quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

2010

Em 2010 fomos Campeões. A jogar lindamente, a meter medo quando entrávamos em campo. Parece que foi há mil anos, mas foi ainda neste. A maneira como Saviola se mexia entre o lateral e o central e no espaço entre o trinco e os centrais era divina. Aimar parecia que tinha 20 anos, Di Maria finalmente crescera e à direita estava um rapaz de selecção brasileira. Tudo ia bem.

Não consigo engolir que no final de 2010 não continuemos em primeiro. Não consigo perceber como é que uma equipa que ganha 24 jogos em 30 de repente desaparece e  foram tantos os erros de gestão em tão pouco tempo que até me custa escrever isto.

Foram aqueles 3 secos na final da Taça da Liga depois de jogarmos à Benfica em Marselha.
Os 4 ao Leixões, com um mal anulado pelo Lucílio, num daqueles jogos em que antes encostávamos sempre.
O Aimar a sentar o Rui Patrício, a bola adiantada e ele acelera a passada e mete-a por cima do Grimi.
O sofrimento estúpido do jogo com a Naval e em Coimbra.
A alegria da Luz. Ser Campeão.

E de repente, 3 jogos perdidos em 4. E aquilo no Dragão. Exibições patéticas na Champions.
A equipa sem alegria, a fazer-nos um favor por estar em palco. Já não há sorrisos, já não há garra, já não puxam por nós ao ponto de puxarmos mais por eles (o golo do Javi à Naval).
Tudo são sombras de um 2010 que me parece ter sido noutra vida. O problema é meu, que de tanto sofrer nem consigo gozar como deve ser as vitórias.
2010 parece-me ter sido noutra vida. E em Maio de 2010 eu fui tão, mas tão feliz.

Bom 2011, Benfica. Por favor, faz o milagre de ainda voltares a ser Campeão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O próximo é para si, Pôncio

O "Jogo Falado" era uma espécie de tradição lá em casa. Não que precisássemos de ajuda para analisar qualquer lance, não que escutássemos com muita atenção o que os outros tinham para dizer. Gostávamos era de o ouvir a ele.

Sempre com uma resposta na ponta da língua, com o olhar mais isento e imparcial dos comentadores desportivos... e aquele seu arquivo.

Que saudades vou ter do seu arquivo. Qualquer engano de um árbitro a favor do Porto era contraposto por 5 ou 6 que o mesmo árbitro tinha feito contra o FCP ou a favor dos outros. Ou então falava noutro árbitro. Ou então falava de outra coisa qualquer.

Quando era miúda só pensava que adorava ter aquela mala dele, onde supostamente ia "ao arquivo". Hoje acredito que aqueles papéis não diziam nada e que estava tudo na cabeça dele, sempre pronto a defender as nossas cores.



Não tenho grande jeito para clichés, pelo que a única coisa que lhe quero dizer é que espero que a sua homenagem chegue já no final deste campeonato. Pelo seu portismo, pelo seu tripeirismo, pela sua raça, pelo seu humor... o próximo é para si, Pôncio.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dois anos é muito tempo

Manuel Fernandes diz que daqui a dois anos vai ponderar se continua no futebol. Tenho pena, porque dois anos parecem-me uma eternidade de equipas a jogarem mau futebol e a darem paulada à grande. Mas vamos mesmo ter de o aturar.

E por que razão disse o treinador do setúbal isto? Porque o jogo no Dragão foi um escândalo, um roubo de igreja, uma coisa nunca antes vista! Em Portugal é assim: quando um árbitro não prejudica o FCP, é notícia.

É evidente que o resultado foi influenciado pelo árbitro. Nenhum dos penalties devia ter sido assinalado e, como o Porto acertou e o setúbal não, teve influência. Não percebo a gritaria com a repetição do penalty. Quer dizer, percebo o desespero, mas regras ainda são regras.

O que me fez confusão é como só agora perceberam que Elmano Santos é dos piores árbitros do mundo. Só podem ser pessoas que não viram um já longínquo leiria-Porto decisivo para nos “arrancar” um campeonato.

Eu, ao contrário do açoriano Carlos César (uma pitadinha de actualidade nunca fez mal a ninguém), não sou muito adepta das compensações, mas a verdade é que, olhando para os números, Elmano Santos, um indefectível lagarto, compensou a roubalheira de alvalade.

E é aqui que quero criticar um pouco o meu clube. O facto de não terem vindo a público treinador, presidente, jogadores, roupeiros, apanha-bolas, tudo e todos, denunciar que o árbitro prejudicou claramente o FCP contra o sportem com influência no resultado deixa-nos frágeis aos ataques que se vão suceder esta semana. Irrita-me esta mania de ter pena dos lagartos, como se essa gente merecesse. Fomos roubados em casa de um rival e não nos devíamos calar nunca!

Adiante, e por falar em críticas, não percebo muito bem a ideia de colocar em Viena a equipa titular, num campo propenso a lesões (Fernando e Varela…), que exigia um esforço fora do normal, o que naturalmente se veio a reflectir. Eu quero ganhar a “AeroLigue”, é um facto, mas já estava no papo André.

Por último, queria lembrar que Moretto já foi do benfica e que se um guarda-redes ex-FCP tivesse mamado um frango daqueles íamos ter de ouvir falar disto durante muito tempo. E, já agora, que pena Elmano Santos não ter estado na luz para apitar um penalty dos verdadeiros.

domingo, 28 de novembro de 2010

Caça ao Porto

A expressão de André Villas-Boas peca por defeito. Ontem não houve uma caça ao homem a Moutinho. A época é de caça, sim, mas é ao Porto. Vale tudo para tentar que chegue finalmente a tão desejada primeira derrota.

Vale, por exemplo, modificar o significado das palavras que constam no dicionário.

Daniel Carriço: "Mostrámos que o FCP não é imbatível".

imbatível = que não se consegue bater ou derrotar.


Vale também acreditar que o resultado foi outro.



Vale esperar que uma vitória ao Porto possa valer 13 pontos.

Flash interview da Sporttv: “Com este resultado, o sportem está relançado na luta pelo título?”

Valem golos em fora-de-jogo.

Paulo Sérgio: “O Jorge Sousa não merece que lhe faça qualquer reparo”

Vale tudo mesmo.



É verdade que o sportem entrou bem no jogo (após o Falcao ter falhado um golo isolado) e que dominou a primeira parte, com a ajuda da célebre táctica leonina de parar a bola e esperar pela corrente de ar para cair e umas pitadas de táctica boavisteira de usar a “agressividade” para dar umas belas porradas.

Na segunda parte, o Porto entrou por cima e ia lançado para mais uma vitória quando Liedson fez aquilo que mais sabe fazer: esperar, esperar, esperar pelo contacto e arrancar uma expulsão. A partir daí, e mesmo com mais um, não vi nenhuma equipa a dominar a outra. Parece que toda a gente estava satisfeita com o empate.

O que é engraçado nisto tudo é que eu ainda sou uma nostálgica, agarrada a um passado já distante, em que o sportem era um dos grandes. Era suposto, portanto, eu sair contente de alvalade, porque empatei com um concorrente directo em casa dele e porque continuo a 13 (treze!!!) pontos de distância dele. Mas não, saí chateada porque eles não valem nada e se não fosse o árbitro a história tinha sido outra.

Já eles saíram sob os aplausos do público, falaram aos jornalistas com sorrisos e afirmaram categoricamente que provaram como a equipa está bem. Estão cada vez mais parecidos com aquelas equipas de meio da tabela de quem se fala duas ou três vezes por época, quando conseguem arrancar um empate a um grande e ficam todos contentes.

Quanto ao árbitro, não tenho mais a dizer, a não ser que me irrita que ande toda a gente preocupada com Porto e benfica quando estes gajos são claramente os mais beneficiados esta época.



Portistas, continuem atentos porque a caça ao Porto é para continuar. Vai ser assim semana após semana, tentando que pelo menos um deles se aproxime de nós. Nada está ganho.

Últimas palavras para João Moutinho, que ontem provou ser muito superior àquele clube. Fartou-se de levar porrada, fez ouvidos moucos aos histéricos lagartos que mais uma vez formaram um jogador que tanto jeito nos dá e foi decisivo na jogada do golo. Nem quero imaginar como deve estar feliz por finalmente estar num clube que lidera a tabela, que tem a melhor equipa de longe, que joga sem precisar do árbitro. Rapaz, como diz a canção, este ano é para ganhar. Ser campeão. Ser campeão.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O charlatão

Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis d'ouro a um tostão
enriquece o charlatão



No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro f'rido

e outro em França (em Inglaterra, no caso) anda perdido



É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga




No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome


É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-s'em quatro zonas
instalados em poltronas



Pr'á rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca d'alguns patacos



É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Entre a rua e o país
vai o passo dum anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão


"Desculpem cantar coisas tão pouco actuais" - José Mário Branco, 24/11/2010, no concerto da Greve Geral após cantar sobre outros charlatães.

Operação Coração: vamos ajudar o benfica

Quarta-feira, dia de greve geral, a primeira da minha curta vida de trabalhadora. Fiquei em casa porque trabalho muito e ganho pouco, porque para o ano vou pagar mais luz, água, telefones, comida, roupa e todos esses meus "luxos" e porque este país está, a bem dizer, uma valente merda. Perdi um dia de salário e nada vai mudar, mas pelo menos dormi bem.

Ou teria dormido, se neste dia não tivesse acontecido o pior cenário possível para Portugal. Não, não chegou o FMI. Ainda não, os salários não foram cortados novamente. O benfica é que não ganhou a Champions.

Alguns dir-me-ão que a Liga dos Campeões não é bem a Euroligue, que poucos a conseguem ganhar, que o Platini fez isto de forma a que só os grandes da Europa a alcancem. Verdade. Mas Jorge Jesus tinha prometido vencer a prova e eu, ao contrário de muitos ingratos, não duvido do homem.

