domingo, 29 de agosto de 2010

Tiros no pé? Não, obrigado

O lado do Mal não brinca. Eles sabem que não há pior pesadelo que o bi-campeonato do Benfica. Eles sabem que alguns anos sem ganhar os reduziriam, perdão, reduzirão, à mediocricidade que sempre pautou aquele clube durante praticamente toda a sua história.
Para nós, esse devia ser o principal objectivo, porque sem eles no caminho o El Dorado fica ali mesmo. Mas nós não podemos estar sempre a olhar para o vizinho. Ou pior, sempre a olhar para o nosso umbigo, ainda a rever a conquista de 2009/2010. Amigos, já passou, já foi. Agora é outra.
Mas a Direcção do Benfica, a mesma que fez as planeações espectaculares de 2005 e 2006, a mesma que ganhou o título do ano ano passado porque o Presidente se calou, voltou a ter o rei na barriga e a começar a disparar no próprio corpo.
Não consigo compreender porque é que Álvaro Pereira jogou a Supertaça e Maxi Pereira não. Não consigo compreender a política de contratações, o timing, o dinheiro estupidamente gasto em jogadores emprestados (vamos coleccionar percentagens na ordem dos 20% de todo o plantel do Atlético de Madrid? E aqueles 2 jogadores que nos foram prometidos quando vendemos o Simão abaixo da cláusula?), até...Roberto. Roberto é o símbolo daquelas duas derrotas, mas Roberto não perdeu sozinho.


O Benfica tem que ser muito mais forte do que os outros para ganhar. Se formos igualmente fortes, não dá. Temos que ser demolidores, seguros e sempre conscientes dos objectivos, sempre obcecados. Mas não, todos os anos - ou quase - tenho que gramar com a inocência, com a falta de profissionalismo. Eu penso nisto todos os dias, penso em todos os passos a dar: equipa a jogar, cuidados a ter com adversário, quem é o árbitro?, que notícias coloca a imprensa rival, que notícias devíamos nós colocar, que pressão colocar, tudo. Eu estou sempre a pensar no Benfica, no que faria para o Benfica ganhar. Aparentemente, ou isto não é feito, ou é muito mal feito pela Direcção do Benfica. Ou - repito, porque se há demérito este ano (e na maioria deles), o ano passado o mérito é também da Direcção - pelo menos é feito intermitentemente.
E não pode. O Benfica deve transpirar profissionalismo, o Benfica tem que querer ser sempre Campeão, tem de deixar-se de aburguesamentos, de novos - riquismos. Isso é que me põe doente. Às vezes acho que só eu penso assim.
Temos de jogar sempre com todas as armas, porque o Mal joga sempre com todas deles.

Portanto, parem com os tiros no pé por favor.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Palavras para quê? (II)



Parabéns ao braga. Fiquei muito feliz pelo nosso Mingos e, não sejamos totalmente hipócritas, porque interessa ao Porto que o braga lá esteja. Pena que este jornal prefira dar destaque ao 14º classificado da nossa Liga. Ainda há alguém que compre esta coisa?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Houston, we have a problem

Tudo nos corre bem. Quatro jogos, quatro vitórias. Não sofremos golos. Temos um título. Já deixámos benfica, braga e sportem para trás. A Liga Europa está a chegar. Reforço: tudo nos corre bem. E não tenho motivos para criticar.

Portanto, entendam este post como uma recomendação e um alerta, não uma crítica. Sou eu apenas a dizer um "Houston, we have a problem", tal como os astronautas da Apollo 13 que se viram aflitos com um problema na nave. É que tem sido tudo muito bonito, desde as palavras do treinador e do presidente às acções dos jogadores, mas eu já tive entre 10 a 15 ataques cardíacos com aquela defesa.

Digam-me se estou maluca, ou se não é mesmo normal uma equipa como o beira-mar conseguir fazer 8 remates no Dragão. Sim, contei-os. E eu que até sou a grande besta do Helton tenho que admitir que ele tem sido o nosso Deus.

O Fernando tem estado bem, o Álvaro e o Sapunaru estão ao seu nível (não são dos melhores laterais do mundo, mas para o que é vai servindo), por isso sobram Rolando e Maicon. Esta dupla é um pe-ri-go. Estão a matar-me devagarinho. Ainda ontem tiveram uma daquelas já famosas duplas paragens cerebrais que deixou um gajo do beira-mar sozinho na cara do Helton. Ele falhou, felizmente, e nós marcámos 3 golos. Mas um dia isso pode não acontecer.

