sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reforços

Tenho um grande problema com os reforços do Benfica: sou excessivamente exigente. Para mim, o Benfica tem de atingir um estado de perfeição tal que eu acho que se Maradona tivesse sido contratado para o SLB em 1986 eu diria que o rapaz era demasiado baixo. E isso cria-me um transtorno embaraçante para qualquer adepto, que é o facto de não conseguir ter veredictos certos. É óbvio que eu olhei para o Ramires - cujas transições defensivas ainda fazem o meu coração palpitar de saudades e me dão, até, uma certa melancolia - e vi que o que ali estava era ouro. Mas também achei - era mais novo, é certo - que Paulo Nunes seria o craque que o Benfica precisava para destronar o fóculporto de Mário Jardel e durante anos, mais precisamente de 2004 ao início de 2010/2011, achei que Moutinho era um jogador vulgar destinado a ser capitão do Belenenses aos 33 anos.
Portanto, provavelmente não sou a melhor pessoa do mundo para aferir imparcialmente e com justiça a qualidade dos reforços do meu clube, mas há coisas que até um fanático, mesmo sempre condicionado pela sua cegueira que tentou fazê-lo acreditar que aquele frango do Roberto na pré - época tinha a ver com as bolas novas, consegue ver. Por exemplo, quando Witsel entrou em campo, todos os bons treinadores de bancada da Luz encontraram o menino bonito para 2011/2012. Não é só o facto de, inconscientemente, acharmos que ele pode partir a perna ao Hulk (o que o tornaria o menino bonito da década e não da época), mas sim porque depois de um ano a jogar em 4 (que inclui o Javi a compensar uma subida parva de Coentrão ou David Luiz) - 0 - 6, sabe-me bem perceber que há no plantel alguém que pode fazer com que o meio campo não seja uma zona onde os adversários possam jogar à sueca sozinhos. Se nos lembrarmos dos famosos duelos 2010/2011 que Javi travou contra Belluchi, Moutinho e Falcao (sim, porque o Falcao desce sempre para pressionar o trinco e quem não vê isso não percebe o que aquele jogador vale), Witsel parece-nos vindo num cavalo branco e com umas botas reluzentes.
2 dias depois do jogo ainda não percebi como é que aquele rapaz, que leva a bola de cabeça levantada, que recupera bolas à frente e que tem uma qualidade de passe simples brutal, ficou no banco. É que não vi ninguém melhor do que ele nos onze que começaram. Mas, cá está, o Witsel sofrerá comigo a mais alta das exigências. O Maradona de 86 era baixo demais para o Glorioso, mas o belga parece-me ter as qualidades certas. Isto das duas uma: ou há um romance tipo Ramires, que - não sei se já vos disse - me dá vontade de ir a Stamford Bridge com uma cartolina a dizer "Volta, Ramires e dá-me a tua camisola" em letras muito mal desenhadas, ou então temos mais um caso Paulo Nunes, mas desta vez já com idade para ter vergonha.
Ainda em relação a 4feira, é óbvio que Nolito foi formado em La Masia e que tem uma qualidade de passe que não acontecerá na 8ª geração da família de Matic. O que é estranho é que Jesus tenha achado que o rapaz era individualista. O que é feito daquele tipo a quem achávamos piada em 2009/2010? Nolito individualista? O que mais espanta em Nolito é a maneira como pede o passe e a maneira como joga a dois toques a uma velocidade impressionante. Mas Jesus, esse craque a gerir grupos, resolveu dizer em público que ele joga sozinho.
Enfim, não é que Nolito me impressione por aí além, mas sinto-me estúpido por Jesus me ter convencido em 2009/10 e agora dizer isto. De resto, Enzo Perez parece-me bastante bom e bastante desadequado ao 4-1-3-2, dado que é um extremo e eu para ver o meu lateral sozinho contra 2 jogadores já me chega o Gaitan de um lado.
Dos outros chega-me a consolação, para já, de fazerem com que o César Peixoto deixe de ser o nosso 12º jogador.
Ah, retira um bocado de emoção ao jogo, isto de ter guarda redes. Antes, cada bola no nosso meio campo, cada cruzamento bombeado da pior maneira, de frente para o guarda redes, sem os adversários terem que sequer ir à linha, era um perigo. E com isso ganhava o espectáculo (e as equipas adversárias, também). Agora temos um gajo que, não sendo nenhum Preud`Homme, tem a qualidade de não parecer que se está a aguentar para não chorar durante 90 minutos. Parece pouco mas não é.

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