quarta-feira, 31 de março de 2010

Goleadas de 1-0 (e mais depressa se apanham mentirosos do que coxos)

Ao contrário do que apregoam, o grande mérito deste Benfica não é o seu ataque (que é, verdade, fantástico) nem as suas goleadas. O Benfica está em 1º com 6 pontos de avanço porque nos jogos decisivos, a doer, marcou um golo e não deu espaço para o adversário ter qualquer oportunidade de golo.
O clube de azul saiu da Luz com um remate de Álvaro Pereira e um, fortuito, de Meireles. O Braga pode queixar-se de um lance de bola parada em que Di Maria está de costas, quebrando a concentração defensiva total da equipa. Em ambos os jogos, o Benfica tem mais oportunidades para o 2-0.
Mas também foi por 1-0 que vencemos Guimarães, Naval, Rio Ave, Belenenses e Nacional. E são essas vitórias que dão campeonatos. O facto do Benfica manter sempre, sempre, sempre, uma linha de quatro jogadores atrás (Javi é perfeito na compensação dos centrais e na pressão) e este ano até Di Maria corre para lateral esquerdo quando o defesa desse lado sobe (mas, ainda assim, vira as costas a certos lances, e por isso vai acabar no Manchester errado) são a grande inovação de Jesus.
Por muito que falem, refilem e inventem mil argumentos, este Benfica é muito competente. E se assim o continuar - assim o espero - será Campeão. Com inteiríssima justiça.
Para um "tacticista" como eu, o privilégio de ver o Benfica defender bem e de ver David Luiz a sorrir após Marselha, dizendo que Deschamps esteve bem na Luz, mas que a vitória no Velodrome era de Jesus (deixando a entender que uma nuance táctica foi corrigida), isto é maravilhoso.


Porque este blog tem uma luta Benfica - porto e porque, mistérios insondáveis, o porto resolveu fazer-se representar pelo Braga no campeonato deste ano, não posso deixar de opinar sobre algumas coisinhas que se passaram no sábado e não só.
Que Jesualdo é um mentiroso é público, mas Domingos surpreende na certeza com que lhe segue os passos (quanto a Jesualdo basta recordar quando disse que Bruno Alves nunca tinha sido expulso por agressão, omitindo o porto - Benfica de 2005/2006 e agora, quando disse que Hulk foi suspenso com o seu clube 1 ponto atrás do Glorioso. Para os que ainda não se prostituiram intelectualmente, verifiquem que Hulk jogou contra o Benfica na Luz até ao fim, jogo que acaba com o clube do Guarda Abel a 4 e não a 1 ponto. Esta verificação pode dar algum trabalho, dado o "brilho" de Hulk na Luz.). Assim, Domingos inventou que o Benfica marcou 15-20 segundos depois da hora. Curiosamente, ninguém o desmentiu depois de o citar. A bola passa a linha ao minuto e 6 segundos. A SportTV, com o seu desplante habitual, exibiu nos ecrãs que o golo foi marcado aos 45 + 2.

Mas as mentiras continuam e vão continuar muito tempo. Por exemplo, ontem, aquele senhor que foi condenado por corrupção e não recorreu e promete coisas a mortos disse isto:
"Com Hulk tudo seria diferente, não tenho a mínima dúvida que com ele o FC Porto estaria em primeiro ou muito perto disso". Ora, em primeiro é mesmo muito difícil. Aliás, mesmo com Hulk, Messi e Cristiano Ronaldo. Porque o fóculporto saiu da Luz com 4 pontos de atraso em relação ao Benfica. Se tivessem ganho TODOS os jogos desde aí, estavam a 2. Portanto o "estaria em primeiro" é, vá lá, uma imprecisão.

Depois há a mentira dos 15 jogos a que o Hulk faltou por causa dos 4 meses que passaram a 3 jogos. Repito, acho que o castigo era exagerado e que a decisão devia ter sido mais rápida. Mas vejamos, o jogo ocorreu em Dezembro (20, salvo erro) e o castigo saiu a 19 de Fevereiro. É neste período que o Hulk falta a éne jogos. Mesmo que o CD da Liga tivesse dito que afinal eram só 4 jogos desde logo, até lá Hulk não jogaria. Este sim, é o maior escândalo, é a suspensão preventiva. E quem é que a propôs? Foi o Benfica? Não... Parece que foi o fóculporto e o Benfica até se absteve. Portanto se o empresário do Hulk quer ser indemnizado já sabe a quem é que se tem de dirigir. É que de 19 de Fevereiro até à correcção da suspensão pela Federação, os azuis jogaram 7 jogos e não os tais 15. Um deles até teve a presença de Hulk, que fez uma exibição incrível em Londres. Portanto foram 6, e não 15. Parecem os segundos do Domingos. Multiplicam-se.
Eu acho que nós não temos nada a ver com isto - quem anda a bater nos túneis não é ninguém do Benfica - mas quando temos que aturar bocas como "a liga dos túneis" há que responder. Por exemplo, Eduardo Barroso hoje diz n`"A Bola"que o denominador comum dos incidentes dos túneis com Nacional, Braga e clube do Guarda Abel é o Benfica. Engraçado, e o porto não? É que porto e Braga hoje estão tão unidos que chega a ser fofinho. E os incidentes com o Nacional foram com um tal de...como é que ele se chama? Ah, já sei, Ruben Micael. Parece que mudou de clube. Sabem qual foi?