É verdade que o ano passado a defesa do Porto já não era exemplar. Sofremos demasiados golos. Mas parece-me que os outros tinham menos oportunidades. Este ano, a única diferença é a falta do Bruno Alves. E eu não quero acreditar que seja ele a fazer assim tanta diferença. Isto é, é óbvio que com ele havia mais segurança, uma forte voz de comando, mas ele também não era propriamente um Ricardo Carvalho ou um Pepe.

Tal como não me parece que Otamendi seja. O tempo o dirá. Para já, rezo apenas para que o Rolando e o Maicon acertem mais vezes na bola em vez de ficarem a olhar para ela a passar como tão bem fazem.

É que os gajos da Apollo 13 sobreviveram todos, é certo. Mas não foram à Lua.

domingo, 15 de agosto de 2010

To be or not to be

Só vi a primeira parte do jogo do Porto, pelo que a minha análise está condicionada à muito fraca prestação da equipa durante os primeiros 45 minutos. Nada que justifique, no entanto, crónicas como a de hoje no DN intitulada "bestiais não foram de certeza", como quem diz "oh minhas grandes bestas".

Fontes muito, muito portistas dizem-me que na segunda parte o treinador deu a volta à coisa e que o FCP teve muitas oportunidades para marcar, embora o sofrimento tenha sido levado ao extremo quando um jogador da naval aparece na cara de Helton (aquela defesa do Porto quando adormece não brinca, dorme mesmo profundamente).

Mas nada disto interessa, porque o que está a dar é destacar o árbitro. Não que estejam em causa quatro ou cinco pode-ser-expulsões como na semana passada, mas agora fala-se de três penáltis.

O primeiro, com Falcao a cair no limite da área, após uma rasteira do central da naval. Há cronistas e árbitros a dizer que há penálti, há outros que até se esqueceram do lance. Na minha opinião (muito, muito portista), não há penálti, porque, apesar de ser evidente que o defesa bate no Falcao, parece-me que isso foi apenas secundário. Isto é, eu até nem sou daquelas que desculpa qualquer caceteiro (vamos chamar-lhe Katsouranis) só porque, além de ter partido uma perna a um jogador (vamos chamar-lhe Anderson), tocou na bola. Mas neste caso acho mesmo que o Falcao já não ia conseguir fazer nada.

O segundo, com João Pedro a cair com Álvaro Pereira por perto. Parece-me tão óbvio que o jogador da naval tropeça no próprio pé que não percebo a discussão. Mas há quem goste de dizer "fica na dúvida"...

O terceiro, com uma mão na área que o país ansiava que não tivesse sido marcada, porque só faltavam uns minutos para acabar o jogo e ainda estava 0-0. É mão, está na área, mas é muito injusto porque sem ela o Porto ia empatar e ficávamos todos contentes.

"A mão que embalou o dragão" (Bola), "dragão ganha de penálti" (Record), "FCP só marcar um golo já no final e de penálti" (JN), "penálti salva dragão perdulário" (CM) são alguns dos títulos deste domingo. Vai a ver-se lá dentro e ninguém consegue dizer "NÃO HÁ PENÁLTI E O PORTO FOI MUITO BENEFICIADO". Não conseguem, porque foi penálti. Mas sempre podem ficar a berrar que o Porto ganhou de penálti. Não ganham nada com isso, os 3 pontos foram com justiça para nós, mas gostam de anotar estas coisas como se, por exemplo, ficássemos quites com a arbitragem do pode-ser-o-João da semana passada.

Mas, meus caros, não ficamos. O Porto ganhou, o árbitro não teve influência no resultado e bem podem tentar que a dúvida shakesperiana se instale. A semana passada? To be. Neste jogo? Not to be.

sábado, 14 de agosto de 2010

O que cala Costinha?

Quando o futebol português é dominado pelo Benfica e Clube do Guarda Abel, impõe-se a pergunta: o que é dos outros? O que fazem, o que dizem? São neutros que preservam a identidade ou vendem-se descaradamente a um dos lados?
O que me mete sempre medo no ínicio do Campeonato é ver a quantidade de treinadores de equipas de menor nomeada com o carimbo azul, a quantidade de equipas que há muito se mantém na primeira divisão graças à facilidade com que os azuis lhes ganham e a promessa de comerem a relva contra nós.
O poder do polvo mede-se pelo facto de dominarem clubes que, inclusive, podem ficar à sua frente no Campeonato.


