, este é-me completamente indiferente. Mas a partir do momento em que afrontou o futebol clube do porto e o seu sistema, não me resta mais que defender o senhor como aliado nessa jornada. E por muito que custe aos azuis, a não convocação de Vitor Baía (e por conseguinte, a não convocação das amigas da Paula para os estágios) defendeu um grupo que de 2004 a 2006 alcançou resultados espectaculares. Repito, estou-me completamente a borrifar para estes “resultados espectaculares”. Mas estes resultados eram um dedo do meio bem estendido ao fã de… Carlos Queirósz.
Pinto da Costa (PdC), animal político, colou-se mais depressa ao homem que fez a substituição que recordo com mais carinho na minha vida (para os ignorantes: Queirósz era o treinador dos lagartos no 3-6 de alvalade e, ao intervalo, resolveu retirar o Paulo Torres, defesa esquerdo, permitindo que o Benfica marcasse 3 golos por esse lado) do que aos presidentes da câmara do Porto.



Ora, posto isto, os resultados e futebol da selecção do tipo que foi bicampeão mundial de juniores com uma dupla de avançados que tinha uma média de idades de 29 anos serão irremediavelmente comparados aos de Scolari. A dicotomia é tão óbvia que PdC convidou o seleccionador nacional para ver o fcp – Leixões do ano passado ao seu lado na tribuna presidencial e este, vejam a pouca vergonha, até queria jogar o playoff no dragão. O estádio é mais pequeno, portanto tirando o descarado favor ao dono, não há razão racional para o fazer. Claro que estamos a falar do recordista de derrotas consecutivas do Real Madrid no campeonato, portanto pode haver qualquer coisa na manga. Mas até ver, o que Queirósz fez foi uma colagem aberta ao clube do Guarda Abel. E isso, como Benfiquista, é mais que razão para querer a eliminação de Portugal na quarta feira.




Claro que há outros argumentos: o apuramento pode fazer com que jogadores azuis e verdes se poupem durante a época para a África do Sul ou, ainda, pode fazer com que estes se lesionem em jogos de preparação na ânsia de se mostrarem. Esta é, para mim, a única razão para querer que a selecção do Madaíl passe. Porque pode beneficiar o Benfica. De resto, estou-me a borrifar.

A selecção de todos vós: ponto de vista portista

Eu fui ver a final do Euro 2004 e senti-me única, ou não tivesse sido a única pessoa que fala português que saiu do estádio da luz contente. Foi o final perfeito para mim. Tinha-me rido com as cabazadas dos jogos de preparação, tinha rejubilado com o primeiro jogo com a Grécia e tinha ficado verdadeiramente irritada quando a minha equipa campeã europeia foi chamada a intervir para levar aqueles marmanjos à final.

Não é que eu estivesse mesmo, mesmo a torcer contra eles. Para isso, era preciso eu dedicar-me àquilo com algum ódio e não me dei a esse trabalho. Mas, quando entrei naquele estádio, algo me obrigou a ficar com a equipa visitante. Ainda por cima eram de uma cor linda. Estava tudo a nosso favor. E ganhar com um frango do Ricardo é ou não é o sonho de qualquer adepto de futebol?



O Mundial 06 e o Euro 2008 passaram-me mais ao lado, no que à selecção portuguesa diz respeito. Torci por Itália e Espanha (esta minha mania de ganhar...) e ignorei o resto. Se em 2004 ainda tinha aquela raivazinha pós-Baía-eleito-melhor-guarda-redes-da-Europa-mas-não-convocado-para-a-selecção, nos quatro anos seguintes já não sentia mesmo nada.

Entrei num estado de letargia, interrompido apenas por breves momentos de ódio profundo a todos aqueles que não percebem NADA de bola, nunca falam de bola, não vivem para a bola, mas que durante estes campeonatos se sentem na obrigação de reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar as caras de vermelho e verde (com estas cores, queriam mesmo que eu fosse por eles?) e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.



