sábado, 23 de janeiro de 2010

Mais escutas

Senhor presidente de um certo clube que vamos chamar de Orelhas: Tou, amiga!
Senhora jornalista que por acaso até parece um senhor jornalista e que vamos chamar de Pinhão: Diga, senhor presidente!
Orelhas: Preciso da sua ajuda outra vez.
Pinhão: Então ainda não chegou escrever-lhe um livro?
Orelhas: Não, pá! O gajo safou-se. Não sei como. Agora vamos ter de entalá-lo de outra maneira. Tens alguma ideia?
Pinhão: Opá, eu tenho o sonho de publicar as escutas na Internet. Mas acha que agora é uma boa altura? Nós até vamos à frente, se calhar é melhor guardar...
Orelhas: Não, tem de ser agora! O gajo já anda a falar muito e qualquer dia as pessoas reparam mesmo nos roubos de catedral. Diz-me lá como é que é isso das escutas na Internet.
Pinhão: Eu trato-lhe disso, não se preocupe. Mas se isto funcionar o nosso clube for finalmente campeão tem de me prometer uma estátua.
Orelhas: Está prometido, cara amiga! E já se sabe que eu não falho uma promessa! Adeus!



Pinhão: Tou, amiga!
Senhora procuradora que por acaso é casada com um senhor de um certo clube e que vamos chamar de Morgado: Oh minha querida amiga, estava agora mesmo a escutar o seu telefone e já sei o que me vai pedir. Até já lhe enviei um e-mail com as escutas todas para facilitar a coisa.
Pinhão: E ainda dizem que a Justiça é lenta, hein?
Morgado: Eh eh eh! Ah pois é! Vamos lá ver se é desta que eu reabro o caso pela 2847138573105532ª vez e a coisa cola! Boa sorte!



Senhora de alta credibilidade na Justiça portuguesa e que vamos chamar de Carolina: Tou, amiga!
Pinhão: Olá amiguinha! Já ouviste o que eu meti na net?
Carolina: Já! E estou um bocado chateada! Vocês agora fazem as coisas sem me consultar? Eu podia ter-te dado também umas escutas que tenho aqui de ele a dizer-me coisas íntimas…
Pinhão: Epa, desculpa, mas teve de ser tudo muito rápido. O presidente tá todo cagado com o gajo. Aqueles foras-de-jogo aos golos regulares do Porto andam a dar um bocado nas vistas.
Carolina: Vocês são mas é uns ingratos! Qualquer dia revelo umas coisas sobre vocês...
Pinhão: Oh minha grande alternadeira, tu vê lá se te calas que ninguém acredita em ti. Já recebeste a tua fruta dos cofres do nosso clube, não te chega? Sabes, já não estou para te aturar, adeus!



Orelhas: Tou, amiga!
Morgado: Olá senhor presidente…
Orelhas: Queria agradecer-lhe o seu contributo. A malta já está toda louca com as escutas. Eu não sei trabalhar lá com aquela coisa do iu tube, mas já mandei a benfica TV passar aquilo o dia todo. É uma alegria! E tive outra ideia espectacular: mal o benfica perca um jogo, aquilo começa a passar outra vez automaticamente. E os burros dos meus adeptos nem reparam! Eh eh eh! Sou muito bom!
Morgado: Olhe senhor presidente, mas eu tenho más notícias... Isto pode dar para o torto... Se descobrem quem divulgou aquilo estamos feitos...
Orelhas: Não se preocupe, está tudo controlado. A partir de hoje, o futebol português entrou num novo ciclo. O ciclo em que o meu benfica vai ser campeão!
Morgado: Espero que sim, espero que sim...
Orelhas: Melhor do que isso só se o gajo for preso! Ou morrer! Bem, isso é que era! Olhe, para comemorar até vou ligar a um grande amigo meu, até à próxima!



Orelhas: Tou, amigo!
Senhor árbitro que vamos chamar de João Ferreira: Então, pá! Tudo bem? Precisas que vá apitar um joguinho do nosso benfica?
Orelhas: Não, não… A gente vai com seis pontos de avanço do Pinto da Costa, para já não é preciso.
João Ferreira: Já sabes, quando quiseres estou ao teu dispor, meu querido Luís Filipe Vieira...
Orelhas: Xiu! Não digas o meu nome! Já imaginaste se estamos a ser escutados? Podemos ter azar, agora vai parar tudo à Internet...
João Ferreira: Mas tás a brincar? Está tudo controlado. As nossas escutas não interessam a ninguém. Somos apenas dois amigos a falar.
Orelhas: Claro, eu sou uma pessoa muito séria. A mim nunca me hão de apanhar nestas coisas. Quer dizer, por acaso já apanharam. Mas isso não interessa a ninguém! Vá, cumprimentos aí para casa!

