terça-feira, 20 de abril de 2010

Paulo Bento no F. C. Porto já

Eu e o M. aproveitamos uma das únicas coisas que temos em comum no futebol – o ódio ao sporting – para nos deliciarmos com esta época dos lagartos. Desde as contratações alucinantes (numa palavra: cai-ce-do) até às maracas do homem do cabelo branco, tudo vale para nos rirmos um bocado. Nos últimos dias, por exemplo, quando ele anda muito mais feliz do que eu, fez-me o favor de analisar comigo quem poderia ser o próximo treinador do sporting.

E como nós somos provavelmente o melhor casal anti-verdes do mundo, acertámos. Paulo Sérgio. O mestre da táctica, como ficou definido num célebre Paços de Ferreira-Naval para a Taça de Portugal, jogado às três da tarde do dia 28 de Janeiro de 2009 no meio de um lamaçal. 3-5-2, 3-4-3, 4-3-3, 4-4-2 foram alguns – e, sublinho, alguns - dos sistemas tácticos utilizados por Paulo Sérgio nesse jogo. De tal forma que os jornalistas na bancada de imprensa já olhavam uns para os outros a pedir “socorro”. Agora imaginem os jogadores. Inesquecível.

Jamais poderei esquecer aquela conferência de imprensa com ar de quem tinha acabado de jogar a Liga dos Campeões (o jogo acabou 5-3, mas ninguém tinha a certeza…) no Bernabéu (com um bocado mais de água no relvado). Mais de um ano depois, e ao recordar esta bela tarde na Mata Real, concluímos que aí estava um belo treinador para os lagartos.

Ora, há um ano atrás, também tivemos mais ou menos a mesma conversa sobre Jorge Jesus. E ele vai ser campeão, o que deve querer dizer alguma coisa. Ou seja, hoje, ao ler a confirmação da contratação do mestre da táctica, surgiu no meu cérebro uma ideia medonha: Paulo Bento no F. C. Porto.

A sério, já imaginaram? Jesus no benfica, Paulo Sérgio no sporting, Paulo Bento no Porto. Só mestres da táctica, doutores em linguística, professores de conferências de imprensa históricas. O futebol português no nível mais baixo de sempre. Não era lindo?

Não. Mas vamos ser objectivos. Este ano perdemos o campeonato porque fomos meninos, totós, ingénuos. Caímos em todas as ratoeiras que nos meteram à frente. O Jesualdo é um bom treinador, temos bons jogadores, mas basicamente fomos afastados do título mal o campeonato começou.

Precisamos de alguém mais manhoso, capaz de entrar na lama, de dizer os maiores disparates, de defender a sério, de ordenar faltas duras sobre todos os adversários, de obrigar os jogadores a protestar todos os lances com o árbitro. Ou seja, precisamos do Paulo Bento.

... ou não. (não gosto do Paulo Bento, é mau treinador, não tem nível para o Porto. Mas, enfim, achei que o texto ficava giro)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Geneticamente mais fortes (sim, eu citei o Quique Flores)

Os melhores verdes da época arrancaram um heróico empate a a 0-0 na primeira parte na Luz, conseguindo uma exibição portentosa e dominadora com 42% de posse de bola. Para mal dos anti - Benfiquistas, isso não chegou. Os verdes organizados, inteligentes, etc, etc, levaram um banho de futebol na segunda parte. São diferenças de nível. Uns no seu melhor empatam, outros, com Saviola de fora, Luisão condicionado e Cardozo a coxear, ganham. Disse Quique Flores, estupidamente bem, que o Benfica é geneticamente mais forte.
João Ferreira, mal posicionado, não consegue vislumbrar falta para cartão (a piada do mal posicionado é do meu amigo D.)

O que mais espanta, numa equipa que sai da Luz com 26 pontos de atraso, é o discurso unificado contra a arbitragem. Exigem respeito, as virgens ofendidas. De onde virá tanta raiva, tanto desnorte? Do facto de terem um presidente que vai de férias para o Brasil quando estão a  levar 5 no porto? Do facto de terem gasto 6,5 milhões num jogador que não joga? De terem tido Angulo e Caicedo? De não jogarem nada, nada, nada à bola?
Não, a crise verde e branca assenta numa e só numa coisa: a possibilidade do Benfica ir ser Campeão. Mesmo com o 4º lugar assegurado (o objectivo traçado pelo seu presidente) há um desvario generalizado na sua massa associativa. Paulo Bento disse aquilo que o mundo todo já sabia: os verdes têm um complexo de inferioridade em relação ao Benfica. Na 3ª feira, lutando pelo objectivo para que está geneticamente programado - lixar o Benfica - o clube do qual Vítor Pereira é sócio falhou. Perdeu o seu campeonato, a sua guerra. A sua única guerra.
                                              

João Moutinho, fruto da inclinação do campo, escorrega por trás, de pé levantado, contra o calcanhar de Ramires. Não levou cartão porque a culpa, explicou Newton, é da gravidade.

