quarta-feira, 13 de julho de 2011

Emigra à moda do Porto

Este fim-de-semana, estávamos nós a dividir tarefas lá em casa (sim, somos um casal moderno e eu só levo porrada quando o benfica perde. Ou seja, várias vezes) com a Sporttv ligada (sim, somos daqueles que nem no Verão cancelam a mensalidade para não perdermos aqueles jogos emocionantes do género benfica VS 11-amigos-que-naquele-dia-não-têm-mais-nada-para-fazer) quando começam as notícias dos estágios.

Sem querer de alguma forma ofender os nossos emigrantes, a verdade é que grande parte da nossa curiosidade nestes estágios em terras tão estranhas como Marienfeld recai sobre a expectativa que temos do emigra português. O tuga que vive lá fora anima bastante a nossa pré-época. E, então, parámos para ouvir.

No estágio do FCP, o jornalista perguntava aos emigrantes o que pensavam da saída do Villas-Boas. A resposta de todos foi a mesma: foi um bom treinador, mas já não é nosso por isso não interessa, agora apoiamos o Vítor Pereira. Numa onda catastrofista, o jornalista insistia: e se sai Falcao, Hulk, Moutinho?!? E os senhores continuavam: são muito bons jogadores, mas se houver uma boa proposta para o clube e para eles claro que é normal saírem e depois lá virão outros ou até melhores.

Por momentos, eu e o M. pensámos que o mito do emigrante tinha acabado. Ali estavam dois ou três adeptos perfeitamente normais, com a cassete do FCP completamente engolida e sem aquele ânimo de pré-época que tanto nos fascina. Nada. Pareciam Pintos da Costa em pequenino e com sotaque estrangeiro.

Mas, felizmente, depois veio a reportagem na Suíça. Mal apareceu o primeiro adepto - cabelo à emigra dos anos 80, bigode farfalhudo e t-shirt suada debaixo dos braços - percebemos que ele ainda existe. O senhor, benfiquista claro, dizia que o benfica é o maior, que o jesus é o maior, que o plantel é o maior (e é, porra, eles são tantos!). O jornalista, coitado, tentava levar a conversa para uma onda intelectual: então e o Enzo Perez? "Quem? Ah, esse não o vi, mas é o maior". E o senhor que falou a seguir era igual, mas dizia que o Javi Garcia podia jogar "avec" o Luisão. Só pérolas, portanto.

Isto tudo para dizer que a pré-época do Porto continua a ser uma seca. Não vendemos ninguém, não compramos ninguém, não fazemos uma conferência de imprensa por dia, não estamos na capa d'A Bola tantas vezes como o agora querido André Villas-Boas. Enfim, nem emigrantes de jeito temos.

P.S. só uma nota sobre o bom jornalismo de pré-época: parabéns aos 92832857533535523 jornalistas que tiveram a ideia original de ir fazer uma reportagem às Caxinas sobre a Coentrona

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