domingo, 31 de outubro de 2010

Serenata à chuva (ou qualquer outro título rasca)

Parece-me unânime que o académica-Porto não se devia ter realizado. Quem pagou bilhete merecia muito mais do que 22 jogadores a chutar a bola para a frente num lamaçal. No entanto, como irmã de um jogador da 2ª Divisão Distrital do Porto, cujos relvados, mesmo secos, se assemelham a qualquer coisa como uma pedreira, parece-me demasiado snobe achar que o futebol não merece ser jogado à chuva.

E até houve coisas bonitas de se ver. Maicon, por exemplo, pareceu-me talhado para a bela arte do pontapé para a frente. Varela conseguiu marcar um golaço. Belluschi passou duas vezes a bola por cima de um rapaz que me pareceu muito chateado com o facto. E Moutinho não consegue livrar-se do bruxedo lagarto de acertar na barra (guarda-te para alvalade, rapaz).

Também houve coisas menos bonitas. O Orlando, por exemplo, - jogador que eu muito prezava por me ter dado uns belos pontos no egolo – podia ter visto as imagens do penalty que tanto pediu para perceber que não existiu. E o Jorge Costa, antes de se queixar do último lance da partida, podia ter visto que no livre que o origina é o jogador da académica que dá uma cotovelada na zona de fazer filhos do Guarin.

Feitas as contas, foi uma vitória importantíssima. E sim, houve estrelinha nestes 3 pontos, porque se aquele livre entra eu só estaria aqui a enumerar as razões pelas quais o jogo devia ter sido adiado. Ainda assim, não percebo os senhores jornalistas que viram a académica dominar na primeira parte. Fora o tal livre, não me lembro de nenhum lance de perigo dos estudantes, mas lembro-me do Falcao falhar um golo sozinho e do Hulk fazer mais um remate perigoso.

A diferença do Porto do ano passado para este Porto é enorme. Joga-se melhor, sim, tem-se mais vontade, sim, mas sobretudo noto que esta estrelinha está a brilhar intensamente. E nós, doentes, sabemos como isto conta. O ano passado foi esta estrelinha que marcou ao braga na luz, lembram-se? Também foi esta estrelinha que deixou o Jorginho marcar em alvalade. Também foi ela que empurrou a bola do Derlei para o fundo da baliza em Sevilha. Portanto, querida estrelinha, contamos contigo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Quo Vadis, Benfica?

Era óbvio que íamos ganhar em Portimão: estou no estrangeiro e isso nunca falha. Mas até ao longe se vê quão mal jogamos. O Benfica arrasta-se em campo, sem alegria, sem paixão, cumprindo os mínimos que, unidos ao Campeonato de 2009/2010, previnem que a equipa saia de campo debaixo de assobios.
Continuamos - e continuaremos - a pagar o facto de não se terem comprado jogadores (bons, maus, assim-assim) para as posições dos que sairam.
O treinador mantém o discurso do ano passado quando a equipa está a milhas do que brilhou. Um dia (com os azuis?) a casa virá finalmente abaixo e um reality check chegará à Luz.
Ganhámos 4 últimos jogos no campeonato e, tirando contra o Braga (que não vi, mas pelo que li), parece que só batemos equipas com projecção ofensiva nula, incapazes de nos fazer sofrer em contra - ataque. No dragão, face à velocidade do contra golpe azul, vamos manter os três (sim, três!) números 10 à frente de Javi Garcia? Enfim.




De resto, nada de novo no futebol português: pelo que leio, a União de Leiria foi ao dragão sem Silas, Hugo Gomes e Vinicius (habituais titulares) por...opção técnica. E Carlão começou no banco. Ainda assim, parece que jogaram "sem medo".

Mas, mais vergonhoso ainda, sobretudo para um clube com a história democrática e - porque não dizê-lo? - anti-fascista como o Sport Lisboa e Benfica, é a notícia que vamos a Luanda servir de compinchas a uma ditadura. Um nojo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Vítor Baía, um de nós

Nas paragens do campeonato surgem sempre fenómenos difíceis de controlar.

Há presidentes que, com os adeptos proibidos de irem aos jogos fora, mandam vir todos os bilhetes disponíveis para um jogo daqui a 15 dias e depois equacionam mesmo deixar as cadeiras vazias como forma de protesto pela falta de verdade desportiva.

Há treinadores que acham "normal" entrar num jogo em Lyon para a Champions como se fosse o Arouca em casa e que depois se queixam de não terem estado "em igualdade numérica com igual número de jogadores".

Há equipas que jogam com nove, espetam três num dos estádios mais temíveis da Europa e têm jogadores aplaudidos pelos adeptos adversários. Jogadores esses que, como se sabe, não teriam feito diferença nenhuma o ano passado.

Há ainda senhoras que uma célebre equipa especial do Ministério Público consideraram credíveis o suficiente para reabrirem processos que acabam condenadas a 300 horas de trabalho comunitário, como se não tivessem passado a vida toda a fazer isso mesmo.