Enfim, ter boa imprensa não é ter capas a vermelho - que os jornais usam para vender. Ter boa imprensa é ninguém desmentir o que é tão óbvio, é colocar totós a defender o Benfica contra cães de fila como Pôncio Monteiro e Guilherme Aguiar. Ter boa imprensa é ter a Ana Lourenço a fazer perguntas em nome da inteligentzia portista e a SportTV a meter aquele "2" tão, tão mentiroso.
E entretanto já ninguém se lembra que se Jorge Sousa tivesse sido justo, o Benfica iniciaria a segunda parte em Braga com 11 contra 8 e se calhar já nem tinha que haver nervos no sábado. Nem uma pequenita referência a isto.
Aliás, quando ouvimos Mossoró dizer «Os jogadores do Benfica fazem-se de vítimas» não deixa de ser fantástico que ninguém se lembre - tantos, tantos comentadores... - dessas mesmas agressões. (Carlos Martins, aquele abraço!)

Enfim, ainda falta muito. E vamos ter que aturar muito. Mas o importante é ganhar à Naval.
Força Benfica!


Tenho uma dúvida



(ver a partir do segundo 48)

"O médio brasileiro Mossoró foi operado, este domingo, à fractura no perónio sofrida na partida frente ao Benfica. O jogador enfrenta agora uma paragem de seis meses", em "A Bola".



Se fosse o Bruno Alves, o castigo seria de 3, 4 ou 6 meses?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Era uma vez um Hulk

Hoje vou falar-vos de Givanildo Vieira de Sousa. Há dois anos atrás, para mim, era um nome completamente desconhecido. Até que, à semelhança de grandes fiascos que já passaram pelo F. C. Porto, Hulk foi apresentado como a grande surpresa da época.



Aos primeiros toques na bola, foi logo possível fazer o raio-x deste jogador: irreverente, possante, dono de um talento invulgar, egoísta, em poucas palavras. Eu, que não sou doutorada como os Manhas e Goberns deste mundo, comparei-o a Ronaldo (ao bom Ronaldo, não ao Cristiano Rónaldo, claro). Há muito tempo que não via aquelas corridas explosivas do "fenómeno" do Barça, mesmo que, em muitas delas, acabasse a insultar o Hulk pelo passe fácil que ele não fez ou pelo remate 30 metros acima da baliza que podia matar alguém.

Não é todos os dias que se vê um jogador assim. Para o bem e para o mal. Hulk é daqueles gajos que nos faz arrancar cabelos e roer as unhas. E era constantemente assobiado no Dragão. Mas depois pegava na bola, corria, passava por cima de qualquer adversário e mandava uma bomba indefensável. Não foi por acaso que aquela jogada em alvalade correu o mundo.



E o mundo começou a falar de Hulk. Do interesse deste e daquele, dos milhões que podia valer. Sem me basear nos jornais, que já venderam o Luisão e o Miguel Veloso (só para dar dois exemplos) mil e quinhentas vezes para o real madrid e para o manchester, é óbvio que achei possível. Num clube que vende o Cissokho por 15 milhões tudo é possível, aliás.

Hulk não é o melhor jogador do mundo, mas é fundamental no Porto. E toda a gente sabe disso. Sabem tão bem que o castigaram com quatro meses. Quatro meses é uma eternidade para um jogador de futebol. Não são os 17 ou 18 jogos (a contar com o de hoje em Vila do Conde) por si só. É a falta de ritmo, de motivação, a desvalorização financeira e tudo o resto. Hulk, por exemplo, de certeza que não vai estar no Mundial.



Com que direito o senhor Ricardo Costa pode estragar uma carreira? Duas, até, porque só não estou a falar do Sapunaru porque, notoriamente, não é um jogador de topo. A resposta é óbvia: a intenção nunca foi estragar a vida destes jogadores.

O que se jogou aqui nesta brincadeira dos túneis foi apenas e só mais uma tentativa de afundar o F. C. Porto. E conseguiram. O meu clube está a bater no fundo, realmente. E só quando está mesmo, mesmo, mesmo na lama é que alguém se digna a vir dizer que, afinal, o castigo é de três jogos. Três jogos. Parece gozo não é?

- Tou, Hulk! Olá pah! Estou a ligar-te porque afinal o teu castigo é de três jogos. Não é bom? Já podes jogar! Mas hoje não, que isto só tem efeito a partir de amanhã. E desculpa lá o engano, tá?

O telefonema é, obviamente, fictício, mas não deixa de ser chocante só de o imaginar. E agora? O que vai acontecer? O Hermínio já caiu, mas isso chega para alguma coisa? Indemnizações? Pedidos de desculpa? E em que é que isso vai beneficiar uma equipa que ficou privada de um jogador como Hulk?

É muito provável que o benfica seja campeão esta época. O Porto já vai longe e o braga vai ter de ser afastado mais cedo ou mais tarde. O castigo do Vandinho é uma prova disso. Eles vão festejar, nós vamos ficar frustrados e para o ano começa tudo outra vez. Mas tu sabes, M., como te vou recordar isto ad nauseum.

O que festejou o Benfica no domingo

Não vi o jogo de domingo e fui sabendo, intermitentemente, o resultado. Soube bem ganhar, ainda para mais por 3, mas nada que me levasse ao Marquês ou coisa do género.
O que senti ao ver as imagens da festa é que o Benfica festejou o seu estado de espírito. Festejou Marselha, festejou o facto de ir em primeiro e jogar, finalmente, bem à bola. E isso assusta-me.
Gostava que domingo se tivesse festejado só e apenas a Taça da Liga. Ou seja, "porreiro, ganhámo-la nós e não eles, vamos para casa". É que, após tantos anos a levar porrada, é mesmo estranho ver tanta  tanta alegria sem o mínimo de desconfiança.


