quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

De graúdo é que se protege o minino



Escolhi estas imagens sem som, porque foi a única forma de conseguir ver e concluir o que se passou sem ter outras pessoas a tentarem que eu não o visse. Certamente estão todos cansados de as ver, mas dou-vos a hipótese de as reverem sem estarem a ouvir aqueles subterfúgios jornalísticos como “terá agredido” ou “alegada agressão”. Como vêem, houve duas agressões: uma do treinador do benfica ao jogador do nacional e vice-versa.

Foi em pleno relvado, para toda a gente ver, e ninguém consegue convencer-me do contrário. Vejo perfeitamente o Jara longe do acontecimento, pelo que o argumento do “proteger o minino” cai por terra. Vejo um estalo do treinador do benfica e um estalo do jogador do nacional, porque estavam a discutir. Só não vejo é nenhum árbitro.

O que raio andavam os quatro senhores de preto a fazer para se terem afastado do burburinho? A cumprimentar amigos? A olhar para o céu à espera que a águia Vitória voltasse? A tapar os olhos uns aos outros para jogarem às escondidas?

É que eu ainda sou do tempo em que, uma vez, num longínquo túnel, um quarto árbitro apareceu do nada e colocou-se longe da confusão em sentido. Não terá visto grande coisa de onde estava – o homem ainda por cima nem é alto -, mas escarrapachou tudo no famoso relatório. Por acaso, falo do famoso “pode ser o João”, não sei se conhecem.

Nesses tempos, enquanto o inquérito avançava lentamente, dois jogadores ficaram imediatamente suspensos. A decisão durou meses, mas eles ficaram sem jogar. Agora dizem-nos que o processo pode demorar entre um a dois meses, mas ai de quem colocar sequer a mesma hipótese.

É que no tal longínquo túnel não havia subterfúgios. Hulk e Sapunaru agrediram barbaramente um jovem inocente, que só estava ali a trabalhar, que tinha uma vida perfeita e depois desse dia nunca mais conseguiu ser feliz. Via-se perfeitamente nas imagens. Aquelas todas torcidas e cheias de bolinhas a apontar para sítios enquanto alguém nos dizia “ora aí está uma agressão”, “é este o momento da agressão”, “Fernando dá um pontapé na manga do túnel!!!!”. Manga do túnel essa que ainda deve estar internada no hospital.

Por acaso, não eram imagens corridas, eram frames escolhidos por quem divulgou as imagens (muito difícil adivinhar quem…). E, agora, que temos as imagens todas, que foi ali no relvado, que nem estava muita gente, que se viu tudo perfeitamente… escrevem isto: “à mão que o treinador encarnado passou na face do futebolista dos madeirenses” (in jornal do benfica, ou, se preferirem, jornal i).

Isto é bonito. É escrever bem. É prosa da boa. Só faltou adjectivar mais a coisa. Do género: “à fabulosa mão que o inteligentíssimo treinador do nosso benfica passou ao de leve na face suja do ignóbil futebolista dos estúpidos dos madeirenses”. É só uma ideia.

Agora imaginem, por momentos, que isto tinha acontecido com o treinador do Porto. Imaginem só como iam correr textos a exigir uma suspensão de 6 meses no mínimo. Imaginem como iam dizer todos “eu bem avisei que ele não valia nada”. Imaginem como isso ia servir para dizer que no Porto são todos assim, uns arruaceiros, só sabem bater nas pessoas, isto é tudo culpa do Pinto da Costa e o futebol precisa que este clube acabe.

“Não é novo, é cultural, e é isso que nos faz chegar ao sucesso. O F.C. Porto agradece”. Palavras do miúdo.

2 comentários:

  1. Catarina, tratas da cicatriz que o puto da Prosegur vai ter na testa até ao resto da sua vida ?

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  2. uma análise perfeita, como só uma portista dos quatro costados conseguiria fazer ;)

    ps: valeu a pena esperar. será que o anónimo também pensa assim? ;)

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs!

    Tomo I

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