terça-feira, 11 de maio de 2010

Campeões

Paguei o primeiro acto de optimismo Benfiquista da minha vida: achei, há uns tempos, que nunca teríamos que esperar pela última jornada para ser Campeões. E foi assim que me apanhei em Milão, à frente de um computador, a assistir ao Benfica - Rio Ave comentado em romeno (?).
Quando o jogo acabou falei ao telefone com o meu Pai e com o F., recebi mil mensagens e limitei-me a passar algum tempo na net a ver as reacções. Adormeci feliz, feliz, feliz. Mas mais que feliz, tranquilo, aliviado. Acabou-se, somos Campeões.
 E assim andei. Com um sorriso imenso, é verdade, mas mais tranquilo que eufórico. Até hoje. Hoje, quando vi as imagens da festa, emocionei-me a sério. Quando vi a cara de Aimar, meio surpreso, meio em transe, a dizer "No me imaginaba tanto...", arrepiei-me. A cara do argentino dizia muito sobre a grandeza do Benfica. O Benfica é muito grande, o Benfica é enorme. Coisas da vida, percebi isso naquela imagem. Recebi mil mensagens (mais que nos meus anos), pensei em muita gente, em muitas coisas, em muito Benfica, mas só quando vi hoje Pablo Aimar, estupefacto, a relatar a imensidão que é o meu clube, senti na pele o que amo o Benfica.
Gosto muito deste clube. Demais. Preenche-me os dias, invade-me  dia a dia a toda a hora. Sou tão do Benfica que sei os resultados de 93/94 de cor. Sou tão do Benfica que todos os dias - todos - falo ao telefone com o meu Pai sobre o Benfica. Invariavelmente, eu, o F. e o D., falamos primeiro do Benfica quando nos encontramos. Antes do trabalho, das famílias, falamos do Benfica. Do onze, de contratações, de memórias, dos medos, dos desejos. Mas sempre do Benfica.
Adoro o Benfica. As camisolas, a vénia ao 3º anel, a história, a alegria e o orgulho de ser Benfiquista. Gosto dos pormenores da história que não vivi, mas que de tanto ler até decorar parece que lá estive. Às vezes digo todos os títulos que temos só para ficar bem disposto. Uma vez imaginei o Benfica Campeão a andar, no meio da rua, de forma de tal maneira nítida que fiquei quase em lágrimas. Todos os 14 de Maio eu e o D. mandamos uma mensagem de "Parabéns" um ao outro.
Amo tanto o Benfica e sou tão supersticioso no que ao Benfica diz respeito que o F. está proibido de me mandar mensagens durante o dia de jogo (dá um azar incrível. Aliás, bastou a mensagem dele a meio do jogo de domingo para o Rio Ave empatar...). A minha mãe ligou-me, toda contente por mim. A minha avó, que nem deve saber com quantos jogadores cada equipa começa o jogo, enerva-se com o Benfica por minha causa.
 Amo o Benfica. Tanto, que acho que não me sinto capaz de escrever tudo neste texto. É demais. Era ter que escrever a minha vida toda.
Percebi a grandeza do Benfica, a maneira como afecta tanto a minha vida e a de tanta, tanta gente, naquele ar de Pablo Aimar. "No me imaginaba tanto...". Não imaginas, Pablo. Não imaginas. O Benfica é enorme. É a minha vida toda, ali, pintada de um vermelho lindo, imenso, infinito.

1 comentário:

  1. Javi Garcia: "Te amo Benfica".. Isto ficará marcado para sempre..

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