domingo, 28 de novembro de 2010

Caça ao Porto

A expressão de André Villas-Boas peca por defeito. Ontem não houve uma caça ao homem a Moutinho. A época é de caça, sim, mas é ao Porto. Vale tudo para tentar que chegue finalmente a tão desejada primeira derrota.

Vale, por exemplo, modificar o significado das palavras que constam no dicionário.

Daniel Carriço: "Mostrámos que o FCP não é imbatível".

imbatível = que não se consegue bater ou derrotar.


Vale também acreditar que o resultado foi outro.



Vale esperar que uma vitória ao Porto possa valer 13 pontos.

Flash interview da Sporttv: “Com este resultado, o sportem está relançado na luta pelo título?”

Valem golos em fora-de-jogo.

Paulo Sérgio: “O Jorge Sousa não merece que lhe faça qualquer reparo”

Vale tudo mesmo.



É verdade que o sportem entrou bem no jogo (após o Falcao ter falhado um golo isolado) e que dominou a primeira parte, com a ajuda da célebre táctica leonina de parar a bola e esperar pela corrente de ar para cair e umas pitadas de táctica boavisteira de usar a “agressividade” para dar umas belas porradas.

Na segunda parte, o Porto entrou por cima e ia lançado para mais uma vitória quando Liedson fez aquilo que mais sabe fazer: esperar, esperar, esperar pelo contacto e arrancar uma expulsão. A partir daí, e mesmo com mais um, não vi nenhuma equipa a dominar a outra. Parece que toda a gente estava satisfeita com o empate.

O que é engraçado nisto tudo é que eu ainda sou uma nostálgica, agarrada a um passado já distante, em que o sportem era um dos grandes. Era suposto, portanto, eu sair contente de alvalade, porque empatei com um concorrente directo em casa dele e porque continuo a 13 (treze!!!) pontos de distância dele. Mas não, saí chateada porque eles não valem nada e se não fosse o árbitro a história tinha sido outra.

Já eles saíram sob os aplausos do público, falaram aos jornalistas com sorrisos e afirmaram categoricamente que provaram como a equipa está bem. Estão cada vez mais parecidos com aquelas equipas de meio da tabela de quem se fala duas ou três vezes por época, quando conseguem arrancar um empate a um grande e ficam todos contentes.

Quanto ao árbitro, não tenho mais a dizer, a não ser que me irrita que ande toda a gente preocupada com Porto e benfica quando estes gajos são claramente os mais beneficiados esta época.



Portistas, continuem atentos porque a caça ao Porto é para continuar. Vai ser assim semana após semana, tentando que pelo menos um deles se aproxime de nós. Nada está ganho.

Últimas palavras para João Moutinho, que ontem provou ser muito superior àquele clube. Fartou-se de levar porrada, fez ouvidos moucos aos histéricos lagartos que mais uma vez formaram um jogador que tanto jeito nos dá e foi decisivo na jogada do golo. Nem quero imaginar como deve estar feliz por finalmente estar num clube que lidera a tabela, que tem a melhor equipa de longe, que joga sem precisar do árbitro. Rapaz, como diz a canção, este ano é para ganhar. Ser campeão. Ser campeão.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O charlatão

Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis d'ouro a um tostão
enriquece o charlatão



No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro f'rido

e outro em França (em Inglaterra, no caso) anda perdido



É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga




No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome


É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-s'em quatro zonas
instalados em poltronas



Pr'á rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca d'alguns patacos



É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Entre a rua e o país
vai o passo dum anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão


"Desculpem cantar coisas tão pouco actuais" - José Mário Branco, 24/11/2010, no concerto da Greve Geral após cantar sobre outros charlatães.

Operação Coração: vamos ajudar o benfica

Quarta-feira, dia de greve geral, a primeira da minha curta vida de trabalhadora. Fiquei em casa porque trabalho muito e ganho pouco, porque para o ano vou pagar mais luz, água, telefones, comida, roupa e todos esses meus "luxos" e porque este país está, a bem dizer, uma valente merda. Perdi um dia de salário e nada vai mudar, mas pelo menos dormi bem.

Ou teria dormido, se neste dia não tivesse acontecido o pior cenário possível para Portugal. Não, não chegou o FMI. Ainda não, os salários não foram cortados novamente. O benfica é que não ganhou a Champions.