O objectivo é o Campeonato. Não é marcar no último minuto em Marselha nem ganhar 3-0 ao porto. Ainda bem que fizemos tudo isso, mas eu só quero ver champanhe com o caneco que interessa na Luz.
Não quero saber se o Jesus chorou, se as bancadas estavam ou não ao rubro. A hora é de guerra. Sábado é que conta.
Força Benfica!

PS: Hulk, afinal, foi suspenso por 3 jogos. A coisa é pouco séria. É inconcebível que um jogador tenha estado castigado tempo a mais que a pena acaba de apanhar. Regulamentos dúbios e atrasos escusados. A mim irrita-me sobretudo que, num ano em que o Benfica pode ("pode" não é "vai", portanto mantém-se a concentração!) ser Campeão e em que joga indiscutivelmente melhor do que toda a gente junta, possamos ter que ouvir falar disto ad nauseum.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Crónica de uma estação de serviço anunciada

O futebol é um jogo. Onze contra onze, a bola a rolar e muitas emoções à flor da pele. Só que, às vezes, e por culpa de todos, é muito mais do que isso.

As claques do F. C. Porto têm por norma facilitar a escolta policial, mas não é difícil escapar-lhe. Como tal, ontem, cerca das 11 da manhã, uma camioneta dos Super Dragões entrou na estação de serviço de Alcácer do Sal, onde não estavam nem um PSP, nem um GNR. Mas estavam No Name Boys. Não eram sequer duas dezenas e estavam a comer. Quando viram a camioneta, lançaram o que tinham à mão: garrafas de cerveja e uma tocha ou outra. Foram poucos segundos, o tempo que demorou a parar a camioneta e a abrir a porta. Dezenas de portistas saíram da camioneta, já com dois vidros partidos. Os benfiquistas fugiram, porque já não havia mais nada para atirar. Ficou um, sozinho. E as cenas que se seguiram não são dignas de ser contadas.

No entanto, houve um limite. Pararam todos, enquanto o rival jazia no chão, inconsciente. Os amigos deste voltaram atrás, porque nunca se deixa ninguém sozinho. Imploraram para que tudo ficasse por ali, só queriam levar o amigo. Os azuis concordaram. Durante uns segundos, no campo de batalha, houve paz e respeito. Depois os Super voltaram a ir atrás dos No Name, houve pedradas para tentar retaliar nas carrinhas destes, e houve também um telefonema de inimigos a agradecer. Ali, e por muito pouco bonito que tenha sido, salvou-se uma vida.

O dia continuou, com mais garrafas e pedras a partirem várias camionetas do Porto e com uma outra claque do benfica, que não é escoltada pela polícia, a ter o “azar” de ficar na fila para pagar a portagem. Os dragões saíram das camionetas e a polícia, sempre descoordenada, disparou balas de borracha para todos os lados. Faltava o pior: chegar ao estádio.

Foi a PSP que escoltou as claques do Porto, mas era a GNR que devia estar nos arredores do estádio. Durante a semana, vimos conferências de imprensa e comunicados a assegurar que tudo estava controlado. Mil e tal agentes, ui ui. Estava tudo tão controlado que as claques do Porto chegaram ao estádio e a GNR ainda não tinha chegado. Afinal de contas, ainda não tinha acabado a hora do almoço.

E como 2+2 são sempre 4 seguiram-se cenas também muito tristes para serem contadas. Se bem que hoje a imprensa as conta, e mal. «Adeptos do FC Porto estragam a festa», lê-se na Bola. Porque a polícia não teve culpa. E os adeptos do Benfica são civilizados. «Note-se que a maioria dos adeptos encarnados eram mulheres e crianças», escreve o Record. Porque, como toda a gente sabe, nisto da bola a maioria são sempre mulheres e crianças (fica sempre mais giro se dramatizarmos não é?).

Nunca ninguém me verá a defender episódios de violência. Não alinho neles e obviamente que os condeno. No entanto, e como os meus pais me deram uma cabeça para eu pensar, sei compreender o que se passou. Sei que se criou um clima de “tunéles” entre Porto e benfica que só pode dar nesta guerra. Sei que alguns entenderam aquele jogo como isso mesmo, uma guerra, na qual, como diz o jornal i, “o Porto só deu luta fora do campo”. Sei que esses alguns não vestem só de azul, mas também de vermelho. Mas isso sou eu, que estive lá para ver.

terça-feira, 16 de março de 2010

A Miserável Taça que se tornou na Champions

A Taça da Liga não interessa a ninguém. Não tem prestígio nem história nem tradição. A final é no Algarve, não é em Wembley. E é por demais óbvio que foi criada para haver mais dois jogos entre os grandes, os únicos que ainda rendem alguma coisa em termos de receitas.
Toda a gente concordava, até que o Benfica a ganhou. Pronto, aí tornou-se a Champions. Aliás, falou-se mais dessa Taça do que de todas as dos últimos 10 anos juntas. Porque o Benfica ganhou e foi beneficiado. E isso não pode acontecer. É contra tudo. Se o Benfica ganhar já é uma chatice (Miguel Sousa Tavares, por exemplo, está tão cego que até vê fora de jogo no golo do Benfica na Choupana. E deixa essa opinião por escrito.), imaginem com o Benfica beneficiado. É um ultraje. Toda a gente fica mais indignada do que com a fome em África. É como se se falasse mal da Selecção Nacional. Um árbitro beneficiou o Benfica.

