quarta-feira, 26 de maio de 2010

Até sempre, professor

É oficial: Jesualdo Ferreira já não é treinador do Porto. Boa notícia? Má notícia? Sinceramente, não sei. Por um lado, parecia-me inevitável que o seu caminho no FCP chegasse ao fim no primeiro ano em que não fosse campeão. Fernando Santos ainda aguentou um ano sem o ser, mas era o «inginheiro do Penta», pelo que conseguiu ter mais créditos junto dos adeptos do que Jesualdo, o tri-campeão. Mas, por outro, fico triste.

Jesualdo nunca foi o treinador dos meus sonhos. É o chamado «cagão». Naquele exacto momento em que é preciso ter uma coisa que eu não escrevo, acaba por falhar. É daqueles que diz à equipa para recuar quando todos vemos que temos de ir para cima deles. E isso notou-se sobretudo nos jogos internacionais. Jesualdo fez três boas campanhas na Champions, mas em todas ficou a ideia de que o Porto podia ter ido mais longe. Claro que não foi ele que teve culpa do guarda-redes do Schalke se ter transformado em Super-Homem, ou do Ronaldo ter decidido marcar o golo do ano. Mas se na Alemanha tivéssemos ido para cima deles, se no Dragão tivéssemos ido para cima deles como em Manchester, tínhamos passado.

Daí que, na minha opinião, Jesualdo Ferreira fosse apenas um grande treinador cá dentro e daí que faça sentido ir embora quando não consegue ser campeão, embora tenha ganho dois canecos num ano. Até porque eu não me esqueço do facto de nunca ter conseguido dar a volta como deve ser ao terrível sporting do Paulo Bento ou de ficar contente com empates na luz que até lhes souberam a vitórias.

Mas que não haja dúvidas: Jesualdo Ferreira é um grande treinador. Teve sempre tarefas dificílimas, ano após ano, quando as estrelas eram vendidas. Passaram-lhe atestados de falhado quando perdeu Pepes, Andersons, Quaresmas, Paulos Assunções, Bosingwas, Lisandros, Luchos... e ele lá acabou por «descobrir» Brunos Alves, Fernandos, Rodriguez, Hulks, Falcoes... E foi provavelmente o treinador do Porto mais «sozinho» dos últimos 30 anos, uma vez que os apitos obrigaram Pinto da Costa a afastar-se mais do que o habitual. E, caso não se lembrem, ganhou. E muito.



E não podemos esquecer ainda aquela que foi a maior virtude de Jesualdo no Porto: aprender a ser do Porto. Imagino como terá sido difícil para uma pessoa ligada a um clube do Sul. Mas o que é certo é que conseguiu, e muito bem. Jesualdo foi ganhando raça de Dragão, começou a falar melhor, a ranger os dentes a jornalistas, a adversários, e lá me convenceu.

Há dois «momentos-Jesualdo» que, por isso, nunca vou esquecer:

O sorriso que raramente se via...



... e um discurso à Porto



Até sempre, professor. Cá estaremos para o que for preciso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A imprensa vermelha ataca de novo

Toda uma capa. Por onde começar? Pelo lado romântico dos ex treinadores do clube do Guarda Abel? Pelas frases de Mossoró que, ao que parece, acha que nenhum jogador do Campeão Nacional entra no 11 ideal da liga? Pelo canto superior direito, onde se fala da romaria dos treinadores que estão no payroll? A entrevista à estrela da equipa é para o adepto azul mais míope, que não viu os títulos mais pequenos.
O "brincar aos túneis" é a cereja no topo do bolo. Mesmo que não tenha havido túneis, o truque é dizer a palavra até toda a gente concordar. A notícia de Di Maria é o elefante cor de rosa. Está a mais. Impunha-se um "E Hulk, Dunga?", que seria uma chamada de atenção para um artigo de fundo, estruturado.
Em cada pormenor, um mundo. Grande capa. Martins dos Santos pode colar esta no quarto.
Aguardamos a resposta à altura d` "A Bola".A fasquia está alta. Vamos a eles, Delgado!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os suspeitos do costume

Nove “jovens adeptos de um clube de Lisboa da principal Liga” foram constituídos arguidos por injúrias, coacção e ameaças sob quatro árbitros de futebol profissional, durante os últimos oito meses. Os suspeitos, “antes dos jogos do clube em causa, coagiam e faziam ameaças à integridade física e de morte aos árbitros nomeados e aos seus familiares”, através do telemóvel.