Mas se o fenómeno braga pode ser mais ou menos passageiro, há uma pergunta que tem de ser feita:  os verdes, que fazem e dizem os verdes?
É extraordinário observar onde estavam os lagartos em 1982 e onde estão hoje. São claramente o 3º maior clube português, apesar da 2ª maior massa associativa. Que se passou? O que é que aconteceu? O que se passou é simples: aos lagartos agradou a subida ao poder do fóculporto. Deu-lhes um gozo danado ver-nos na lama. Mesmo que eles estivessem ali mesmo, a ganhar uma Taça quando os donos deixavam.
Quando o Benfica recupera dos desastrosos anos Damásio e Vale e finalmente consegue afrontar um poder há muito, muito tempo institucionalizado, é mais que legítimo perguntar: e tu, sporting?
Um parêntesis: eu não quero uma união com a lagartada. É-me geneticamente impossível qualquer proximidade com os viscondes. O clube do Cazal Ribeiro e do Góias Mota repugna-me.
A única coisa que me agradaria - porque era favorável ao Benfica - era que não fossem tão, mas tão coniventes.

                                     

O que quer um clube que nas escutas que toda a gente ouviu é tratado abaixo de cão, um clube que lhe vê roubado o capitão (há muito em negociações com os azuis, é público) e que vê o seu presidente dizer, muito feliz, que "o Sr. Pinto da Costa garantiu que Moutinho só jogaria no porto se o sporting estivesse de acordo", como quem se refere a um cavalheiro, um homem das melhores atenções? O que faz um clube que perdeu Futre e recebeu Postiga? Motivos sem fim para voltarem baterias acima do Douro.
Mais, o director do sporting é um tal de Costinha. Lembram-se de como Costinha saiu do covil do dragão? A coisa foi tão bonita que o mesmo disse à "Sábado":

Costinha - Isso é mais complicado. Para perceber a saída de Derlei é preciso encontrar quem está por detrás dela. Não admito que um grupo de adeptos venha criticar e enxovalhar, com faixas provocatórias, um atleta que deu ao clube aquilo que Derlei deu. E mais espantados ficámos quando ninguém do FC Porto tomou uma atitude. Pelo contrário. Essa gente, depois de insultar os jogadores, entravam nas instalações do clube com um livre-trânsito e ninguém fazia qualquer reparo. E mais: de dia ameaçavam os jogadores e à noite jantavam com dirigentes do FC Porto. Que pensa um grupo quando sabe que quem os insulta e ameaça janta com dirigentes do clube?
ATT - Conhece o presidente dos Super Dragões?
Costinha - De vista. Ele diz-se profissional de claque e, pelo que aparenta, tem uma profissão rentável. Muitos jogadores do FC Porto não ganham para comprar Porsches e ele tem um.

Ou seja, Costinha provou o veneno com o qual pintou o seu currículo: o do crime organizado, aquilo que há muito sustenta o poder azul.


Espantoso é que Costinha, um rapaz que se diz antiBenfiquista, agora que é director desportivo de um clube rival - pelo menos no papel - dos azuis, nunca mais veio a público denunciar aquilo que sabe muito bem que se passa. É inacreditável que não abra a boca depois das ameaças sofridas e da ingratidão que  sofreu. Pior, é que isso beneficiaria - pelo menos no papel - o clube que lhe paga os fatos. Afinal, o que é que o cala?
Fico na dúvida se Costinha tem medo de levar um tratamento como Adriano ou se acha que o fóculporto mais forte é benéfico aos antiBenfiquistas. Fica a questão. Mas o irrespondível é o seguinte: o que impede os lagartos que lhe pagam o ordenado de o pressionarem a isso? Não os beneficiaria?
Há muito que os verdes se dizem "diferentes". Encontram uma superioridade moral no facto de serem perdedores. Nada mais errado. É tão criminoso quem assalta o banco como quem está com o carro à espera. E os lagartos, certamente menos culpados que os azuis, há muito que se calam, há muito que estão em silêncio. E haverá inocência nesse silêncio?