As vítimas ficam histéricas e todos, unidos, gritam e esbracejam pela verdade no futebol português. O Benfica ganhou um título com o árbitro a ajudar. Há suicídios colectivos por indignação, petições para o árbitro ser enforcado na praça pública, beatificações para o pobre jogador lagarto que foi vítima de uma injustiça só comparável à de Cristo e cujo gesto de raiva de atirar a medalha (repetida) para longe vai ser aplaudido em alvalade até à 1500ª comemoração da efeméride (com luto a condizer).
O árbitro foi obrigado a ir à televisão pedir desculpa. Beneficiou o Benfica, foi à televisão. Cito o meu correlegionário Ricardo Araújo Pereira e noto que não há maneira de todos os árbitros que nos roubam poderem fazê-lo porque os noticiários ficavam intermináveis.

E é assim que chegámos à final deste ano outra vez. Sinceramente, estou-me a borrifar. Ganhar é melhor que perder, mas não me faz ganhar nem perder a época. Recordo com náusea o que Quique Flores fez pela Luz e quando o faço não me lembro da Taça da Liga. Não fui para os copos, não celebrei. E não foi por me sentir culpado. Foi porque era a Taça da Liga. E nem o facto de a termos ganho a quem a ganhámos me pôs bem disposto. Estávamos arrumados do Campeonato, não tinha razões para sorrir.
Este ano estou concentrado no Campeonato. Estou obcecado. E é isso que me fará rir ou chorar. As prioridades são Campeonato, Campeonato, Campeonato. Se houver algum espaço para investir noutra competição, prefiro passar o Marselha a ganhar no domingo.
Claro que domingo vou sofrer, porque sofro sempre. Da mesma maneira que acho que não nos podemos perder em sonhos loucos europeus antes do domínio nacional, também não são Taças que mexem comigo quando podemos - e devemos - ser Campeões.
Custa-me mais, se perder a Taça, o facto de ser para quem é, do que perder a Taça em si. Mas não trocava o golo do Saviola por um 7 - 0 no domingo.


(Falta de Vukcevic no golo dos verdes na tão badalada final. Aguardamos, com paciência, o pedido de desculpas. Não exijo na televisão, em directo e em horário nobre. Tanto tempo depois, já me satisfaço com qualquer nota de rodapé.)

A taça do slb

O Porto vai pela primeira vez a uma final da Taça da Liga. Objectivamente, sem fazer muito por isso. Nunca foi um objectivo nem principal, nem secundário. É apenas uma coisa que pode acontecer. Só que este não é um ano normal.

Este é um ano em que, também objectivamente, o Porto pode não ganhar nada. Ou, pelo menos, nada que realmente nos satisfaça. Pelo que, na antecipação desta final, interessa não a valorizar muito (porque podemos perder), nem a desvalorizar completamente (porque queremos ganhar).

Queremos ganhar. Faz-nos falta aquele sentimento de vitória, aquele saber que somos melhores do que os outros, aquela capa de jornal que nos desvaloriza por estarem chateados com isso. Estamos habituados a isso e gostamos disso.

Temos de fazer o melhor jogo da época. Temos de jogar melhor do que a outra equipa, melhor do que os outros adeptos, melhor do que o árbitro. Estamos de peito aberto, com feridas por sarar, mas vamos ter de fazer algo de sobrenatural.

Natural será ouvirmos algo como isto:



É um facto... Natural será termos direito a qualquer coisa parecida com o senhor lucílio baptista:



Eu vou lá estar.

Mas sei que não vai ser fácil. Ninguém gosta que o Porto ganhe, ninguém o quer, todos o tentam evitar. Sabemos o que vamos encontrar no Algarve, a 600 quilómetros de casa, num domingo à noite. Sabemos que não nos querem lá. Mas nós estamos a caminho.

sábado, 13 de março de 2010

Parabéns, avô

O meu avô é o maior portista do mundo. É tão portista, tão portista, que sempre que falo com ele de bola sinto que não ando a ser suficientemente portista. E foi certamente dele que herdei a habilidade de odiar tanto os outros todos como se ama o Porto.

O meu avô é da Madeira e odeia de morte o marítimo. Passou por Vila do Conde e odeia o rio ave. Enfim, é um coração mole. Ele odeia tanto os outros que é difícil dizer quem ele odeia mais. Mas arrisco dizer que é a selecção nacional.

Uma vez, no Mundial de 2002, ficámos curiosos. Portugal ia jogar com os EUA, outro dos grandes ódios do meu avô. Não propriamente pela selecção dos EUA (aposto que o meu avô não sabia o nome de um jogador norte-americano. Aliás, quem sabe?), mas pelo país, pela grande potência mundial que na altura tinha George W. Bush à frente. Incrivelmente, o meu avô torceu pelos americanos como se não houvesse amanhã.

Só há uma coisa que o meu avô odeia mais do que os outros todos: árbitros. Uma vez, não me lembro em que jogo, mas foi mesmo há muito tempo, a transmissão começa e filmam logo a saída do túnel, com as equipas e os árbitros alinhados. E eis que ele grita:

- É o Coroado, estamos fodidos!

