domingo, 15 de agosto de 2010

To be or not to be

Só vi a primeira parte do jogo do Porto, pelo que a minha análise está condicionada à muito fraca prestação da equipa durante os primeiros 45 minutos. Nada que justifique, no entanto, crónicas como a de hoje no DN intitulada "bestiais não foram de certeza", como quem diz "oh minhas grandes bestas".

Fontes muito, muito portistas dizem-me que na segunda parte o treinador deu a volta à coisa e que o FCP teve muitas oportunidades para marcar, embora o sofrimento tenha sido levado ao extremo quando um jogador da naval aparece na cara de Helton (aquela defesa do Porto quando adormece não brinca, dorme mesmo profundamente).

Mas nada disto interessa, porque o que está a dar é destacar o árbitro. Não que estejam em causa quatro ou cinco pode-ser-expulsões como na semana passada, mas agora fala-se de três penáltis.

O primeiro, com Falcao a cair no limite da área, após uma rasteira do central da naval. Há cronistas e árbitros a dizer que há penálti, há outros que até se esqueceram do lance. Na minha opinião (muito, muito portista), não há penálti, porque, apesar de ser evidente que o defesa bate no Falcao, parece-me que isso foi apenas secundário. Isto é, eu até nem sou daquelas que desculpa qualquer caceteiro (vamos chamar-lhe Katsouranis) só porque, além de ter partido uma perna a um jogador (vamos chamar-lhe Anderson), tocou na bola. Mas neste caso acho mesmo que o Falcao já não ia conseguir fazer nada.

O segundo, com João Pedro a cair com Álvaro Pereira por perto. Parece-me tão óbvio que o jogador da naval tropeça no próprio pé que não percebo a discussão. Mas há quem goste de dizer "fica na dúvida"...

O terceiro, com uma mão na área que o país ansiava que não tivesse sido marcada, porque só faltavam uns minutos para acabar o jogo e ainda estava 0-0. É mão, está na área, mas é muito injusto porque sem ela o Porto ia empatar e ficávamos todos contentes.

"A mão que embalou o dragão" (Bola), "dragão ganha de penálti" (Record), "FCP só marcar um golo já no final e de penálti" (JN), "penálti salva dragão perdulário" (CM) são alguns dos títulos deste domingo. Vai a ver-se lá dentro e ninguém consegue dizer "NÃO HÁ PENÁLTI E O PORTO FOI MUITO BENEFICIADO". Não conseguem, porque foi penálti. Mas sempre podem ficar a berrar que o Porto ganhou de penálti. Não ganham nada com isso, os 3 pontos foram com justiça para nós, mas gostam de anotar estas coisas como se, por exemplo, ficássemos quites com a arbitragem do pode-ser-o-João da semana passada.

Mas, meus caros, não ficamos. O Porto ganhou, o árbitro não teve influência no resultado e bem podem tentar que a dúvida shakesperiana se instale. A semana passada? To be. Neste jogo? Not to be.

5 comentários:

  1. Catarina, não era penalty... Nenhum dos lances. Nem os que ficaram por marcar, nem os que foram assinalados.

    Na transmissão também houve inicialmente dúvidas num lance sobre o jogador mais burro do campeonato que foi travado pelo Carlitos (?) mas comprovou-se que era fora da área.

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  2. Catarina, quando há Porto, é porque alguma coisa aconteceu com os outros. As palavras «mérito» ou «justiça» raramente aparecem associadas à palavra «Porto». Para esta, os nossos «jornalistas» preferem usar outras mais soezes, imbecis ou divertidas. Adoro quando eles se torcem de impaciência.

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  3. Também gostei das capas dos jornais desportivos de hoje.

    Bola : Porto vence com penalti ao cair do pano.
    Record : Dragão ganha de penalti.
    O Jogo : Hulk pai da vitória, dedica golo aos filhos.

    Agora diz-me que O Jogo é o melhor dos 3 diz diz...

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  4. E eis que 24 horas depois o critério nas áreas mudou. Foi rápido...

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  5. Pedro: vê-se logo que não me conheces para não saberes a opinião que tenho sobre O Jogo. Mas acrescento só uma coisinha: desde que o Hulk voltou, o Porto só tem vitórias. É pena que certas coisas o tenham mantido afastado tanto tempo.

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