Quanto a mim, Benfiquista inveterado, louco por reaver o futebol português ao único clube que a merece, não posso deixar de ficar preocupado por ver tão pequeno o número de clubes não alinhados com o clube do Martins dos Santos e de Herculano Lima.
Assusta-me ler no Expresso que PdC torça pelos verdes nas competições europeias porque "é o clube onde estão os nossos amigos". O tráfico de influências torna-se público quando o "Sr. Pinto da Costa" diz, acerca de Jorge Costa, que "era cedo" e quanto a Domingos, um escandaloso: "Entendi que não era enfraquecendo os clubes amigos que deveríamos fazer a escolha".
A nós, Benfica, espera-nos uma luta desigual. Esta gente domina tudo e todos. Temos que ser mesmo muito melhores, como o ano passado, para revalidarmos o título. Temos de o ser para acabar com as trevas que há muito se abateram no futebol português.
Voltando ao tema deste post: porque te calas, Costinha? Porque se calam, lagartos? Por serem diferentes? Por serem um exemplo?!

                                                           
Ou porque lá no fundo, ou não assim tanto no fundo, só não querem que ganhe o Benfica?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Concentra-te no Campeonato, Benfica

Não gosto de perder com os azuis. Detesto perder, fico doente, com dores de cabeça e olhar vazio e nunca vou conseguir habituar-me.
Detestei mais ainda perder porque lhe demos confiança. Ganhar a Supertaça, que historicamente é deles, era um golpe de confiança, um susto que os faria engolir em seco. Saiu tudo ao contrário e somos nós agora que olhamos para dentro.
Há que perceber, no Benfica, que o objectivo é um e só um: ganhar campeonatos, ganhar campeonatos, ganhar campeonatos. Apesar de parecer redundante, lembro que quando nós ganhamos um campeonato eles não o fazem. E quando eles não ganham perdem poder. Perdem o poder de dominar clubes mais pequenos como sempre dominaram e ainda dominam (braga, nacional, académica, sporting), perdem o poder arbitral e institucional. É importante lembrar que eles não têm a nossa força, não têm metade da nossa massa asssociativa. E quando estiverem em baixo e nós em cima, têm uma probabilidade muito mais baixa de recuperar que na situação inversa.
Daí a importância desta época, daí o clima de nervos que se montou no clube dos irmãos Calheiros (atendem no dinheiro que já se gastou por lá este ano). É que eles sabem que se o Benfica arranca para um período de hegemonia vão para o lixo 30 anos de trabalho e que o futebol português volta para casa. É essa a missão do Benfica, voltar a ter o que é seu por direito. E isso faz-se ganhando campeonatos. Fazer disso hábito. Foi o facto de isso deixar de ter sido hábito que permitiu que toda a gente tenha andado em pânico 2009/2010. O sistema abanou e nunca se falou tanto de um campeonato (2004/2005 aparte, porque jogar fora do Estoril é muito grave, ao contrário de jogar na Maia contra o Salgueiros ou em Guimarães contra o Gil Vicente). 
É importante que o erro da soberba seja já eliminado: para ganhar temos de ser muito mais fortes do que toda a gente junta. O ano passado jogámos futebol como ninguém, mas tinhamos o resto do país contra e fomos obrigados a ir até à última jornada discutir o título. É bom que todos se preparem porque o sistema, contra nós, faz sempre all - in. É bom que não seja o Benfica a deitar fichas fora e a achar que isto está ganho. Não está. Lembro-vos outra vez: o porto odeia-nos, o braga odeia-nos, a académica odeia-nos, o sporting odeia-nos, o nacional odeia-nos, o olhanense e o portimonense odeiam-nos. E todos são abastecidos (ou são mercado abastecedor, vá) do primeiro. Portanto preparem-se, deixem de ver vídeos do Marquês e cerrem os dentes. Estamos em guerra. Não mandem bocas, não festejem, não entrem em euforias. Esta merda não é para brincar.

Depois é importante evitar o erro de Koeman. Quem quiser ganhar a Champions ou tiver ilusões quanto a isso devia ser imediatamente esbofeteado. O Benfica tem que ganhar o Campeonato, isso é que é importante. A Champions serve para três coisas: valorizar jogadores, dar calo internacional ao clube e impedir que os outros possam fazer as duas primeiras  porque não estão lá.
Mas importante é o Campeonato, o Campeonato e o Campeonato.
Precisamos de um médio que substitua o Ramires e que certos jogadores fiquem em forma. Depois é entrar com força, sem medos, à Benfica. À Campeão.