Era o Coroado, mas podia ser o Lucílio, o Vítor Pereira, o Zé Manel, o Joaquim das Couves. Estamos sempre fodidos. “Aquele gajo” é sempre o pior de todos. Uma lição para qualquer adepto que se preze.

O meu avô é talvez a pessoa com a qual mais gozo me dá falar de bola. Principalmente quando o Porto perde. Uma vez, fui a casa dos meus avós logo após uma goleada europeia que o Porto sofreu há muitos anos atrás. Estava com um ar derrotista, pesado, “uma grande tola” por assim dizer. Até que ele – não cronometrei, mas aposto que não durou um minuto – me enumerou os quatro penalties que não tinham sido marcados a favor do Porto. Sim, quatro. Dava para empatar o jogo.

O meu avô só teve um grande falhanço na vida. Jogava-se um salgueiros-benfica, com os visitados de vermelho e os visitantes de branco. E cai um jogador dos brancos na grande área.

- PENAAAAAAAAAAAAAALTY!!!!!

Para azar dele, era o João Vieira Pinto, provavelmente o jogador mais odiado de sempre pelo meu avô. Ainda hoje todos nos rimos com esse episódio. Ele também se ri, mas nunca admite.

O meu avô faz hoje 80 anos. 80 anos de uma grande vida e de um grande portismo.

Parabéns, avô. Da neta preferida, mais orgulhosa e mais portista.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Concentra-te no Campeonato, estúpido!

Não podemos acreditar no Pai Natal ou ser românticos. O jogo de ontem ensinou-nos isso. Odeio cair no pecado da gula, do optimismo exagerado. Sinto que a culpa é toda minha, que fui eu que festejei demais o golo do Maxi e já me estava a ver em Hamburgo. A culpa é minha e também vossa, optimistas de merda. E da equipa do Benfica, que não tem nada que me fazer crer que é invencível. Não é.



Quando o Marselha subiu para o primeiro canto e vi que só tinham tipos acima de 1,80m percebi que eles não eram o Paços. Que a pressão a campo inteiro não ia resultar e que não íamos estar a ganhar 2-0 aos 20 minutos. O Marselha tem uma boa equipa, com um treinador que foi dos jogadores que mais admirei. O Benfica, apesar da desilusão do golo aos 90, também não se portou mal. Foi um bom jogo, dividido, renhido. O empate foi justo.

 O problema é querermos vingar o golo no último minuto e começarmos a pensar no Velodrome. O Velodrome parece-me canja quando comparado com os nervos com que estou para a Choupana. Pela enésima, mas não última vez: primeiro o Campeonato, depois o Campeonato, a seguir o Campeonato e por último o Campeonato. Sim, "por último". As Taças são umas coisas que se disputam no meio da guerra a sério e que até tiram ritmo à intensidade com que vejo os jogos.
Para o Benfica um dia poder olhar para um jogo como o do Marselha sem pensar antes na Choupana ainda faltam anos. Faltam Campeonatos. Muitos. Depois, sim, pensamos na Europa.
Eu sei que isto é difícil de meter na cabeça, mas sem conquistarmos plenamente - e durante muitos anos - as Matas Reais, os Mares, as Choupanas e os Bonfins desta vida, não vale a pena pensarmos em brilhar em Camp Nou. É que até já brilhámos em Anfield. Mas tirando as belas recordações dessa noite, o que é que ficou, de facto, desse ano?

Faço, outra vez, o mea culpa: ontem não estava a pensar na Madeira e devia. Devíamos todos. Humildes e caladinhos, sem fanfarras. De fato macaco (valha-nos a boa gíria futebolística que tudo explica), até ao fim.


PS: Esta semana tive uma semana que periodicamente aparece e que para mim é surpreendente. Na Luz, a ver os verdes por uma televisãozinha antes do jogo, dei um pulo a tentar ajudar um hipotético golo do Atlético de Madrid. Um adepto do Benfica espantou-se. Olhou-me como um estranho. Já no trabalho me tinham recriminado o meu sorriso depois da fantástica jornada europeia do Arsenal. Acusam-me de não ser patriota.
Respondo: não, não sou patriota. Não percebo o que isso é. Não percebo porque é que vou torcer por alguém que é português em alguma coisa. Porque nasceu do mesmo lado do risco imaginário do que eu? A questão é mais absurda, quanto a mim, em termos futebolísticos. Então eu vou torcer por clubes que odeiam o meu? Como é que eu vou parar de torcer contra clubes que detesto só porque enfrentam uns que me são indiferentes? Porque são do meu país? Mas se eu não gosto de os ver ganhar um jogo de petanca em infantis femininos porque é que vou querer que ganhem um jogo de futebol a sério?
Quero que azuis e verdes percam sempre, sempre, sempre. Num mundo ideal, os seus adeptos estariam sempre em depressão profunda, enquanto nós, que defendemos as cores do Bem, estaríamos em permanente festa e loucura dionisíaca.
A minha Pátria, se a tenho, é o Benfica.

terça-feira, 9 de março de 2010

Esta é para vocês, pipoqueiros

Hoje não vou descarregar a minha fúria nem no árbitro (tudo começa com um fora-de-jogo que não foi assinalado), nem no treinador (com aquela entrada surpresa na mouche), nem nos jogadores (um dia conto-vos a minha teoria sobre o Porto estar a jogar sem guarda-redes há uns anos). Hoje, os cinco golos do arsenal, o afastamento da Liga dos Campeões e a humilhação do Porto vai directamente para os adeptos do meu clube.

