terça-feira, 1 de março de 2011

Para os portistas do Algarve, de Lisboa e do fim do mundo

O FCPorto é e será sempre um clube regionalista. É assim que faz sentido. É um clube da cidade, do Norte e de tudo o que isso representa num país cada vez mais centralista.

Quem é do FCPorto deve ter sotaque. Diz-se, aliás, “Pu-er-to”. Não parece uma grande diferença, é certo, mas na hora do aperto é isto que distingue os “berdadeiros”. (Mesmo morando longe, tenho muito orgulho em continuar a dizer “à beira” e “sapatilhas” e se alguma vez me apanharem a dizer “ao pé de mim” ou “ténis” lembrem-me que os meus avós ficam muito tristes com isso.)

Quem é do FCPorto tem de saber os nomes das pontes, onde se comem as melhores sardinhas no S. João e como se chama aquela estátua nos Aliados. Faz parte de nós. Porque antigamente se dizia que bastava atravessar a ponte para perder. Porque já tivemos muitos S. Joões antecipados. Porque o Ardina já nos viu a festejar imensos títulos.

O FCPorto e a cidade do Porto são indissociáveis. Vivem um para o outro, confundem-se, misturam-se. Mesmo quando um imbecil toma conta da Câmara.



Em Portugal há poucas cidades que se fundem assim com os seus clubes (talvez apenas Guimarães se assemelhe a este espírito, mas com uma dimensão muito menor). Por isso, eu percebo a inveja dos “outros”.

Os “outros” chamam-nos provincianos, bimbos, parolos. Dizem que nos fechamos muito e que não sabemos ser grandes. Mesmo tendo o melhor palmarés a nível internacional, não os convencemos. Mesmo tendo jogadores em vários grandes clubes da Europa, eles não acreditam.

O problema, claro, chama-se Pinto da Costa. E agora também um bocadinho Villas Boas. Custa-lhes muito perder. É doloroso. É humilhante ver-nos, a nós, tão pequeninos, tão regionalistas, a ganhar tudo. Não percebem como queremos continuar a ser o Futebol Clube DO PORTO e não o maior clube do mundo.

No entanto, somos grandes. Estive em Olhão no passado sábado e não pude deixar de ficar surpreendida com tantas famílias com sotaque algarvio. Na bancada estive com amigos de Lisboa. Logo atrás estava a malta de Setúbal. Continua a ouvir-se mais “Puerto” do que “Porto”, mas a coisa está a espalhar-se.

Afinal, parece que há lugar para todos. Para os tripeiros de gema, para todos os nortenhos, para os lisboetas, para os alentejanos, para os algarvios. No que realmente interessa, somos todos iguais.

Todos vimos o nosso clube a espetar três a uma equipa que ainda não tinha perdido em casa e a vitória a ser desvalorizada por uma imprensa que insiste e insiste nos que estão a oito pontos de distância e ganharam à rasca a uma equipa que está a fazer das piores épocas de sempre.

Todos sabemos como é abrir um jornal e vê-los ansiosos, a babar por um tropeção (ou dois, ou três, ou quatro...) nosso.

Todos sentimos que a luta vai ser dura até ao fim, porque ser do FCPorto é mais do que ser do Porto, de uma cidade, de uma região, do que for. Ser do FCPorto é olhar para eles todos de cima e dizer-lhes sem medo: já cheira a campeão.

2 comentários:

  1. Parabéns!
    "Roubei" e postei como nota no Facebook, com os devidos créditos, claro!

    Só para completar adicionei a capa de hoje do record que demonstra o que escreveste, enfim!

    Continuação..

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  2. Já somos campeões mas custa muito aos Lampiões.

    hehehehehe.

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