A fonte da PJ que revelou estes dados à Lusa não disse, no entanto, de que clube estamos a falar. Porquê? Querendo acreditar na “bondade” das pessoas, parece-me que a decisão faz sentido quando se quer evitar que a questão futebolística se sobreponha à criminal. Isto é, espero que “a fonte” não tenha revelado se estamos a falar do benfica, do sporting ou do belenenses porque está mais interessada no julgamento do crime do que na suspeita que a história pode lançar no futebol.

No entanto, podemos analisar isto. Em primeiro lugar, proponho imaginarmos que estes “suspeitos” eram “de um clube do Porto da principal Liga”. O mistério nem sequer ganhava forma. Os jornais fariam capa com fotografias de membros dos Super Dragões, estrategicamente, ao telemóvel. A opinião pública diria, mais uma vez, que são sempre os mesmos a fazer estas coisas. Os do costume. Os que assaltam estações de serviço e atiram pedras a mulheres e crianças. Falar-se-ia disto durante dias, semanas, e os adeptos do Porto, ou o clube, ou a cidade, ou o Norte em geral, expunha ainda mais o rótulo de “animais”, “bichos”, “selvagens” (um cheirinho do que ouço por aí...).



Que pena serem de Lisboa. Assim não sabemos muito bem o que dizer. Sabemos que, um dia, um autocarro do Porto foi incendiado “em Lisboa” com o motorista lá dentro. Sabemos que houve uma vez em que um jogador do FCP ficou em coma “em Lisboa”. Sabemos que morreu um adepto na final de uma Taça entre “clubes de Lisboa”. Sabemos que num estádio “de Lisboa” se pode entrar no relvado para bater num fiscal-de-linha. Sabemos que há um processo em tribunal que envolve uma claque “de Lisboa”. Sabemos que há invasões à pedrada até nos juniores de “clubes de Lisboa”.

Mas, enfim, isso são apenas factos.

P.S. Soube agora que "fonte ligada ao processo" disse à Lusa que são adeptos do benfica. Surprise, surprise!

A imprensa e o Benfica, coisas de um Benfiquista doente

A Catarina goza as capas dos jornais do Benfica e clama mais atenções para o clube dela. Eu quero menos para o meu.
É-me mais preocupante que o Benfica tenha uma direcção e uma equipa de futebol competentes do que o tratamento da imprensa ao meu clube. Mas numa sociedade global, mediatizada, é óbvio que é importante olhar para o que se escreve e para o que se diz, já que a história, muitas vezes, é reescrita.
O Benfica vende. Muito e mais que azuis e verdes juntos. Isto é capaz de ser chato de aturar, mas é verdade. Porque significa que a marca Benfica vende mais. Porque significa que o Benfica é maior. É uma chatice, mas é verdade: o Benfica não tem direito a mais capas de jornal porque é favorecido, mas porque essas capas fazem vender mais jornais. E essas capas vendem mais jornais porque o Benfica é maior.  E é difícil de engolir para os rivais porque obriga a dizer alto uma verdade que todos os dias agoniza os anti - Benfiquista.
Um parêntesis: o Benfica está em guerra aberta com o fêcêpê. E eu quero ganhar essa guerra. E isso implica uma atenção ao que se escreve e se diz sobre nós. Daí que odeie o Vieira e que acho que a Benfica TV teve os dois maiores tiros no pé de sempre com a notícia do adepto que afinal não morreu e com o pedido de "pegar nas armas".
Quero que o Benfica não se deixe comer pela imprensa. Quero que a mensagem seja uma e só uma, não quero fugas de informação (como é possível Antero Henriques saber que Ramires jogaria o Benfica - porto da primeira volta?!), quero uma defesa intransigente de todos os ataques que são feitos - diariamente - ao Benfica. O que é muito diferente dos erros supracitados.


