quarta-feira, 30 de março de 2011

O sportem é o nosso grande amor

Dizem que para um casal ser feliz precisa de ter várias coisas em comum. Gostar dos mesmos filmes, ouvir as mesmas músicas, estar interessado nos mesmos assuntos. Eu e o M., felizmente, temos praticamente tudo isso. O problema está, como acho que já repararam através deste blog, no futebol.

Aqui não podíamos ser mais diferentes. Tanto que, de vez em quando, dá jeito ter algo que nos una, não vá o mais forte de nós (sou eu, note-se) optar pelo caminho da violência. E o sportem é basicamente isso.

Todos os fins-de-semana, eu e o M. vemos os jogos completamente ao contrário, torcemos cada um para seu lado, quando um diz “penalty” o outro grita “simulação”. Mas depois vem o sportem. E o amor fala mais alto, e é ver-nos todos sorridentes, lado a lado, a concordar em todos os lances.

A semana passada foi o culminar desta nossa relação em torno dos lagartos. Todos os dias contámos um ao outro o que tínhamos ouvido um candidato dizer. Íamos aos blogs deles ler o desespero em conjunto. Vimos os vídeos do Futre mil vezes. Torcemos pelo mafioso do Bruno, pela continuidade do Godinho, pela insanidade do Dias, pelo elitismo do Baltazar e pela loucura do Abrantes.

No sábado, sabíamos que íamos ganhar de qualquer maneira. Iria sempre ser um dia inesquecível, o início de mais um ciclo temível (que é como quem diz desastroso) dos lagartos. Não estávamos era à espera que fosse tão maravilhoso.

Chegámos a casa vindos de uma festa e ficámos acordados quase até às cinco da manhã, adorando cada momento das transmissões televisivas. No entanto, o melhor estava reservado para o nosso acordar de domingo.

Ainda um bocado a dormir, vimos os telejornais todos, as imagens dos confrontos, os insultos, o derrotado a cantar vitória e o vencedor com ar de derrota, aquela dúvida que paira no ar quanto à evidente fraude eleitoral. Nem queríamos acreditar. O sportem estava outra vez a realizar-nos um sonho.

Depois da garrafa do Sousa Cintra, da final da Taça UEFA com o CSKA, do Bettencourt a tocar maracas, do Sá Pinto a bater no Liedson, da Juve Leo a invadir o relvado com doses excessivas de cocaína e de um sem número de episódios que de tempos a tempos gostamos de recordar, as eleições do sportem ficarão para sempre marcadas no nosso coração.

Obrigada, lagartos.



P.S. Este texto é apenas para disfarçar o facto de nós nem falarmos de futebol esta semana. Domingo lá estaremos, cada um para seu lado, a insultar o clube um do outro. É cada um por si, meu caro.

Sem comentários:

Enviar um comentário