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Eu sou uma pessoa sem moral e princípios. Como tal, adoro estas escutas. Já me ri imenso e volto a rir sempre que penso naquele "tou um bocado fodido com o meu amigo..."

Castigos por causa de túneis, escutas no Youtube... o que se seguirá? Um e-mail do amante gay do Pinto da Costa? Uma fotografia de quando o Jesualdo ainda era mulher? Um vídeo de adeptos do Porto numa grande orgia? Não sei, mas que o nível está a baixar, está. Nada a que não estejamos habituados vindo de onde vem.

Sempre em frente!

Eu ainda não ouvi as escutas. É verdade. Não é que não queira, mas não tenho som no computador (uma certa pessoa, ligada a um certo clube, conseguiu lixar o som há uma semana...).
O que as escutas mostram já era público. Já jornais tinham mostrado, já se tinha lido e falado. Mas ouvir é mais forte, não é? (Deve ser. Eu ainda não ouvi) "A fina ironia", "a organização exemplar" e restantes predicados com que o Rui Orlando nos costuma brindar, ali, todos expostos. É, como é que hei-de dizer, um bocado irónico.


Eu acho que está tudo tão límpido nas ditas escutas (que eu, ora que porra!, ainda não ouvi) que nem vale a pena comentar muito o facto. Podem vir com nomenclatura penal, com os recursos, com as validades, com anulações, com supremos. O conteúdo, esse, ninguém nos tira.
A "fruta de dormir" fica para a história como a pior metáfora de sempre.
O código deontológico de jornalista d`O Jogo tem "coisas muito giras".
O Antero Henriques já dá graxa ao Pinto há tanto tempo que o Salvador nem campeão lá chega.
O Bettencourt, se ainda não respondeu a isto, é porque não tem mesmo coluna vertebral.
Mas há duas coisas que me escapam, e isso anda a consumir-me, daí que o texto não me esteja a sair bem:




Falta-me ouvir o ambiente de convivência, de compadrio. O "estou?" e a seguir aquele cumprimento de quem há muito se conhece, há muito conversa. Falta-me aquele espírito de fraternidade, de gente que se move toda por uma boa causa, que, no fundo, no fundo, só quer que as coisas corram bem! Falta-me o tom conciliador do Major, o tom de cãozinho do Antero, a canalhice do Pinto e o Deco a tentar perceber como é que se torna a chantagem "fantástica". Sem isso, todo o texto é um bom argumento, mas ao qual faltam as personagens de eleição. Reconforta-me saber que os vídeos ficarão para a eternidade. Espero que alguém se dê ao trabalho de os traduzir para que lá fora saibam aquilo que estamos a aturar há anos e anos.

Mas, mesmo antes de ouvir as escutas, já tenho uma grande desilusão. Já soube que as minhas preferidas não estão na net.
É assim: eu cresci com o Coroado a expulsar três jogadores num Benfica - Torreense no Estádio da Luz, com o Calheiros a expulsar o Iuran e o Pacheco no Beira Mar - Benfica de 92/93 que nos dava o título sem que alguém consiga, ainda hoje, explicar porquê. Eu vi o Fortunato Azevedo, o Rosa Santos - que até é columbófilo e tem no pombal o emblema do seu clube pintado muito grande. O Pratas a fugir do Domingos e do Couto. Mas se havia personagem que me metia medo era Martins dos Santos.
O Martins dos Santos era um daqueles tipos que tinha um brilho nos olhos quando apitava o Benfica. Cada lance podia ser uma oportunidade para brilhar. Era um criativo, era imprevisível. Ora, as escutas acerca deste artista é que são, para mim, as mais espectaculares e requintadas. Ora vejam:

De acordo com a certidão, Martins dos Santos foi o árbitro convidado para o jogo inaugural do Estádio do Dragão como forma de pagamento de "anteriores benefícios" ao FC Porto. O clube terá pensado em convidar outro árbitro, mas o presidente da AFP, Adriano Pinto, tranquilizou Martins dos Santos, garantido-lhe a presença no desafio com o Barcelona, a 16 de Novembro de 2003.

