domingo, 25 de setembro de 2011

Empate, agressões e os anos que já lá vão

Empatámos. Se foi um bom resultado? Foi melhor para o Benfica do que para o porto, sem dúvida. Foi na casa deles, estivemos a perder duas vezes e é um campo onde, infelizmente, raramente nos safamos, sequer. Mais, é um campo onde o Benfica facilmente desiste, entra em tilt, e acredita ele próprio que é impossível virar as coisas. Não nos enganemos, num porto – Benfica no Dragão, historicamente, o porto é favorito. Até nos anos 60 e 70 o era, quanto mais agora. Portanto, assumo sem complexos que fico de certeza mais contente com o empate de ontem do que a Catarina.
O porto dominou a primeira parte – sem ser avassalador, como o seu treinador tenta passar – e o Benfica não dominou a segunda – como Jesus tenta passar – mas foi mais matreiro (ou menos totó que o porto). O empate, por muito que satisfaça menos o porto, é justo. Por mais voltas que se dê, vem-se parar aqui: foi um empate e agora faltam 24 jornadas, logo se verá.
Compreendo as declarações indignadas pedindo uma agressão de Cardozo. Compreendo porque eu também nunca tinha visto uma agressão daquelas, onde um toque nas nádegas dá uma súbita vontade dor de cabeça (Fucile parece ter um AVC). Os jogadores do porto pedem não só a expulsão, como temem que Cardozo os mate a todos no jogo da Luz com este golpe que lembra muito a técnica que a Uma Thurman aprende no Kill Bill, onde com uma série de toques em pontos estratégicos faz o coração explodir. Enfim, o toque de Cardozo foi pior que uma agressão, foi uma coisa de assassino profissional. Os jogadores do porto quando agridem, são pelo menos 3 (Maniche, Costinha e Jorge Costa) e o jogador do Benfica está no chão (Simão). E é uma coisa à séria, com estaladas, mesmo à frente do árbitro. E aí, sim, compreende-se que tenham ficado todos em campo. Agora um golpe no rabo que afecta a cabeça? Irradiação, no mínimo!
Acerca do pano da claque azul: sobre as constantes bocas em relação ao fascismo tenho a dizer várias coisas: em primeiro lugar, lembro que dos dois lados, Benfiquistas e Portistas (sim, aqui com maiúsculas), houve vítimas desse regime escabroso e ordinário. E a esses, os que sofreram e lutaram contra ele, muito obrigado. E esses é que contam. Dos dois lados há muitos Benfiquistas e Portistas que desprezam o Estado Novo e por isso têm o meu respeito.
Agora, não aceito nem nunca aceitarei, essa mentira mil vezes repetida do Benfica como clube do regime, como se o Benfica tivesse ganho só por isso, enquanto o porto perdia porque estava ocupado a planear o 25 de Abril. Ora, após a revolução de 28 de Maio de 1926, nasce o regime que em 1933 passaria a ser designado como Estado Novo. E é durante o fascismo, que Abílio Urgel Horta, que foi presidente do porto duas vezes, consegue do fascismo uma formidável prenda: o Estádio das Antas! Pois é, o mítico “tribunal”, esse símbolo democrático contra os supostamente salazaristas vermelhos, foi financiado pelo fascismo e, vejam lá, inaugurado a 28 de Maio de 1952, exactamente 26 anos depois da revolução. Já o Benfica foi expropriado do seu próprio campo, com a desculpa da construção de uma rua que se concluiu em 1992, e obrigado a arrendar terrenos ao sporting (sim, leram bem) e a jogar no Estádio do Campo Grande entre 1941 e 1954, só tendo conseguido inaugurar o seu estádio 30 anos depois.
Volto a escrever que não estou a chamar fascistas aos adeptos do FCP, nem estou também a dizer que os Benfiquistas foram todos heróis revolucionários e que, sim, houve um aproveitamento do regime fascista das vitórias do Benfica. O que é bastante diferente de colaboracionismo. Como se deve rebolar no caixão Abílio Horta quando os portistas se queixam do fascismo...

Na imagem, Manuel da Conceição Afonso, Presidente do Benfica nos anos 30 e 40. Operário e conhecido anarquista.

Reparei ainda que no pano dos super, o Benfica é representado pelo Eusébio e o porto por Pinto da Costa. E isso é o símbolo de uma diferença muito grande: o maior símbolo do Benfica é, de facto, Eusébio, que jogou futebol, é reconhecidamente um dos maiores de sempre e, que se saiba, nunca aconselhou árbitros sobre questões familiares. E o Benfica já era grande antes do Eusébio (a primeira Taça dos Campeões Europeus foi sem o King) e continuou a sê-lo depois. Já o porto nasceu com PdC e a sua quadrilha. Antes, pouco ou nada era. E depois, como será?


1 comentário:

  1. É curioso porque o "santo padroeiro" que voces falam, desviava jogadores para o "glorioso", aquela porcaria que voces lhe chamam, e quem dissesse mal do "glorioso" ia logo com a pide... Ganhem vergonha na cara queixinhas... São sempre levados ao colo e ainda se queixam...

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