quarta-feira, 30 de junho de 2010

Dez razões para Portugal ter ficado nos oitavos (para tótós)

1. Ninguém se pode lembrar de gostar de futebol de dois em dois anos. Não faz sentido não andarem por aí preocupados com campeonatos, não verem jogos da Liga dos Campeões, nem sequer estarem muito atentos à qualificação, e depois chegarem a um Europeu e a um Mundial e serem uns grandes entendidos, sempre a mandar bitaites de quem devia ter sido convocado ou não, de quem devia jogar, de quem devia ser substituído. Que mal tem? Tem que os maus adeptos são a primeira razão para Portugal falhar. E há dois tipos de maus adeptos: os que, logo à partida, já sabem que vai correr tudo mal e os que andam sempre eufóricos.

Aos primeiros tenho a dizer o que digo aos do meu clube que são exactamente assim: é muito fácil andar por aí a dizer "eu bem avisei...". É mesmo muito fácil passar um jogo a criticar e até sorrir ligeiramente quando o adversário marca. Mas já pensaram o que isso faz de vocês? Sim, traidores. Ou, numa versão mais ligeira, estúpidos. Não ajudam nada.

Aos segundos tenho a dizer que vocês não são melhores que os primeiros. Têm de abrir os olhos. Portugal nunca ganhou nada, estamos longe de ser uma selecção de topo (eu não ligo a rankings) e não podemos convencer-nos que vamos ganhar tudo porque senão saímos sempre desiludidos, mesmo quando a selecção até se porta bem. Por exemplo: ontem, antes do jogo, ouvi "n" pessoas a dizer que iamos dar 7-0, como contra a Coreia. Esta gente devia ser pura e simplesmente proibida de falar. Ou pensar. Ou existir.

2. O pré-Mundial não foi nada fácil para Portugal. A qualificação ficou embrulhada com uns empates imperdoáveis e o futebol bonito que a selecção jogava (sim, eu vi estes gajos a jogar muito bem à bola) ficou condicionado por aquela derrota mais do que azarenta, eu diria diabólica, com a Dinamarca. Ainda por cima este Portugal não teve o que "outros Portugais" tiveram: boa imprensa. Claro que os jornais não têm de ser como as senhoras que achavam que Portugal dava 7-0 à Espanha. Têm de ter juízo, ser críticos, pegar em tudo o que é podre. Mas houve muita gente a descer muito baixo para se fazer notar. Houve relatos de jogos em que os comentadores estavam claramente a torcer pelo adversário para se rirem de Portugal. Houve demasiadas crónicas do simples "mete-nojo". O interesse? Não sei, talvez derrubar alguém. Ou apenas vender mais.

3. A eternamente discutível lista de convocados. Onde eu levei uma grande chapada do Queiroz. Sim, eu escrevi que o Quim era o melhor guarda-redes nacional. Toma lá esta Catarina para aprenderes a também não te armares em grande especialista! Mas agora vamos lá escrutinar isto, sabendo, claro, que depois da coisa acontecer é bem mais fácil fazê-lo.

Da baliza não falo mais, porque o Eduardo se transformou no melhor guarda-redes do mundo. Do lado direito, faltou o Bosingwa e não percebo porque se convocaram dois defesas direitos se, nos jogos a sério, foi preciso meter o coitado do Ricardo Costa adaptado. No meio, Bruno Alves e Ricardo Carvalho fizeram um grande Mundial, embora muita gente se esqueça deles. Do lado esquerdo, o Coentrão esteve muito melhor do que se esperava.

O primeiro enorme problema: o trinco. Pedro Mendes até começou bem, mas havia a pressão de meter a jogar o melhor (e sim, o Pepe em condições normais é mil vezes melhor, se não fosse ele provavelmente nem qualificados estávamos). Acabou por sair mal, porque o Pepe está de rastos, distribui pazada por todo o lado e pouco mais.

Depois, um Deco sem ritmo nenhum e com mais vontade de ir para o Brasil apanhar sol do que andar ali a correr com os "moleques". Talvez tenha sido aqui que Queiroz brilhou mais: a solução Tiago foi espectacular e, com um Meireles muito melhor do que no Porto (pois, eu não perdoo quem se anda a guardar um ano todo para um Mundial...), fizeram uma grande dupla que calou os senhores muito revoltados porque o Moutinho não foi convocado.

