terça-feira, 16 de março de 2010

A Miserável Taça que se tornou na Champions

A Taça da Liga não interessa a ninguém. Não tem prestígio nem história nem tradição. A final é no Algarve, não é em Wembley. E é por demais óbvio que foi criada para haver mais dois jogos entre os grandes, os únicos que ainda rendem alguma coisa em termos de receitas.
Toda a gente concordava, até que o Benfica a ganhou. Pronto, aí tornou-se a Champions. Aliás, falou-se mais dessa Taça do que de todas as dos últimos 10 anos juntas. Porque o Benfica ganhou e foi beneficiado. E isso não pode acontecer. É contra tudo. Se o Benfica ganhar já é uma chatice (Miguel Sousa Tavares, por exemplo, está tão cego que até vê fora de jogo no golo do Benfica na Choupana. E deixa essa opinião por escrito.), imaginem com o Benfica beneficiado. É um ultraje. Toda a gente fica mais indignada do que com a fome em África. É como se se falasse mal da Selecção Nacional. Um árbitro beneficiou o Benfica.

As vítimas ficam histéricas e todos, unidos, gritam e esbracejam pela verdade no futebol português. O Benfica ganhou um título com o árbitro a ajudar. Há suicídios colectivos por indignação, petições para o árbitro ser enforcado na praça pública, beatificações para o pobre jogador lagarto que foi vítima de uma injustiça só comparável à de Cristo e cujo gesto de raiva de atirar a medalha (repetida) para longe vai ser aplaudido em alvalade até à 1500ª comemoração da efeméride (com luto a condizer).
O árbitro foi obrigado a ir à televisão pedir desculpa. Beneficiou o Benfica, foi à televisão. Cito o meu correlegionário Ricardo Araújo Pereira e noto que não há maneira de todos os árbitros que nos roubam poderem fazê-lo porque os noticiários ficavam intermináveis.

E é assim que chegámos à final deste ano outra vez. Sinceramente, estou-me a borrifar. Ganhar é melhor que perder, mas não me faz ganhar nem perder a época. Recordo com náusea o que Quique Flores fez pela Luz e quando o faço não me lembro da Taça da Liga. Não fui para os copos, não celebrei. E não foi por me sentir culpado. Foi porque era a Taça da Liga. E nem o facto de a termos ganho a quem a ganhámos me pôs bem disposto. Estávamos arrumados do Campeonato, não tinha razões para sorrir.
Este ano estou concentrado no Campeonato. Estou obcecado. E é isso que me fará rir ou chorar. As prioridades são Campeonato, Campeonato, Campeonato. Se houver algum espaço para investir noutra competição, prefiro passar o Marselha a ganhar no domingo.
Claro que domingo vou sofrer, porque sofro sempre. Da mesma maneira que acho que não nos podemos perder em sonhos loucos europeus antes do domínio nacional, também não são Taças que mexem comigo quando podemos - e devemos - ser Campeões.
Custa-me mais, se perder a Taça, o facto de ser para quem é, do que perder a Taça em si. Mas não trocava o golo do Saviola por um 7 - 0 no domingo.


(Falta de Vukcevic no golo dos verdes na tão badalada final. Aguardamos, com paciência, o pedido de desculpas. Não exijo na televisão, em directo e em horário nobre. Tanto tempo depois, já me satisfaço com qualquer nota de rodapé.)

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