quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O derby



Eu detesto o sporting. Detesto, dão-me asco, enjoam-me. Quando falo com o F., dizemos "aquela gente" e não os nomeamos por nojo.
A primeira vez que detestei os verdes foi quando em 92/93 o anormal do Balakov, cuja única coisa de jeito que fez na vida foi nascer na mesma terra do Stoichkov, o que lhe valeu um 4º lugar no Mundial de 94, nos marcou um golo para aí aos 10 segundos, enquanto o nosso guarda redes estava perdido nos meios dos fumos que os lagartos tinham mandado para o relvado. Fui para a cama a chorar. Aos 9 anos não aceitamos golos ao 10 segundos, ainda para mais com a brutal conivência arbitral de deixar o jogo começar com menos visibilidade do que o porto - Benfica dessa época, em que o nevoeiro era tal que só nos assinalaram dois penalties contra (o que à época era considerado beneficiarem-nos), enquanto os jornalistas desportivos combinavam dar a mesma nota a todos os jogadores porque não viam o jogo.
Lembro-me do Sousa Cintra - com o seu QI de 25 - rir-se ao dizer que pagava para o Benfica ficar com o Futre e das operações de ajuda financeira que os viscondes faziam a gozar connosco na altura.



Enfim, não suporto os tipos. Enerva-me o elitismo, a suposta nobreza, aquele orgulho patético quando falam de tipos do atletismo.
Como é óbvio, odeio a possibilidade de perder com eles (inclusive, estou preocupado com o excesso de confiança para a meia final da Taça da Liga). Eu, de facto, enervo-me de mais com estas coisas. A cena é a seguinte: eu de olhar fixo no ecrã, sempre a insultar o Soares Dias por dentro e subir com o Luisão para por o Postiga fora de jogo, a Catarina, conformada, a dizer que tinha mais esperanças se fosse um Beira Mar - Benfica e o R., ao canto, a ler o jornal, a rir-se daqueles passes longos (remates?) do Torsiglieri e do Polga pela linha de fundo. O que isto mostra é que crescer com o Artur Jorge, o Michael Thomas e o Pringle deixa marcas: eu espero sempre o pior. Enquanto o mundo inteiro concordava que até a equipa de hóquei do Benfica segurava aquele resultado (mesmo com o guarda redes sentado na baliza), eu achei sempre que aquilo podia virar.



Mas há um momento em que não. Há um passe do Maniche pela linha lateral (com a "pressão" do Carlos Martins - que naquele momento parecia o Patrick Vieira) em que, pela primeira vez na vida, tive pena. Pena, mesmo. Não foi aquela pena a gozar, que uma pessoa diz para chatear o rival. Não, foi mesmo pena. Eu sei, eu sei, devia ter tido logo quando vi o onze deles, mas só tive ali. Depois passou-me e voltei a temer cada canto (sim, é verdade, cada canto), cada jogada.
Agora, mais a frio, já eliminei completamente aquilo da pena. A Catarina defende que eles fazem falta e no final do jogo dei-lhe razão. Mas acho que só lhe dei razão porque estava cansado de defender e pensei a quente. Mais a frio, prefiro que eles continuem assim. É que o golo do Balakov ainda me está encravado na garganta e a criança dentro de mim não é capaz de esquecer.
É que eu cresci com algum respeitinho àquela coisa. Eles tinham o Figo, que não sendo nenhum Rui Costa, era muito razoável. E os centrais eram o Naybet e o Valckx. Os tipos tinham um internacional holandês, que jogava com o Rijkaard (que, por sinal, também lá passou, conquistando tantos campeonatos nacionais como o Liedson, mas em menos tempo) e outros tipos que, ao contrário do Grimi, sabiam controlar aquele objecto redondo. Mas, ao mesmo tempo, nunca ganhavam, o que os continuava a tornar divertidos. Tempos depois - com muita, mesmo muita, mediania de um lado e outro pelo meio - veio aquele etíope que se dopava que nem um louco contra nós e se tornava, a meu ver, em Satanás, mas para pior. Liedson e Luisão foram as figuras do derby nos últimos 8 anos. Mas na 2ª feira nem esse estava. Nem um resquício de respeito por eles eu tinha que ter. Do 11 deles, só João Pereira, como suplente do Maxi e por uma questão de recuperação de personalidade, podia ter lugar no nosso plantel. Uma linha de ataque com um tipo que chama Lyonce à filha, um que não percebe a regra do fora de jogo, uma ex - estrela do Paços, apoiados pelo Cantinflas já não mete tanto respeito. E o Maniche, enfim.


Mantenho-me, ainda assim, nervoso para o jogo da Taça da Liga. Temo sempre que aquele clube hediondo se ultrapasse a si mesmo e nos venha fazer a vida negra à Luz. Detesto os tipos, ainda bem que estão como estão.

4 comentários:

  1. Eheh, 100% de acordo. A única coisa a apontar é que a fumarada do golo do Balakov foi originada pelos NN. O golo foi na baliza norte, onde estava a nossa malta toda.

    Abraço

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  2. Epá, falar mal do Beira Mar é que não.

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  3. Pois sendo mais velho vivi os 18 anos deles a seco por isso....
    Quanto ao jogo de quarta epá só temos de estar confiantes, se calhar o Beira Mar ou o Paços neste momento seriam mais perigosos.

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  4. simplesmente genial!

    efectivamente, ter encontrado este sítio (mesmo que por acaso) foi uma fortuna - e pese embora algumas "discordâncias clubísticas" (do caro M., bem entendido) ;)

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo I

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