E depois há umas declarações super polémicas que motivam que qualquer um mande o seu "bitaite" sobre o assunto.

Vítor Baía disse que no benfica ou no sporting teria tido outra projecção. Um escândalo! Uma grande revelação! Como se fosse uma grande surpresa imaginar que se o jogador com mais títulos de sempre tivesse sido de outro clube que não o Porto ainda hoje seria levado em braços por este país de feias invejites.

Abram alas à imaginação: Baía é um miúdo nas balizas encarnadas, ganha, ganha, ganha, vai para fora e ganha, regressa e ganha, é considerado o melhor guarda-redes da Europa e, como está nesse clube, vai à selecção e não sofre aquele frango monumental na final do Euro2004... Hoje já teria tido mil jogos de homenagem, teria duas ou três estátuas na Segunda Circular, estava constantemente nas capas dos jornais, era comentador em dois ou três canais... Enfim, um imenso mar de carreiras.

Mas não, Baía é portista. E por isso mesmo veio logo no dia seguinte jurar amor eterno ao nosso clube. Porque, de um lado, muitos adeptos do meu clube não usaram os neurónios para interpretar as suas palavras. E porque, do outro, muitos adeptos de outros clubes começaram a idolatrá-lo. Sem sequer pararem para imaginar como seria o futuro com Fernando Gomes (apoiado por LFV e Bettencourt) na Liga e Vitor Baía (apoiado pelos que lhe dariam outra projecção mediática) na Federação.

Quanto a mim, continuo a ver em Baía um ídolo máximo. Continuo a recordar todos os magníficos momentos em que tive o prazer de o ter na minha baliza. Continuo a vê-lo de azul dos pés à cabeça.

Quer queiram, quer não, é um de nós.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Duo D'Ataque e ameaças forever

Felizmente, tenho andado tão ocupada com bons trabalhos que não tenho tido tempo para estar atenta ao nosso querido futebol nacional. Da passada semana, só consegui reter três coisas:

1- o Rui Moreira saiu do Trio D'Ataque.
2- o presidente do benfica está louco.
3- a selecção ganhou.

Quanto à primeira, já vi o momento no YouTube (eu não assisto a programas com estes comentadores fracos, que admitem não ver os jogos mas os comentam na mesma porque o senhor presidente mandou...) e não consigo perceber a irritação de Rui Moreira. Por um lado, até parece que é novidade o serviço público de televisão permitir a divulgação de escutas e o gozo de pessoas absolvidas pelos tribunais (recordar o programa do Gato Fedorento dedicado a Pinto da Costa). E, por outro, acho mal tratarem assim pessoas que estão visivelmente avariadas. António Pedro Vasconcelos devia ter um "desconto de senil" para falar. Ainda há alguém que ouça o homem ou fazemos mesmo todos de conta?

Em relação à segunda, parece que o presidente do slb passou a semana a falar do jogo com o Porto. Alguém que o avise que antes o clube dele ainda vai a Portimão e recebe o paços, por favor, e que ainda corre o risco de chegar ao Dragão não com a camioneta partida, mas com dois números de diferença para o primeiro.
Pelos vistos, a ameaça é esta: se alguém fizer qualquer coisa à camioneta do benfica, algo de mal lhes vai acontecer e os lampiões podem mesmo não aparecer no jogo. Portanto, trocando por miúdos: peguem lá numa pedra e atirem àqueles gajos porque assim eles perdem o jogo automaticamente por falta de comparência. É uma ameaça inteligente, sem dúvida.

E, por último, admito que nem vi o jogo de Portugal. Eu agora só sou fã das conferências de imprensa do Paulo Bento, mais nada. FOREVER!!!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A cortina de fumo

Assistimos, na 2ª feira, a mais um espectáculo made in Torre das Antas. O clube culpado de tentativa de corrupção - e isto foi o estado de Direito - a nova religião portista - que decidiu - queixa-se das arbitragens. Repito: um clube que é culpado - há provas e veredicto - de tentativa de corrupção, queixa-se dos árbitros. É bonito. E foi também de uma ironia quase enternecedora.
O fóculporto, vá-se lá saber porquê, com tanta vantagem, está nervoso. Só isso explica a histeria e o ridículo a que se deram na 2ª feira.
Assim, André Villas Boas, numa excitação de miúdo, veio refilar para a televisão sobre uma arbitragem que o beneficiou num penalty claro e que o roubou num fora de jogo (Falcao até falha o remate, fica ao critério de cada um se remata com convicção ou não). E disse coisas bonitas: a primeira que era a segunda arbitragem escandalosa em Guimarães. Ou seja, o treinador do fóculporto admite que só tem a vantagem que tem porque o Benfica foi ESCANDALOSAMENTE roubado por Benquerença. Se calhar é por isso que está nervoso, sabe-se lá.


