terça-feira, 3 de agosto de 2010

No futebol já nada me surpreende

A frase é de José Mourinho, que, numa entrevista ao jornal Record, responde desta forma à pergunta "Que comentário lhe merece o facto de o seu antigo adjunto ser o novo treinador do FCPorto?"

A pergunta parece-me tão simples que Mourinho podia ter simplesmente dito que lhe desejava boa sorte ou que não queria falar sobre isso. Não houve nada de manhoso ou atrevido na questão. Era fácil fugir-lhe.

Mas Mourinho não é assim. Ele precisa de uma boa polémica, de mandar as suas bocas, de encher os jornais com os seus chavões (por falar nisso, duas ou três entrevistas exclusivas do treinador por semana já me enchem um bocado).

Por isso, respondeu à Mourinho. Mandou a boca de que no futebol já nada o surpreende e deixou a pergunta carregada de maldade: "Se o FCPorto achou que ele era o treinador indicado, porque não há de ser?"

E depois dá-se ao luxo de exigir que não o comparem mais a Villas Boas (recordo: a pergunta não falava disso, não o sugeria sequer), porque quando Mourinho chegou ao Porto "já tinha trabalho de campo feito". E por "trabalho de campo feito" entenda-se ser adjunto e ser treinador principal uns meses no benfica e outros no leiria.

Ou seja, pelo caminho, Mourinho esqueceu-se que não era ninguém quando chegou ao Porto, que ninguém o conhecia no estrangeiro (e para quê ir tão longe, ninguém o conhecia mesmo em Portugal) e que ninguém dava nada por ele.

Mais importante: esqueceu-se que foi o Porto que apostou nele, que precisou do Porto para ganhar o que ganhou. "E ainda assim puseram-me muitos pontos de interrogação", diz ele. Pois, nós, adeptos portistas, somos mesmo muito exigentes para questionar um treinador como ele, que quando chegou ao Porto era apenas e só o gajo que o benfica descartou para contratar o Toni (!).

Mas numa coisa ele tem razão: o que vai determinar se Villas Boas foi ou não uma boa opção são os resultados. E quanto a esses nada posso dizer, porque não tenho o dom de adivinhar o futuro. Só posso mesmo concluir que no futebol já nada me surpreende. Hoje são jogadores a dizer que amam o clube e a irem para outro no dia seguinte. Amanhã são treinadores a esquecerem-se de que um dia também foi preciso que alguém acreditasse neles.

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