Na frente, esteve todo o mal. Entre Simão e Danny, venha o diabo e escolha. Cansaço, falta de jeito, falta de empenho, já não sei o que pensar. Foram ambos muito maus. Entre Liedson e Hugo Almeida, penso que ninguém tem dúvidas de que o primeiro é melhor, mas até foi com o segundo que estivemos mais perto dos golos. E, por fim, Ronaldo. Mas esse fica para depois.

4. Nani. Já falei o suficiente sobre isto, claro que o rapaz não se lesionou e ficou tudo bem. Nunca saberemos como correria isto com o jogador português em melhor forma, mas não vale de nada ficar a chorar. Adiante.

5. O empate com a Costa do Marfim. Às tantas vai dar um ataque cardíaco a muita gente, mas creio que este foi o melhor resultado de Portugal neste Mundial. Era o primeiro jogo e contra o adversário directo, não se podia perder, eles entraram muito bem e até tivemos azar porque fomos os que estivemos mais perto de marcar. Se calhar para os mais "distraídos", a Costa do Marfim era só um grupo de gente muito escura a correr. Mas, para mim, era o Drogba, o Kalou, o Keita, o Yaya Toure, o Gervinho e o Eboue. A táctica defensiva não era muito ambiciosa, é certo, mas vejam o que aconteceu à França, à Itália, à Inglaterra e à própria Espanha.

6. Deco. Aqui é que se estragou tudo. As palavras do Deco não foram só as de um jogador cansado, quase acabado, "velho". Foram um sinal de que não havia controlo. E claro que deve haver controlo numa equipa. Se todos viessem dizer cá para fora o que pensam... bem, estaríamos a falar do sporting e já viram quão mau era. Falhou o seleccionador, que não teve mão neles, falhou a equipa de comunicação da Federação, que os deixou à mercê dos jornalistas, e falharam os jogadores, que não souberam colocar a selecção à frente das suas birras individuais.

7. A grande vitória com a Coreia do Norte. O quê? Esta gaja está mesmo a colocar um 7-0 numa das razões para Portugal não ter ido mais longe? Sim, estou. Concretamente, porque Ronaldo marcou um golo. E se até aí só se pensava nele, a partir daí então foi a loucura total. Usando um bom termo jornalístico, foi só "broche" atrás de "broche". "O querido líder", "metam a bola no Ronaldo!", "vem aí mais ketchup de Ronaldo!" foram alguns dos títulos que apanhei. Não sei o que me irritou mais: se a profunda injustiça para os seis ou sete jogadores que estavam a fazer um Mundial mil vezes melhor do que o Ronaldo, se a profunda ingenuidade de se depositar esperanças num jogador que nunca deu nada à selecção. Pois, chegamos a Ronaldo.

8. A braçadeira de capitão em Ronaldo. E disto posso falar à vontade porque eu sempre fui muito crítica com ele. Sim, houve uma altura em que ele foi o melhor do mundo. Aquela época no manchester quando o Messi andava sempre lesionado foi brilhante. E, apesar de não ter ganho nada, é ele quem muitas vezes carrega às costas o real madrid. Mas na selecção nunca vi nada. Pior, vi um menino mimado, uma estrela, um capitão que prefere dizer "eu" a dizer "nós". Ele nem o hino canta! Era difícil não ser Ronaldo o capitão, é verdade. Ricardo Carvalho é muito "tótó", Bruno Alves às vezes perde a cabeça. Mas Queiroz lambeu demasiadas vezes as feridas ao menino. Queiroz e todos. Aliás, ontem apeteceu-me esganar os jogadores que, quando questionados sobre as belas palavras do Ronaldo, ainda foram defender o menino querido. É tirar-lhe a braçadeira e explicar-lhe que ele não é mais do que ninguém ali. Não é mais do que o Bruno Alves e o Meireles, que fizeram Portugal apurar-se. Não é mais do que o Eduardo, que aguentou o mais que pôde sem sofrer golos. Não é mais do que "o Carlos Queiroz", como ele diz. Resumindo, alguém tem de ter tomates (esqueçam o ketchup, estou mesmo a falar de tomates) para o substituir quando está a atrapalhar, como foi o caso ontem.