Num campeonato em que o Mundo se junta para derrotar o Benfica e o Mundo está a perder, não deixa de ser divertido que até aqueles cujo única função na vida é tentar que a nossa vida não corra bem tenham falhado. Depois do treinador do Nacional (que disse que na Madeira não há túneis, uma afirmação que é, vá, um tanto ou quanto provocatória), depois do Braga (cujo treinador viu em 7 segundos uma falha de arbtitragem mais grave que as de Artur Soares Dias), depois da Naval (cujo treinador é um anti - Benfiquista primário), seguiu-se o clube que nasceu para tentar ser como o Benfica. E também perderam. Aliás, nos últimos 13 jogos no campeonato, o Benfica empatou 1 e ganhou 12. Mas os nossos adversários não vêm qualquer mérito. Tem sido sorte. E túneis à brava. Não é que eu precise que falem bem do Benfica e muito menos que o espere (o presidente do fóculporto, o tal que diz que Falcao é um internacional do Paraguai e que prometeu o título deste ano a Pedroto, disse que o Benfica - Nacional foi muito polémico e estamos a falar de um jogo que acabou 6-1 com o golo do Nacional a ser em fora de jogo), mas é bem demonstrativo da azia generalizada que corre no país. Todos contra o Benfica. O representante do "todos" está a 6 pontos, ainda há esperança para todos.

                                                      
Miguel Veloso, vencendo as leis da física, consegue chegar à parte superior do campo inclinado. O árbitro castigou-o com um amarelo pelo desplante. Não deu vermelho para disfarçar. Atente-se que a  posição aparenta um salto violento. Nada mais falso: o campo estava tão inclinado que Veloso teve que dar balanço e saltar para discutir a bola com Ramires.

É que dar aos verdes a hipótese de nos lixar um campeonato é dar-lhes um campeonato. A felicidade e a euforia com que já antecipavam a sua festa - quiçá no Marquês - era ternurenta. Eram adolescentes a conquistarem a rapariga do seu coração. Eram sonhos de criança. Já imaginavam os obrigados de Domingos. Angulo, o Forever, Caicedo, o caso Izmailov, a apresentação sem conferência de imprensa de Carvalhal, os 5 no Dragão e os 4 do Glorioso, tudo seria apagado. Bastava lixar o Benfica. Mas os verdes, com o seu sonho de vida nas mãos, deixaram-no escapar. E isso é que os seus adeptos não perdoam. Desiludiram os eternos aliados, desiludiram-se a eles próprios. Para os adeptos verde e brancos, o que se passou na 3ª feira só pode ser comparado a um desgosto de amor. Aqueles que não se esquecem.
  
 
Grimi tem espasmo involuntário que faz a sua perna bater na de Cardozo, lesionando-o. A maioria dos comentadores lagartos invoca um profundo, mas bastante plausível e portanto motivo de não se marcar penalty "Foi sem querer".
Continuamos sem ter ganho nada e ainda faltam 4 jogos. O barulho à volta dos nossos jogos e a pressão que todos os adversários colocam e a que todos acenam, como se tudo fosse um imenso túnel de dormir, obriga às maiores cautelas e concentrações.
Força Benfica. 


quarta-feira, 14 de abril de 2010

E=mc2

Sou uma pessoa de Letras, mas apaixonada por Matemática. Talvez por isso adore teorias. O M. vem lá das Ciências e é muito céptico em relação às minhas teorias. No entanto, e como qualquer namorado que se preze, no fim dá-me sempre razão.

Serve esta introdução para vos apresentar a minha teoria da relatividade.

Quando vivia no Porto era normal ser do FCP. Na escola toda a gente era portista menos o cromo do benfica, na faculdade conheci a primeira tripeira do sporting e era “caricato” conhecer um rapaz de outro clube na noite.

Ver o derby de Lisboa à distância era, lá no fundinho, sentir um bocado de inveja daquele ódio interno, porque nós nunca tivemos rival à altura na nossa cidade (nota: saudades do boavista e do salgueiros!). Normalmente, um benfica-sporting era uma luta diabólica pelo segundo ou terceiro lugar e era bonito de ver. Era, e continua a ser, o maior jogo de Portugal.

No entanto, a minha perspectiva mudou quando a minha vida passou a ser em Lisboa. Eu sou a croma do Porto e é “caricato” falar comigo, ainda por cima com sotaque. E o choque total chegou: eles odeiam-nos é a nós.



Eles estavam habituados à sua capital pacata, onde os festejos foram desaparendo ao longo dos últimos 30 anos. Eles odiavam-se porque tinham de aturar os vizinhos a gritar golo, mas o barulho foi desaparendo ao longo dos últimos 30 anos. Eles tinham de se cruzar no escritório, no metro, no jogging matinal de domingo, mas os sorrisos provocadores de ambos os lados foram desaparendo ao longo dos últimos 30 anos.

De repente, acordaram. Os parolos da aldeia é que estão a festejar, os golos ouvem-se a 300 quilómetros de distância e os “cámpiões” passaram a ser com sotaque. Mas que ultaje! Que blasfémia! Quem se atraveu a tal?