Alguns dir-me-ão que a Liga dos Campeões não é bem a Euroligue, que poucos a conseguem ganhar, que o Platini fez isto de forma a que só os grandes da Europa a alcancem. Verdade. Mas Jorge Jesus tinha prometido vencer a prova e eu, ao contrário de muitos ingratos, não duvido do homem.

Estava plenamente convencida que o benfica ia levantar aquela Taça em Maio. Mesmo quando levaram baile de uma equipa alemã e outra francesa que estavam em decadência. Eu acreditei! Mesmo quando levaram 5 dos maus lá de cima. Eu acreditei que nos podíamos concentrar em trazer a Champions para Portugal!

Mas, pelos vistos, os judeus voltaram a lixar o Jesus. Portanto, o futuro adivinha-se negro. No futebol, só podemos falar do Barça-real da próxima jornada, porque somos todos pelo Mourinho, pelo Rónáldo e pelo Di Magia (o Ricardo Carvalho e o Pepe são feios). E venha de lá esse fundo europeu, esse FMI, qualquer coisa que nos ajude a levantar o benfica, porque este país assim não vai para a frente.

P.S. Sábado, em alvalade, serei aquela que vai estar sempre a cantar pelo Moutinho. Como sempre, aliás, mas agora a música é outra.

domingo, 14 de novembro de 2010

Do Porto desde pequenino

Curiosamente, uns dias antes do benfica ter sido humilhado no Dragão, o seu presidente completou sete anos no cargo. E acho indecente ninguém celebrar a data. Por isso, serei eu a fazê-lo.

LFV não teve uma tarefa fácil em assumir-se no benfica, já que teve de suceder a um burlão e a um bêbado. Mas apresentou-se como uma grande promessa, o chamado Kadafi dos Pneus. Logo se viu que estávamos a falar de gente séria.

Antes, já tinha deixado o mundo de boca aberta com a transferência mais marcante de sempre. “A transferência de Mantorras é superior à do Figo. Mantorras vale 18 milhões de contos”, disse ele. E ninguém teve dúvidas disso. Aliás, só com um presidente tão bom como este é que foi possível segurar o avançado mais caro do mundo até Cristiano Ronaldo.

LFV criou uma ideia onírica, quase de D. Sebastião, com a mítica frase “estamos a entrar num novo ciclo”. Mesmo antes de ser presidente, por exemplo, já dizia que o benfica tinha “a coluna vertebral do futuro campeão europeu”. Falava do Maniche, que realmente veio a ser campeão europeu dois anos depois. Mas lá que tinha razão, tinha.

A época em que assumiu o cargo, aliás, foi das mais produtivas de sempre no que a grandes hits de LFV diz respeito. “Vamos chegar ao título de certeza”, dizia em Dezembro. “O benfica será mais forte que o real madrid”, completava em Abril de 2003, uns dias antes do Porto vencer a Taça Uefa (e se tornar campeão, que azar!).

E se há coisa que LFV conseguiu foi tornar o benfica no maior clube do mundo. De seis milhões de adeptos, passaram para mais do dobro. “Podemos corresponder às expectativas dessa massa enorme de 14 milhões de benfiquistas”, calculou em 2005. Hoje, serão cerca de 30 milhões, mais coisa, menos coisa.

A meta de sócios prova isso mesmo. Em 2004, LFV dizia que só saía do benfica quando atingisse o número de meio milhão de sócios. Felizmente, estão muito longe disso, o que nos assegura algumas décadas de LFV. Pelo meio, ficou isto: “Se o benfica não tiver 300 mil sócios até Outubro, demito-me” (em Junho de 2005). Também felizmente, quando LFV faz uma promessa, já se sabe que não é bem para cumprir.

Em 2006, com o benfica campeão após uma época em que o Apito Dourado conseguiu acabar com todas as dúvidas do futebol português e em que o EstorilGate não foi apelativo o suficiente para ser investigado da mesma forma, LFV começou verdadeiramente a pensar em grande. “Em 2011, o benfica será um colosso europeu”. E ainda tem um mês e meio para o conseguir!

O Porto voltou a ganhar, mas LFV nunca foi homem de desistir. Mais tarde, dizia: “Temos o melhor plantel dos últimos 10 anos”. Com muita pena minha, isso significou ficar a 17 pontos do FCP, a quem foram retirados seis pontos para resolver todos os problemas do futebol português.