Não vou falar para "nós" pela seguinte razão: eu não sou nem nunca hei de ser uma pipoqueira. Eu não passei a ir ao Dragão porque é mais "confortável" do que as Antas. Eu não como pipocas durante o jogo, porque normalmente estou a ver o jogo e não passa nada na minha garganta. E, fundamentalmente, eu nunca fico contente quando o Porto perde. E "vocês" ficam.

"Vocês" chegam ao Dragão, sentam-se na vossa cadeirinha super fofinha e começam logo a dizer mal de alguma coisa. Ou é o treinador que não mete o não sei quantos, ou é o jogador que não é o Maradona, ou é a equipa que não joga aquele "futebol espectáculo" para o qual "vocês" pagam bilhete.

O jogo começa e têm de assobiar alguém. O Mariano, o Hulk, o Jesualdo, o Zé António, seja quem for. O que é bom é assobiar. E depois:

a) o Porto ganha. E "vocês" gritam e saltam, mas avisam que assim não vamos longe, por isso no próximo jogo têm de assobiar mais.
b) o Porto não ganha. E "vocês" ainda ficam mais contentes, porque tinham razão. E há que assobiar mais no próximo jogo.

Não estou a exagerar. Eu já ouvi assobios em jogos em que o Porto já era campeão. Eu ouvi assobios nos jogos que só serviam mesmo para festejarmos o facto de sermos campeões. E por assobios entenda-se não só o acto de assobiar propriamente dito, mas todo aquele mal-dizer, aquela má-vontade, aquele falso portismo que virou moda.

"Vocês" precisam destas derrotas. Precisam de levar cinco do arsenal e de ficar afastados do Penta a nove jornadas do fim. Eu diria mais: "vocês" MERECEM isto. Sempre "vocês", não "nós".

"Nós" choramos, insultamos árbitros e não dormimos de noite. "Nós" sabemos criticar a equipa, porque percebemos de futebol, mas sabemos que mais importante do que isso é mantermo-nos fiéis a nós próprios. "Nós" estamo-nos a cagar para o "futebol espectáculo", só queremos que o Porto ganhe. "Nós" temos a barriga a dar voltas durante 90 minutos e não conseguimos comer pipocas. "Nós" nunca, mas nunca, deixamos de ter orgulho em ser do Porto.

E assim, "vocês" estão mesmo a precisar de ficar um ano sem ganhar nada. Sim, um ano, leram bem. Porque os outros "vocês", os que se querem convencer que isto é "o fim de um ciclo", bem se podem preparar. Já o disse e repito: o Porto nunca fica muito tempo sem ganhar.

sábado, 6 de março de 2010

Fazem-se apostas

Que fique bem claro que quem sugeriu este post foi o M.. Ou seja, não fui eu que, num momento de desilusão e tristeza, decidi falar do que não me custa. Foi ele. Por mim nem se escrevia nada.

Vamos então a apostas para a selecção nacional no Mundial. Mas antes gostava de sublinhar que acho que a equipa é má e que as lesões não ajudam (hoje perguntaram-me porque é que reagi mal à notícia do Bosingwa, já que, e passo a citar, "temos o João Pereira"... Esta gente é louca). Mas claro que não sou como aqueles atrasados mentais dos assobios e olés. Esses, ao primeiro golo que Portugal marcar no Mundial, vão dizer que sempre acreditaram "nos rapazes". Ou então vão torcer para que o Brasil nos espete 6, para dizerem o tão típico português "eu bem avisei..."

Enfim, mas partindo do princípio que estou a escrever para gente com cérebro, cá vão os "meus" 23:

Guarda-redes: Quim, Eduardo, Patrício
Defesa: Miguel, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Rolando, Pepe, Duda
Meio-campo: Pedro Mendes, Tiago, Raúl Meireles, Deco, João Moutinho, Rúben Micael
Ataque: Ronaldo, Simão, Nani, Hugo Almeida, Liedson, Nuno Gomes, Varela

Quanto aos guarda-redes, se eu fosse o Queiroz descobria qual é a santa protectora das balizas, porque vai custar. O cenário é negro. Reparem que deixo de fora os do Porto (Beto e Nuno), porque infelizmente são do Porto. O Hilário não conta, pois não?

Na defesa, o lado direito promete uma luta de titãs entre o gajo que gosta de ir disparar uns tiros para a noite (acho mesmo que o Miguel se vai dar bem na África do Sul...) e o gajo que gosta de ficar a dormir à noite (e de manhã... e de tarde...). O João Pereira não pode ir porque aquilo é para maiores de 1,30m.

No centro ninguém se pode queixar, temos dos melhores do Mundo e bem que podem começar a dar todos as mãos e dizer baixinho: "pai nosso que estais no céu... faz com que o Pepe recupere bem..." Agora aqui entre nós: o Tonel e o Carriço bem podem começar a aquecer os respectivos sofás.

Já o lado esquerdo acho que é melhor fazermos de conta que nem existe. Duda, Coentrão, Peixoto... Os nomes são tão sonantes que até dói.

Trincos? Bem, se o Pepe recuperar... (vamos lá só mais uma vez: "pai nosso que estais no céu...") o Pedro Mendes sempre pode dar uma perninha, mas não me parece ter corpinho para o que aí vem (ir ao google e procurar por Yaya Touré e Kalou). O Manuel Fernandes não precisa de ir (o Miguel cobre o lado dele na noite) e o Miguel Veloso não tem cara de quem gosta de comida africana.

