domingo, 24 de outubro de 2010

Vítor Baía, um de nós

Nas paragens do campeonato surgem sempre fenómenos difíceis de controlar.

Há presidentes que, com os adeptos proibidos de irem aos jogos fora, mandam vir todos os bilhetes disponíveis para um jogo daqui a 15 dias e depois equacionam mesmo deixar as cadeiras vazias como forma de protesto pela falta de verdade desportiva.

Há treinadores que acham "normal" entrar num jogo em Lyon para a Champions como se fosse o Arouca em casa e que depois se queixam de não terem estado "em igualdade numérica com igual número de jogadores".

Há equipas que jogam com nove, espetam três num dos estádios mais temíveis da Europa e têm jogadores aplaudidos pelos adeptos adversários. Jogadores esses que, como se sabe, não teriam feito diferença nenhuma o ano passado.

Há ainda senhoras que uma célebre equipa especial do Ministério Público consideraram credíveis o suficiente para reabrirem processos que acabam condenadas a 300 horas de trabalho comunitário, como se não tivessem passado a vida toda a fazer isso mesmo.

E depois há umas declarações super polémicas que motivam que qualquer um mande o seu "bitaite" sobre o assunto.

Vítor Baía disse que no benfica ou no sporting teria tido outra projecção. Um escândalo! Uma grande revelação! Como se fosse uma grande surpresa imaginar que se o jogador com mais títulos de sempre tivesse sido de outro clube que não o Porto ainda hoje seria levado em braços por este país de feias invejites.

Abram alas à imaginação: Baía é um miúdo nas balizas encarnadas, ganha, ganha, ganha, vai para fora e ganha, regressa e ganha, é considerado o melhor guarda-redes da Europa e, como está nesse clube, vai à selecção e não sofre aquele frango monumental na final do Euro2004... Hoje já teria tido mil jogos de homenagem, teria duas ou três estátuas na Segunda Circular, estava constantemente nas capas dos jornais, era comentador em dois ou três canais... Enfim, um imenso mar de carreiras.

Mas não, Baía é portista. E por isso mesmo veio logo no dia seguinte jurar amor eterno ao nosso clube. Porque, de um lado, muitos adeptos do meu clube não usaram os neurónios para interpretar as suas palavras. E porque, do outro, muitos adeptos de outros clubes começaram a idolatrá-lo. Sem sequer pararem para imaginar como seria o futuro com Fernando Gomes (apoiado por LFV e Bettencourt) na Liga e Vitor Baía (apoiado pelos que lhe dariam outra projecção mediática) na Federação.

Quanto a mim, continuo a ver em Baía um ídolo máximo. Continuo a recordar todos os magníficos momentos em que tive o prazer de o ter na minha baliza. Continuo a vê-lo de azul dos pés à cabeça.

Quer queiram, quer não, é um de nós.

4 comentários:

  1. Mas é impressão minha, ou ele disse também, ipsis verbis:

    «Se aquilo que consegui no FC Porto fosse no Benfica ou no Sporting acredito que teria outra repercussão, outra dimensão. Vejo, e muito bem, o Benfica a homenagear os seus campeões da Europa quase 50 anos depois com uma vitalidade e de uma forma muito positiva (...) O FC Porto tem uma estratégia muito fechada, muito para dentro, e isso também não ajuda. O nosso clube não faz tudo que está ao seu alcance para potenciar a imagem dos seus jogadores atuais e dos que deram muito ao clube»

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  2. Resumindo: Baía a presidente da Federação

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  3. Ele disse isso na minha escola E.B. 2/3 Nicolau Nasóni no Porto agrupamento das Antas e no dia a seguir desmentiu o que disse dizendo que foi mal entrepetado secalhar estava com os copos e nao sabia o que disse

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