Vamos a eles, Benfica!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Deco, esta é para ti

«Vou continuar portista para sempre. Foi um clube que eu aprendi a amar e onde aprendi muito. Deu-me tudo e o F.C. Porto fica comigo para sempre. Lembro-me da recepção que tive o ano passado quando fui lá jogar pelo Chelsea, com muita gente a cantar o meu nome. Foi dos momentos mais emocionantes da minha carreira», confessou ao Maisfutebol.

É o número 10...

Foste o melhor número 10 que eu vi no meu clube e mesmo dos melhores que já vi na minha vida. É impossível não ter saudades de ver a bola nos teus pés. Aquela maneirinha de a colar na chuteira, rodopiar um adversário e desmarcar um colega num ápice ou marcar.



Finta com os dois pés...

Mas confesso que era aquele teu jeito de tirar a bola aos adversários que me deixava de boca aberta. Nunca parecia que corrias muito, que te esforçavas ao máximo, que comias a relva. Estavas sempre com o teu ar calmo, pacífico, como se esperasses que a bola te caísse nos pés. Ela caía, porque tu a obrigavas. E era bom de ver.



É melhor que o Pelé...

Eu não vi o Pelé a jogar, mas um dia, daqui a muitos anos, posso dizer que te vi a ti. A dar baile na Taça Uefa e a tornares-te o melhor jogador da Europa em 2004. Obrigada pelas alegrias que me deste, por o benfica não te querer, por cresceres "à Porto", por vestires a camisola do meu país.



É o Deco, allez, allez

Sabes, eu gosto mesmo muito do meu clube, mas no fundo sempre senti que era uma espécie de erro tu estares ali. Eras grande demais para o nosso campeonatozinho horrível e foste vítima de muitos Vítores Pereiras. Merecias o mundo e tiveste-o, em Barcelona e um bocadinho depois em Londres. E nós ficámos sempre à tua espera.

Porque para ti, Deco, este estádio estará sempre de pé.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Hoje há frango à Jesus

Estava apreensiva. Estávamos todos, suponho. Há um Porto novo este ano, não tanto nos jogadores (notem que na equipa titular «só» faltam Bruno Alves e Raul Meireles), mas no espírito. Sabia que era preciso tempo para ver as melhoras entre o experiente Jesualdo e o novato Villas Boas.

E a primeira melhora foi notória logo na semana que antecedeu o importantíssimo embate com o benfica. E digo importantíssimo não só pelo troféu em disputa, mas acima de tudo pela atitude generalizada para com este jogo, no qual era esperado que um Porto frágil e à procura do seu norte fosse goleado por um benfica goleador, sempre em grande e praticamente quase campeão europeu. Villas Boas teve a sua primeira vitória nas palavras de antecipação ao jogo. Foi calmo, sincero e motivador. Também estava apreensivo, aposto, mas ganhou ao outro.

«Dificilmente alguém nos segura», dizia ele. As vitórias e os golos na pré-época sucediam-se, os reforços milionários também e a confiança parecia inabalável na luz. Só que, com esta pequena frase, Jesus não foi capaz de perceber que estava a retirar a pressão positiva aos jogadores, aquela que os faz correr mais, que lhes dá vontade de começar a época a ganhar ao maior (e agora praticamente único) rival. Perdeu nas palavras, a meu ver.

Depois, perdeu na preparação. O benfica jogou três vezes em poucos dias, o que me pareceu logo um esticar da corda. E veio a confirmar-se, durante o jogo, que foi uma má decisão. Os vermelhos estavam mais cansados, muito menos rápidos do que o costume.

Além disso, perdeu nas apostas. O regresso ao 4x4x2 quando a pré-época foi passada a jogar em 4x3x3 deve ter deixado os jogadores à nora. Pelo menos a mim deixou. E já nem vou falar da teimosia em meter o Roberto, que já não é simplesmente um frangueiro, é mesmo a causa da grande instabilidade que é neste momento a defesa do benfica.

Perdeu ainda na leitura do jogo. Não se percebe como é que depois do baile que foi a primeira parte a primeira substituição só é feita aos 60 minutos e como é que depois de levar o segundo demora mais dez minutos a mudar novamente. Na minha terra, isto é ser muito mau treinador. E pareceu-me que foi ele o principal culpado desta derrota. Mas não vou perder mais tempo a apontar os erros que muitos jornalistas se «esqueceram» de apontar.

Prefiro lembrar que o «pode-ser-o-João» perdoou várias expulsões aos lampiões. Não teve influência directa no resultado, é certo, porque o Porto arrasou tanto que não foi possível. Mas tentou.



