quarta-feira, 22 de junho de 2011

De coração partido

Estivemos alguns meses na fase do engate. Havia trocas de olhares, pequenas carícias e alguns sinais de uma académica um pouco diferente de um clube que luta para não descer.

Em conversa, descobrimos um passado em comum. Recordámos as muitas tardes e noites passadas na Superior Sul do Estádio das Antas. Falámos de Bobby Robson como um grande ídolo. Comparámos as nossas histórias de amor. Era evidente para todos: fomos feitos um para o outro.

O namoro começou há um ano. A família desconfiava dele, não o conhecia de lado nenhum, e até tinha ar de engatatão. Mas depressa lhes deu a volta. Convenceu-os que me iria amar para sempre e que eu era a namorada de sonho.

O Verão até começou com um passeio romântico em Aveiro, uma Supertaça que iria marcar a nossa relação. A fase da paixão prolongou-se: 5-0 no clássico, vitórias sucessivas na Europa, os outros casais não tinham vida para nós.

Casámos de luz apagada na luz, tivemos filhos em Dublin e já imaginava a minha vida toda com os Aliados pintados de azul. E, depois, isto.

De um dia para o outro, deixaste-me. Sem dizer nada, apenas com um fax. Trocaste-me por uma idiota russa cheia de dinheiro, muito mais feia e gorda do que eu.

E eu por cá fiquei, de coração partido, com memórias de um casamento curto mas tão feliz, e com um rancho de filhos valiosos que poderão ir atrás de ti.

Durmo mal, penso no que fiz para isto acontecer, não consigo entender o porquê. Poderias ter sido o amor da minha vida, mas, afinal, vais ser só mais um que me enganou.

Estás contente? Estás feliz? Não acredito. Ela não é melhor do que eu. Para ela, serás só mais um capricho. Ela não gosta de ti como eu gostava.

Mas sabes que mais? Não quero saber. Vou ultrapassar isto num instante e andar para a frente. Sei que mereço melhor e que ainda vou ser muito feliz.

Não me peçam é para me apaixonar já outra vez. Isto vai demorar.

2 comentários:

  1. Genial. Revejo-me totalmente neste texto: aquela primeira duvida sobre se facto a pessoa pela qual nos começamos a apaixonar é mesmo a tal, e quando temos a certeza e damos aquele salto para o abismo, pum. Afinal era um 3ª andar para rua. Daqueles que não matam, mas moiem. Enfim, compreendo que ele saia, desejo-lhe muita sorte porque, apesar de tudo, é portista de coração. E que o Vitor Pereira seja a verdadeira revelação e confirmação de que, no FCP qualquer talento pode ser campeão.

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  2. Um Portista que foi convidado a ler o que escreves. Muito bem, um texto simples, uma analogia simpática, com significado. Um bom registo. Um toque feminino. Parabéns.
    Esta mensagem, ainda que um pouco fantasiada, faz falta.
    Luis.

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