domingo, 17 de julho de 2011

A minha tribo

(Eu e o M. desafiámos os nossos pais a escreverem um texto para este blog. Fica aqui o do meu pai, a pessoa que me usou como desculpa para ir ver mais jogos do Porto do que eu)

Sou um índio. Um índio de uma tribo azul e branca. Quando a minha equipa joga, coloco os meus adereços e vou para o meio dos meus, chorando (pouco...) e comemorando (muito...), quer estejam ao meu lado o Madureira , o Pidá, o Miguel Sousa Tavares ou o Francisco José Viegas. Aliás, sinto-me mais confortável com os dois primeiros por perto, embora um deles, por “afazeres diversos”, não tenha podido.

Já sou assim há muito tempo, lembro-me da Constituição nas manhãs de domingo, futebol, andebol de 11 e 7, hóquei em campo... tudo se via, nos tempos em que um miúdo para ver a bola só precisava de saber dizer a senha: “ó senhor, leve-me consigo”.

De tarde era nas Antas, mas aí a minha gente poucas alegrias tinha. Os anos foram correndo, até que chegou o dia...

Domingo, 28 de Maio de 1978, depois de um campeonato cerradíssimo, o benfica entrava nas Antas com um ponto a menos, faltando três jornadas para o fim. Muito calor e um estádio a transbordar, no ano de Pedroto e da frase assassina: “O benfica não tem estofo de campeão”.

Aos 3’, o nosso central, Simões, marca na própria baliza e começa o sofrimento... Tanto para ali chegar, dezoito anos de espera para trás e os nossos que não marcavam. Até que aos 87’, livre contra o benfica. Descaído sobre a esquerda e com o pé do mesmo lado, Ademir cruza para a área, a defesa rechaça para a perna direita do mesmo jogador, que, empurrada pelo destino, marca o golo que mudou a história do futebol em Portugal. Eu estava lá!

Depois, bem, depois vocês sabem: compramos árbitros (muitos?) e ganhei 20 campeonatos, roubamos jogadores a um clube e ganhei 13 taças e 17 supertaças, pusemos lá o Platini e ganhei 2 uefas, 2 champions, 1 supertaça europeia e 2 intercontinentais.

Pois é C., o papá tem 56 anos e este é o “seu palmarés”. Há por aí melhor????



(foto tirada a 3 de Abril de 2011, o dia em que o FCPorto se tornou campeão sem luz)

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