"A certa altura, eu zanguei-me, porque não queriam que... deixar o senhor inaugurar o campo (...) e foi de lá de dentro que escolheram outro, e eu tive de dar um murro na mesa para... para voltar a ser... você. (...) Eu sou contra a ingratidão, você sabe bem disso...", referiu Adriano Pinto a Martins dos Santos


E esta era a escuta que eu queria ouvir. Porque nesta escuta o que salta aos olhos do leitor é a amizade. O modo como Adriano Pinto, homem de bem, amigo dos seus amigos, "dá um murro na mesa". O leitor percebe, sente a raiva. Caramba, também eu a sinto. Com Calheiros reformado, iam dar a inauguração a outro que não Martins dos Santos?
 A decisão não seria "ingrata", seria um crime! E é bonito ver como o conto não só nos dá uma moral de amizade forte, como acaba bem e Martins dos Santos apita o jogo de inaguração. Afinal, após o fóculporto - Rio Ave de 2003/2004, apitado por si, Martins dos Santos já tinha dito que "o que eu queria era que me corresse bem o jogo (...) que me corresse bem o jogo e que ganhasse quem ganhou". É preciso ser-se muito insensível para não ver a injustiça, a trama, o conluio que ia na Torre das Antas para impedir que o homem lá fosse. Apetece dar um murro na mesa. Felizmente tudo acabou em bem e Martins dos Santos apitou o jogo. Ficou 2-0. Sabem como é que o primeiro golo foi? De penalty e injusto. Um conto de fadas.
Mas, para melhorar, e são estas coisas que o Youtube não resolve (falta autenticidade, não vemos as caras, não vemos os sorrisos, as gargalhadas...), há na história de Martins dos Santos, um factor ainda mais bonito: o genético. Não é que o filho, Daniel Santos, apitou este ano o fóculporto - Mónaco, jogo de apresentação aos sócios? A ingratidão foi vencida! Já dizia o outro, sempre em frente!


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

É normal que eles estranhem

Há, no mundo azul e branco, uma estupefacção generalizada com os castigos de Hulk e Sapunaru em relação aos incidentes do túnel na Luz. É normal. Primeiro porque o fóculporto, nomeadamente o seu presidente, está habituado a uma velocidade brutal da justiça. Por exemplo, antes de ser detido pela PJ, Pinto da Costa (PdC) foi avisado por uma fonte da mesma, permitindo a sua fuga. Ou seja, é normal para quem está habituado a uma justiça super rápida (que se antecipa a si mesma! Isto é que é um país civilizado!) que tudo isto seja estranho e demorado. Aliás, pela bitola desse aviso da PJ, tenho a avisar os adeptos do fóculporto de muitas e muitas desilusões pela vida fora.
Há ainda o factor orgulho. Para o fóculporto,  perder a invencibilidade nos túneis é um mito que cai, só havendo correspondência de derrota tão grande em casa na final do Campeonato do Mundo de 1950, quando em frente de 200 mil espectadores, o Brasil perdeu "a Copa" para o Uruguai ou no soco espectacular de Weah a Jorge Costa. Imaginem o vexame: nos túneis! Que dirão figuras históricas como João Pinto ou  o Guarda Abel, craques imortais desse campeonato particular?
Estou curioso para o castigo já que, se o melhor marcador do campeonato foi expulso - no jogo entre 1º e 2º - sem fazer nada (provam-no as imagens) e ainda levou dois jogos, quero ver o que poderá acontecer a quem pelos vistos bateu mesmo. Obviamente, no seu estilo de vítima - perdão, "com a sua habitual ironia"! - PdC já veio dizer que há roubos de Catedral. É normal que o diga. Homem de bem, sem quaisquer problemas com a justiça e de uma imparcialidade que faz corar Jesus Cristo, PdC deve estar a referir-se àquele fabuloso gesto técnico de Cristian Rodriguez na Luz, um verdadeiro paradigma de como deve actuar um lateral direito de andebol.
É normal que eles estranhem e que nós também. Se for como o Apito Dourado, vão ser meses e meses até lhes tirarem 6 pontos (quando Itália nos parece um país padrão para os castigo sobre corrupção acho que está tudo dito...). Se for como o Caso Calheiros, resta-nos dizer a Hulk que espere sentado. Nós, Benfiquistas, estamos há anos há espera que nos expliquem porque é que o clube dele pagou viagens ao Brasil a um árbitro que lhes deu o campeonato de 92/93 e foi figura emblemática de tantos outros.
Concluindo, compreendo perfeitamente a estranheza que os andrades sentem. Um clube culpado de tentativa de corrupção, com dois ex presidentes do Conselho de Arbitragem como seus comentadores (Lourenço Pinto no Record e Guilherme Aguiar na SIC), com óbvia influência sobre éne clubes de menor nomeada no futebol português, e que nunca foi verdadeiramente responsabilizado por tudo isto, é de repente apanhado num túnel. É como se um ladrão roubasse, matasse, violasse e depois fosse apanhado a roubar numa mercearia. E, vejam lá, estranham que a pena não saia! Que o processo é demorado! Que não há justiça em Portugal!
É normal que eles estranhem. E não deixa de ter a sua piada.

