quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Supernaru

A Supertaça, mais ano, menos ano, vai acabar. Em 33 edições, 18 foram para o FCPorto. Todos os anos há, portanto, e se a Matemática não me falha, cerca de 55% de hipóteses de o meu clube começar a época a ganhar um título, o que é, evidentemente, motivo que sobre para se acabar com esta porcaria.

Parece-me também de certa forma consensual qual o troféu que poderá substituir esta Supertaça. A taça do Eusébio, pelas suas características e, sobretudo, pelo seu potencial vencedor, cumpre todos os requisitos para se tornar uma competição tão ou mais importante do que a já tão marcante no futebol português Taça da Liga.

E, bem vistas as coisas, quem sabe quem é esse tal de Cândido de Oliveira? Ele gostava de tremoços, por acaso? Há alguma estátua dele para a malta ir numa de peregrinação? E, ainda mais essencial, ele por acaso foi amigo do Barbas e do Zé Manel? Não, ah pois não, então bora lá mas é acabar com esta Supertaça que não serve para nada.

Já a taça do Eusébio serviu, por exemplo, para o benfica concretizar uma reviravolta impressionante na pré-época. O sportem, lançadíssimo por cinco vitórias a grandes potências do futebol mundial como o Ankaragücü e a clubes que têm conquistado tudo nos últimos anos como a Juventus, teve o azar de encontrar equipas de um país onde o futebol são 11 contra 11 e há uma bola. Espanha, portanto.

E, assim de repente, aí estava o benfica a fulminar o Trázáspor da Truquia, cujos principais adversários são o Besikas e o Gulatasaray (assim mesmo, como diz o grande mestre da língua portuguesa Jorge Jesus). Messi já é uma sombra de Nolito, Cristiano Ronaldo não tem hipóteses contra Witsel e o Arsenal foi humilhado por um 2-1 na luz. E o título de campeão da pré-época foi assim parar aos seus mais do que merecidos donos.

O Porto é que, enfim, anda sempre na mesma. Isto ainda agora começou e já tem um título, o Falcao, e o Hulk, e o Moutinho, e o Rolando, e o Álvaro, e o Fernando nunca mais vão embora para gáudio da imprensa nacional e aquela pressão ofensiva só pode ser possível porque os adversários ou não percebem como usar aquele 4-3-3 tão seguro defensivamente do Jesus, ou têm jogadores tão bons como aquele americano do sportem (grande promessa para este ano nas minhas apostas!). Não sei dizer o nome dele, vamos lá ver se o Rui me dá uma ajuda:



Ah... quase.

O jogo em Aveiro foi super controlado, o guimarães não saiu da toca, pontapé para a frente e pouco mais. Até aqueles adeptos, considerados os mais fanáticos do nosso país, que iam aos 30 mil de cada vez ver jogos da segunda divisão, optaram por ficar em casa, não fosse o James apanhar um avião da Colômbia à última da hora.

Talvez o FCPorto tenha desapontado aqueles que já não conseguem desligar os vídeos do YouTube do Nolito. Aquele primeiro golo, com um calcanhar e um cruzamento de letra, não devem chegar para calar a ameaçadora dupla Postiga-Djaló. Mas, enfim, para mim chegou.

E não posso acabar este texto sem vos explicar o porquê deste título. No futebol temos o hábito de olhar mais do meio campo para a frente porque o que queremos ver são golos. Mas hoje vou falar-vos de um homem lá de trás.

Sapunaru é romeno, muito provavelmente cresceu sem saber o que é o FCPorto, e podia ser só mais um que veste esta camisola por uns tempos. Mas não é.



Vítima daquela grande injustiça na época de 2009/2010 (metam lá outra vez o Hermínio que pode ser que ele consiga mais alguma coisa), teve de ser paciente e ir dar uma volta para regressar em grande.

O ano passado ganhou tudo e lutou sempre até ao limite. Por vezes até exagera, como se viu outra vez na luz. É verdade que tem de se saber controlar (aquele vídeo revelado pelo Porto Canal no famoso túnel é exemplo disso. Enquanto Hulk sorri para os stewards, Sapunaru anda de cabeça baixa. E essa não é a melhor forma de os gozar num momento tão saboroso para nós), mas uma coisa é certa: Sapunaru é um jogador à Porto.

E domingo era vê-lo, em pleno relvado, sozinho, a agitar uma bandeira de uma claque, qual rapazinho mais feliz por ter vencido (mais) um título. Depois, foi buscar um cachecol, beijou-o e quase arrancava o símbolo da camisola, tal era a vontade de nos mostrar como sente o FCPorto.

Sapu: já percebemos. És um dos nossos, pá!

3 comentários:

  1. claro q é um dos vossos, nas vitorias e nem derrotas até q a morte vos separe...
    nas derrotas foi o q se viu (pois, esqueci-me q ele n teve culpa, foi forçado a actuar com violência)
    nas vitórias é so mais um, até q um melhor contracto chega e depois já é um super fernando ou super quaresma ou super lucho ou super assunção... memória curta?

    maior q a nossa glória, só a vossa inveja...

    ResponderEliminar
  2. E espero bem que o Fernando continue - depois daquela fífia a la Roberto contra o Lyon, espero que continue por muitos e bons anos a mandar vir dessas e que se transforme, com sorte, no Roberto do Foculporto.

    ahah.

    ResponderEliminar
  3. C.

    grande post (mais um). grande Sapunaru (revelação). grande vitória do nosso FC Porto (a décima oitava na prova), que nos permitiu almejar o septuagésimo título (de facto; nada de taças lat(r)inas) ganho dentro do campo (às claras, sem luzes apagadas, e para toda a gente Ber).

    abraço

    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    saudações desportivas mas sempre pentacampeãs! ;)

    Miguel | Tomo II

    ResponderEliminar