9. A Espanha. A Espanha tem uma equipa maravilhosa. Eu sei que sou suspeita porque adoro o Barça, mas a esta Espanha só lhe falta mesmo o Messi. Ou faltaria, se o Villa não tivesse decidido fazer o Mundial da vida dele. Que jogadores, que equipa, que tiki-taka! É um prazer vê-los jogar, mesmo sem terem arrancado muito bem. E isso não devia fazer de nós invejosos, quando pensamos "se eles têm porque é que nós não temos?" Gente: não temos porque não temos aqueles jogadores. Vocês viram aquele jogo com a Polónia na preparação? Aquilo foi a prova de que eles nem precisavam de treinar. Eles não são campeões europeus à toa. Queriam o quê? Ir para cima deles à maluca? Eu posso enganar-me, mas se a Espanha passar o Paraguai quero ver quem é que vai para cima deles à maluca. Sim, a defesa não é a melhor do mundo (a nossa é melhor), mas tenho para mim que eles até podiam jogar com menos um ou dois jogadores na defesa que nem se notava.

10. O último jogo. Foi tudo muito bem montado. Portugal sabia que tinha de jogar atrás da linha da bola, mas sem os deixar sufocar. Foi isso que aconteceu durante 50 minutos, na perfeição. As melhores oportunidades até foram de Portugal, também faltou sorte. Mas Queiroz falhou nas substituições e Del Bosque acertou. Eu não sou nenhuma Freitas Lobo, mas sei "ler o jogo" minimamente. E nisso o Queiroz é dos piores do mundo. Ele montou muito bem a equipa, arriscou no onze dele e deu-se bem, mas depois, lá, no momento, não soube mudar. E, pelo contrário, o espanhol acertou em cheio. Tirar o Torres para meter um quase desconhecido Llorente é de corajoso. Aposto que muitos espanhóis o insultaram naquele momento. Mas o que é certo é que o miúdo conseguiu espaços na defesa portuguesa que Torres ainda não tinha conseguido. E o golo chegou. Em fora-de-jogo, não nos podemos esquecer. O árbitro errou a favor da Espanha, com influência clara no resultado e também exigimos um pedido de desculpas da FIFA. E depois do golo as fragilidades de Portugal acentuaram-se mais até uma expulsão também inventada pelo árbitro.

Resumindo, acho que Portugal fez o que podia ter feito, à excepção de Ronaldo. Agora vou torcer pelo Uruguai e vou mas é começar a pensar em coisas sérias como por quanto é que vamos vender o Meireles ou quanto é que estamos dispostos a dar por um número 10.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nós não assinamos a petição

No que ao futebol diz respeito, há poucas coisas sobre as quais eu e o M. estamos de acordo. Mas nesta estamos do mesmo lado. Meus caros, meter chips nas bolas, parar as jogadas para o árbitro ir ver se é ou não fora-de-jogo e todas essas invenções que só mesmo pessoas com um penteado como o do Rui Santos é que acreditam que iria melhorar o futebol... tudo isso nos iria tirar o prazer de ver um Inglaterra-Alemanha.





O futebol não precisa de novas tecnologias. 11 contra 11 e uma bola acaba por ser sempre justo.

sábado, 26 de junho de 2010

Mundial no pause

Sim, o Mundial está cada vez melhor e é impossível perder pitada. Sim, é muito emocionante ver Portugal a passar aos oitavos. Sim, é um prazer ver Suarez, Messi, Gerrard, Donovan, Özil, Sneijder, Robinho, Drogba, Raul Meireles, Eduardo, David Villa, etc etc. Mas agora vamos ao que interessa.

É que enquanto andamos distraídos com coisas secundárias, a época 2010/2011 está a começar. Há reforços a chegar, negócios a fazerem-se e as primeiras entrevistas para ler. Ainda que anestesiados pelo Mundial, os nossos clubes estão no activo. Pelo que se torna urgente analisar o que se passa.

No Porto está tudo normal. Todos calados, pouca coisa a passar cá para fora. Oficial, oficial, para já apenas Souza. Kléber parece estar perto, assim como o guarda-redes suplente do braga. Ou seja, reforços "de segunda", sem se gastar muito dinheiro porque a época é de contenção (alguma vez não foi?). Nenhum me entusiasma, como é óbvio, mas eu também não conhecia o Anderson, o Hulk ou o Lucho quando chegaram. E não nos demos muito mal. Mas confesso que gostava de ver um bocadinho mais de ambição.

