quarta-feira, 23 de junho de 2010

Assim não tem piada.


É difícil escrever sobre estes dias da selecção. A verdade verdadinha é que estão praticamente nos oitavos de final e isso, para mim, é tudo o que se podia pedir.
Há, no entanto, um aroma de loucura no ar. A história de Nani foi tão estupidamente mal contada que quase pareceu propositada para nos distrair. A começar no facto de ser uma lesão anunciada num dia sem treino, passando pelo bonito pormenor do rapaz depois andar a segurar-se com o ombro lesionado na carrinha do safari e a transportar a mala de viagem. Acaba, claro, naquele épico "Para a semana estou bom" que inacreditavelmente não lhe deu direito à "Placa Doping" a que Kennedy teve direito em 2002 (ainda hoje me interrogo o que diz a placa que Madaíl lhe deu).
Enfim, um processo esquizofrénico, mas ainda assim divertidíssimo.


Confesso - tem de ser - a minha derrota. Já tinha escrito que queria ter visto esta selecção cair e se possível com estrondo. Só de imaginar a campanha de elevação de Queirós (Queiroz?) a herói até fico com vontade de vomitar. Um treinador sem uma única ideia, sem currículo, sem discurso, completamente banal em tudo, mas certamente com muitos e bons amigos. Detestável de todas as maneiras possíveis e imaginárias. E depois há - já o disse mil vezes e repito - o factor Scolari. Que se desengane quem não acredita: esta selecção será sempre comparada por quem-nós-sabemos com os resultados do treinador brasileiro. E se quem-nós-sabemos está de um lado, eu estou do outro.

Tenho saudades do Mundial Coreia - Japão. Do Beto a defesa direito, do Oliveira a levar muletas no segundo jogo para dar sorte. Da ironia dos próprios jogadores portugueses que, num assomo de sarcasmo, baptizaram como beach boys a equipa técnica que, de camisas havaianas, passeava pelas praias de Macau em busca de companhia. A África do Sul, com o Deco a questionar Queirós, com o caso Nani e aquele jogaço com a Costa do Marfim tinha tudo para ser uma coisa em grande. Assim não. Não tem piada nenhuma.
(Giro, giro era a Costa do Marfim dar 8.)

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