sábado, 9 de julho de 2011

Pré - época

Estou neste momento a ver um clássico da pré - época que é o SL Benfica - equipa-miserável-de-Nyon e tiver que ver na net quem seria este número 34, porque o Roderick ainda é fácil de reconhecer - é mau demais para ser confundido - agora este 34 eu nunca tinha visto. E descobri que é o André Almeida.
Isto antigamente era impossível acontecer-me. A pré - época era uma altura sagrada para decorar os números nas camisolas e acreditar piamente que aquele brasileiro que eu nunca tinha ouvido falar era, como vinha n`A Bola, um craque.
E só isso explica o facto de eu ainda hoje me lembrar que o Jamir vinha conotado como um especialista nas bolas paradas (lembro-me que marcou um nuns 5-1 que espetámos a uma equipa de Leste qualquer), apesar de não me lembrar de ser anunciado que o homem era lento como tudo.
A pré - época é um momento magnifico na vida dos adeptos optimistas e essa criatura morreu em mim sensivelmente aos 13 anos. Acontece que passei grande parte da minha vida a acreditar no Pai Natal: o regresso de Ricardo Gomes e Valdo, aquele fabuloso trio de brasileiros de 94/95 Clovis - Paulão e Edilson, mas é-me difícil espelhar o que me senti traído em relação a pré - épocas como em 97/98.
Durante o Verão de 1997, eu era um miúdo. E os miúdos acreditam em tudo o que querem acreditar. E eu queria acreditar que o Benfica ia ser campeão. Nesse Verão, lançou-se um mito ao qual eu me agarrei desenfreadamente: Paulo Nunes. Todos os dias havia uma notícia sobre Paulo Nunes. Um pé no Benfica, outro pé noutro clube qualquer. E, claro, um rol de elogios infindável. O homem era género de Maradona, mas com mais técnica. Eu tinha 13 anos e pouca experiência de vida. Se fosse hoje tinha olhado para a cara dele e lido "Bairro Alto" na testa. Mas eu tinha 13 anos e queria muito acreditar que o Benfica ia finalmente acabar com o reinado azul.


Não consigo encontrar dados na net (fiz uma busca rápida), mas a minha memória é que depois de um braço de ferro intenso (o que na minha cabeça só valorizava o Paulo Nunes), lembro-me de ver anunciada a contratação na SIC, de madrugada, em casa dos meus tios. Era agora. Íamos ser Campeões. E logo na primeira jornada 4-0 ao Campomaiorense, com dois golos do brasileiro, um deles de calcanhar.
O pior foi que perdemos a seguir em Setúbal, empatámos com a Académica em casa e perdemos com o recém promovido Rio Ave. E pronto, o resto é história. A partir daí, exceptuando uma ou duas tiradas meio estúpidas, acabei por acreditar pouco na pré - época.
E isso leva-me a este ano.  Ainda dorido com tudo o que sofri na época passada (sim, eu considero as humilhações da época passada uma coisa pessoal para me castigar não sei bem do quê), ainda não consigo ligar-me a nada. Vejo o impressionante rol de nomes que chegam sem ver sequer um video no Youtube, não me esforço minimamente para resolver o problema da inscrição dos estrangeiros.
E dei logo Coentrão como uma saída adquirida, que não chorei nem celebrei. Este defeso espero apenas que o fóculporto veja a sua equipa desfeita (que é como quem diz: Falcao e Moutinho) e depois logo se verá.

Se eu tivesse 13 anos, esta pré - época, com tantos nomes, estava a ser espectacular.

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