Por exemplo: sim, precisamos de um guarda-redes, e nem só para substituir o Nuno (adeus rapaz, boa sorte, perdemos umas taças por tua causa). O Helton para mim não chega. Mas ir buscar o suplente do braga... É "pequeno" demais para o Futebol Clube do Porto, parece-me. Enfim, veremos. Há que vender primeiro. Bruno Alves e Raul Meireles, claro. A bons preços, mas também não podemos esperar milagres (só se vende um Cissokho por 15 milhões uma vez na vida!). Estão os dois a fazer um grande Mundial, embora a imprensa portuguesa esteja mais interessada em vender outros jogadores.

Por falar neles, vejamos o benfica. As habituais mil capas de jornais com reforços e os habituais muitos milhões já gastos. O petróleo é mesmo dos bons, carago! De falta de ambição não se podem queixar: já têm o segundo guarda-redes mais caro da Europa. Não o conheço, mas eu também não sou uma entendida.

E o Di Maria ainda só foi confirmado no Real Madrid durante duas semanas seguidas. Não sai por menos de 40 milhões. Vá, pode ser 35. Pronto, pronto, sejam 30. 25 E NÃO SE FALA MAIS NISSO! E eu, como gaja, sei que ainda só estamos na época de promoções. Os verdadeiros saldos são em Agosto.

Mas gostar, gostar, eu estou é a gostar da pré-época do sporting. Desde já porque, à partida, já são um bocadinho campeões europeus... de 2004. Já têm o Costinha e o Maniche, só falta o Deco e têm um meio-campo de sonho... em 2004. Não digam mal, só chegaram com seis anos de atraso.



O Costinha é um perfeito anormal. Não sei porquê, alguém lhe meteu na cabeça que ele era um dirigente "à Porto". E então começou a mandar naquela merda toda, a tratar mal os jornalistas, a torturar os "bufos" e a fazer concretizações certeiras... se fossem em 2004. E andar atrás do Hugo Viana então é a cereja no topo do bolo. Um gajo que não deu nada no sporting por diversas vezes e que, se alguma vez esteve no topo, agora está claramente a descer dele. Vai lá buscar o Alan e o Evaldo, Costinha. Já tens o João Pereira, queres o Eduardo, mais dois ou três e se calhar também és um bocadinho vice-campeão.

O Mundial está a ser giro, estou a torcer por Portugal como nunca tinha feito e acho que os ingleses vão ganhar. Mas a sério, a sério, só a 7 de Agosto.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Assim não tem piada.


É difícil escrever sobre estes dias da selecção. A verdade verdadinha é que estão praticamente nos oitavos de final e isso, para mim, é tudo o que se podia pedir.
Há, no entanto, um aroma de loucura no ar. A história de Nani foi tão estupidamente mal contada que quase pareceu propositada para nos distrair. A começar no facto de ser uma lesão anunciada num dia sem treino, passando pelo bonito pormenor do rapaz depois andar a segurar-se com o ombro lesionado na carrinha do safari e a transportar a mala de viagem. Acaba, claro, naquele épico "Para a semana estou bom" que inacreditavelmente não lhe deu direito à "Placa Doping" a que Kennedy teve direito em 2002 (ainda hoje me interrogo o que diz a placa que Madaíl lhe deu).
Enfim, um processo esquizofrénico, mas ainda assim divertidíssimo.


Confesso - tem de ser - a minha derrota. Já tinha escrito que queria ter visto esta selecção cair e se possível com estrondo. Só de imaginar a campanha de elevação de Queirós (Queiroz?) a herói até fico com vontade de vomitar. Um treinador sem uma única ideia, sem currículo, sem discurso, completamente banal em tudo, mas certamente com muitos e bons amigos. Detestável de todas as maneiras possíveis e imaginárias. E depois há - já o disse mil vezes e repito - o factor Scolari. Que se desengane quem não acredita: esta selecção será sempre comparada por quem-nós-sabemos com os resultados do treinador brasileiro. E se quem-nós-sabemos está de um lado, eu estou do outro.