Estava plenamente convencida que o benfica ia levantar aquela Taça em Maio. Mesmo quando levaram baile de uma equipa alemã e outra francesa que estavam em decadência. Eu acreditei! Mesmo quando levaram 5 dos maus lá de cima. Eu acreditei que nos podíamos concentrar em trazer a Champions para Portugal!

Mas, pelos vistos, os judeus voltaram a lixar o Jesus. Portanto, o futuro adivinha-se negro. No futebol, só podemos falar do Barça-real da próxima jornada, porque somos todos pelo Mourinho, pelo Rónáldo e pelo Di Magia (o Ricardo Carvalho e o Pepe são feios). E venha de lá esse fundo europeu, esse FMI, qualquer coisa que nos ajude a levantar o benfica, porque este país assim não vai para a frente.

P.S. Sábado, em alvalade, serei aquela que vai estar sempre a cantar pelo Moutinho. Como sempre, aliás, mas agora a música é outra.

domingo, 14 de novembro de 2010

Do Porto desde pequenino

Curiosamente, uns dias antes do benfica ter sido humilhado no Dragão, o seu presidente completou sete anos no cargo. E acho indecente ninguém celebrar a data. Por isso, serei eu a fazê-lo.

LFV não teve uma tarefa fácil em assumir-se no benfica, já que teve de suceder a um burlão e a um bêbado. Mas apresentou-se como uma grande promessa, o chamado Kadafi dos Pneus. Logo se viu que estávamos a falar de gente séria.

Antes, já tinha deixado o mundo de boca aberta com a transferência mais marcante de sempre. “A transferência de Mantorras é superior à do Figo. Mantorras vale 18 milhões de contos”, disse ele. E ninguém teve dúvidas disso. Aliás, só com um presidente tão bom como este é que foi possível segurar o avançado mais caro do mundo até Cristiano Ronaldo.

LFV criou uma ideia onírica, quase de D. Sebastião, com a mítica frase “estamos a entrar num novo ciclo”. Mesmo antes de ser presidente, por exemplo, já dizia que o benfica tinha “a coluna vertebral do futuro campeão europeu”. Falava do Maniche, que realmente veio a ser campeão europeu dois anos depois. Mas lá que tinha razão, tinha.

A época em que assumiu o cargo, aliás, foi das mais produtivas de sempre no que a grandes hits de LFV diz respeito. “Vamos chegar ao título de certeza”, dizia em Dezembro. “O benfica será mais forte que o real madrid”, completava em Abril de 2003, uns dias antes do Porto vencer a Taça Uefa (e se tornar campeão, que azar!).

E se há coisa que LFV conseguiu foi tornar o benfica no maior clube do mundo. De seis milhões de adeptos, passaram para mais do dobro. “Podemos corresponder às expectativas dessa massa enorme de 14 milhões de benfiquistas”, calculou em 2005. Hoje, serão cerca de 30 milhões, mais coisa, menos coisa.

A meta de sócios prova isso mesmo. Em 2004, LFV dizia que só saía do benfica quando atingisse o número de meio milhão de sócios. Felizmente, estão muito longe disso, o que nos assegura algumas décadas de LFV. Pelo meio, ficou isto: “Se o benfica não tiver 300 mil sócios até Outubro, demito-me” (em Junho de 2005). Também felizmente, quando LFV faz uma promessa, já se sabe que não é bem para cumprir.

Em 2006, com o benfica campeão após uma época em que o Apito Dourado conseguiu acabar com todas as dúvidas do futebol português e em que o EstorilGate não foi apelativo o suficiente para ser investigado da mesma forma, LFV começou verdadeiramente a pensar em grande. “Em 2011, o benfica será um colosso europeu”. E ainda tem um mês e meio para o conseguir!

O Porto voltou a ganhar, mas LFV nunca foi homem de desistir. Mais tarde, dizia: “Temos o melhor plantel dos últimos 10 anos”. Com muita pena minha, isso significou ficar a 17 pontos do FCP, a quem foram retirados seis pontos para resolver todos os problemas do futebol português.

Enfim, há momentos que só LFV foi capaz de nos proporcionar. Como quando o benfica foi campeão naquela modalidade que arrasta multidões.



Quem não recordará para sempre os discursos sempre lidos com hesitação, longas pausas para relembrar o abecedário baixinho, e as entrevistas com tiradas certeiras como a avaliação de Hulk? “Jogou contra o benfica e não ganhou. Jogou contra arsenal e foi goleado. É o jogador do campeonato que perde mais bolas”, disse em entrevista a Miguel Sousa Tavares, confessando mesmo que não gosta da “maneira” como o avançado brasileiro joga. No domingo, deve ter ficado surpreendido com aquele número 12 do Porto que joga como o caraças!

Um dos aspectos da carreira de LFV que não posso esquecer é a sua ligação ao meu clube, do qual foi sócio durante 24 anos. Durante os sete anos da sua presidência, o Porto foi campeão cinco vezes, o que é de assinalar. A manter esta média, pode mesmo superar Pinto da Costa.

E por falar nele, é impossível dissociar LFV do presidente do seu clube do coração. Na arte da imitação, LFV não tem muito jeito, mas a intenção para mim já conta. Tenta falar como ele, fazer as coisas como ele, negociar como ele. Mas tem mais azar e normalmente acaba a dizer que não conhece jogadores como o Hulk, a contratar grandes bluffs (ficou-nos com o Moretto, o malandro!) e a vender jogadores abaixo da cláusula de rescisão.

Parece-me evidente que LFV sonhava ser Pinto da Costa. Pelo menos foi ficando com os restos. “Contratou” a Filomena quando o Pinto a despachou, esqueceu as belas figuras da outra na luz com o cartaz para o “orelhas” e “contratou” a amiga Pinhão para lhe escrever um livro, “contratou” ainda o amigo Veiga, porque faltava um bocadinho mais de trafulhice no clube... E acabou por contratar o amigo do Pinto, Jorge Jesus, a quem agora atribui disfarçadamente todas as culpas da humilhação da semana passada.

As capas da Bola têm sido evidentes: LFV não os tem no sítio e, por isso, optou por colocar o alvo no treinador. E é aqui que tenho de colocar de parte toda a ironia e o sarcasmo e admitir que a táctica está a correr na perfeição. Os adeptos já criticam Jesus, que o ano passado estava anos-luz à frente de Mourinho, há uma certa claque a ir aos treinos pressioná-lo, e basta falhar um objectivo para sair pela porta pequena. O herói será, certamente, o presidente que mais uma vez afasta um cancro do benfica.

Praticamente nenhum lampião anda preocupado com as ligações do presidente do benfica a Madrid e a Angola. Os interesses da sua imobiliária ou o financiamento do ditador José Eduardo dos Santos não são nada comparados com os inúmeros títulos que LFV conquistou para o benfica. Há, aliás, um certo orgulho em ter como presidente um gajo que conseguiu burlar o BPN.

Foi por isso que hoje não fiquei surpreendida quando, uma semana depois do Dragão, ouvi o speaker da luz a fazer a contagem: “benficaaaaaaaaa... QUATRO!!!, navaaaaaal... ZERO!!!”. Como tudo o que tenta pôr em prática, LFV aprendeu isto no FCP.

E eu gostei. Porque apesar de ter falhado mais uma vez (nós não gritámos "benfica... ZERO", dissemos apenas "visitantes... ZERO!!!" - aprende, homem!), lá vi os parolos todos aos saltos, super contentes, como se com mais um golo o benfica tivesse conseguido limpar o goal average. Estão satisfeitos com o seu presidente. E eu também.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lá em casa estamos em paz

Eu e o M. temos um problema: gostamos tanto um do outro que quando os nossos clubes se defrontam o vencedor nunca fica tão contente como devia, só de ver a cara do outro. Ou melhor, até fica, mas não o pode demonstrar.

Lá em casa não há aquele “TOMAAAAAAAAAAAAAAA!” que tanto prazer me deu gritar no domingo no Dragão, com algumas palavras menos bonitas pelo meio. Não há gestos feios, palavras ofensivas ou provocações, como ambos já fomos apanhados a fazer na televisão. No fundo, lá em casa, somos uns meninos.

A única diferença entre nós e aqueles casais que vão para os estádios de mãos dadas, caras pintadas, cachecóis diferentes, dar beijinhos para serem fotografados é que somos ambos doentes. Nunca nos passou pela cabeça ir ver este Porto-benfica juntos. Nem este, nem nenhum.

Para nós, um Porto-benfica é sempre uma guerra. Esteja a classificação como estiver, incentivem à violência que incentivarem, mandem as bolas de golfe que mandarem. É guerra.

Tentamos não falar disso durante a semana e não comentamos as opções dos treinadores. Como se estivéssemos a revelar um segredo ao inimigo.

Durante o jogo só o perdedor tem direito a mandar mensagens a insultar a sua equipa. O vencedor tem de fazer de conta que não fica feliz por isso.

Quando nos vemos depois do jogo pode falar-se de: meteorologia, geopolítica internacional, literatura chinesa e cinema norueguês. Somos pessoas cultas.

Nos dias seguintes há alguns desabafos entre os dois, mas preferimos de longe os telefonemas para casa, para aqueles que nos percebem. A minha família, por exemplo, tem passado a semana a telefonar-me para perguntar como está o M. Preocupam-se com ele, porque sabem que se fosse ao contrário eu estaria de rastos. E é precisamente isso que faz com que eu consiga gozar toda a gente no trabalho, na rua, na net, mas que me controle mal entro lá em casa. É que nós somos de clubes muito diferentes, mas somos totalmente iguais nas vitórias e nas derrotas.

Por isso, M., desculpa-me andar tão feliz. Não tenho culpa de ser do melhor clube do mundo. Obrigada por o ano passado teres sido tão compreensivo quando foste campeão. Eu estou muito mais habituada a isso, mas saíste-te bem. Quando voltares a casa, juro que não vais ter um poster gigante do Hulk à porta.

Este post era suposto ser para aquelas pessoas que nos acham malucos. Mas acho que não ajudei a melhorar a nossa imagem.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Gostava muito que isto não me afectasse, mas afecta.