Tiago e Raúl Meireles parecem-me óbvios e o pigmeu Moutinho é sempre bom para se substituir quando se nota que os adversários têm mais de 1,50m. Já o Deco tem de comer muita sopa, porque vai ter de carregar a selecção às costas outra vez. O Rúben vai ser um bom suplente, mas é bom que não me estraguem o rapaz.

Nuno Assis não, porque há controlo anti-doping nos Mundiais. Hugo Viana não, porque o doping de braga vai esgotar. Carlos Martins não, porque, bem, é o Carlos Martins. Amorim não, porque aí ia ter de começar a pensar porque é que eu não vou ao Mundial.

Na frente, só temos uma estrela que faz sucesso no seu clube, que marca golos e dá pontos à sua equipa e que pode ser útil. Falo, claro, do Hugo Almeida. Não me peçam para dizer bem do Liedson ou do Ronaldo, por favor. O Nani tem de ir pelas cambalhotas (os sul-africanos vão ficar malucos!!!) e o Simão porque ainda agora chegou ao seu primeiro clube grande. O Varela só vai entrar quando o adversário marcar e for preciso tirar aquele gajo do real madrid que vale cem milhões mas não joga nada. E o Nuno Gomes vai para animar a malta.

Se deixei alguém de fora nos avançados, peço desculpa, mas Danny, Edinho e Makukula não me parecem sequer nomes lá muito portugueses.

I gotta a feeling... que não vamos lá fazer grande coisa.

E já agora... PAREM COM ESTA MÚSICA PORQUE JÁ NÃO SUPORTO OUVI-LA!

Kit de sobrevivência sul africano

Queirós tem em mãos um problema muito sério. Não é só o facto de não ser bom treinador, não. É que sendo um fantoche nas mãos de quem é, arrisca-se a que grande parte dos adeptos da selecção portuguesa (grupo do qual estou à partida excluído) lhe volte costas. Não convocar qualquer atleta do SL Benfica será sempre visto como uma provocação. E é.

 

GK: Quim, Eduardo e Nuno. 
Quim, não sendo fantástico, é o melhor guarda redes português. Em forma é mediano, mas é o melhor na mesma. Eduardo e Patrício são herdeiros de Ricardo e Beto e Hilário nem sequer jogam nas suas equipas. E aqui se vê como Queirós foi colocado onde foi como afronta a Scolari e para fazer criar, na medida do possível, hostilidade ao Benfica (colocar em cima da mesa que o jogo decisivo com a Bósnia podia ser no Dragão é hostil). Quim nem tem entrado nas convocatórias e é o guarda redes menos batido da Liga Portuguesa. 
De resto, até podiam ir estes:
Defesas: Miguel (porque Bosingwa não pode ir), Ricardo Carvalho, Bruno Alves, Pepe, Rolando, Duda, Paulo Ferreira
Médios: Raul Meireles, Tiago,  Rúben Micael, Deco, Pedro Mendes, Miguel Veloso
Avançados: Cristiano Ronaldo, Simão, Varela, Nani, Liedson, Hugo Almeida, Nuno Gomes

 

Como vêem, do Benfica, só coloco Nuno Gomes. Não por ser fã, que não sou, mas porque ainda está nos três melhores avançados portugueses. E porque, quer se queira quer não, tem uma experiência neste tipo de competições que se deve passar aos mais novos - sobretudo quando há uma mudança de geração. Talvez tenham reparado que não convocava o anão de alvalade. Acho estúpido gastar-se uma vaga com aqueles anões de jardim, mas isto sou eu.


Não acho que Portugal possa aspirar a grande coisa e passar o grupo seria o grande objectivo.
Falando agora daquilo que diz respeito a este blog: o Benfica - porto oculto que se está a jogar na selecção. O que eu queria mesmo era que Queirós não convocasse ninguém do Benfica. Ninguém. E que depois tudo corresse mal. Uma selecção sem Benfiquistas, treinada por um tipo que até à sessão de espiritismo do Pedroto foi, com o apoio daqueles que tanto criticaram Scolari, tem de perder. É inimiga do Benfica. E um falhanço dessa selecção (quanto mais retumbante, melhor) seria uma derrota política do clube que diz que as leis que propôs são inconstitucionais. E isso era mais um factor de descredibilização para aqueles que tanto atacaram a selecção portuguesa com melhores resultados. É isso que eu quero.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Eu fui ver o jogo da Santa Aliança

Ontem, para fazer companhia ao teu pai, fui ver o jogo. Aquele jogo que devo ter prometido a mim mesmo que nunca iria ver ao vivo na vida. Mas mesmo naquele estádio, entre adeptos que odeiam o meu clube, saí a ganhar.
Em primeiro lugar, e acho que este é o maior contributo que posso dar aos adeptos do Benfica que nunca foram ver este jogo, tenho que sublinhar: o ambiente é o de um amigável. Tudo bem que os verdes estão mais mortos que vivos, mas mesmo quando o jogo contra nós não interessa há mais faísca. Ontem não vi adeptos agarrados à rede a cuspirem para o outro lado de olhos vermelhos. Não há ódio nos assobios, não há a sensação de ser um jogo especial. Era mais um jogo. A Santa Aliança.  O esplendor máximo, a outra versão do Glorioso SLB, não foi, estranhamente, cantada. No final não há esperas, no metro há adeptos dos dois clubes a cruzarem-se sem problemas e sem sequer bocas.