É-me, enquanto Benfiquista, impossível ver qualquer programa estilo "Trio de Ataque". Invariavelmente, o tipo do SLB é o mais fraco. Já viram algum adepto adversário insultar o Seara? E quantos Benfiquistas insultam o Pôncio? Se os tipos da "Tertúlia Benfiquista" são excessivos (recurso abusivo do insulto), não há Benfiquistas mais...Benfiquistas do que António Pedro Vasconcelos, Cervan e Seara? Em programas como este, com 2 contra 1, em que o tipo dos verdes se ri doentiamente dos ataques do azul, porque é que a imprensa, a tal que supostamente é toda dominada pelo Benfica escolhe bananas contra cães de fila? Porque é que a imprensa "vermelha" escreve sempre "a sua habitual ironia" sobre um frequentador de bordeis? Para que se escude, debaixo da corrupção institucionalizada, um suposto nível intelectual e de comportamento cavalheiresco? Pouco esperta, a imprensa "vermelha"...
Não quero que o Benfica invente mortos para incendiar as coisas. Quero que as mentiras sejam desmentidas, quero que se ataquem os inimigos protegidos.


Quero um clube, de facto, mais fechado. Um clube fechado é diferente de um clube com fronteiras. Não quero um Benfica "à porto", porque o Benfica não é o porto (felizmente). Mas, ainda assim, mais alerta. Um clube que combata cada mentira dos rivais (a "liga dos túneis" à cabeça, a proximidade do Lucílio Baptista a seguir e, ainda mais acima, uma suposta ligação ao fascismo). O Benfica tem de ser mais profissional, tem de ser mais sério, com mais democracia e com mais massa crítica (Vieira faz-nos ficar a dever mais 40 milhões e isso é comemorado. E se nos rivais a lista única tem 98%, nas presidenciais Benfiquistas Vieira também teve preocupantes 90 e tal% dos votos).
A Benfica TV tem de continuar, mas rodeada de profissionais, de gente séria, que defenda o Benfica com toda a certeza, mas com toda a credibilidade do mundo. Estou farto que se sugira que Salema Garção é homossexual. Quero é alguém que meta vídeos do Lucílio a roubar-nos (é compilar a carreira e tirar a final da Taça da Liga, portanto) e que mostre a estatística dos jogos do Jorge Sousa a arbitrar-nos.
Estou farto das capas d`"A Bola", o jornal mais feliz do mundo. Estou farto que tudo se saiba, que os nossos jogadores valham todos milhões e milhões. É tão propagandista que enjoa.
 É óbvio que o Benfica nunca vai deixar de ter uma capa quando ganha um troféu. Isso era sinal que não vendia, que não era o maior clube de Portugal. Mas podíamos ter - de facto quero isso - os jogadores mais controlados, podíamos não ter anúncios falsos de compras e vendas para destabilizar.
A Catarina gosta de dizer que quero um Benfica à porto. Não é isso. O que se passa é que eu tenho consciência que todos estão contra Benfica (todos, sem excepção) e que para vencer isso é preciso ser muito, mas muito melhor. Daí esta minha obsessão. Apesar do discurso de PdC, como se Lisboa pudesse invadir o Porto, não há treinadores do Nacional e do Braga a atacarem o clube de Carlos Calheiros. O presidente dos verdes pediu às mães do clube de Cazais Ribeiro para terem filhos do sporting...se os pais fossem do Benfica. Nem uma palavra para os papás azuis. Já connosco, até jogadores de futsal se declaram anti - Benfiquistas assumidos. Este ano, como em 2005, foi notório: todos contra o Benfica. E por isso, e contra isso, é que eu quero um Benfica mais fechado, menos espalhafatoso. Quero um Benfica obcecado em vencer.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Habemus Papam

Depois de uma semana de visita papal (e de aumento de impostos e redução dos salários... mas isso não interessa a ninguém), Pinto da Costa foi reeleito para o seu 12º mandato com 98% dos votos, sem enfrentar nenhum candidato.

Garantiu que, depois de 28 anos na presidência do FCP, está com “o mesmo entusiasmo” que tinha à partida. Mesmo depois de se ter tornado o dirigente desportivo com mais títulos conquistados do mundo.