Para o meu Pai, para o Fernando e para o David, que são do Benfica como eu, que sofreram domingo o que eu sofri.

Dizem-me que é só um jogo, que aquilo não conta para nada. Há quem me tenha dado batidas condescendentes nas costas, houve os risos dos que não percebem nada do jogo e até os cumprimentos honestamente pesarosos de quem, mesmo estando do outro lado, sabe o que isto custa.
Vieira e seus pares terão, porventura, tido uma segunda feira mais sossegada nas suas mansões. Fizeram as suas malas para Angola onde farão discursos vazios e onde aproveitarão o nome Benfica para ganhar mais algum para os seus negócios. As suas contas bancárias continuaram, decerto, com mais dígitos que o meu NIB, e se calhar enfrentaram a 2ª feira sem mais nenhum problema. As parangonas dos desportivos já pouco devem dizer a esta gente e acho que, quando a direcção reunir, cheia de CEOs e de gente muito importante, a única referência ao jogo de domingo será numa base de cálculo para as vendas de camisolas e coisas assim. Duvido que alguma dessas pessoas frequente sequer um café ou, mesmo que o faça, que a fama de Benfiquista seja tal que seja gozada.
Eu sou aquele Benfiquista que toda a gente conhece no local de trabalho. Eu sou aquela pessoa de quem toda a gente que me conhece se lembra quando vê qualquer notícia sobre o Benfica na televisão. Eu amo o Benfica mais do que muitas coisas que as pessoas normais gostam na sua vida e não ponho a hipótese de ser quem sou, como ser humano, se fosse de outro clube. Era outro que não eu. Eu sou do Benfica até à morte, o Benfica faz parte de mim e tenho mais orgulho nisso do que na minha profissão ou do que 99% das conquistas da minha vida.
No domingo adormeci mal, dormi pouco e acordei a meio da noite sem conseguir adormecer. Entrei no trabalho e perguntaram-me se tinha morrido alguém. Passei o dia ao telefone com as poucas pessoas que conheço que são tão doentes como eu e que compreendem a dor que aquilo é. Não é o gozo, não são as piadas dos outros. Quando o Benfica perde - e sobretudo quando perde assim - podiam-me bater 4 horas sem parar que não ia doer mais. Se o Benfica tivesse perdido no domingo e só eu tivesse sabido, eu ficava fodido - sim, fodido, não é lixado, nem zangado, nem triste, nem o caralho, era mesmo fodido - como fiquei.
Portanto, o que me dói é ver o Benfica gerido por uma estrutura não só ditatorial, com um tipo que rouba e rouba bem, com um tipo que controla um jornal como "A Bola" com um rigor que até fere a vista - e quem viu a capa do mesmo ontem e hoje percebe como Vieira já lavou as mãos e já tem um alvo que leve com o descontentamento do adeptos - mas também por uma cambada de incompetentes que se está a borrifar para o que isto implica.
Eu, se trabalhasse para o Benfica e errasse, vinha pedir desculpa a chorar. Eu, se fosse jogador do Benfica, matava-me - literalmente, se fosse preciso - em campo. Se mandasse, obrigava desde o ponta de lança até ao motorista que leva os miúdos do basquetebol infantil aos jogos fora a darem o que têm e o que não têm pelo Benfica. Mas não. O capitão do Benfica resolveu dar uma cotovelada a um gajo para se por a milhas do inferno que estava a ser o jogo de domingo. O presidente (um anormal que só ganhou dois campeonatos e que lixou logo a seguir os 11 que os conquistaram) está ocupado a burlar o BPN ou a fazer negócios com o Eduardo dos Santos. Eu só queria, por um período suficientemente grande na minha vida que limpasse toda a merda que eu já vi, que limpasse toda a merda que eu já sofri, tudo o que eu já chorei em silêncio e nunca disse a ninguém, que o Benfica fosse gerido por gente capaz, com um rumo que não fosse meter dinheiro nos bolsos já cheios, mas sim fazer gente como eu feliz. Eu só pedia isso.
A pouco e pouco hei-de conseguir recuperar a fome, o sono e o interesse pelas banalidades da vida. Estou melhor, obrigado a quem se preocupou.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Significado de humilhar

1. Tornar humilde.
2. Rebaixar, vexar.
3. Tratar desdenhosamente a.
4. Abater, submeter.
5. Mostrar humildade.
6. Submeter-se; render-se; prostrar-se.


Estou rouca. Já não ia ao Dragão há demasiado tempo. Tinha saudades das noites frias do Porto, do meu cachecol com dez anos de bancada, dos amigos tão ou mais doentes do que eu. Foi tudo perfeito, não foi?

Foi perfeito que o presidente do benfica tenha passado semanas a falar disto. De boicote em boicote, de ameaça em ameaça, ele só pensava em nós. Valeram a pena todas as palavrinhas do senhor, todas as horas que o ministro disponibilizou para receber a comitiva da verdade desportiva. Às tantas mais valia ter levado com mil bolas de golfe em cheio na testa.

Foi perfeito que tenhamos feito história contra o benfica de Jesus, o treinador mais intocável de sempre até ontem e que, no final da partida, praticamente afirmou que não foi um resultado assim tão anormal. Ele lá sabe.



Foi perfeito que tenham sido completamente engolidos pela verdade desportiva, com um árbitro que é sócio deles e que ainda conseguiu prejudicar o Porto.

Foi perfeito que o seleccionador do Brasil tenha preferido o David Luiz ao Hulk há umas semanas, porque já nessa altura só mesmo o Ricardo Araújo Pereira é que achou que essa escolha fazia algum sentido.

Foi perfeito ver o Sapunaru - outra das vítimas da época passada - a tapar com tanta classe o super Coentrão, o herói nacional que já deve valer perto de 100 milhões, mas que lá deverá ser vendido abaixo da cláusula de rescisão.

Foi perfeito ver o Rui Costa na bancada do Dragão, todo cheio de peneiras no início do jogo, mas a sair de fininho como quem não quer a coisa, porque naquele clube ninguém sabe dar a cara nestes momentos.

Foi perfeito que o Luisão tenha tentado agredir o Guarin. Um belo exemplo de um capitão.

Foi perfeito que os adeptos do benfica se tenham deslocado ao Dragão apesar do boicote-que-afinal-não-é-boicote. As imagens das suas caras deviam passar com bolinha vermelha no canto superior direito.

Foi perfeito que alguém com uma bela dose de sentido de humor tenha conseguido entrar com um frango na bancada e que tenhamos feito aquela contagem de "Porto 5, visitantes 0".



Estamos com a pica toda, ganhámos sem espinhas e somos, mais uma vez, demasiado bons para este campeonato. Mas nada está ganho e devemos lembrar-nos todos os dias do que tivemos de suportar no ano passado para que todas estas vitórias saibam ainda melhor. Quanto a vocês, caros lampiões, tirem lá essas caras que até mete dó.

domingo, 31 de outubro de 2010

Serenata à chuva (ou qualquer outro título rasca)

Parece-me unânime que o académica-Porto não se devia ter realizado. Quem pagou bilhete merecia muito mais do que 22 jogadores a chutar a bola para a frente num lamaçal. No entanto, como irmã de um jogador da 2ª Divisão Distrital do Porto, cujos relvados, mesmo secos, se assemelham a qualquer coisa como uma pedreira, parece-me demasiado snobe achar que o futebol não merece ser jogado à chuva.

E até houve coisas bonitas de se ver. Maicon, por exemplo, pareceu-me talhado para a bela arte do pontapé para a frente. Varela conseguiu marcar um golaço. Belluschi passou duas vezes a bola por cima de um rapaz que me pareceu muito chateado com o facto. E Moutinho não consegue livrar-se do bruxedo lagarto de acertar na barra (guarda-te para alvalade, rapaz).

Também houve coisas menos bonitas. O Orlando, por exemplo, - jogador que eu muito prezava por me ter dado uns belos pontos no egolo – podia ter visto as imagens do penalty que tanto pediu para perceber que não existiu. E o Jorge Costa, antes de se queixar do último lance da partida, podia ter visto que no livre que o origina é o jogador da académica que dá uma cotovelada na zona de fazer filhos do Guarin.

Feitas as contas, foi uma vitória importantíssima. E sim, houve estrelinha nestes 3 pontos, porque se aquele livre entra eu só estaria aqui a enumerar as razões pelas quais o jogo devia ter sido adiado. Ainda assim, não percebo os senhores jornalistas que viram a académica dominar na primeira parte. Fora o tal livre, não me lembro de nenhum lance de perigo dos estudantes, mas lembro-me do Falcao falhar um golo sozinho e do Hulk fazer mais um remate perigoso.

A diferença do Porto do ano passado para este Porto é enorme. Joga-se melhor, sim, tem-se mais vontade, sim, mas sobretudo noto que esta estrelinha está a brilhar intensamente. E nós, doentes, sabemos como isto conta. O ano passado foi esta estrelinha que marcou ao braga na luz, lembram-se? Também foi esta estrelinha que deixou o Jorginho marcar em alvalade. Também foi ela que empurrou a bola do Derlei para o fundo da baliza em Sevilha. Portanto, querida estrelinha, contamos contigo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Quo Vadis, Benfica?

Era óbvio que íamos ganhar em Portimão: estou no estrangeiro e isso nunca falha. Mas até ao longe se vê quão mal jogamos. O Benfica arrasta-se em campo, sem alegria, sem paixão, cumprindo os mínimos que, unidos ao Campeonato de 2009/2010, previnem que a equipa saia de campo debaixo de assobios.
Continuamos - e continuaremos - a pagar o facto de não se terem comprado jogadores (bons, maus, assim-assim) para as posições dos que sairam.
O treinador mantém o discurso do ano passado quando a equipa está a milhas do que brilhou. Um dia (com os azuis?) a casa virá finalmente abaixo e um reality check chegará à Luz.
Ganhámos 4 últimos jogos no campeonato e, tirando contra o Braga (que não vi, mas pelo que li), parece que só batemos equipas com projecção ofensiva nula, incapazes de nos fazer sofrer em contra - ataque. No dragão, face à velocidade do contra golpe azul, vamos manter os três (sim, três!) números 10 à frente de Javi Garcia? Enfim.