E depois, ele foi embora. O Queirós é mais simpático e a raivazinha já não faz sentido. E agora? Poderei continuar a ignorar a selecção?

Foste tu que me respondeste a esta pergunta. Tu, com essa tua admiração pelo homem que se atreveu a desafiar o Porto, mas que não ganhou NADA. Tu, com esse teu sorriso ao cantarolares a música do Baía fora da selecção, como se a tua equipa tivesse alguém de jeito naquele onze. Tu, com esse teu empenho em que Portugal não vá à África do Sul, só porque agora já não é uma equipa anti-Porto.

E assim aprendi a gritar “golo” quando a selecção marca (parêntesis para garantir que só o faço quando é um jogador do Porto a marcar e não um gajo qualquer que eu odeio). Não é um “GOLO” como se o Porto tivesse marcado ao rio ave, e certamente nunca será um “GOOOOOOOOOLOOOOOOOOO” como se o Porto acabasse de marcar na luz. Mas é um “golo” simpático, sem raivazinha à mistura.

Continuo sem conseguir parar de torcer para que o liedson se lesione, ou para que o simão se assuma como homossexual. Lamento, mas a resposta que me deste não me motiva o suficiente para reunir os amigos no Castelo do Queijo, pintar a cara de vermelho e verde e gritar por jogadores que já marcaram golos ao meu clube.

A verdade é que o Queirós tem piores jogadores, não tem uma equipa campeã europeia montada e não tem, definitivamente, a nossa senhora do caravaggio. Mas acredito que, na mesma situação, ele não iria dar esta bofetada gay:

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O nosso Benfica - porto

Sou do Benfica desde que me lembro de ser gente. O Benfica faz parte de mim como se fosse parte imprescindível do meu corpo. Se eu não fosse do Benfica não era eu, era outra pessoa que me mete nojo só de imaginar.
O Benfica faz parte de mim desde sempre. Cresci com Paneira, Mozer, Thern, Valdo e tantos outros. As camisolas vermelhas tão berrantes, o Estádio da Luz enorme, imponente. Quando penso no meu clube, emociono-me. É como se fosse demasiado grande para caber só em mim. O Benfica sou eu, mas é também o meu pai, o D., o F. e o amigo do meu pai que ontem foi connosco à Luz e gritou comigo aquela cabeçada do Javi Garcia (e, como sou doente, ao escrever isto não consigo deixar de fazer um gesto de cabeceamento – perfeito, aliás – e abrir os braços enquanto ouço aquele GOOOOOOOOOOLOOOOOOOOOOOO!!!! que a Luz gritou ontem).

Quero que o Benfica seja campeão como quem quer entrar na faculdade ou um emprego. É de todos os projectos da minha vida aquele a que, claramente, dedico mais tempo a pensar. Quero que o Benfica ganhe o Campeonato e depois outro e depois outro e por ai adiante. As Taças e a Europa são muito engraçadas, mas não me fascinam. Quero o Campeonato. Doentiamente.
Sei que é contigo que o vou discutir. Os lagartos são o comic – relief do campeonato e o braga uns tipos chatos que hão-de ir abaixo (esperamos nós), portanto isto no fundo resume-se a nós e vocês. O Bem e o Mal.
Estou contente com o Benfica deste ano, mas os anos ensinaram-me a desconfiar. Não sei se a equipa aguenta este ritmo e tenho medo que uma boa carreira na Europa nos lixe fisicamente. E para um defensivista como eu, este esquema é uma crueldade permanente para o meu sistema nervoso (aquele tipo da Naval ontem, sozinho desde antes do meio campo, tirou-me anos de vida e roubou-me paciência que eu devia guardar para os nossos netos), portanto temo inclusive que o Benfica seja campeão, mas que eu não chegue a Maio.