E, voltando a André Villas Boas, houve outra pequena vitória no último sábado. Fazendo as contas, afinal o «novato» só tinha menos um jogo do que José Mourinho quando chegou ao Porto. O que destrói completamente os argumentos que este tinha apresentado na entrevista que aqui critiquei. E agora AVB até já pode dizer que Mourinho não ganhou um troféu no primeiro jogo pelo Porto, nem no segundo, nem no terceiro…

Por falar em estatísticas, gostei de saber que o Porto já ganhou mais vezes ao benfica do que ao contrário. São 82 vitórias contra 81 no confronto directo, o que deve saber muito bem aos velhos do Restelo que adoram a história do futebol.

Agora não é tempo de euforias. O Porto ganhou muito bem, mas a naval é já no sábado e aí é que interessa mesmo ganhar. Não me importo de continuar a ser apenas a segunda candidata ao título, atrás do benfica, desde que o Porto continue a jogar e a ganhar assim.

Não posso terminar este texto sem desabafar que deve ser muito difícil ser do sportem. Varela foi o melhor em campo, mas João Moutinho também não lhe ficou atrás (o rapaz ainda olhou para a bancada à minha procura, com medo, mas eu já lhe expliquei que agora somos amigos).

Uma última palavra para os adeptos do benfica de Lisboa, que são uma ver-go-nha. Num sábado à noite, a 230 quilómetros da capital, ficaram em casa. Na final da Taça da Liga eram milhares, No Names, Diabos, foram todos. Mas agora era «no Norte» (para eles tudo o que é acima de Lisboa é Norte, mesmo que Aveiro seja no Centro) e viu-se muito menos «claqueiros» e, os que se viam, eram do Norte inteiro. Já os adeptos portistas foram aos milhares à final da Taça da Liga, num domingo à noite, num estádio a 600 quilómetros da nossa capital. Somos muito diferentes. O benfica é muito grande, tem adeptos em todo o lado, blá, blá, blá. Mas vocês não deixam de ser uma vergonha.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

No futebol já nada me surpreende

A frase é de José Mourinho, que, numa entrevista ao jornal Record, responde desta forma à pergunta "Que comentário lhe merece o facto de o seu antigo adjunto ser o novo treinador do FCPorto?"

A pergunta parece-me tão simples que Mourinho podia ter simplesmente dito que lhe desejava boa sorte ou que não queria falar sobre isso. Não houve nada de manhoso ou atrevido na questão. Era fácil fugir-lhe.

Mas Mourinho não é assim. Ele precisa de uma boa polémica, de mandar as suas bocas, de encher os jornais com os seus chavões (por falar nisso, duas ou três entrevistas exclusivas do treinador por semana já me enchem um bocado).

Por isso, respondeu à Mourinho. Mandou a boca de que no futebol já nada o surpreende e deixou a pergunta carregada de maldade: "Se o FCPorto achou que ele era o treinador indicado, porque não há de ser?"

E depois dá-se ao luxo de exigir que não o comparem mais a Villas Boas (recordo: a pergunta não falava disso, não o sugeria sequer), porque quando Mourinho chegou ao Porto "já tinha trabalho de campo feito". E por "trabalho de campo feito" entenda-se ser adjunto e ser treinador principal uns meses no benfica e outros no leiria.

Ou seja, pelo caminho, Mourinho esqueceu-se que não era ninguém quando chegou ao Porto, que ninguém o conhecia no estrangeiro (e para quê ir tão longe, ninguém o conhecia mesmo em Portugal) e que ninguém dava nada por ele.

Mais importante: esqueceu-se que foi o Porto que apostou nele, que precisou do Porto para ganhar o que ganhou. "E ainda assim puseram-me muitos pontos de interrogação", diz ele. Pois, nós, adeptos portistas, somos mesmo muito exigentes para questionar um treinador como ele, que quando chegou ao Porto era apenas e só o gajo que o benfica descartou para contratar o Toni (!).

Mas numa coisa ele tem razão: o que vai determinar se Villas Boas foi ou não uma boa opção são os resultados. E quanto a esses nada posso dizer, porque não tenho o dom de adivinhar o futuro. Só posso mesmo concluir que no futebol já nada me surpreende. Hoje são jogadores a dizer que amam o clube e a irem para outro no dia seguinte. Amanhã são treinadores a esquecerem-se de que um dia também foi preciso que alguém acreditasse neles.