De resto, nada de novo no futebol português: pelo que leio, a União de Leiria foi ao dragão sem Silas, Hugo Gomes e Vinicius (habituais titulares) por...opção técnica. E Carlão começou no banco. Ainda assim, parece que jogaram "sem medo".

Mas, mais vergonhoso ainda, sobretudo para um clube com a história democrática e - porque não dizê-lo? - anti-fascista como o Sport Lisboa e Benfica, é a notícia que vamos a Luanda servir de compinchas a uma ditadura. Um nojo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Vítor Baía, um de nós

Nas paragens do campeonato surgem sempre fenómenos difíceis de controlar.

Há presidentes que, com os adeptos proibidos de irem aos jogos fora, mandam vir todos os bilhetes disponíveis para um jogo daqui a 15 dias e depois equacionam mesmo deixar as cadeiras vazias como forma de protesto pela falta de verdade desportiva.

Há treinadores que acham "normal" entrar num jogo em Lyon para a Champions como se fosse o Arouca em casa e que depois se queixam de não terem estado "em igualdade numérica com igual número de jogadores".

Há equipas que jogam com nove, espetam três num dos estádios mais temíveis da Europa e têm jogadores aplaudidos pelos adeptos adversários. Jogadores esses que, como se sabe, não teriam feito diferença nenhuma o ano passado.

Há ainda senhoras que uma célebre equipa especial do Ministério Público consideraram credíveis o suficiente para reabrirem processos que acabam condenadas a 300 horas de trabalho comunitário, como se não tivessem passado a vida toda a fazer isso mesmo.

E depois há umas declarações super polémicas que motivam que qualquer um mande o seu "bitaite" sobre o assunto.

Vítor Baía disse que no benfica ou no sporting teria tido outra projecção. Um escândalo! Uma grande revelação! Como se fosse uma grande surpresa imaginar que se o jogador com mais títulos de sempre tivesse sido de outro clube que não o Porto ainda hoje seria levado em braços por este país de feias invejites.

Abram alas à imaginação: Baía é um miúdo nas balizas encarnadas, ganha, ganha, ganha, vai para fora e ganha, regressa e ganha, é considerado o melhor guarda-redes da Europa e, como está nesse clube, vai à selecção e não sofre aquele frango monumental na final do Euro2004... Hoje já teria tido mil jogos de homenagem, teria duas ou três estátuas na Segunda Circular, estava constantemente nas capas dos jornais, era comentador em dois ou três canais... Enfim, um imenso mar de carreiras.

Mas não, Baía é portista. E por isso mesmo veio logo no dia seguinte jurar amor eterno ao nosso clube. Porque, de um lado, muitos adeptos do meu clube não usaram os neurónios para interpretar as suas palavras. E porque, do outro, muitos adeptos de outros clubes começaram a idolatrá-lo. Sem sequer pararem para imaginar como seria o futuro com Fernando Gomes (apoiado por LFV e Bettencourt) na Liga e Vitor Baía (apoiado pelos que lhe dariam outra projecção mediática) na Federação.

Quanto a mim, continuo a ver em Baía um ídolo máximo. Continuo a recordar todos os magníficos momentos em que tive o prazer de o ter na minha baliza. Continuo a vê-lo de azul dos pés à cabeça.

Quer queiram, quer não, é um de nós.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Duo D'Ataque e ameaças forever

Felizmente, tenho andado tão ocupada com bons trabalhos que não tenho tido tempo para estar atenta ao nosso querido futebol nacional. Da passada semana, só consegui reter três coisas:

1- o Rui Moreira saiu do Trio D'Ataque.
2- o presidente do benfica está louco.
3- a selecção ganhou.

Quanto à primeira, já vi o momento no YouTube (eu não assisto a programas com estes comentadores fracos, que admitem não ver os jogos mas os comentam na mesma porque o senhor presidente mandou...) e não consigo perceber a irritação de Rui Moreira. Por um lado, até parece que é novidade o serviço público de televisão permitir a divulgação de escutas e o gozo de pessoas absolvidas pelos tribunais (recordar o programa do Gato Fedorento dedicado a Pinto da Costa). E, por outro, acho mal tratarem assim pessoas que estão visivelmente avariadas. António Pedro Vasconcelos devia ter um "desconto de senil" para falar. Ainda há alguém que ouça o homem ou fazemos mesmo todos de conta?

Em relação à segunda, parece que o presidente do slb passou a semana a falar do jogo com o Porto. Alguém que o avise que antes o clube dele ainda vai a Portimão e recebe o paços, por favor, e que ainda corre o risco de chegar ao Dragão não com a camioneta partida, mas com dois números de diferença para o primeiro.
Pelos vistos, a ameaça é esta: se alguém fizer qualquer coisa à camioneta do benfica, algo de mal lhes vai acontecer e os lampiões podem mesmo não aparecer no jogo. Portanto, trocando por miúdos: peguem lá numa pedra e atirem àqueles gajos porque assim eles perdem o jogo automaticamente por falta de comparência. É uma ameaça inteligente, sem dúvida.

E, por último, admito que nem vi o jogo de Portugal. Eu agora só sou fã das conferências de imprensa do Paulo Bento, mais nada. FOREVER!!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A cortina de fumo

Assistimos, na 2ª feira, a mais um espectáculo made in Torre das Antas. O clube culpado de tentativa de corrupção - e isto foi o estado de Direito - a nova religião portista - que decidiu - queixa-se das arbitragens. Repito: um clube que é culpado - há provas e veredicto - de tentativa de corrupção, queixa-se dos árbitros. É bonito. E foi também de uma ironia quase enternecedora.
O fóculporto, vá-se lá saber porquê, com tanta vantagem, está nervoso. Só isso explica a histeria e o ridículo a que se deram na 2ª feira.
Assim, André Villas Boas, numa excitação de miúdo, veio refilar para a televisão sobre uma arbitragem que o beneficiou num penalty claro e que o roubou num fora de jogo (Falcao até falha o remate, fica ao critério de cada um se remata com convicção ou não). E disse coisas bonitas: a primeira que era a segunda arbitragem escandalosa em Guimarães. Ou seja, o treinador do fóculporto admite que só tem a vantagem que tem porque o Benfica foi ESCANDALOSAMENTE roubado por Benquerença. Se calhar é por isso que está nervoso, sabe-se lá.


A segunda é que quando Villas pediu o famoso penalty do minuto 77 (que vai ficar para o futebol português como dos maiores fantasmas de sempre), diz que foram os seus jogadores que lhe disseram. Ora, quem é que está no lance? Quem é o jogador do fóculporto que está no lance e atira a bola contra a mão de Alex na fantasiosa versão andrade? Tchan, tchan, tchan, tchan... Ruben Micael! Ah, o Ruben! O Ruben é um rapaz que sofre de delírios, de confabulações várias. Ruben Micael foi testemunha a favor de Hulk no caso do túnel da Luz quando era jogador do Nacional. É, portanto, um rapaz com uma imaginação muito forte, com rapaz que vê onde não está, que vê aquilo que a TV mostra ser falso. Ruben Micael, vejam lá, é um rapaz tão de bem, que acusou Jorge Jesus e Rui Costa de dizerem palavrões (omessa!) no intervalo do Benfica - Nacional da época passada. Logo ele, que está num clube onde o presidente acha que "filho da puta" é a coisa mais normal no mundo do futebol. E o pobre do Villas caiu na armadilha. Podia ter acreditado no Helton, no Falcao. E não, foi no tipo com problemas psiquiátricos. Coitado, ainda deve estar à espera do jogo do seu clube em solidariedade com a Madeira, está a ficar afectado.


Mas o clube do juíz Mortágua até tem um comentador que é tão límpido, tão correcto, que se levanta e se vai embora quando outrém fala de escutas que, para ele, não devem ser divulgadas. O homem leva mesmo aquilo a peito, até ao fim. Até se levanta impressionado por não aguentar o choque. Achará Rui Moreira que o fóculporto passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior?


Inacreditável. Vão em primeiro, tudo corre bem, têm juízes na mão, levaram árbitros ao Brasil, mas persistem no discurso dos coitadinhos que são perseguidos. A cortina de fumo é espessa, mas o ridículo transparece para lá disso.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mea culpa: o árbitro não errou. Foi só o fiscal-de-linha

André Villas-Boas já é o homem mais odiado de Portugal. O homem – aliás, o jovem – teve o descaramento de ganhar os jogos todos pelo Porto e de, quando empatou o primeiro, vir reclamar com um árbitro que, como se sabe, não tem clube acima de Santarém.

Obviamente que estava errado, eu percebi-o logo porque nem eu tinha pedido aquele penalty (e quando nem eu o vejo...). Mas só estava errado no conteúdo. Há um fora-de-jogo escandalosamente mal tirado ao Falcao, que seguia isolado para a baliza, e, apesar das imagens prontamente divulgadas do não penalty do Alex, alguém se esqueceu de mostrar a imagem do passe para o golo do guimarães (é que o mocinho pode vir lá do Egipto onde se corre muito, mas pelo menos na dúvida do fora-de-jogo ficámos...).

O M. está sempre a gozar-me porque eu sei nomes de fiscais-de-linha, bandeirinhas, vulgos liners. Como se fosse possível a algum portista não saber quem é o Bertino Miranda. Alberto Braga, por exemplo, é outro nome a reter. E ainda tenho de ir ver quem foi aquele génio que tirou um fora-de-jogo ao braga que deixava o Alan sozinho para o Roberto...

Mas, deixando de parte o conteúdo (porque o Porto podia e devia ter ganho aquele jogo mesmo contra eles todos), vamos à forma. A estratégia de Villas-Boas resultou na perfeição: durante a semana ninguém perguntou porque não foi o Porto atrás do segundo golo para segurar o resultado, ninguém questionou se as substituições foram bem feitas. Só se falou no imbecil do treinador do Porto que foi expulso sem ter razão.