Estou doido para que o Benfica mantenha ou alargue a vantagem para o teu clube. Revejo mil vezes por dia os nossos e os vossos pontos fortes e fracos, como se o facto de eu pensar muito no assunto pudesse melhorar o Benfica e piorar-vos.
Amo o Benfica, fiquei doido com o jogo de ontem, passei a manhã a trocar mensagens com obcecados como eu e todos concordamos: é preciso ganhar em alvalade, sim. Mas é preciso ganhar lá como quem tem de ganhar em Vila do Conde ou em Leiria. Fundamental é ganhar ao porto na Luz. Ai sim, decide-se muito disto.
Só penso no Benfica. Quero muito isto. Quero muito o meu Benfica feliz outra vez. Porque o amo. Porque não me faz sentido que vocês ganhem. Porque odeio tanto o teu clube como gosto de ti.

O nosso Porto-benfica

Antes de mais nada, olá a todos e espero que gostem. E viva o Porto!

Parece-me um bocado injusto iniciar esta aventura online numa altura em que a balança tende claramente para um dos nossos clubes. Assim é mais fácil um de nós ter moral e argumentos para atacar o outro. Esperto, portanto, que te aguentes com o facto de eu ser tetra.

Por outro lado, não podíamos ter escolhido melhor semana para divulgar a nossa já antiga constatação de que somos adeptos dos dois grandes de Portugal: Porto e benfica (maldito word que me coloca esta palavra com maiúscula e me obriga ao trabalho de voltar atrás e corrigir). Como tal, este blog representa tudo o que interessa no futebol português.

E, tendo isso em conta, apresento-me: sou do Futebol Clube do Porto desde que nasci, desde que a minha família assim o obrigou (desejou talvez ficasse mais bonito), desde que cresci na cidade mais maravilhosa do mundo, desde que comecei a falar com sotaque, desde que comecei a andar até ao Estádio das Antas.

Quem me conhece sabe que não havia outra hipótese. É verdade que nunca joguei futebol (as raparigas basicamente não o sabem fazer) e que só coleccionei cromos porque tenho um irmão. Eu nem sei como se calçam umas chuteiras, confesso. Mas fiquei com o resto.

Apaixonei-me por ver este desporto. E, como sou orgulhosamente fanática e não uma adepta do fair-play, este desporto para mim resume-se a um clube. Claro que gosto de acompanhar os outros campeonatos, saber quem são os outros jogadores, ver bons golos e boas jogadas. Mas tudo isso se evapora quando, por exemplo (e aviso já que vou dar um exemplo mesmo inconcebível), o Porto perde com o marítimo. E tudo depende disso.

Continuando com hipóteses impossíveis e absolutamente fictícias, imaginem que o Porto está a cinco pontos da liderança e que eu estou a ver um lyon-marselha espectacular, escaldante, recheado de golos. O que penso? Que o futebol é lindo? Que nojo.

Penso que tenho saudades do Lisandro e do Lucho. Momento triste. Penso como seria se cá estivessem. Momento nostálgico. Penso que somos capazes de dar a volta e que não é pela falta deles que não vamos lá. Momento de esperança. Penso que sou uma otária em pensar assim, que o Lisandro e o Lucho já lá vão e que é preciso é ir ganhar à luz. Momento de raiva.

E assim passo uns bons minutos da minha vida a pensar nisto. E passam 24 horas e eu continuo a pensar mais ou menos nisto, acrescentando-lhe um penalty que ficou por marcar para a naval. E já passaram mais umas boas horas e a coisa está mais ou menos na mesma.

Não sei se é obsessão, doença, ou paranóia. Nem sequer sei se amor ou paixão se encaixam bem nisto. Sei que estou obcecada em tentar perceber o que está mal na minha equipa. Sei que estou doente por a tua equipa ter mais pontos do que a minha. Sei que fico paranóica quando chegas a casa e eu estou a pensar que o benfica é uma merda. Só sei que amo o meu clube e que gosto tanto de ti como odeio o teu.