Somos invencivéles nos tunéles

Provavelmente, os nossos leitores dotados de capacidades intelectuais acima da média estão, neste momento, a ler e reler o título sem o perceberem. Pois aviso-vos desde já que este post vai ser escrito em “jesuês”, vocabulário próprio do treinador do benfica, e que, obviamente, não pode ser considerado uma consequência do baixo nível da pessoa em questão, mas sim toda uma revolução na Língua Portuguesa. É um homem muito à frente do seu tempo, como sabem.

(colocar chiclete na boca para facilitar a compreensão)

Prontos, então vamos lá falar dos tunéles. Toda a gente sabe que nós, no Porto, somos invencivéles nos tunéles. Todas as grandes histórias de tunéles estão relacionadas com o FCP e foi assim que ganhámos uma certa fama. Não me incomoda que me digam: “ah e tal porque o teu clube só faz asneiras nos tunéles”. Sim, e daí? O fair-play é uma treta.

O problema é que, nos últimos anos, os tunéles deixaram de ser controlados pelo forno interno do meu clube. Começaram a suceder-se histórias de jogadores vermelhos que faziam isto, que faziam aquilo, e eram mesmo bons a fazê-lo! Há quem diga até que o Rui Costa conseguiu despedir o jornalista que contou o que ele fez naquele jornal que dizem que é do sporting, mas que, enfim, de vez em quando, passa por um processo de neutralização do benfica.

Daí que o que se passou no tunél da luz me deixe entusiasmada com o recuperar de um velho mito do futebol português. Afinal, a capacidade de implosão dos meus jogadores ainda é melhor que a dos vermelhos, estou muito orgulhosa!

E eu, que sou a melhor do mundo e até já recebi um prémio da Soccerex... Ai não é um prémio? Ui, disfarça. Bem, eu que sou a melhor do mundo e sei disso, vou propor uma série de castigos. Pode ser que ajude a pobre CD da Liga, que está tão atarefada nesta altura que nunca mais se decide.


Hulk e Sapunaru: pena de morte por enforcamento, conforme solicitado em “A Bola”.

Helton, Fucile, Rodrigues e todos os que passaram por lá por acaso: prisão perpétua, conforme pedido do “Record”.

Restante plantel: 20 chibatadas em praça pública.

Jesualdo Ferreira: três anos de prisão, pena que pode ser alargada se vier a ser mais vezes campeão pelo Porto.

Pinto da Costa: irradiado do futebol, a pedido de todos os que já se sentiram comidos por ele.

O senhor que limpa as chuteiras: apresentação diária no túnel da luz.

Adeptos, simpatizantes e todos os que têm algo a ver com o FCP (menos o presidente do benfica, que é sócio, mas não conta para efeitos de castigos da CD da Liga): proibição de festejar qualquer título.


Quero agradecer a ajuda do meu pai na elaboração desta proposta e, já agora, o apoio dos motocards da Amadora.

Estarei muito atenta aos castigos e restantes tentativas de nos abalar, que certamente se irão amontoar até ao final da época. Tão certo como três pessoas poderem fazer um quadrado! Estou mais do que habituada a este órgão da Liga que só castiga jogadores do Porto. Eu sei o que são sumaríssimos e tunéles e todas essas coisas que arranjam para nos tentar derrubar. Só nos resta ganhar no relvado. Porque o Porto ganhar na secretaria, só se for na Playstation.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estamos a falar de quê mesmo?

Tenho lido muito. Acabei «O cego de Sevilha», li mais um Lobo Antunes num ápice e comecei outro Le Carré. O primeiro é um policial mediano, com alguma história a tornar a coisa mais interessante, sendo que as últimas cem páginas são capazes de nos fazer suar. O segundo é uma maravilha: «Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?» Digam o que disserem do homem, é um génio. E o último ainda estou a entrar em mais uma história de espionagem emocionante.

O Natal foi giro, o normal. Família reunida, muita comida e boas prendas. Tive de trabalhar, foi mais chato, mas também sendo jornalista já sabia que tinha de acontecer. Depois uns dias de férias, passados no fim do mundo. Muito descanso e poker, muito pouco em que pensar. E a passagem de ano, uma bebedeira daquelas que nos fazem esquecer de coisas, como tinha de ser.

