quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Eu estive lá

(escrevi este texto quando Sevilha fez 5 anos. Hoje é um bom dia para o recordar)

“0-2, nós acreditamos” – quando os Super Dragões levantaram a frase na saudosa Curva Sul do Estádio das Antas, poucos acreditariam no vaticínio da claque portista. Não que o Panathinaikos fosse um colosso impossível de ultrapassar, mas a história fazia questão de nos atormentar.

Só 11 homens não cederam a fantasmas e tristes prognósticos: Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Costinha, Deco, Derlei, Alenichev, Maniche, Paulo Ferreira, Mário Silva e Postiga. Um 4-4-2 – “sem truques” – que nos fez acreditar. Quem não se lembra do nosso (e nunca de mais ninguém) Ninja, manco, de rastos, repleto de cãibras, a marcar dois golos na Grécia?

E aí estávamos nós, na meia-final de uma prova europeia, a sonhar mais alto do que há poucos meses poderíamos imaginar. Disse sonhar? Perdoem-me. Nesta altura a verdade é que já estávamos bem acordados.
Se bem que aquele golo de Claudio López abanou o Estádio das Antas até aos mais profundos alicerces. Seria a Lazio capaz de nos ultrapassar no caminho até Sevilha? Maniche, Derlei (por duas vezes, outra vez) e Postiga fizeram questão de mostrar aos italianos que fazê-lo pela direita é proibido e que a faixa esquerda, com um futebol de outro nível, era toda nossa.

Foi talvez o melhor jogo de uma equipa portista que eu já vi. Ninguém me tira da cabeça, até, que o golo sofrido logo nos primeiros minutos já estava planeado, para apimentar o suspense de um thriller perfeito. A Lazio era a vítima, que corria desenfreadamente para fugir da morte e até conseguiu distanciar-se do vilão perseguidor. Mas o Porto soube ser o mau da fita, que anda devagar atrás da presa, que desaparece e dá uns segundos de alívio, até reaparecer do nada e dar o golpe final. Claudio López não foi, afinal, mais do que aquele tiro que convence o espectador que está a assistir a um final feliz. E a Lazio já devia saber que nenhum vilão morre à primeira.

Roma foi apenas um passeio pela Cidade Eterna, com Vítor Baía – pausa para recordar o melhor guarda-redes do mundo - a demonstrar que as portas estavam mesmo escancaradas para a final. E de repente estava eu numa fila soalheira, à espera que um rectângulo mágico me caísse nas mãos. E, como se o tempo não fizesse parte da nossa dimensão, num instante já estávamos numa camioneta a caminho de Sevilha.

“Começou a invasão”, escrevia um jornal sevilhano na véspera. 70 mil escoceses/irlandeses, 30 mil portugueses e um calor desumano. Como se já não fosse suficientemente doloroso chegar a uma final da Taça UEFA. De Sevilha não tenho muito para vos contar. Não era possível observar a cidade com olhos de turista quando umas horas depois iria estar tanto em jogo. (Um pequeno parêntesis para relembrar o adepto portista que perdeu a vida nas águas de Sevilha. Espero sinceramente que a Taça também tenha chegado até ele)

Estádio Olímpico de Sevilha ou o ideal de qualquer adepto, como lhe queiram chamar. Entro cedo e olho à minha volta. Vício terrível de analisar a bancada antes do relvado. Não sei se demorou 2 ou 20 segundos, mas a nossa parte já está cheia. Não tenho cadeira para me sentar, não tenho água para beber. Devia estar cansada e desesperada com tanta sede. Mas apercebo-me de que o calor não tem nada a ver com as altas temperaturas. Celsius não foi nada naquele dia quando comparado com aquele formigueiro que, se isto fosse um romance, seria um sinal de paixão. E não é que era mesmo?

Não me atrevo a descrever aquele jogo. Tudo o pode ser dito sobre ele será sempre injusto e incompleto. Afinal de contas, estamos a falar dos melhores 120 minutos da minha vida.

De Sevilha para o Mundo,

Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco, Alenitchev, Capucho, Derlei e Catarina Pereira.

3 comentários:

  1. simplesmente o melhor ano da minha vida.. simplesmente de loucos.....e espero repeti-lo este ano.. obrigado Catarina por relembrares estes momentos todos que guardo religiosamente como os melhores momentos de sempre....o jogo contra o leiria com a tarja... a reviravolta na grecia.. o jogo sob um diluvio contra a lazio que começou com um percalço que previa um desastre e acabou em euforia.. o passeio em roma ... sevilha...como eu fui feliz em Sevilha.. e como o voltei a ser ontem....xD obrigado meu PORTO!!!!!

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  2. Sevilha versão 2011 não foi comparável à emoção descrita na final da UEFA. Essa foi passada nos Aliados, a gritar a cada golo, a suster a respiração a cada ataque do Celtic, a maldizer o tosco do Baldé que distribuiu "lenha" o mais que pôde...

    Sevilha 2011 foi...uma boa experiência, mas a final da UEFA foi inesquecível.
    Obrigado pela recordação.

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  3. Também estive nas Antas no jogo contra a Lazio e, também para mim, foi o melhor jogo que vi o meu Porto alguma vez fazer. Que alma! Que dilúvio! Que noite inesquecível!

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