Se resulta ou não resulta? Não sei, vamos ver. Eu, sinceramente, adoro ver os blogs, os facebooks, os twitters dos outros por estes dias. Villas-Boas está em todos, com um alvo bem apontado. É bom sinal, é porque está a fazer bem o trabalho dele. Eu, por exemplo, nem penso no Jesus (-7) ou no Paulo Sérgio (-1000). Com muita pena minha.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Só faltam ___ jogos para o Porto perder

Triste nação esta que numa só hora recebeu três notícias dramáticas: os impostos vão subir, os salários vão descer e o benfica perdeu. Estamos num beco sem saída: devemos dinheiro, mas não o temos, nem podemos pedi-lo emprestado, porque depois não vamos poder pagá-lo. E o Cardozo lesionou-se. É demasiado, não aguentamos mais.



A única vã esperança num futuro com comida na mesa e um sorriso na cara é a de que o Porto um dia vai perder. Seja no campeonato, na Taça, na Taça da Liga ou na Liga Europa, o Porto há de perder. É impossível ganhar os jogos todos para sempre. Tão certo como o sistema em que vivemos nunca passar a funcionar para nós, pobres ou classe média.

Por isso, enquanto o IVA vai para os 23%, os salários são cortados em média 5%, o nosso poder de compra desce ainda mais, o Sócrates e o Passos Coelho lutam pelo tacho e o benfica e o sportem metem dó... oremos já pelo guimarães, portugueses.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Benfica já não tem heróis

No futebol aplaudem-se os nossos, os heróis, os bons. Os bons são os vermelhos, como é óbvio. Os bons são do Benfica e os do Benfica deviam ser um arquétipo de comportamento exemplar, de dedicação máxima. Se o Benfica (e o futebol) fossem como eu imagino, o Benfica teria um número 10 lutador, com bons pés, que no fim do jogo vinha agradecer aos adeptos, que festejaria os golos sempre como eu. No Benfica não há disso.
É-me estranho falar assim de uma equipa campeã, mas já percebi que o título do ano passado foi, para estes jogadores, uma vontade que não lhes arde todos os anos.
Não acredito em ninguém e isso é triste, muito triste. Aimar e Saviola são génios, mas não estão aqui, não querem marcar um golo ao Rio Ave como se fosse a final do Campeonato do Mundo - e esta é, para mim, a exigência mínima a um jogador que vista o manto sagrado. Cardozo faz-nos um favor ao estar em campo. Há pior, como o cancro que temos a defesa esquerdo, mas a falta de qualidade é tão indesculpável que todos os dirigentes do Glorioso - num mundo racional - deviam pedir perdão aos sócios por não conseguirem ninguém melhor que aquilo.
David Luiz é um central da selecção brasileira. Tem capacidades físicas e técnicas inacreditáveis. Mas agora, além de manter a média de 5 anormalidades por jogo, resolveu mesmo nem trazer a vontade de jogar para o campo. A coisa, meus amigos, é contagiante. Jesus já não arregaça as mangas todos os jogos e já não grita tantos palavrões.
Ia escrever este texto dedicando-o ao Luisão. Ontem, mais uma vez, foi enorme. Um portento de central. É lento, mas é esperto. Parece desengonçado, mas está nos sítios certos. Ontem fiquei com pena dele, ali, perdido no meio de um Maxi que parece um fumador crónico a quem pediram a maratona, de um David Luiz que virava as costas à bola e aquela coisa que joga à esquerda.
Este texto era para ele. Mas depois lembrei-me das permanentes declarações de querer sair no ínicio da época, daquela inacreditável entrevista em pleno Mundial. E pronto, o texto deixou de ser para ele.
Já não tenho heróis no Benfica. Paneira, Rui Costa e Schwartz são as lendas que restam à minha memória, esses heróis que combatiam os maus. Hoje é como se os fatos de super heróis estivessem alugados a uns mercenários. O ano passado vestiram-no de forma soberba. Mas o hábito não faz o monge e ei-los, de novo, mercenários decadentes, completamente alienados do que é o Benfica, do quanto é importante que o Benfica ganhe para os Benfiquistas.
Eu dava tudo para vestir aquela camisola e aqueles tipos fazem-no como se fosse só mais uma. Hoje mal tenho raiva, estou só desiludido, estou cansado. Já não há heróis no Benfica.

domingo, 26 de setembro de 2010

Manifesto pela felicidade Benfiquista

Sinto o Benfica a jogar em esforço. O problema deve ser meu que sou um pessimista terrível. Mas é o feeling, é o que transparece dos jogos que me lixa. O ano passado a equipa entrava em campo de cabeça levantada, com uma fome de golos que metia medo. Metíamos medo. Este ano tudo é em esforço, tudo parece difícil.
Ando tão chateado com o que se passa este ano que nem escrevi depois de ganharmos o derby. Enerva-me que Cardozo só corra o que correu contra os verdes porque foi assobiado. Chateia-me que o César Peixoto faça o futebol parecer mais difícil do que um árbitro marcar um penalty contra o fóculporto.
David Luiz joga como se estivesse a fazer um frete e Saviola parece triste. Dá-me dó ver Maxi Pereira não ter pernas.
Toda a gente me diz que "já se vê qualquer coisa". Eu não vejo nada. Foram duas vitórias que o ano passado seriam dissecadas pela imprensa como sinais de que o Benfica não tinha pernas e que estava a cair.
Às vezes pergunto-me se sou só eu que sou assim tão pessimista e vejo tudo torto, mas a equipa entra em campo triste. E sinto que isso é sinal que mais tarde ou mais cedo vamos tropeçar (o ano passado havia a sensação de invencibilidade, de querer comer o mundo).
Chateia-me esta coisa da "psicologia", mas pelos vistos a coisa tem de fazer algum sentido. E o Benfica triste corrói-me. Não consigo ler jornais, não consigo ver programas de televisão e só ligo a TV mesmo à hora do jogo. Ganhámos dois zero aos verdes e soube-me a zero, ganhámos um jogo num campo difícil e fiquei lixado de como foi escusadamente sofrido.
Quero a folia, quero a paixão, quero sorrir como sorria o ano passado quando goleávamos. Quero ser feliz.
Quero chegar a casa e ver os desportivos na net, quero que me apeteça ler os blogs do Benfica em fase maníaca e rir-me dos outros, depressivos, tristes, com as camisolas meio desbotadas de tão intenso ser o nosso vermelho. Quero ligar ao meu pai 8 vezes por dia a falar do Benfica em vez da miserável média de 5 que andamos a fazer esta época. Quero que a equipa jogue com a vontade do Coentrão ontem, não quero sofrer tanto com esta merda, quero ganhar, ganhar, ganhar. *Quero ser feliz, porra! Quero ser feliz agora!


* José Mário Branco, FMI

sábado, 25 de setembro de 2010

Carta aberta ao Ricardo Araújo Pereira

Como todos os bons textos em que vamos cair em cima de alguém sem dó nem piedade, devo começar por dizer ao Ricardo Araújo Pereira que eu era uma grande fã do Perfeito Anormal, que lançou os Gato Fedorento para uma ascensão meteórica, que, até ver, terminou naqueles anúncios ridículos da Meo.

Considero-o um grande humorista, porque acima de tudo é inteligente e tem uma grande noção da actualidade – o que, diga-se de passagem, é uma obrigação na sua profissão. Feitos os elogios, vamos ao que realmente interessa.

Os adeptos fanáticos são sempre de saudar. Eu vivo com um que é do seu clube, por isso já está a ver até que ponto vai a minha tolerância com pessoas que são tão doentes como eu com isto do futebol. E o seu fanatismo nunca me fez qualquer tipo de confusão. Consigo rir-me com a palhaçada dos “quinje a zero” (excelente caricatura do adepto lampião, aliás) e até o fui defendendo quando decidiu, em pleno horário nobre do serviço público de televisão, dedicar um programa a enxovalhar o meu presidente com piadas do mais baixo nível que este país já viu (e sabe como isto é difícil…).

O problema é que eu não consigo perceber o que é que o Futebol Clube do Porto em geral e o Pinto da Costa em particular lhe fizeram de tão mal na vida para merecerem tanto a sua atenção nas crónicas semanais na Bola, o jornal perfeito para explanar os seus vastos conhecimentos de futebol.

Isto é, eu percebo que, tendo o Ricardo nascido em 1974 (apesar de você ser um dos 100 “grandes portugueses”, 75 lugares atrás de Salazar, não sei a sua data de nascimento, pelo que espero que a wikipédia esteja certa), tenha sido complicado assistir à transformação do futebol português. Certamente a sua família lhe transmitiu que o benfica era uma coisa que o Ricardo pouco conseguiu ver.

O que foi vendo foi aquele clubezito de uma cidade algures a 300 quilómetros da sua a ganhar coisas que o Ricardo nunca presenciou. Sabe, eu só tenho 23 anos e estive em Sevilha e em Gelsenkirchen, pelo que sou uma pessoa muito feliz.

Ainda assim, parece-me que anda a exagerar nas suas crónicas. E eu estudei jornalismo como você (embora não tenha sido na Católica, porque eu sou uma agnóstica convicta), por isso sei bem que nas crónicas se podem escrever as maiores alarvidades. A de hoje, por exemplo, mostra bem como o FCP lhe anda a tirar muitas horas de sono que devia usar para pensar melhor naquelas piadas giríssimas dos anúncios da Meo.

Não vou estar aqui a analisar linha a linha o que escreveu, mas queria relembrar-lhe, por exemplo, que depois de Alex Ferguson ter mandado aquela piada mal interpretada dos títulos do Porto serem comprados no supermercado (o que ele queria dizer é que eram demasiado fáceis. E são) levou um banho de bola no Dragão, ao qual se seguiram muitos outros até à vitória na Liga dos Campeões. Mas não sei se os terá visto, porque naquela época não havia benfica tv.