Teremos, portanto, mais três anos de Pinto da Costa. Para nós, portistas, isso significa mais três anos de títulos. É que, caso não saibam, desde 1982, quando tomou pela primeira vez posse como presidente, até hoje, o FCP nunca passou uma época sem ganhar nada.

Às vezes nem reparamos, não é? Ganhar uma Supertaça e uma Taça de Portugal é uma má época, ser campeão do mundo foi um ano desastroso (2004/2005). Já nem sabemos dar valor. E penitencio-me por isso. Devíamos celebrar cada título como se fosse sempre o primeiro. Daí que o slogan para o 12º mandato não pudesse ter sido mais bem escolhido: “vencer”. Pura e simplesmente. Vencer.

No entanto, para os outros, os que têm como único objectivo de vida derrotar o Porto de Pinto da Costa, serão mais três anos de alucinações. Não tenho a mínima dúvida de que nos próximos três anos se vão acumular os dedicados apitos, os temíveis túneis, as ordens para calar o presidente do FCP. Mas, enfim, nada a que não estejamos habituados.

Também tenho a certeza que, nos próximos três anos, teremos novas tentativas de homicídio (lembram-se da famosa falsa notícia do Expresso?) e de descredibilização (as revistas adoram a namorada brasileira de 23 anos...) e muitos, muitos ataques a Pinto da Costa. Não falo só de pedras à ida para o Estoril, falo mesmo das palavras e acções mais ou menos dissimuladas daqueles que não conseguem dormir em paz enquanto este homem for presidente do Porto.

A esses, só digo: temos pena. Antes de vocês já muitos dedicaram a sua vida a esta causa e deram-se mal. Pelo que vos desejo o mesmo. A nós, que o queremos cá para sempre, apelo à memória de 28 anos a ganhar tudo e mais alguma coisa. Não se deixem cair em tentações.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Coisas de portistas

O M. tem um bocado a mania de querer que o benfica seja igual ao Porto. Quer ter um clube fechado sobre si próprio, quer que treinadores e jogadores estejam absolutamente controlados, quer que a comunicação social não tenha "inside information", a não ser aquela que realmente interessa à equipa. Basicamente, o M. quer que o benfica ganhe como o Porto.

E às vezes lá tenho eu de aturar as birras dele, porque o jornal "x" diz que o não sei quantos vem para o benfica e isso é mau ou o jornal "y" diz que o não sei quê vai ser vendido por mil milhões e isso é ainda pior.

Eu percebo o M.. Deve ser difícil ser de um clube que é sempre o centro das atenções. Quer ganhe, quer perca, é o benfica que está sempre na moda. Nem quero imaginar como deve ser difícil ir a um quiosque e ter sempre lá tudo exposto sobre o nosso clube.

O M. às vezes esquece-se é de uma questão essencial: nunca vai ser a mesma coisa. Porque nunca o benfica vai ganhar uma taça e não vai ser capa de um jornal.



Isto são coisas de portistas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Os meus pêsames à família do adepto que não morreu

A benfica TV, esse grande órgão de comunicação social de referência, deu e continua a dar a notícia: ontem morreu um adepto benfiquista que foi espancado no domingo em Braga, quando festejava o título. Atrás da benfica TV foram - esses sim, órgãos de comunicação social de referência - o Público, a Renascença, o Sol, etc, etc. No entanto, a PSP e os hospitais de Braga e de S. João, no Porto, já desmentiram a “notícia”.

Que fique claro: não morreu nenhum adepto do benfica espancado por adeptos ou do braga ou do Porto, como a televisão oficial desse clube quis fazer crer. E é gravíssimo que a imprensa nacional se baseie na benfica TV sem confirmar com outras fontes. Mas a questão que agora coloco, como adepta e não jornalista, é: porquê fazer isto?



Que a benfica TV serve apenas e só para alimentar a fé do povão, utilizando para isso meios nada jornalísticos, já toda a gente sabia. Que no canal se vêem tertulianos com palavras telecomandadas à distância por Luís Filipe Vieira ou comentadores bêbados que dificilmente teriam decência para se sentar sequer numa bancada, quanto mais num estúdio, também não é novidade. Mas porquê “matar” alguém?