O Porto é horrível. As pessoas não sabem falar, dizem muitas asneiras, são fanáticos, as mulheres têm bigode, os homens só grunhem e ainda por cima não têm um Starbucks. Não é um mundo civilizado e é estranho terem tantas pontes (ainda que não saibam ao certo quantas são). A Ribeira cheira mal, na Sé há muita droga e ainda hoje estão para descobrir porque dizem “estação de Campanhã” em vez de “estação da Campanhã”. Vá-se lá perceber como é que aquela gente é feliz.

E o clube ainda é pior. Só ganham por causa dos árbitros, o Pinto da Costa é o Mal e os jogadores são feios, porcos e maus.



Sentem-se humilhados todos os dias. Pensam: isto vai mudar, tem de mudar… Mas nunca muda. Um ano ganha o sporting, um ano ganha o benfica, e oito ganha o Porto. E isso revolta-os. Deixa-os frustrados, envergonhados. Sentem-se mais pequenos do que a meia dúzia de brutos do Norte. Que vexame!

Por isso, tornou-se normal que um benfica-sporting seja, afinal, um “a quantos pontos estamos do Porto?”. Eles insultam-se, claro, mas no fundo estão só a descarregar o que não podem descarregar no cromo do Porto que já se vai cruzando com eles no escritório, no metro e no jogging matinal de domingo.

E quando, naqueles anos excepcionais, é possível descarregar num cromo do Porto... por momentos... são felizes. Imaginam-se no Marquês, fantasiam uma reviravolta na tendência dos últimos 30 anos, orgasmam-se durante sonhos do fim do (Futebol Clube do) Porto.

Estão no seu direito. Vão ser campeões e têm de gozar com alguém. Uns com os outros já não podem porque lembram-se que, ano após ano, só vão trocando o segundo e o terceiro. Por isso, restam-lhes os parolos. É ESTE ANO! VAMOS APROVEITAR! TEMOS TANTA COISA POR DIZER! ANDEI CALADO DURANTE TANTOS ANOS, DEMORO DUAS HORAS PARA CHEGAR AO EMPREGO TODOS OS DIAS, O MEU PUTO TEM A MANIA DE DIZER QUE É DO PORTO E JÁ NÃO AGUENTO AQUELES TEXTOS DA CATARINA!

Daí a minha teoria. Hoje, em Lisboa, o ódio dos rivais é relativo porque o que realmente interessa é odiar o Porto. Eu gosto, acho giro, é bom sinal. Este ano não me posso refugiar na minha aldeia, com os meus brutos, mas nós não precisamos de uma poção mágica para nos defendermos. Temos o nosso orgulho, a nossa honra e um passado muito, muito recente na vossa memória.

"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum..."

A história continua.

Tenho uma dúvida - II



Se fosse o Bruno Alves... devia ser preso, torturado ou enforcado?

P.S. Desculpa M. por este gnomo aparecer no nosso blog.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os sete pecados capitais

A inveja é uma coisa feia. Quando queremos tanto ser como outra pessoa, ter o que ela tem, ganhar o que ela ganha. No fundo, temos vergonha do que somos. Não suportamos que o outro seja melhor do que nós. E fazemos tudo para tentar que mais ninguém o veja.

“Não sei se o Hulk é decisivo. Jogou contra o Benfica, perdeu. Jogou contra o Arsenal e foi goleado. Apesar de não ter estado em nove jornadas continua a ser aquele que mais bolas perde”, Luís Filipe Vieira.

Só que às vezes a inveja deixa-nos ficar mal. Principalmente quando os outros são mesmo muito melhores do que nós.

“Quem disse isso? Não conheço. Só conheço Pinto da Costa e gosto muito dele”, Hulk.

E já devem ter ouvido falar da ira. Raiva, cólera fúria, rancor, tudo misturado. Quando temos um trauma e não sabemos resolvê-lo a não ser com a violência, pois faltam-nos outros argumentos.



A ira pode ser castigada. E deve, aliás. Mas nem todos nos chamamos Sapunaru ou Hulk.

O que nos leva à vaidade. Quando queremos que todas as atenções se centrem em nós, quando extrapolamos o que temos de bom e escondemos o que temos de mau. No fundo, acreditamos que somos os maiores do mundo.



Mas não somos.

E temos preguiça em admiti-lo. Demoramos muito tempo a admiti-lo. Sabemo-lo, mas não o dizemos. Por preguiça.





Nem quando as imagens o dizem por nós.

Temos uma espécie de desejo insaciável. Chama-se gula. Não nos contentamos com um pão, ou uma Taça da Liga. Queremos tudo porque achamos que merecemos tudo.



E lá vêm os outros estragar-nos o esquema. Sempre os mesmos outros.

E aí chega-nos a avareza. O medo de perder. O estarmos sempre de olho nas nossas coisas porque elas podem fugir para outro lado. Como é habitual.









Quando tudo nos foge e nós nos tornamos invejosos, cheios de ira, enchemo-nos de vaidade e de gula, deixamos a preguiça e a avareza de lado e perdemos toda a vergonha... cheios de luxúria, entregamo-nos ao único prazer que nos resta.







O benfica vai ser campeão. Preparem-se.