A sua piadola sobre o seleccionador do Brasil ter seguido “instruções” do seu homónimo (e, decerto, amigo) Ricardo Costa (já agora, aprecio que o trate por doutor, é bonito termos respeito por aqueles que nos ajudam) para não convocar o Hulk, mas só o David Luiz, também é de grande gabarito. Aliás, basta ligar a televisão (até a benfica tv) para ver como entre um e outro não há dúvida de quem está em melhor forma. E as estatísticas dizem que desde que o tal Givanildo voltou do castigo “exemplar” o Porto ganhou todos os jogos. O David Luiz ganhou agora dois seguidos, não foi? Reforço: os seus vastos conhecimentos de futebol deixam-me assoberbada.

A maneira como consegue ligar a derrota do braga à goleada que o Porto sofreu em Londres e como ainda tem tempo para gozar os erros linguísticos de André Villas Boas (aliás, nisto dos erros, você está à vontade para falar porque o seu treinador é um grande exemplo) são caracteres a mais para quem apenas e só desejava escrever que odeia o Porto com tanta força como ama o benfica.

Por mim, está à vontade. Eu sou toda apologista do ódio ao adversário e do anti-fair-play. Só quero é que a minha equipa ganhe, tal como o Ricardo. Mas garanto-lhe que não passo tanto tempo como você a pensar nisso. Sou mais de ir à bola, apoiar a minha equipa, ganhar, dormir em paz. Mas eu, enfim, sou uma mera adepta que sabe o nome do seu clube aquando da sua fundação.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quem é aquele novo Gerrard do Liverpool?

Esta semana, no ginásio (eu e o M. andamos a treinar para os Jogos Olímpicos de 2012), estive a ver o manchester-liverpool do último domingo. E que jogão! Se não o viram, tentem apanhar uma repetição porque vale mesmo a pena.

Afinal, a Premier League não está assim tão morta como o barcelona e o real madrid nos querem fazer crer. O ritmo continua a ser alucinante, os árbitros continuam a deixar jogar, os golos continuam a deixar-nos de boca aberta e os jogadores continuam a ser de topo.

Nani, por exemplo. Está feito um senhor. Não percebo como é que continuamos excitadíssimos com o Rónáldo a fazer uma época mediana no real com este rapaz a passar-se completamente em Inglaterra.

Mas a minha atenção foi, confesso, para um rapaz de cabelo rapado, cheio de tatuagens, que se mexe no meio-campo do liverpool quase como se o Gerrard tivesse voltado a ter 20 anos. Digo quase porque eu sou muito exigente, uma vez que para mim Gerrard já foi o melhor jogador do mundo sem que o próprio mundo o tenha notado.

Meireles (agora já não é Raúl) não teve, provavelmente, a despedida do Dragão que merecia. Deu-nos muito, é verdade, mas também se portou mal na última época e já se sabe como nós não sabemos perdoar estas coisas. O que não me impede, contudo, de ficar muito orgulhosa de o ver a ter tanto sucesso numa casa mítica.

Por isso, e com umas semanas de atraso, desejo-lhe a maior sorte do mundo e peço-lhe desculpa por este país que não tira os olhos do Rónáldo, do Mourinho e do Di Maria (que eu não sabia ser português).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Mourinho a presidente!

Júlio Verne demorou 80 dias a dar a volta ao mundo, mas José Mourinho só vai precisar de meia dúzia para colocar isto na ordem. O convite do génio Madail está feito: o treinador só tem de vir cá uns dias num jacto particular, escolher os onzes para os jogos com a Dinamarca e a Islândia de maneira espectacular, fazer seis substituições milagrosas e, se lhe apetecer mas a malta também não faz questão, ganhar.

Tudo isto de forma absolutamente grátis, porque José Mourinho é um homem de enorme coração e está claramente mais preocupado com os dois jogos de apuramento para o Euro2012 do que com qualquer favorecimento pessoal que possa tirar da situação. Parece que já estou a ver um anúncio do BES com Mourinho a garantir que tem um feeling, mas que a sua conta não vai aumentar à custa disso. É um homem de causas, como se sabe.

Da minha parte, só posso pedir para aproveitarmos esta humilhação internacional de suplicarmos por um treinador para coisas secundárias ao futebol.

Por exemplo, podiam pedir ao Mourinho para apresentar um projecto de revisão constitucional, já que os partidos o vão fazer. E porque não pedir ao Mourinho para votar no Orçamento de Estado para 2011? Ou para dar aulas aos miúdos que ficaram sem escolas perto de casa no âmbito do reordenamento da rede escolar?

Não sei como é que ainda não se lembraram de pedir ao Mourinho para comparticipar os medicamentos que, a partir de segunda-feira, vão deixar de ser grátis para cerca de um milhão de idosos. Ou porque é que ele não pega numa pá e vai construir o troço Lisboa-Poceirão do TGV, já que foi anulado.

Era mandar Mourinho uns dias para o Iraque e para o Afeganistão e o Obama via o que era acabar uma guerra com estilo. Ou então para o Chile, porque a táctica para resgatar os mineiros está claramente errada.

Ainda hoje não percebi porque é que escolheram a juíza Ana Peres e não o Mourinho para presidir o colectivo que julgou a Casa Pia. Ou como é que ainda ninguém colocou o Mourinho na fronteira de França a orientar os ciganos a sair em 4x3x3 ou 4x4x2.

Enfim, eu vejo um sem número de soluções que se podem seguir à brilhante ideia de Madail. E lembrem-se, há presidenciais no início de 2011 e, para já, tanto falta um candidato à direita como um bom candidato à esquerda.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Desabafo

Andam a gozar com isto, só pode. Andam a gozar-nos. A Direcção do Benfica só pode ser cega e estúpida para isto acontecer.
Ficam algumas perguntas:
- Porque é que não foi comprado ninguém para a posição de Ramires (se a qualidade é difícil de igualar, acho que comprar um médio interior direito não era impossível)? Ainda para mais gastando 6 milhões num júnior do Real Madrid que foi emprestado quando havia Wesley (agora no Bremen) sensivelmente ao mesmo preço.
- Quem é que avaliou aquela coisa que está na nossa baliza em 8,5 milhões de euros?
- Porque é que Álvaro Pereira regressou em pleno para a Supertaça e Maxi Pereira à 4ª jornada ainda não corre?
- Porque é que UM - UM!! - campeonato fez com que a Direcção do SLB permitisse um endeusamento a um treinador que, apesar do brilhantismo do ano passado, nada mais fez do que isso, levando-o a um aburguesamento inacreditável? Quem é que não se lembrou do erro de Koeman quando Jorge Jesus vem dizer que quer ser Campeão Europeu?


Sim, os árbitros perseguem-nos. Mas isso é novidade?
O ano passado na 1ª jornada roubaram-nos um penalty. Com o Nacional o fiscal de linha permitiu um 1-1 e nós em resposta marcámos 5. No Mar, Lucílio invalidou inacreditavelmente um golo a Di Maria e este fez 3. Com o Braga, Jorge Sousa expulsou - ainda hoje ninguém sabe porquê, mas não se fala do assunto - Cardozo ao intervalo. Com o Setúbal fora há um golo mal invalidado contra nós, mas dois - dois! - penalties não assinalados a nosso favor. And so on. E o que aconteceu no fim? 24 vitórias em 30 jogos. O sistema, mesmo pungente, levando o clube da cidade dos padres a lutar pelo título até 15 minutos do fim do Campeonato, perdeu. Porque estávamos fortes, preparados, porque se construiu um plantel em condições, porque se teve uma política acertada.
A Direcção do Benfica, vá-se lá saber porquê, achou que isso chegava. Para mim, não chega e nunca vai chegar. Nunca.


Estou mesmo fodido com isto. Para não dizer pior.


O Roubo do Boiquerença
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Stop. Rewind. Play.

Ontem foi um dia histórico para o futebol português.



A capa da Bola (até na edição Sul!) era sobre um jogo entre dois clubes do Norte, o título era um elogio à grande jogatana de futebol e nada colocava em dúvida o inquestionável mérito do F. C. Porto.

"O futebol devia ser sempre assim", escreveu-se. Um desabafo que naturalmente deve ter suscitado uma reunião de emergência para corrigir este fatalismo próprio de quem vê o seu clube na lama. Que é como quem diz no 13º lugar.

Entretanto, o nosso treinador lá vai avisando que nada disto é normal e que temos de estar preparados para o muito que ainda aí vem. Lembrem-se que ainda estamos na quarta jornada, que o Porto não vai ganhar os jogos todos e que os outros não os vão perder todos (embora pareça).

Tudo nesta jornada foi atípico. Desde a capa da Bola ao roubo do 13º classificado em guimarães (é incrível como estas equipas que lutam pela manutenção continuam a ser sempre as mais prejudicadas), passando pelo facto de o sportem não ter ganho à custa do árbitro (desta vez o homem só conseguiu assegurar o empate).

Por isso, preparem-se. Para a semana espera-nos uma saída muito difícil à Madeira e o nosso rival directo tem um jogo fácil em casa (recebe o leiria).

Nada de deitar foguetes antes do tempo. Por muito que a capa da Bola pareça o anúncio do apocalipse, tenham consciência de que ela expressa apenas a vontade de "todos": que este campeonato pudesse começar de novo. Oh, que pena, não pode.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amor à primeira vista

Dizem que a primeira impressão é o que importa. E a primeira imagem que tenho do Ricardo é de uma saída em falso em que ele ficou a protestar com os centrais Pedro Emanuel e Litos. É uma boa primeira imagem, portanto.

Também me lembro do Ricardo a protestar com os árbitros e do Ricardo a perder tempo naquele boavista campeão da cacetada. Mas não há nada como o Ricardo do sportem.

O sportem desde logo me convenceu que era o clube ideal para o Ricardo. Primeiro, porque não ganha nada. Depois, porque faz-me rir. E, por último, porque transforma jogadores em autênticos palhaços (vejam como era o Moutinho e agora como é…).

