sábado, 24 de setembro de 2011

A enorme vantagem de um empate

«Acelera Dragão, que os anos 60 já lá vão». A frase exibida no Topo Sul do estádio diz muito do que são os clássicos de hoje. Diz quase tanto até como a frase do treinador adversário no final do jogo: “O benfica defendeu bem a vantagem”. É que, em 2011, esta equipa empatar no Dragão é um sucesso.

Contam-me os meus avós que, nos ditos anos 60, o Porto estava muito longe dos vermelhos. Não havia dinheiro, apoio, figuras carismáticas e até adeptos que conseguissem lutar contra o domínio ultra-infiltrado na sociedade – e na política, claro.

Esse tempo vai mesmo muito longe, quando, em pleno século XXI, o rival entra no nosso estádio de cabeça baixa, médios defensivos e uma enorme esperança de que pelo menos não levem cinco. Não levaram, muito longe disso até, porque têm uma equipa muito melhor do que a do ano passado e porque nós ainda andamos às aranhas. Mas a atitude, essa, demonstra muito do quanto mudaram estes clubes em 50 anos.

O FC Porto dominou a primeira parte por completo, podia ter marcado mais do que um golo (isto do benfica ter efectivamente um ser humano na baliza incomoda-me, não estava habituada) e podia ter ficado em superioridade numérica. Curiosamente, acabou por sofrer um golo contra a corrente do jogo (adoro clichés!) de um rapaz que, se já estivesse nos balneários, dificilmente tinha conseguido rematar. A resposta foi óptima e a vantagem surgiu novamente - e naturalmente. Depois adormecemos e, na terceira jogada completa dos outros, sofremos o segundo.

Infelizmente, ainda há muito por melhorar neste FC Porto. Perceber como não se segura um jogo aparentemente fácil, por que não aguentam os jogadores 90 minutos e, sobretudo, a que propósito é que fomos uns anjinhos. Vejo culpas distribuídas por treinador (comido pelas evidentes substituições alheias) e jogadores (demasiado amiguinhos e bons rapazes… isto de andarem a trocar camisolas com aqueles gajos deixa-me maluca). Vejo ainda confiança a mais, como se o escudo de campeão nacional vencesse jogos por nós. E temo ver motivação a menos, que é uma coisa que a mim me ultrapassa, porque se por um segundo vestisse aquela camisola tinha motivação para dar e vender.

Sim, fiquei furiosa por não ganhar. O campeonato fica exactamente na mesma e hoje rio-me da capa d’A Bola, que, se não tivesse o resultado ao lado, daria para pensar que o benfica tinha dado 0-10 no Dragão e que a vitória valia 21 pontos (os tais que nos separaram a época passada). Mas eu sou do Porto e fico sempre furiosa por não ganhar. Estou mal habituada. Estou habituada a vencê-los, a humilhá-los, a vê-los desistir à 6ª jornada. Pena que não possa ser sempre assim e que tenhamos mesmo de acelerar para os superar e aos seus amigos que dão amarelos a jogadores agredidos.

Felizmente, os sorrisos vermelhos que vejo hoje já me animaram. É bom vê-los contentes. É natural, estão com os mesmos pontos do que nós à 6ª jornada e, nas últimas décadas, isso é excepcional. Percebo a teoria de que um empate em casa do rival, principalmente tendo sido inferior em campo, seja um resultado agradável. Não posso é dizer que a compreendo, porque eu nasci em 1986 e nunca um empate na luz me deixou feliz. Saio sempre de lá chateada. Menos o ano passado, confesso.

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