Enfim, há momentos que só LFV foi capaz de nos proporcionar. Como quando o benfica foi campeão naquela modalidade que arrasta multidões.



Quem não recordará para sempre os discursos sempre lidos com hesitação, longas pausas para relembrar o abecedário baixinho, e as entrevistas com tiradas certeiras como a avaliação de Hulk? “Jogou contra o benfica e não ganhou. Jogou contra arsenal e foi goleado. É o jogador do campeonato que perde mais bolas”, disse em entrevista a Miguel Sousa Tavares, confessando mesmo que não gosta da “maneira” como o avançado brasileiro joga. No domingo, deve ter ficado surpreendido com aquele número 12 do Porto que joga como o caraças!

Um dos aspectos da carreira de LFV que não posso esquecer é a sua ligação ao meu clube, do qual foi sócio durante 24 anos. Durante os sete anos da sua presidência, o Porto foi campeão cinco vezes, o que é de assinalar. A manter esta média, pode mesmo superar Pinto da Costa.

E por falar nele, é impossível dissociar LFV do presidente do seu clube do coração. Na arte da imitação, LFV não tem muito jeito, mas a intenção para mim já conta. Tenta falar como ele, fazer as coisas como ele, negociar como ele. Mas tem mais azar e normalmente acaba a dizer que não conhece jogadores como o Hulk, a contratar grandes bluffs (ficou-nos com o Moretto, o malandro!) e a vender jogadores abaixo da cláusula de rescisão.

Parece-me evidente que LFV sonhava ser Pinto da Costa. Pelo menos foi ficando com os restos. “Contratou” a Filomena quando o Pinto a despachou, esqueceu as belas figuras da outra na luz com o cartaz para o “orelhas” e “contratou” a amiga Pinhão para lhe escrever um livro, “contratou” ainda o amigo Veiga, porque faltava um bocadinho mais de trafulhice no clube... E acabou por contratar o amigo do Pinto, Jorge Jesus, a quem agora atribui disfarçadamente todas as culpas da humilhação da semana passada.

As capas da Bola têm sido evidentes: LFV não os tem no sítio e, por isso, optou por colocar o alvo no treinador. E é aqui que tenho de colocar de parte toda a ironia e o sarcasmo e admitir que a táctica está a correr na perfeição. Os adeptos já criticam Jesus, que o ano passado estava anos-luz à frente de Mourinho, há uma certa claque a ir aos treinos pressioná-lo, e basta falhar um objectivo para sair pela porta pequena. O herói será, certamente, o presidente que mais uma vez afasta um cancro do benfica.

Praticamente nenhum lampião anda preocupado com as ligações do presidente do benfica a Madrid e a Angola. Os interesses da sua imobiliária ou o financiamento do ditador José Eduardo dos Santos não são nada comparados com os inúmeros títulos que LFV conquistou para o benfica. Há, aliás, um certo orgulho em ter como presidente um gajo que conseguiu burlar o BPN.

Foi por isso que hoje não fiquei surpreendida quando, uma semana depois do Dragão, ouvi o speaker da luz a fazer a contagem: “benficaaaaaaaaa... QUATRO!!!, navaaaaaal... ZERO!!!”. Como tudo o que tenta pôr em prática, LFV aprendeu isto no FCP.

E eu gostei. Porque apesar de ter falhado mais uma vez (nós não gritámos "benfica... ZERO", dissemos apenas "visitantes... ZERO!!!" - aprende, homem!), lá vi os parolos todos aos saltos, super contentes, como se com mais um golo o benfica tivesse conseguido limpar o goal average. Estão satisfeitos com o seu presidente. E eu também.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lá em casa estamos em paz

Eu e o M. temos um problema: gostamos tanto um do outro que quando os nossos clubes se defrontam o vencedor nunca fica tão contente como devia, só de ver a cara do outro. Ou melhor, até fica, mas não o pode demonstrar.

Lá em casa não há aquele “TOMAAAAAAAAAAAAAAA!” que tanto prazer me deu gritar no domingo no Dragão, com algumas palavras menos bonitas pelo meio. Não há gestos feios, palavras ofensivas ou provocações, como ambos já fomos apanhados a fazer na televisão. No fundo, lá em casa, somos uns meninos.

A única diferença entre nós e aqueles casais que vão para os estádios de mãos dadas, caras pintadas, cachecóis diferentes, dar beijinhos para serem fotografados é que somos ambos doentes. Nunca nos passou pela cabeça ir ver este Porto-benfica juntos. Nem este, nem nenhum.

