quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lá em casa estamos em paz

Eu e o M. temos um problema: gostamos tanto um do outro que quando os nossos clubes se defrontam o vencedor nunca fica tão contente como devia, só de ver a cara do outro. Ou melhor, até fica, mas não o pode demonstrar.

Lá em casa não há aquele “TOMAAAAAAAAAAAAAAA!” que tanto prazer me deu gritar no domingo no Dragão, com algumas palavras menos bonitas pelo meio. Não há gestos feios, palavras ofensivas ou provocações, como ambos já fomos apanhados a fazer na televisão. No fundo, lá em casa, somos uns meninos.

A única diferença entre nós e aqueles casais que vão para os estádios de mãos dadas, caras pintadas, cachecóis diferentes, dar beijinhos para serem fotografados é que somos ambos doentes. Nunca nos passou pela cabeça ir ver este Porto-benfica juntos. Nem este, nem nenhum.

Para nós, um Porto-benfica é sempre uma guerra. Esteja a classificação como estiver, incentivem à violência que incentivarem, mandem as bolas de golfe que mandarem. É guerra.

Tentamos não falar disso durante a semana e não comentamos as opções dos treinadores. Como se estivéssemos a revelar um segredo ao inimigo.

Durante o jogo só o perdedor tem direito a mandar mensagens a insultar a sua equipa. O vencedor tem de fazer de conta que não fica feliz por isso.

Quando nos vemos depois do jogo pode falar-se de: meteorologia, geopolítica internacional, literatura chinesa e cinema norueguês. Somos pessoas cultas.

Nos dias seguintes há alguns desabafos entre os dois, mas preferimos de longe os telefonemas para casa, para aqueles que nos percebem. A minha família, por exemplo, tem passado a semana a telefonar-me para perguntar como está o M. Preocupam-se com ele, porque sabem que se fosse ao contrário eu estaria de rastos. E é precisamente isso que faz com que eu consiga gozar toda a gente no trabalho, na rua, na net, mas que me controle mal entro lá em casa. É que nós somos de clubes muito diferentes, mas somos totalmente iguais nas vitórias e nas derrotas.

Por isso, M., desculpa-me andar tão feliz. Não tenho culpa de ser do melhor clube do mundo. Obrigada por o ano passado teres sido tão compreensivo quando foste campeão. Eu estou muito mais habituada a isso, mas saíste-te bem. Quando voltares a casa, juro que não vais ter um poster gigante do Hulk à porta.

Este post era suposto ser para aquelas pessoas que nos acham malucos. Mas acho que não ajudei a melhorar a nossa imagem.

4 comentários:

  1. Um beijo muito grande e obrigado*
    (Não estamos a passar uma boa imagem enquanto casal saudável, mas a ideia nunca foi essa)

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  2. looooooool
    tenho uma admiraçao por voces... lindo benfiquista com portista doentes nao ha melhor

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  3. ahahaha és qualquer coisa, Cat.

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  4. essa tua forma de escrever é brutal por ser tao tipica e genuina! parabéns tripeirinha, miki

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