A segunda é que quando Villas pediu o famoso penalty do minuto 77 (que vai ficar para o futebol português como dos maiores fantasmas de sempre), diz que foram os seus jogadores que lhe disseram. Ora, quem é que está no lance? Quem é o jogador do fóculporto que está no lance e atira a bola contra a mão de Alex na fantasiosa versão andrade? Tchan, tchan, tchan, tchan... Ruben Micael! Ah, o Ruben! O Ruben é um rapaz que sofre de delírios, de confabulações várias. Ruben Micael foi testemunha a favor de Hulk no caso do túnel da Luz quando era jogador do Nacional. É, portanto, um rapaz com uma imaginação muito forte, com rapaz que vê onde não está, que vê aquilo que a TV mostra ser falso. Ruben Micael, vejam lá, é um rapaz tão de bem, que acusou Jorge Jesus e Rui Costa de dizerem palavrões (omessa!) no intervalo do Benfica - Nacional da época passada. Logo ele, que está num clube onde o presidente acha que "filho da puta" é a coisa mais normal no mundo do futebol. E o pobre do Villas caiu na armadilha. Podia ter acreditado no Helton, no Falcao. E não, foi no tipo com problemas psiquiátricos. Coitado, ainda deve estar à espera do jogo do seu clube em solidariedade com a Madeira, está a ficar afectado.


Mas o clube do juíz Mortágua até tem um comentador que é tão límpido, tão correcto, que se levanta e se vai embora quando outrém fala de escutas que, para ele, não devem ser divulgadas. O homem leva mesmo aquilo a peito, até ao fim. Até se levanta impressionado por não aguentar o choque. Achará Rui Moreira que o fóculporto passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior?


Inacreditável. Vão em primeiro, tudo corre bem, têm juízes na mão, levaram árbitros ao Brasil, mas persistem no discurso dos coitadinhos que são perseguidos. A cortina de fumo é espessa, mas o ridículo transparece para lá disso.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Mea culpa: o árbitro não errou. Foi só o fiscal-de-linha

André Villas-Boas já é o homem mais odiado de Portugal. O homem – aliás, o jovem – teve o descaramento de ganhar os jogos todos pelo Porto e de, quando empatou o primeiro, vir reclamar com um árbitro que, como se sabe, não tem clube acima de Santarém.

Obviamente que estava errado, eu percebi-o logo porque nem eu tinha pedido aquele penalty (e quando nem eu o vejo...). Mas só estava errado no conteúdo. Há um fora-de-jogo escandalosamente mal tirado ao Falcao, que seguia isolado para a baliza, e, apesar das imagens prontamente divulgadas do não penalty do Alex, alguém se esqueceu de mostrar a imagem do passe para o golo do guimarães (é que o mocinho pode vir lá do Egipto onde se corre muito, mas pelo menos na dúvida do fora-de-jogo ficámos...).

O M. está sempre a gozar-me porque eu sei nomes de fiscais-de-linha, bandeirinhas, vulgos liners. Como se fosse possível a algum portista não saber quem é o Bertino Miranda. Alberto Braga, por exemplo, é outro nome a reter. E ainda tenho de ir ver quem foi aquele génio que tirou um fora-de-jogo ao braga que deixava o Alan sozinho para o Roberto...

Mas, deixando de parte o conteúdo (porque o Porto podia e devia ter ganho aquele jogo mesmo contra eles todos), vamos à forma. A estratégia de Villas-Boas resultou na perfeição: durante a semana ninguém perguntou porque não foi o Porto atrás do segundo golo para segurar o resultado, ninguém questionou se as substituições foram bem feitas. Só se falou no imbecil do treinador do Porto que foi expulso sem ter razão.

Se resulta ou não resulta? Não sei, vamos ver. Eu, sinceramente, adoro ver os blogs, os facebooks, os twitters dos outros por estes dias. Villas-Boas está em todos, com um alvo bem apontado. É bom sinal, é porque está a fazer bem o trabalho dele. Eu, por exemplo, nem penso no Jesus (-7) ou no Paulo Sérgio (-1000). Com muita pena minha.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Só faltam ___ jogos para o Porto perder

Triste nação esta que numa só hora recebeu três notícias dramáticas: os impostos vão subir, os salários vão descer e o benfica perdeu. Estamos num beco sem saída: devemos dinheiro, mas não o temos, nem podemos pedi-lo emprestado, porque depois não vamos poder pagá-lo. E o Cardozo lesionou-se. É demasiado, não aguentamos mais.



A única vã esperança num futuro com comida na mesa e um sorriso na cara é a de que o Porto um dia vai perder. Seja no campeonato, na Taça, na Taça da Liga ou na Liga Europa, o Porto há de perder. É impossível ganhar os jogos todos para sempre. Tão certo como o sistema em que vivemos nunca passar a funcionar para nós, pobres ou classe média.

Por isso, enquanto o IVA vai para os 23%, os salários são cortados em média 5%, o nosso poder de compra desce ainda mais, o Sócrates e o Passos Coelho lutam pelo tacho e o benfica e o sportem metem dó... oremos já pelo guimarães, portugueses.