É bom falar-vos de cultura e de lazer. A vida também não é só bola, não é? «Saúdinha, é o que é preciso!», já dizia a minha avó. E eu estou bem de saúde. Já tive gripe, não corro riscos. Comi demasiado no Natal, mas nada que não se recupere num mês. Tudo bem com a família, com os amigos. Tudo bem no trabalho. Que mais poderia eu pedir? Tudo me corre bem.

E quando, por acaso, tu me falas de bola... só tenho de te ignorar. Assobiar para o lado, dizer «cala-te!», qualquer coisa assim subtil. Depois há que tentar ignorar também os jornais, as televisões, o resto do mundo. E os teus amigos.

Estas duas semanas depois do jogo têm sido muito calmas. Basta não pensar nisso. Não pensar na falta de comparência do Porto na luz. Não pensar na lampionice incrostada no Jesualdo, que não consegue querer ganhar-lhes. Não pensar no fora-de-jogo do Urreta. Não pensar no idiota do Álvaro Pereira e no atrasado mental do Bruno Alves, que decidiram ficar a ver como é bonitinho o Saviola. Não pensar no quanto me apetece mandar com uma chuteira à cabeça do Hulk depois daquele remate falhado. Não pensar no Senhor Lucílio Baptista.

Claro que há alturas do dia em que dou por mim a pensar se precisamos de reforços, se com um gajo de jeito no meio-campo ofensivo a pressão não tinha saído melhor, se era assim tão difícil travar gajos como o Carlos Martins (o Carlos Martins, meu deus! Que mal é que eu fiz?), se ter um guarda-redes que decidisse resultados como o Quim (o Quim! Estou desesperada!) não era bem pensado, se o Rodríguez não está a precisar de uns choques eléctricos... mas isso sou eu, que, como tu tanto gostas de gozar, em dois minutos consigo destruir tudo, do Helton ao Falcao.

Só que a vida é bonita, tudo me corre bem, e resta-me ir para a varanda, enquanto vocês cantam coisas feias, dizer à vizinhança que nós somos os TETRA campeões. Isto sou eu a esperar por aquele velho Porto que quanto mais fundo bate, mais alto chega na recuperação. No fundo só preciso de mais quatro ou cinco livros (e que vocês percam quatro ou cinco pontos...) para me esquecer da estupidez que ali se passou.

2 semanas depois (Coelho para a Consoada)

Ganhar-lhes sabe bem. Sabe bem depois de ter visto o Guilherme Aguiar (ex Presidente do Conselho de arbitragem e hoje comentador do fóculporto. Coincidências!) sorrir daquela maneira após o jogo de Olhão. Eram favas contadas. Depois do Olhanense - Benfica era, de facto, difícil não apontar os azuis como favoritos.





O Benfica ganhou, ganhou bem e - surpresa - por falta de comparência. O teu clube não apareceu no Estádio da Luz. Desde um guarda redes que foi levantar o Maxi enquanto Saviola já se exagerava ao central que deixou a bola passar para o mesmo e acabando numa tripla atacante que não foi mais que corpo presente. O Benfica, com Carlos Martins em campo e, mais tarde - humilhação! - com Luís Filipe, não teve que suportar mais que dois remates fora da área.
Para mim, ganhar aos azuis não chega. Sabe bem, pode ter sido decisivo, etc. Mas, porque alem de pessimista militante sou um tipo exigentíssimo, não peço menos que virar a história outra vez. Não quero ser lagarto e achar que vos ganhar já é óptimo - como eles pensam de nós. Para mim importante é ganhar o Campeonato. E o seguinte, e o seguinte, e o seguinte, e o seguinte.


E para isso o mais importante é não pensar no que se passou há duas semanas, mas sim pensar em ganhar ao Rio Ave fora. A diferença entre pensar uma coisa e outra é tão grande como a escolha de Koeman em 2005/2006: uma vez Campeões já se pode tentar a sorte na Champions, quais parolos novos ricos? Não. Quero a casa arrumada. Quero o domínio nacional. E para isso, é importante comer a relva, não ter medo e comer-vos quando jogamos contra vocês. Mas é importante que essa vontade de comer o mundo seja eterna, e não "um novo ciclo". 
 
 
Quero o Benfica Campeão. Quero o Benfica Campeão sempre. 
Quero um dia poder recordar este clássico como o que virou - outra vez - a História a nosso favor. E assim, sim, o sabor do Coelho será outro.