Era difícil toparem-me porque, mesmo sendo importante para o meu clube, não há parte de mim que consiga festejar um golo dos verdes. Os "olés" e restante festa não eram para o Benfica e tudo isso junto criou em mim a sensação de não estar, verdadeiramente, lá.
Indo ao que interessa: Yannick e Izmailov, drogados até ao tutano, passaram por cima do fóculporto. O tipo à minha frente, com uma pancada óbvia, passou o jogo a dizer que não só todos os verdes estavam dopados, tal como Benfica, Rio Ave, Marítimo, Académica e Belenenses quando enfrentaram os azuis e brancos. Agora, e só agora, ocorrem-me as óbvias respostas "E a equipa careca de 1987?", "E o pescoço do Maniche?" "E porque é que Paredes, Doriva e Emerson tiveram um aumento de massa muscular daqueles nas antas e desapareceram assim que saíram?", mas ontem não era a altura e o local para as colocar. E o teu pai estava ao lado, não convinha muito que ele me denunciasse. Mas, caso algum andrade que ontem foi ao jogo de camisa, blazer, a ouvir o jogo na rádio e que passou o jogo a dizer "Foda-se! Estão todos drogados!"esteja a ler isto, que responda ao que perguntei. Primeiro as vigílias, agora o doping. Calheiros e Fernando Gomes (o médico) não tiveram os privilégios da memória colectiva. Injustiça.

Ontem o fóculporto ficou a 8 e 9 pontos dos dois primeiros.Não há vigílias nem conferências de imprensa que justifiquem os zombies que ontem subiram ao relvado. A coisa não é definitiva, mas até o acesso à Champions ficou comprometido. Se - e só se -  Benfica for Campeão, esta época pode significar uma reviravolta histórica. Contudo, é muitíssimo cedo para a anunciar. Não só faltam 9 jornadas com o segundo lugar a um ponto, como é obrigatório ganhar Campeonatos consecutivamente para o confirmar.

Sinceramente, gostei de ir. Não tive chatices, não me irritei e até me ri com algumas bocas dos azuis para os verdes. O que tenho pena este fim de semana é de não ter ido ver o Benfica. Que grande joga. E aproveito para perguntar: o que escreveria a imprensa se, com 0-0, fosse anulado um golo limpíssimo ao Leixões no início do jogo? O que diriam Guilherme Aguiar e Eduardo Barroso? O que se diria ontem, nas bancadas de alvalade? 
Faltam 9 jornadas.
Força Benfica!

Modo: tetra

Modo: dói-me tudo

Escrevo ainda com as feridas por sarar, mas com a perfeita e sã consciência de que este ano acabou. A nove jornadas do fim, acabou. Na minha memória encontro quatro momentos destes, quando são os maus que ganham. No entanto, nunca tão cedo. Nunca a nove jornadas do fim.

sportem, boavista e benfica já foram campeões durante a minha existência – é verdade, estas coisas às vezes acontecem -, mas com o denominador comum de o terem sido nas últimas jornadas. Normalmente, depois de duas ou três roubalheiras que me deixavam a discutir durante meses. Agora vão haver as roubalheiras na mesma, mas eu não vou poder discutir durante meses porque não tenho nada a ver com isso.

Modo: não me chateiem

Ontem, depois de insultar a equipa toda do Porto, fiquei chocada. Vi lagartos aos saltos, a sorrirem, a cantarem. Que felicidade! E eu pergunto-me: porquê? A que propósito é que aquela gente está feliz? Terei de relembrar-lhes em que posição estão? Terei de recordar-lhes que até as taças em que são uma espécie de especialistas já foram? Terei mesmo, mesmo, mesmo de chegar ao ponto de dizer que não percebo por que é que ainda lhes chamam “grande”? Ou basta dizer que podem ter ajudado o velho rival a ser campeão?

Enfim, esses estão quase a acabar por isso passemos à frente. Entretanto, e como moro com o M., tive de aturar uns sorrisos de melancias disfarçadas. Mas nada me custa tanto como aqueles anormais que não percebem nada de futebol, nunca falam de futebol, são “simpatizantes” de um clube e não “doentes” como eu... E de repente andam aí todos conhecedores a mandar bocas. Parem. Já.

Modo: odeio-os tanto a todos...

Analisando friamente a situação (é possível analisar friamente qualquer coisa em futebol?), há duas hipóteses: ou o benfica, ou o braga. Há uma semana, o Porto ajudou o benfica. Ontem, o sportem ajudou os dois. Resta saber quem ajudará quem no benfica-sportem, no benfica-braga e no Porto-benfica.

Quanto ao primeiro, espero que os lagartos tomem a mesma dose de droga de ontem. No segundo, que se matem os dois. E no terceiro... Bem, o terceiro vai ser bom. Já reservei o meu lugar no túnel.

Modo: até os comemos!

Está na hora de colocar um penso e disfarçar a dor. Londres está já aí e a única coisa que podemos fazer é passar. Sim, porque as outras taças e tacinhas não me servem de consolo. Ainda por cima uma está perdida à partida, porque toda a gente sabe que quando o benfica chega a uma final – muito de vez em quando... - ganha de certeza, aconteça o que acontecer.

Modo: e depois?

Comecemos a pensar na próxima época. Em quem tem de sair, em quem pode entrar. Se Jesualdo fica ou não. Coisas dessas, que nesta altura de euforia eles nem se lembram, mas que nós sabemos como é. Porque, por muito que vos custe, o Porto não fica muito tempo sem ganhar.