O futebol, quer queiram quer não, é feito de ódios de estimação. Benfiquista que é benfiquista fica com as bochechas a doer de tanto rir quando acontecem desgraças aos azuis e aos verdes. E para mim, que já estava assustado com a dita criatura ficar a atormentar-me mais um ano, foi uma maravilha vê-lo partir sem sequer avisar. Nem uma choradeira fingida numa conferência de imprensa. Foi-se embora indiferente.
A Catarina escreveu que foi como uma traição de amor. Apesar da confusão que é vê-la deprimida, espero que sim. Melhor só mesmo se o Chelsea ganhar 7-0 no dragão para o ano e ele festejar louco virado para os Super Dragões (menos para a Catarina).
É que nós, os verdadeiros adeptos, desejamos mal. Quando eu vi a Juve Leo cantar "Acabou-se o tacho" às 3.30h da manhã, festejando a suposta vitória de Bruno Carvalho nas eleições, disse à Catarina que tínhamos que ir dormir porque no da seguinte o Godinho Lopes ia ter ganho e ia ter havido pancadaria. Parece recambolesco, eu sei, mas estou altamente treinado a sonhar estes esquemas.
Portanto, foi com regozijo que vi o André render-se às Libras Boas e rumar à chovosa Londres para beber vinho com oligarcas russos, renegando completamente as raízes, a já famosa "cadeira de sonho". Ser rival é querer facadas no orgulho dos outros para nos vingarmos das que já levámos no nosso (e sabe Eusébio o que levámos nós este ano).
(Sonho com o Falcao vestido à Chelsea em pleno dragão. Quero que os azuis sintam que vão ver uma ex-namorada e que esperem aquela melancolia de quem já partilhou tudo. Palmas no aquecimento, como quem diz Então, tudo bem? e diz com os olhos Podia ter sido tão bom. E, sem avisar, o colombiano marca um hattrick, festeja com aquele salto irritante no ar e é como se a ex-namorada dissesse secamente Sim e se virasse de repente para um tipo alto e com livro desconhecido debaixo do braço e o beijasse como quem o quisesse foder a noite inteira.)
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