Para nós, um Porto-benfica é sempre uma guerra. Esteja a classificação como estiver, incentivem à violência que incentivarem, mandem as bolas de golfe que mandarem. É guerra.

Tentamos não falar disso durante a semana e não comentamos as opções dos treinadores. Como se estivéssemos a revelar um segredo ao inimigo.

Durante o jogo só o perdedor tem direito a mandar mensagens a insultar a sua equipa. O vencedor tem de fazer de conta que não fica feliz por isso.

Quando nos vemos depois do jogo pode falar-se de: meteorologia, geopolítica internacional, literatura chinesa e cinema norueguês. Somos pessoas cultas.

Nos dias seguintes há alguns desabafos entre os dois, mas preferimos de longe os telefonemas para casa, para aqueles que nos percebem. A minha família, por exemplo, tem passado a semana a telefonar-me para perguntar como está o M. Preocupam-se com ele, porque sabem que se fosse ao contrário eu estaria de rastos. E é precisamente isso que faz com que eu consiga gozar toda a gente no trabalho, na rua, na net, mas que me controle mal entro lá em casa. É que nós somos de clubes muito diferentes, mas somos totalmente iguais nas vitórias e nas derrotas.

Por isso, M., desculpa-me andar tão feliz. Não tenho culpa de ser do melhor clube do mundo. Obrigada por o ano passado teres sido tão compreensivo quando foste campeão. Eu estou muito mais habituada a isso, mas saíste-te bem. Quando voltares a casa, juro que não vais ter um poster gigante do Hulk à porta.

Este post era suposto ser para aquelas pessoas que nos acham malucos. Mas acho que não ajudei a melhorar a nossa imagem.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Gostava muito que isto não me afectasse, mas afecta.

Para o meu Pai, para o Fernando e para o David, que são do Benfica como eu, que sofreram domingo o que eu sofri.

Dizem-me que é só um jogo, que aquilo não conta para nada. Há quem me tenha dado batidas condescendentes nas costas, houve os risos dos que não percebem nada do jogo e até os cumprimentos honestamente pesarosos de quem, mesmo estando do outro lado, sabe o que isto custa.
Vieira e seus pares terão, porventura, tido uma segunda feira mais sossegada nas suas mansões. Fizeram as suas malas para Angola onde farão discursos vazios e onde aproveitarão o nome Benfica para ganhar mais algum para os seus negócios. As suas contas bancárias continuaram, decerto, com mais dígitos que o meu NIB, e se calhar enfrentaram a 2ª feira sem mais nenhum problema. As parangonas dos desportivos já pouco devem dizer a esta gente e acho que, quando a direcção reunir, cheia de CEOs e de gente muito importante, a única referência ao jogo de domingo será numa base de cálculo para as vendas de camisolas e coisas assim. Duvido que alguma dessas pessoas frequente sequer um café ou, mesmo que o faça, que a fama de Benfiquista seja tal que seja gozada.
Eu sou aquele Benfiquista que toda a gente conhece no local de trabalho. Eu sou aquela pessoa de quem toda a gente que me conhece se lembra quando vê qualquer notícia sobre o Benfica na televisão. Eu amo o Benfica mais do que muitas coisas que as pessoas normais gostam na sua vida e não ponho a hipótese de ser quem sou, como ser humano, se fosse de outro clube. Era outro que não eu. Eu sou do Benfica até à morte, o Benfica faz parte de mim e tenho mais orgulho nisso do que na minha profissão ou do que 99% das conquistas da minha vida.
No domingo adormeci mal, dormi pouco e acordei a meio da noite sem conseguir adormecer. Entrei no trabalho e perguntaram-me se tinha morrido alguém. Passei o dia ao telefone com as poucas pessoas que conheço que são tão doentes como eu e que compreendem a dor que aquilo é. Não é o gozo, não são as piadas dos outros. Quando o Benfica perde - e sobretudo quando perde assim - podiam-me bater 4 horas sem parar que não ia doer mais. Se o Benfica tivesse perdido no domingo e só eu tivesse sabido, eu ficava fodido - sim, fodido, não é lixado, nem zangado, nem triste, nem o caralho, era mesmo fodido - como fiquei.
Portanto, o que me dói é ver o Benfica gerido por uma estrutura não só ditatorial, com um tipo que rouba e rouba bem, com um tipo que controla um jornal como "A Bola" com um rigor que até fere a vista - e quem viu a capa do mesmo ontem e hoje percebe como Vieira já lavou as mãos e já tem um alvo que leve com o descontentamento do adeptos - mas também por uma cambada de incompetentes que se está a borrifar para o que isto implica.
Eu, se trabalhasse para o Benfica e errasse, vinha pedir desculpa a chorar. Eu, se fosse jogador do Benfica, matava-me - literalmente, se fosse preciso - em campo. Se mandasse, obrigava desde o ponta de lança até ao motorista que leva os miúdos do basquetebol infantil aos jogos fora a darem o que têm e o que não têm pelo Benfica. Mas não. O capitão do Benfica resolveu dar uma cotovelada a um gajo para se por a milhas do inferno que estava a ser o jogo de domingo. O presidente (um anormal que só ganhou dois campeonatos e que lixou logo a seguir os 11 que os conquistaram) está ocupado a burlar o BPN ou a fazer negócios com o Eduardo dos Santos. Eu só queria, por um período suficientemente grande na minha vida que limpasse toda a merda que eu já vi, que limpasse toda a merda que eu já sofri, tudo o que eu já chorei em silêncio e nunca disse a ninguém, que o Benfica fosse gerido por gente capaz, com um rumo que não fosse meter dinheiro nos bolsos já cheios, mas sim fazer gente como eu feliz. Eu só pedia isso.
A pouco e pouco hei-de conseguir recuperar a fome, o sono e o interesse pelas banalidades da vida. Estou melhor, obrigado a quem se preocupou.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Significado de humilhar