Tenho saudades do Mundial Coreia - Japão. Do Beto a defesa direito, do Oliveira a levar muletas no segundo jogo para dar sorte. Da ironia dos próprios jogadores portugueses que, num assomo de sarcasmo, baptizaram como beach boys a equipa técnica que, de camisas havaianas, passeava pelas praias de Macau em busca de companhia. A África do Sul, com o Deco a questionar Queirós, com o caso Nani e aquele jogaço com a Costa do Marfim tinha tudo para ser uma coisa em grande. Assim não. Não tem piada nenhuma.
(Giro, giro era a Costa do Marfim dar 8.)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Nani, Deco e a falta de bandeiras nas janelas

Esperei pelo primeiro jogo da selecção na África do Sul, porque, como diz Marcelo Lippi e muito bem, o que acontece nos jogos de qualificação e preparação não interessa para nada quando se chega a um Mundial. Mas agora, assim, ainda é mais difícil ter esperança na selecção de Queiroz. Vou tentar.

Podia começar por questionar o porquê de se estagiar em altitude se nos três primeiros jogos não se vai sentir esse efeito ou a razão de se ficar em Magali-coiso se fica longe de tudo, mas não o vou fazer (se já não o fiz). Quero começar por Nani.

Nani era realmente o jogador português em melhor forma. Fez um fim de época fantástico no manchester e o golo aos camarões abriu o apetite para o que podia ter sido um grande Mundial. Mas algo correu mal. Não vou sequer perder tempo a falar de uma lesão inexistente, pelo que só vejo duas hipóteses: ou estamos a falar de um caso de doping, ou de um castigo.

Se for doping, e o Nani todo musculado e espectacular dos últimos meses pode ajudar a sustentar essa teoria, tenho pena de Carlos Queiroz, porque teve de ver o seu jogador em melhor forma ir embora, já que não há nada a fazer quando assim é (e não é nada raro, não me venham com tretas). Se for castigo, ainda bem que não saiu cá para fora, mas lá dentro não deve estar a ser fácil. Por isso, tenho pena do Queiroz.

O que me irrita em toda esta história é, desde já, a postura do próprio Nani, porque claramente não quis colaborar com a selecção ao disfarçar uma lesão. E, depois, são aqueles “entendidos em selecção” (ou seja, pessoas que não percebem nada de futebol, mas que nos Euros e Mundiais são uns especialistas do caralho) que antes até defendiam o Simão a titular, mas que agora já queriam que o Nani ficasse para ver se recuperava.

Entretanto, Portugal empatou com a Costa do Marfim, a malta ficou muito revoltada e adorou as palavras do Deco. Eu, que até sou suspeita porque sou a fã número 1 do Deco, acho que ele foi simplesmente estúpido. Está em má forma, jogou mal que doeu e não tinha nada de vir dizer aquilo cá para fora.

O problema é que os tais “entendidos em selecção” nem vêem como a Costa do Marfim é forte (dou o braço a torcer ao sueco que conseguiu disciplinar tacticamente uma selecção africana), como o “grupo da morte” desta vez calhou a Portugal e como, se o Brasil der uma ajuda, ainda é fácil passar. O que interessa é que o Deco disse mal do Queiroz e, no fundo, o que interessa é dizer mal do Queiroz.

É claro que eu vi como Portugal foi lento e teve demasiado medo em não perder o primeiro jogo. Mas parece-me óbvio que se aquela bola não tivesse ido ao poste, ou se o Bruno Alves não tivesse metido ali o braço, Portugal tinha ganho e o movimento nacional “vamos matar o Queiroz” ficava adiado até pelo menos segunda-feira.

E isto leva-me à questão das bandeirinhas na janela, que neste Mundial misteriosamente não apareceram. É que os portugueses, à excepção dos emigrantes na África do Sul, não estão com a selecção. Se eles ganhassem o Mundial, claro que iam dizer que andaram aí a pintar a cara e a ir ver jogos para o Parque das Nações. Mas, como Portugal não vai ganhar, os “entendidos em selecção” vão ficar todos contentes por provarem que têm razão.

A meu ver, esta é claramente a pior selecção dos últimos dez anos. Já não temos assim tantas estrelas, das que temos algumas estão lesionadas e outras mal recuperadas, e não conseguimos formar uma equipa. Ronaldo a capitão parece-me o pior erro, porque um jogador tão egocêntrico nunca pode pensar na equipa antes de pensar nele próprio.