A propaganda benfiquista tem sido, este ano, e faço-lhe a minha vénia, muitíssimo bem conduzida pelo maestro Rui Costa. A comunicação social está mais domada do que nunca, os túneis funcionam às mil maravilhas, o povo está feliz e o benfica é campeão. E o alvo é sempre mais do que claro: o Porto.

O ambiente entre adeptos do Porto e do benfica nunca esteve tão incendiado e, apesar de obviamente terem sido os dois lados a contribuir para isso, vemos agora que há um que não tem limites. É que “matar” alguém não é propriamente o equivalente a mandar umas bocas, como Pinto da Costa faz, apesar de o quererem calar.

Urgem, pois, as consequências. Um desmentido nunca vai ser suficiente. A benfica TV não pode continuar a inventar mortes e sabe-se lá mais o quê, aumentando as ameaças que pairam no ar já para o jogo do próximo domingo.

Eu aviso: se o Porto ganhar, vai haver uma Supertaça no Verão com o benfica, em campo neutro. O que significará mais problemas. E repito o que já escrevi depois da final da Taça da Liga: qualquer dia alguém não vai parar de bater e vamos ter mortes a sério. E aí, tanto a benfica TV como a imprensa que a seguir, vão mesmo ter de dar os pêsames a uma família.

Porque hoje é dia 14 de Maio




Happiness is a warm gun.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Proibido a menores de 1,50m

Da lista de 24 que Queirós apresentou ontem, salvou-se um grande motivo de celebração lá em casa: o anão Moutinho não vai. O que é de uma grande injustiça, porque ele até nem ia ocupar muito espaço na camioneta. Mas, enfim, o nosso seleccionador é cruel para com as pessoas pequeninas e ainda se pode arrepender quando um dia estiver a jogar contra uma Alemanha, precisar de tirar alguém e não tiver uma pessoa com menos de 1,50m para sair para a partir daí se jogar a sério.

De resto, a lista não me causa grandes perturbações. É óbvio que a ausência de Quim é bastante criticável, uma vez que é o melhor guarda-redes nacional, mas a selecção já nos habituou a deixar os melhores de fora. Desde que o melhor guarda-redes da Europa não foi convocado, tudo me parece pouco. Eduardo, Beto e Daniel Fernandes são fracos, no entanto, se com Ricardo já chegamos tão longe, acredito que com estes se pode fazer melhor.

Paulo Ferreira e Miguel eram uma obrigação desde a lesão de Bosingwa, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Rolando são inquestionáveis e Duda e Coentrão ganham por falta de comparência de alternativas.

Já Ricardo Costa e Zé Castro ganharam o estatuto de “surpresas” da convocatória. Como sempre acontece antes de uma grande prova de selecções, os comentadores ficam chateados por não prever um ou dois nomes e, por isso, ficam muito chocados e criticam o seleccionador. Claro que depois acontece como em 2006, quando foi um choque Maniche ser chamado, e este se tornou provavelmente no melhor jogador português nesse Mundial. Acho que Ricardo Costa pode ser bastante útil, uma vez que faz as 4 posições da defesa e que é bastante experiente a nível de selecções, e que Zé Castro deve ser apenas uma manobra de empresários, até porque vai “saltar” até à lista final de 23.

Pepe, Pedro Mendes, Raul Meireles, Deco e Tiago também não podem suscitar grandes dúvidas e Miguel Veloso, fazendo um grande esforço de compreensão, já que o moço até faz várias posições e pelo menos a sua barriga mete respeito, até pode ser.

Simão, Ronaldo, Nani, Danny, Liedson e Hugo Almeida também me parecem pacíficos.

No entanto, claro que já milhões (há quem diga que são seis) de vozes se juntaram a criticar Queirós. Porque faltam Carlos Martins, que não aguenta uma parte, e Rúben Amorim, que é o sócio número 18 mil e não sei quê. Já para não falar de Nuno Gomes, um mito das provas de selecções. Por acaso Queirós não tem culpa de David Luiz, Aimar e Saviola, por exemplo, não terem sido chamados, porque senão então é que estava o caldo entornado.

