quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Benfica já não tem heróis

No futebol aplaudem-se os nossos, os heróis, os bons. Os bons são os vermelhos, como é óbvio. Os bons são do Benfica e os do Benfica deviam ser um arquétipo de comportamento exemplar, de dedicação máxima. Se o Benfica (e o futebol) fossem como eu imagino, o Benfica teria um número 10 lutador, com bons pés, que no fim do jogo vinha agradecer aos adeptos, que festejaria os golos sempre como eu. No Benfica não há disso.
É-me estranho falar assim de uma equipa campeã, mas já percebi que o título do ano passado foi, para estes jogadores, uma vontade que não lhes arde todos os anos.
Não acredito em ninguém e isso é triste, muito triste. Aimar e Saviola são génios, mas não estão aqui, não querem marcar um golo ao Rio Ave como se fosse a final do Campeonato do Mundo - e esta é, para mim, a exigência mínima a um jogador que vista o manto sagrado. Cardozo faz-nos um favor ao estar em campo. Há pior, como o cancro que temos a defesa esquerdo, mas a falta de qualidade é tão indesculpável que todos os dirigentes do Glorioso - num mundo racional - deviam pedir perdão aos sócios por não conseguirem ninguém melhor que aquilo.
David Luiz é um central da selecção brasileira. Tem capacidades físicas e técnicas inacreditáveis. Mas agora, além de manter a média de 5 anormalidades por jogo, resolveu mesmo nem trazer a vontade de jogar para o campo. A coisa, meus amigos, é contagiante. Jesus já não arregaça as mangas todos os jogos e já não grita tantos palavrões.
Ia escrever este texto dedicando-o ao Luisão. Ontem, mais uma vez, foi enorme. Um portento de central. É lento, mas é esperto. Parece desengonçado, mas está nos sítios certos. Ontem fiquei com pena dele, ali, perdido no meio de um Maxi que parece um fumador crónico a quem pediram a maratona, de um David Luiz que virava as costas à bola e aquela coisa que joga à esquerda.
Este texto era para ele. Mas depois lembrei-me das permanentes declarações de querer sair no ínicio da época, daquela inacreditável entrevista em pleno Mundial. E pronto, o texto deixou de ser para ele.
Já não tenho heróis no Benfica. Paneira, Rui Costa e Schwartz são as lendas que restam à minha memória, esses heróis que combatiam os maus. Hoje é como se os fatos de super heróis estivessem alugados a uns mercenários. O ano passado vestiram-no de forma soberba. Mas o hábito não faz o monge e ei-los, de novo, mercenários decadentes, completamente alienados do que é o Benfica, do quanto é importante que o Benfica ganhe para os Benfiquistas.
Eu dava tudo para vestir aquela camisola e aqueles tipos fazem-no como se fosse só mais uma. Hoje mal tenho raiva, estou só desiludido, estou cansado. Já não há heróis no Benfica.

1 comentário:

  1. Mas também não se fazem nem há dirigentes como antigamente....
    O "nosso" Rui vai sendo engolido pelos interesses porque o futebol que é uma máquina de fazer dinheiro já não precisa do adepto agora fomenta o cliente.
    O Luisão é um dos nossos mas o romantismo de jogar á bola só continua para nos os verdadeiros adeptos.

    CARREGA BENFICA!!!

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