Aquela equipa campeã da Europa em 2004 já não existe (a tal que começou no banco no Euro 2004...) e, portanto, qualquer um iria ter nas mãos a muito difícil tarefa de aguentar uma selecção que está muito melhor no ranking do que realmente é ou alguma vez foi.

Temos Ronaldo, sim, mas nem é preciso ir muito longe já que a Costa do Marfim tem Drogba. O Eduardo é fraco, o Paulo Ferreira e o Ricardo Carvalho estão velhos, o Bruno Alves não é genial, o Coentrão é o Coentrão, o Pedro Mendes não chega, o Deco está todo roto, o Meireles teve uma época desgastante, o Danny não é o Nani e o Liedson joga no sporting.

Fomos vice-campeões da Europa e chegámos a duas meias-finais do campeonato do Mundo, mas, porra, nunca ganhámos nada! E perder uma final com a grécia da maneira que foi não foi propriamente brilhante, pois não?

Não me venham com merdas: o mal não é o Queiroz, o Nani, ou o Deco. O mal está nas vossas cabecinhas. Deixem-se de sonhos e ilusões. Portugal não é nem nunca foi uma selecção ganhadora.

P.S. As palavras de Jorge Jesus hoje no record metem-me nojo. Não sei a que propósito temos de ouvir a opinião deste treinador sobre a selecção e vir incendiar logo após o primeiro jogo é uma vergonha. Claro que, noutros tempos, se alguém do meu clube tivesse feito o mesmo, a malta que gostou de perder duas vezes com a grécia mandava-nos com uma bandeira de Portugal na cara.

P.S. 2 a Espanha - sim, essa que é a melhor selecção do mundo actualmente - acaba de perder. Uma lição para nós.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Defeso

Ao contrário dos anos anteriores, já não páginas e páginas de reforços loucos, de Robinhos e Kezmans. Este ano, vendo as capas dos jornais, quase só há notícias sobre hipotéticas saídas (que chegam a um rídiculo interesse do AC Milan por Rui Costa como director). O Benfica parece mais calmo, mais controlado. Ganhar gera uma dinâmica completamente diferente e é esse hábito que tem de ser continuado.
Ganhar faz com que não seja obrigatório prometer o enésimo "novo ciclo", ganhar retira a pressão dos adeptos, valoriza os jogadores, dá confiança. Que metam na cabeça que o importante é ser Campeão outra vez e que uma "boa figura" na Champions não conta para nada.

Entretanto, no outro lado da 2ª circular, já há mais de 50 nomes e nenhuma contratação. Ainda assim um jogador da Atalanta manifestou-se satisfeito com o interesse verde porque podia continuar a jogar na 1ª divisão. E, pelo que a imprensa vai dando, parece que a aristocracia já não tem dinheiro para mandar cantar um cego. No seu palácio caído, de janelas partidas, continuam a achar-se grandes, a chamar criados que há muito se foram embora. A toma de poder dos vermelhos finalmente deu algum insight ao problema dos verdes. Antes estava tudo bem, tudo era uma maravilha, Paulo Bento punha a equipa a jogar um futebol fabuloso, tudo eram rosas. E, vá-se lá saber porquê, bastou o Benfica ser Campeão para assistirmos a esta desorientação - acabou-se a "contenção", acabou a ideia do plantel feito em Alcochete.
Extraordinário como a nossa crise serviu para os outros se esquecerem da deles. Incrível como bastou ganharmos um ano - um! - para até a aristocracia de dentes podres acordar e perceber que é pedinte.
Mais a Norte, aposta-se no escuro. Ninguém pode dizer se André Villas - Boas é bom ou mau treinador em rigor. Já sabemos todos de cor que é "jovem" e "ambicioso". Ficámos também a saber que o jovem burguês tem "descendência" inglesa, mas há certas gaffes que até ficam bem quando a imprensa não pega nelas.
Como há Mundial, o defeso alonga-se, a espera adensa a trama. Todos os fanáticos como nós já só pensam na bola a sério, no Campeonato. A África do Sul terá - como têm sempre - a beleza mítica das fases finais, mas, no fundo, não farei mais que torcer por Amorim, Coentrão, Ramires, Maxi Pereira, Luisão, Di Maria e Cardozo. Observarei possíveis reforços e vou torcer para que Bruno Alves se lesione com gravidade até ao fim da carreira depois de um choque em cadeia com Rolando, Raúl Meireles, Álvaro Pereira, Cristian Rodriguez e Liedson.

