sexta-feira, 12 de março de 2010

Concentra-te no Campeonato, estúpido!

Não podemos acreditar no Pai Natal ou ser românticos. O jogo de ontem ensinou-nos isso. Odeio cair no pecado da gula, do optimismo exagerado. Sinto que a culpa é toda minha, que fui eu que festejei demais o golo do Maxi e já me estava a ver em Hamburgo. A culpa é minha e também vossa, optimistas de merda. E da equipa do Benfica, que não tem nada que me fazer crer que é invencível. Não é.



Quando o Marselha subiu para o primeiro canto e vi que só tinham tipos acima de 1,80m percebi que eles não eram o Paços. Que a pressão a campo inteiro não ia resultar e que não íamos estar a ganhar 2-0 aos 20 minutos. O Marselha tem uma boa equipa, com um treinador que foi dos jogadores que mais admirei. O Benfica, apesar da desilusão do golo aos 90, também não se portou mal. Foi um bom jogo, dividido, renhido. O empate foi justo.

 O problema é querermos vingar o golo no último minuto e começarmos a pensar no Velodrome. O Velodrome parece-me canja quando comparado com os nervos com que estou para a Choupana. Pela enésima, mas não última vez: primeiro o Campeonato, depois o Campeonato, a seguir o Campeonato e por último o Campeonato. Sim, "por último". As Taças são umas coisas que se disputam no meio da guerra a sério e que até tiram ritmo à intensidade com que vejo os jogos.
Para o Benfica um dia poder olhar para um jogo como o do Marselha sem pensar antes na Choupana ainda faltam anos. Faltam Campeonatos. Muitos. Depois, sim, pensamos na Europa.
Eu sei que isto é difícil de meter na cabeça, mas sem conquistarmos plenamente - e durante muitos anos - as Matas Reais, os Mares, as Choupanas e os Bonfins desta vida, não vale a pena pensarmos em brilhar em Camp Nou. É que até já brilhámos em Anfield. Mas tirando as belas recordações dessa noite, o que é que ficou, de facto, desse ano?

Faço, outra vez, o mea culpa: ontem não estava a pensar na Madeira e devia. Devíamos todos. Humildes e caladinhos, sem fanfarras. De fato macaco (valha-nos a boa gíria futebolística que tudo explica), até ao fim.


PS: Esta semana tive uma semana que periodicamente aparece e que para mim é surpreendente. Na Luz, a ver os verdes por uma televisãozinha antes do jogo, dei um pulo a tentar ajudar um hipotético golo do Atlético de Madrid. Um adepto do Benfica espantou-se. Olhou-me como um estranho. Já no trabalho me tinham recriminado o meu sorriso depois da fantástica jornada europeia do Arsenal. Acusam-me de não ser patriota.
Respondo: não, não sou patriota. Não percebo o que isso é. Não percebo porque é que vou torcer por alguém que é português em alguma coisa. Porque nasceu do mesmo lado do risco imaginário do que eu? A questão é mais absurda, quanto a mim, em termos futebolísticos. Então eu vou torcer por clubes que odeiam o meu? Como é que eu vou parar de torcer contra clubes que detesto só porque enfrentam uns que me são indiferentes? Porque são do meu país? Mas se eu não gosto de os ver ganhar um jogo de petanca em infantis femininos porque é que vou querer que ganhem um jogo de futebol a sério?
Quero que azuis e verdes percam sempre, sempre, sempre. Num mundo ideal, os seus adeptos estariam sempre em depressão profunda, enquanto nós, que defendemos as cores do Bem, estaríamos em permanente festa e loucura dionisíaca.
A minha Pátria, se a tenho, é o Benfica.

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