O futebol é tramado. Com Scolari, andavam todos contentes porque o Baía não era convocado, mas o Jorge Ribeiro e o Makukula eram. E, aproveitando esta onda papal que hoje se vive, só deus sabe como Jorge Ribeiro e Makukula foram muito mais úteis à selecção do que Vítor Baía. Mas agora estão chocados, porque não chamam quatro ou cinco jogadores de uma equipa que normalmente não joga com mais de dois portugueses. É um escândalo!

Meus amigos, tenham calma. Ninguém vos tira a liga dos túneis por causa de uma convocatória para o Mundial.

Resumindo, a lista de 24 não me aquece, nem me arrefece. Continuo a achar que o grupo está longe de ser tão forte como em 2004 ou 2006 e que o mais normal é Portugal não ir muito longe. Mas, sinceramente, estão a dar-me vontade de torcer por eles.

Campeões

Paguei o primeiro acto de optimismo Benfiquista da minha vida: achei, há uns tempos, que nunca teríamos que esperar pela última jornada para ser Campeões. E foi assim que me apanhei em Milão, à frente de um computador, a assistir ao Benfica - Rio Ave comentado em romeno (?).
Quando o jogo acabou falei ao telefone com o meu Pai e com o F., recebi mil mensagens e limitei-me a passar algum tempo na net a ver as reacções. Adormeci feliz, feliz, feliz. Mas mais que feliz, tranquilo, aliviado. Acabou-se, somos Campeões.
 E assim andei. Com um sorriso imenso, é verdade, mas mais tranquilo que eufórico. Até hoje. Hoje, quando vi as imagens da festa, emocionei-me a sério. Quando vi a cara de Aimar, meio surpreso, meio em transe, a dizer "No me imaginaba tanto...", arrepiei-me. A cara do argentino dizia muito sobre a grandeza do Benfica. O Benfica é muito grande, o Benfica é enorme. Coisas da vida, percebi isso naquela imagem. Recebi mil mensagens (mais que nos meus anos), pensei em muita gente, em muitas coisas, em muito Benfica, mas só quando vi hoje Pablo Aimar, estupefacto, a relatar a imensidão que é o meu clube, senti na pele o que amo o Benfica.
Gosto muito deste clube. Demais. Preenche-me os dias, invade-me  dia a dia a toda a hora. Sou tão do Benfica que sei os resultados de 93/94 de cor. Sou tão do Benfica que todos os dias - todos - falo ao telefone com o meu Pai sobre o Benfica. Invariavelmente, eu, o F. e o D., falamos primeiro do Benfica quando nos encontramos. Antes do trabalho, das famílias, falamos do Benfica. Do onze, de contratações, de memórias, dos medos, dos desejos. Mas sempre do Benfica.
Adoro o Benfica. As camisolas, a vénia ao 3º anel, a história, a alegria e o orgulho de ser Benfiquista. Gosto dos pormenores da história que não vivi, mas que de tanto ler até decorar parece que lá estive. Às vezes digo todos os títulos que temos só para ficar bem disposto. Uma vez imaginei o Benfica Campeão a andar, no meio da rua, de forma de tal maneira nítida que fiquei quase em lágrimas. Todos os 14 de Maio eu e o D. mandamos uma mensagem de "Parabéns" um ao outro.
Amo tanto o Benfica e sou tão supersticioso no que ao Benfica diz respeito que o F. está proibido de me mandar mensagens durante o dia de jogo (dá um azar incrível. Aliás, bastou a mensagem dele a meio do jogo de domingo para o Rio Ave empatar...). A minha mãe ligou-me, toda contente por mim. A minha avó, que nem deve saber com quantos jogadores cada equipa começa o jogo, enerva-se com o Benfica por minha causa.
 Amo o Benfica. Tanto, que acho que não me sinto capaz de escrever tudo neste texto. É demais. Era ter que escrever a minha vida toda.
Percebi a grandeza do Benfica, a maneira como afecta tanto a minha vida e a de tanta, tanta gente, naquele ar de Pablo Aimar. "No me imaginaba tanto...". Não imaginas, Pablo. Não imaginas. O Benfica é enorme. É a minha vida toda, ali, pintada de um vermelho lindo, imenso, infinito.