terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estamos a falar de quê mesmo?

Tenho lido muito. Acabei «O cego de Sevilha», li mais um Lobo Antunes num ápice e comecei outro Le Carré. O primeiro é um policial mediano, com alguma história a tornar a coisa mais interessante, sendo que as últimas cem páginas são capazes de nos fazer suar. O segundo é uma maravilha: «Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?» Digam o que disserem do homem, é um génio. E o último ainda estou a entrar em mais uma história de espionagem emocionante.

O Natal foi giro, o normal. Família reunida, muita comida e boas prendas. Tive de trabalhar, foi mais chato, mas também sendo jornalista já sabia que tinha de acontecer. Depois uns dias de férias, passados no fim do mundo. Muito descanso e poker, muito pouco em que pensar. E a passagem de ano, uma bebedeira daquelas que nos fazem esquecer de coisas, como tinha de ser.

É bom falar-vos de cultura e de lazer. A vida também não é só bola, não é? «Saúdinha, é o que é preciso!», já dizia a minha avó. E eu estou bem de saúde. Já tive gripe, não corro riscos. Comi demasiado no Natal, mas nada que não se recupere num mês. Tudo bem com a família, com os amigos. Tudo bem no trabalho. Que mais poderia eu pedir? Tudo me corre bem.

E quando, por acaso, tu me falas de bola... só tenho de te ignorar. Assobiar para o lado, dizer «cala-te!», qualquer coisa assim subtil. Depois há que tentar ignorar também os jornais, as televisões, o resto do mundo. E os teus amigos.

Estas duas semanas depois do jogo têm sido muito calmas. Basta não pensar nisso. Não pensar na falta de comparência do Porto na luz. Não pensar na lampionice incrostada no Jesualdo, que não consegue querer ganhar-lhes. Não pensar no fora-de-jogo do Urreta. Não pensar no idiota do Álvaro Pereira e no atrasado mental do Bruno Alves, que decidiram ficar a ver como é bonitinho o Saviola. Não pensar no quanto me apetece mandar com uma chuteira à cabeça do Hulk depois daquele remate falhado. Não pensar no Senhor Lucílio Baptista.

Claro que há alturas do dia em que dou por mim a pensar se precisamos de reforços, se com um gajo de jeito no meio-campo ofensivo a pressão não tinha saído melhor, se era assim tão difícil travar gajos como o Carlos Martins (o Carlos Martins, meu deus! Que mal é que eu fiz?), se ter um guarda-redes que decidisse resultados como o Quim (o Quim! Estou desesperada!) não era bem pensado, se o Rodríguez não está a precisar de uns choques eléctricos... mas isso sou eu, que, como tu tanto gostas de gozar, em dois minutos consigo destruir tudo, do Helton ao Falcao.

Só que a vida é bonita, tudo me corre bem, e resta-me ir para a varanda, enquanto vocês cantam coisas feias, dizer à vizinhança que nós somos os TETRA campeões. Isto sou eu a esperar por aquele velho Porto que quanto mais fundo bate, mais alto chega na recuperação. No fundo só preciso de mais quatro ou cinco livros (e que vocês percam quatro ou cinco pontos...) para me esquecer da estupidez que ali se passou.

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