Foram anos muito bons. Ir a Alvalade era ter o prazer de ficar 45 minutos atrás do Ricardo. Receber os lagartos no Dragão era aquecer a voz para cada pontapé de baliza. Tivemos muitos bons momentos, eu e o Ricardo.

Claro que, ao mesmo tempo, ele era o preferido de uma nação que, curiosamente, ignorava o melhor guarda-redes da Europa de 2004. É que ele marcava penáltis, percebem? Uma coisa de outro mundo. Perdemos o Euro à pala de um frango dele, fomos afastados de outro Euro por causa de outro frango dele, mas o que é que isso interessa quando se sabe marcar um bom penálti?

Enfim, bons tempos. Agora o Ricardo nem sequer foi inscrito no bétis. E dá-me uma tristeza pensar que ele podia estar aqui, bem perto de nós, para eu me divertir...

domingo, 29 de agosto de 2010

Tiros no pé? Não, obrigado

O lado do Mal não brinca. Eles sabem que não há pior pesadelo que o bi-campeonato do Benfica. Eles sabem que alguns anos sem ganhar os reduziriam, perdão, reduzirão, à mediocricidade que sempre pautou aquele clube durante praticamente toda a sua história.
Para nós, esse devia ser o principal objectivo, porque sem eles no caminho o El Dorado fica ali mesmo. Mas nós não podemos estar sempre a olhar para o vizinho. Ou pior, sempre a olhar para o nosso umbigo, ainda a rever a conquista de 2009/2010. Amigos, já passou, já foi. Agora é outra.
Mas a Direcção do Benfica, a mesma que fez as planeações espectaculares de 2005 e 2006, a mesma que ganhou o título do ano ano passado porque o Presidente se calou, voltou a ter o rei na barriga e a começar a disparar no próprio corpo.
Não consigo compreender porque é que Álvaro Pereira jogou a Supertaça e Maxi Pereira não. Não consigo compreender a política de contratações, o timing, o dinheiro estupidamente gasto em jogadores emprestados (vamos coleccionar percentagens na ordem dos 20% de todo o plantel do Atlético de Madrid? E aqueles 2 jogadores que nos foram prometidos quando vendemos o Simão abaixo da cláusula?), até...Roberto. Roberto é o símbolo daquelas duas derrotas, mas Roberto não perdeu sozinho.


O Benfica tem que ser muito mais forte do que os outros para ganhar. Se formos igualmente fortes, não dá. Temos que ser demolidores, seguros e sempre conscientes dos objectivos, sempre obcecados. Mas não, todos os anos - ou quase - tenho que gramar com a inocência, com a falta de profissionalismo. Eu penso nisto todos os dias, penso em todos os passos a dar: equipa a jogar, cuidados a ter com adversário, quem é o árbitro?, que notícias coloca a imprensa rival, que notícias devíamos nós colocar, que pressão colocar, tudo. Eu estou sempre a pensar no Benfica, no que faria para o Benfica ganhar. Aparentemente, ou isto não é feito, ou é muito mal feito pela Direcção do Benfica. Ou - repito, porque se há demérito este ano (e na maioria deles), o ano passado o mérito é também da Direcção - pelo menos é feito intermitentemente.
E não pode. O Benfica deve transpirar profissionalismo, o Benfica tem que querer ser sempre Campeão, tem de deixar-se de aburguesamentos, de novos - riquismos. Isso é que me põe doente. Às vezes acho que só eu penso assim.
Temos de jogar sempre com todas as armas, porque o Mal joga sempre com todas deles.

Portanto, parem com os tiros no pé por favor.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Palavras para quê? (II)



Parabéns ao braga. Fiquei muito feliz pelo nosso Mingos e, não sejamos totalmente hipócritas, porque interessa ao Porto que o braga lá esteja. Pena que este jornal prefira dar destaque ao 14º classificado da nossa Liga. Ainda há alguém que compre esta coisa?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Houston, we have a problem

Tudo nos corre bem. Quatro jogos, quatro vitórias. Não sofremos golos. Temos um título. Já deixámos benfica, braga e sportem para trás. A Liga Europa está a chegar. Reforço: tudo nos corre bem. E não tenho motivos para criticar.

Portanto, entendam este post como uma recomendação e um alerta, não uma crítica. Sou eu apenas a dizer um "Houston, we have a problem", tal como os astronautas da Apollo 13 que se viram aflitos com um problema na nave. É que tem sido tudo muito bonito, desde as palavras do treinador e do presidente às acções dos jogadores, mas eu já tive entre 10 a 15 ataques cardíacos com aquela defesa.

Digam-me se estou maluca, ou se não é mesmo normal uma equipa como o beira-mar conseguir fazer 8 remates no Dragão. Sim, contei-os. E eu que até sou a grande besta do Helton tenho que admitir que ele tem sido o nosso Deus.

O Fernando tem estado bem, o Álvaro e o Sapunaru estão ao seu nível (não são dos melhores laterais do mundo, mas para o que é vai servindo), por isso sobram Rolando e Maicon. Esta dupla é um pe-ri-go. Estão a matar-me devagarinho. Ainda ontem tiveram uma daquelas já famosas duplas paragens cerebrais que deixou um gajo do beira-mar sozinho na cara do Helton. Ele falhou, felizmente, e nós marcámos 3 golos. Mas um dia isso pode não acontecer.

É verdade que o ano passado a defesa do Porto já não era exemplar. Sofremos demasiados golos. Mas parece-me que os outros tinham menos oportunidades. Este ano, a única diferença é a falta do Bruno Alves. E eu não quero acreditar que seja ele a fazer assim tanta diferença. Isto é, é óbvio que com ele havia mais segurança, uma forte voz de comando, mas ele também não era propriamente um Ricardo Carvalho ou um Pepe.

Tal como não me parece que Otamendi seja. O tempo o dirá. Para já, rezo apenas para que o Rolando e o Maicon acertem mais vezes na bola em vez de ficarem a olhar para ela a passar como tão bem fazem.

É que os gajos da Apollo 13 sobreviveram todos, é certo. Mas não foram à Lua.

domingo, 15 de agosto de 2010

To be or not to be

Só vi a primeira parte do jogo do Porto, pelo que a minha análise está condicionada à muito fraca prestação da equipa durante os primeiros 45 minutos. Nada que justifique, no entanto, crónicas como a de hoje no DN intitulada "bestiais não foram de certeza", como quem diz "oh minhas grandes bestas".

Fontes muito, muito portistas dizem-me que na segunda parte o treinador deu a volta à coisa e que o FCP teve muitas oportunidades para marcar, embora o sofrimento tenha sido levado ao extremo quando um jogador da naval aparece na cara de Helton (aquela defesa do Porto quando adormece não brinca, dorme mesmo profundamente).

Mas nada disto interessa, porque o que está a dar é destacar o árbitro. Não que estejam em causa quatro ou cinco pode-ser-expulsões como na semana passada, mas agora fala-se de três penáltis.

O primeiro, com Falcao a cair no limite da área, após uma rasteira do central da naval. Há cronistas e árbitros a dizer que há penálti, há outros que até se esqueceram do lance. Na minha opinião (muito, muito portista), não há penálti, porque, apesar de ser evidente que o defesa bate no Falcao, parece-me que isso foi apenas secundário. Isto é, eu até nem sou daquelas que desculpa qualquer caceteiro (vamos chamar-lhe Katsouranis) só porque, além de ter partido uma perna a um jogador (vamos chamar-lhe Anderson), tocou na bola. Mas neste caso acho mesmo que o Falcao já não ia conseguir fazer nada.

O segundo, com João Pedro a cair com Álvaro Pereira por perto. Parece-me tão óbvio que o jogador da naval tropeça no próprio pé que não percebo a discussão. Mas há quem goste de dizer "fica na dúvida"...

O terceiro, com uma mão na área que o país ansiava que não tivesse sido marcada, porque só faltavam uns minutos para acabar o jogo e ainda estava 0-0. É mão, está na área, mas é muito injusto porque sem ela o Porto ia empatar e ficávamos todos contentes.

"A mão que embalou o dragão" (Bola), "dragão ganha de penálti" (Record), "FCP só marcar um golo já no final e de penálti" (JN), "penálti salva dragão perdulário" (CM) são alguns dos títulos deste domingo. Vai a ver-se lá dentro e ninguém consegue dizer "NÃO HÁ PENÁLTI E O PORTO FOI MUITO BENEFICIADO". Não conseguem, porque foi penálti. Mas sempre podem ficar a berrar que o Porto ganhou de penálti. Não ganham nada com isso, os 3 pontos foram com justiça para nós, mas gostam de anotar estas coisas como se, por exemplo, ficássemos quites com a arbitragem do pode-ser-o-João da semana passada.

Mas, meus caros, não ficamos. O Porto ganhou, o árbitro não teve influência no resultado e bem podem tentar que a dúvida shakesperiana se instale. A semana passada? To be. Neste jogo? Not to be.

sábado, 14 de agosto de 2010

O que cala Costinha?

Quando o futebol português é dominado pelo Benfica e Clube do Guarda Abel, impõe-se a pergunta: o que é dos outros? O que fazem, o que dizem? São neutros que preservam a identidade ou vendem-se descaradamente a um dos lados?
O que me mete sempre medo no ínicio do Campeonato é ver a quantidade de treinadores de equipas de menor nomeada com o carimbo azul, a quantidade de equipas que há muito se mantém na primeira divisão graças à facilidade com que os azuis lhes ganham e a promessa de comerem a relva contra nós.
O poder do polvo mede-se pelo facto de dominarem clubes que, inclusive, podem ficar à sua frente no Campeonato.