1. Tornar humilde.
2. Rebaixar, vexar.
3. Tratar desdenhosamente a.
4. Abater, submeter.
5. Mostrar humildade.
6. Submeter-se; render-se; prostrar-se.


Estou rouca. Já não ia ao Dragão há demasiado tempo. Tinha saudades das noites frias do Porto, do meu cachecol com dez anos de bancada, dos amigos tão ou mais doentes do que eu. Foi tudo perfeito, não foi?

Foi perfeito que o presidente do benfica tenha passado semanas a falar disto. De boicote em boicote, de ameaça em ameaça, ele só pensava em nós. Valeram a pena todas as palavrinhas do senhor, todas as horas que o ministro disponibilizou para receber a comitiva da verdade desportiva. Às tantas mais valia ter levado com mil bolas de golfe em cheio na testa.

Foi perfeito que tenhamos feito história contra o benfica de Jesus, o treinador mais intocável de sempre até ontem e que, no final da partida, praticamente afirmou que não foi um resultado assim tão anormal. Ele lá sabe.



Foi perfeito que tenham sido completamente engolidos pela verdade desportiva, com um árbitro que é sócio deles e que ainda conseguiu prejudicar o Porto.

Foi perfeito que o seleccionador do Brasil tenha preferido o David Luiz ao Hulk há umas semanas, porque já nessa altura só mesmo o Ricardo Araújo Pereira é que achou que essa escolha fazia algum sentido.

Foi perfeito ver o Sapunaru - outra das vítimas da época passada - a tapar com tanta classe o super Coentrão, o herói nacional que já deve valer perto de 100 milhões, mas que lá deverá ser vendido abaixo da cláusula de rescisão.

Foi perfeito ver o Rui Costa na bancada do Dragão, todo cheio de peneiras no início do jogo, mas a sair de fininho como quem não quer a coisa, porque naquele clube ninguém sabe dar a cara nestes momentos.

Foi perfeito que o Luisão tenha tentado agredir o Guarin. Um belo exemplo de um capitão.

Foi perfeito que os adeptos do benfica se tenham deslocado ao Dragão apesar do boicote-que-afinal-não-é-boicote. As imagens das suas caras deviam passar com bolinha vermelha no canto superior direito.

Foi perfeito que alguém com uma bela dose de sentido de humor tenha conseguido entrar com um frango na bancada e que tenhamos feito aquela contagem de "Porto 5, visitantes 0".



Estamos com a pica toda, ganhámos sem espinhas e somos, mais uma vez, demasiado bons para este campeonato. Mas nada está ganho e devemos lembrar-nos todos os dias do que tivemos de suportar no ano passado para que todas estas vitórias saibam ainda melhor. Quanto a vocês, caros lampiões, tirem lá essas caras que até mete dó.