Nnunca mais chega o Benfica. Nunca mais chega aquele vermelho todo nas bancadas, o BEN -FI -CA, BEN - FI - CA  gritado até ficar sem voz. Nunca mais chega a vénia ao 3º anel.
Tenho saudades da pressão alta do ano passado, da equipa a correr, a correr, a correr. Tenho saudades de ver o Saviola a jogar à bola. Tenho saudades do Benfica. Quero ser Campeão outra vez.


Sem divisões, sem clubites


Somos todos da Costa do Marfim!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ano VI d. M.

Eu e deus temos um grande problema: é que eu não acredito nele. Para mim não há nada “lá em cima”. Há apenas um planeta habitado por biliões de seres vivos, entre os quais o Homem, espécie à qual por vezes gostaria de não pertencer. E toda esta introdução pseudo-existencial serve apenas para vos falar de José Mourinho.

Pois é, o homem de quem se fala. Uma espécie de deus para muita gente. Mas pergunto eu: para quem, afinal?

Participou nos melhores dois anos da minha vida, com muitas vitórias daquelas que parecem inalcançáveis, com muito orgulho em ser a melhor equipa da Europa, com momentos que jamais esquecerei. E, depois, saiu. De repente. Chorei, perdi a cabeça, desisti do futebol? Não. Passei uma época sem ser campeã (enquanto era campeã do mundo) e depois fui tetra.

Seguiu-se Londres. O clube de um magnata russo que não ganhava nada há 50 anos. Foi campeão, tendo milhões e milhões ao seu dispor para ir buscar os melhores do mundo. Saiu, provavelmente porque o seu ego não cabia mais num clube que não era campeão europeu. Hoje o chelsea tem Ancelotti, é campeão e joga bem à bola que se farta.

Milão. Uma equipa que não tem adversários desde o calciocaos e um campeonato cada vez mais decadente. A glória de voltar a ganhar a Champions League, que nem sequer é bem festejada porque, mais uma vez, já só se fala da sua ida para o real madrid. Que, deixem que vos diga, é o clube ideal para ele (nota para não conhecedores de Catarina: eu odeio o real madrid, os galácticos, o poder da capital espanhola).

Olhando para trás, o que é que Mourinho tem? É o melhor treinador do mundo? É. Guardiola e Van Gaal deixaram-se “comer” ao tentar que o futebol bonito ganhasse ao futebol cada vez mais feio que o treinador português cultiva. Mas é um deus? - e agora não me refiro à figura religiosa que não existe, mas sim ao sentido mais lato da coisa – Não. Não é um deus no Porto, em Londres ou em Milão, porque outros vieram e virão e é preciso muito mais do que vitórias para que o coração de um adepto não esqueça.

Claro que há certas pessoas, longe do Porto, de Londres ou de Milão, que agora o idolatram porque descobriram que ele é bom para caraças (talvez não tenha sido muito evidente quando lá esteve). Mas a essas pessoas invejosas e frustradas já nós estamos habituados.

A verdade é que Mourinho vai ficar para a história do futebol, mas não vai ficar para a história de um clube em particular. Ele não é Pedroto ou Herrera. Ele nunca será um Bill Shankly para o liverpool ou um Ferguson para o manchester. Provavelmente, vamos lembrar-nos do futebol espectacular do Porto de 2003, mas iremos mesmo querer recordar este inter de 2010? Enfim, fica em aberto, numa altura em que já todos esperamos que o real volte a ser campeão em Espanha, com o Ronaldo a ter de defender durante 90 minutos.

E para terminar, seis anos depois de Mourinho, uma referência ao seu “clone” que é André Vilas Boas, ou Villas Boas, ou Villas-Boas, ou o que ele quiser desde que seja campeão para o ano. Uns meses como treinador não dão muita margem de manobra à análise táctico-técnica que pretendia elaborar de seguida, mas talvez os adeptos do Porto, tão mal habituados a criticar tudo e todos, estivessem mesmo a precisar de um homem sem passado. É sangue novo, é sangue azul.