Mas se o fenómeno braga pode ser mais ou menos passageiro, há uma pergunta que tem de ser feita:  os verdes, que fazem e dizem os verdes?
É extraordinário observar onde estavam os lagartos em 1982 e onde estão hoje. São claramente o 3º maior clube português, apesar da 2ª maior massa associativa. Que se passou? O que é que aconteceu? O que se passou é simples: aos lagartos agradou a subida ao poder do fóculporto. Deu-lhes um gozo danado ver-nos na lama. Mesmo que eles estivessem ali mesmo, a ganhar uma Taça quando os donos deixavam.
Quando o Benfica recupera dos desastrosos anos Damásio e Vale e finalmente consegue afrontar um poder há muito, muito tempo institucionalizado, é mais que legítimo perguntar: e tu, sporting?
Um parêntesis: eu não quero uma união com a lagartada. É-me geneticamente impossível qualquer proximidade com os viscondes. O clube do Cazal Ribeiro e do Góias Mota repugna-me.
A única coisa que me agradaria - porque era favorável ao Benfica - era que não fossem tão, mas tão coniventes.

                                     

O que quer um clube que nas escutas que toda a gente ouviu é tratado abaixo de cão, um clube que lhe vê roubado o capitão (há muito em negociações com os azuis, é público) e que vê o seu presidente dizer, muito feliz, que "o Sr. Pinto da Costa garantiu que Moutinho só jogaria no porto se o sporting estivesse de acordo", como quem se refere a um cavalheiro, um homem das melhores atenções? O que faz um clube que perdeu Futre e recebeu Postiga? Motivos sem fim para voltarem baterias acima do Douro.
Mais, o director do sporting é um tal de Costinha. Lembram-se de como Costinha saiu do covil do dragão? A coisa foi tão bonita que o mesmo disse à "Sábado":

Costinha - Isso é mais complicado. Para perceber a saída de Derlei é preciso encontrar quem está por detrás dela. Não admito que um grupo de adeptos venha criticar e enxovalhar, com faixas provocatórias, um atleta que deu ao clube aquilo que Derlei deu. E mais espantados ficámos quando ninguém do FC Porto tomou uma atitude. Pelo contrário. Essa gente, depois de insultar os jogadores, entravam nas instalações do clube com um livre-trânsito e ninguém fazia qualquer reparo. E mais: de dia ameaçavam os jogadores e à noite jantavam com dirigentes do FC Porto. Que pensa um grupo quando sabe que quem os insulta e ameaça janta com dirigentes do clube?
ATT - Conhece o presidente dos Super Dragões?
Costinha - De vista. Ele diz-se profissional de claque e, pelo que aparenta, tem uma profissão rentável. Muitos jogadores do FC Porto não ganham para comprar Porsches e ele tem um.

Ou seja, Costinha provou o veneno com o qual pintou o seu currículo: o do crime organizado, aquilo que há muito sustenta o poder azul.


Espantoso é que Costinha, um rapaz que se diz antiBenfiquista, agora que é director desportivo de um clube rival - pelo menos no papel - dos azuis, nunca mais veio a público denunciar aquilo que sabe muito bem que se passa. É inacreditável que não abra a boca depois das ameaças sofridas e da ingratidão que  sofreu. Pior, é que isso beneficiaria - pelo menos no papel - o clube que lhe paga os fatos. Afinal, o que é que o cala?
Fico na dúvida se Costinha tem medo de levar um tratamento como Adriano ou se acha que o fóculporto mais forte é benéfico aos antiBenfiquistas. Fica a questão. Mas o irrespondível é o seguinte: o que impede os lagartos que lhe pagam o ordenado de o pressionarem a isso? Não os beneficiaria?
Há muito que os verdes se dizem "diferentes". Encontram uma superioridade moral no facto de serem perdedores. Nada mais errado. É tão criminoso quem assalta o banco como quem está com o carro à espera. E os lagartos, certamente menos culpados que os azuis, há muito que se calam, há muito que estão em silêncio. E haverá inocência nesse silêncio?


Quanto a mim, Benfiquista inveterado, louco por reaver o futebol português ao único clube que a merece, não posso deixar de ficar preocupado por ver tão pequeno o número de clubes não alinhados com o clube do Martins dos Santos e de Herculano Lima.
Assusta-me ler no Expresso que PdC torça pelos verdes nas competições europeias porque "é o clube onde estão os nossos amigos". O tráfico de influências torna-se público quando o "Sr. Pinto da Costa" diz, acerca de Jorge Costa, que "era cedo" e quanto a Domingos, um escandaloso: "Entendi que não era enfraquecendo os clubes amigos que deveríamos fazer a escolha".
A nós, Benfica, espera-nos uma luta desigual. Esta gente domina tudo e todos. Temos que ser mesmo muito melhores, como o ano passado, para revalidarmos o título. Temos de o ser para acabar com as trevas que há muito se abateram no futebol português.
Voltando ao tema deste post: porque te calas, Costinha? Porque se calam, lagartos? Por serem diferentes? Por serem um exemplo?!

                                                           
Ou porque lá no fundo, ou não assim tanto no fundo, só não querem que ganhe o Benfica?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Concentra-te no Campeonato, Benfica

Não gosto de perder com os azuis. Detesto perder, fico doente, com dores de cabeça e olhar vazio e nunca vou conseguir habituar-me.
Detestei mais ainda perder porque lhe demos confiança. Ganhar a Supertaça, que historicamente é deles, era um golpe de confiança, um susto que os faria engolir em seco. Saiu tudo ao contrário e somos nós agora que olhamos para dentro.
Há que perceber, no Benfica, que o objectivo é um e só um: ganhar campeonatos, ganhar campeonatos, ganhar campeonatos. Apesar de parecer redundante, lembro que quando nós ganhamos um campeonato eles não o fazem. E quando eles não ganham perdem poder. Perdem o poder de dominar clubes mais pequenos como sempre dominaram e ainda dominam (braga, nacional, académica, sporting), perdem o poder arbitral e institucional. É importante lembrar que eles não têm a nossa força, não têm metade da nossa massa asssociativa. E quando estiverem em baixo e nós em cima, têm uma probabilidade muito mais baixa de recuperar que na situação inversa.
Daí a importância desta época, daí o clima de nervos que se montou no clube dos irmãos Calheiros (atendem no dinheiro que já se gastou por lá este ano). É que eles sabem que se o Benfica arranca para um período de hegemonia vão para o lixo 30 anos de trabalho e que o futebol português volta para casa. É essa a missão do Benfica, voltar a ter o que é seu por direito. E isso faz-se ganhando campeonatos. Fazer disso hábito. Foi o facto de isso deixar de ter sido hábito que permitiu que toda a gente tenha andado em pânico 2009/2010. O sistema abanou e nunca se falou tanto de um campeonato (2004/2005 aparte, porque jogar fora do Estoril é muito grave, ao contrário de jogar na Maia contra o Salgueiros ou em Guimarães contra o Gil Vicente). 
É importante que o erro da soberba seja já eliminado: para ganhar temos de ser muito mais fortes do que toda a gente junta. O ano passado jogámos futebol como ninguém, mas tinhamos o resto do país contra e fomos obrigados a ir até à última jornada discutir o título. É bom que todos se preparem porque o sistema, contra nós, faz sempre all - in. É bom que não seja o Benfica a deitar fichas fora e a achar que isto está ganho. Não está. Lembro-vos outra vez: o porto odeia-nos, o braga odeia-nos, a académica odeia-nos, o sporting odeia-nos, o nacional odeia-nos, o olhanense e o portimonense odeiam-nos. E todos são abastecidos (ou são mercado abastecedor, vá) do primeiro. Portanto preparem-se, deixem de ver vídeos do Marquês e cerrem os dentes. Estamos em guerra. Não mandem bocas, não festejem, não entrem em euforias. Esta merda não é para brincar.

Depois é importante evitar o erro de Koeman. Quem quiser ganhar a Champions ou tiver ilusões quanto a isso devia ser imediatamente esbofeteado. O Benfica tem que ganhar o Campeonato, isso é que é importante. A Champions serve para três coisas: valorizar jogadores, dar calo internacional ao clube e impedir que os outros possam fazer as duas primeiras  porque não estão lá.
Mas importante é o Campeonato, o Campeonato e o Campeonato.
Precisamos de um médio que substitua o Ramires e que certos jogadores fiquem em forma. Depois é entrar com força, sem medos, à Benfica. À Campeão.


Vamos a eles, Benfica!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Deco, esta é para ti

«Vou continuar portista para sempre. Foi um clube que eu aprendi a amar e onde aprendi muito. Deu-me tudo e o F.C. Porto fica comigo para sempre. Lembro-me da recepção que tive o ano passado quando fui lá jogar pelo Chelsea, com muita gente a cantar o meu nome. Foi dos momentos mais emocionantes da minha carreira», confessou ao Maisfutebol.

É o número 10...

Foste o melhor número 10 que eu vi no meu clube e mesmo dos melhores que já vi na minha vida. É impossível não ter saudades de ver a bola nos teus pés. Aquela maneirinha de a colar na chuteira, rodopiar um adversário e desmarcar um colega num ápice ou marcar.



Finta com os dois pés...

Mas confesso que era aquele teu jeito de tirar a bola aos adversários que me deixava de boca aberta. Nunca parecia que corrias muito, que te esforçavas ao máximo, que comias a relva. Estavas sempre com o teu ar calmo, pacífico, como se esperasses que a bola te caísse nos pés. Ela caía, porque tu a obrigavas. E era bom de ver.



É melhor que o Pelé...

Eu não vi o Pelé a jogar, mas um dia, daqui a muitos anos, posso dizer que te vi a ti. A dar baile na Taça Uefa e a tornares-te o melhor jogador da Europa em 2004. Obrigada pelas alegrias que me deste, por o benfica não te querer, por cresceres "à Porto", por vestires a camisola do meu país.



É o Deco, allez, allez

Sabes, eu gosto mesmo muito do meu clube, mas no fundo sempre senti que era uma espécie de erro tu estares ali. Eras grande demais para o nosso campeonatozinho horrível e foste vítima de muitos Vítores Pereiras. Merecias o mundo e tiveste-o, em Barcelona e um bocadinho depois em Londres. E nós ficámos sempre à tua espera.

Porque para ti, Deco, este estádio estará sempre de pé.