terça-feira, 6 de setembro de 2011

Jesus

"Jorge Jesus foi um turning point para o Benfica" - a frase é do J., que é um dos meus lagartos preferidos e que, nessa mesma noite, me ganhou uma cerveja numa aposta sobre o clube dele (que não é, obviamente, a minha especialidade).

Não sei se Jesus é ou não um turning point porque Jesus é, para mim, o paradigma da bipolaridade Benfiquista que vivemos. Com Jesus o Benfica pode massacrar, dar 5 a 3 adversários de seguida e depois ver o Gil Vicente jogar tranquilamente no seu meio campo e ter mais campos e, quiçá, empatar 2-2 um jogo que perdia 0-2 aos 15 minutos.
Escrevo sobre Jesus devido ao facto de ter deixado de fora Capdevilla da convocatória da Champions, uma provocação irreal que só pode ser justificada com a necessidade de marcar posição, com o lembrar que foi com ELE que o SLB chegou novamente à fase de grupos. Jesus acha-se acima de Jesus himself.  E se essa confiança ilimitada e determinada sapiência táctica que lhe reconheço (o Benfica de Jesus é o primeiro Benfica que faz pressão desde 93/94, elogio que sobressalta porque o Benfica de Quique jogava em contra-ataque contra o Penafiel para a Taça, na Luz) nos deram o título de 09/10 e, dentro do desastre inenarrável de 10/11, uma série de jogos onde se jogou seriamente à bola. Jesus tem qualidades tácticas, quanto a mim, muito fortes, como se tivesse ocupado uma boa parte do cérebro normalmente destinada a falar português com truques da bola portuguesa, o que lhe confere alguma vantagem competitiva.
Por outro lado, Jesus encarna perfeitamente o marialva, o pintas com a mania que é o maior, que engana toda a gente. O maior do café, com tudo de irritante e, pior, de nefasto para o Benfica que isso acarreta. Ao contrário do que se diz, Jesus não precisou de ser campeão pelo SLB para se achar o maior. Já no Belenenses, Jesus tinha proclamado a descoberta do 5º momento do futebol: "o quinto momento do jogo de futebol" ("a estratégia posicional, ou a bola parada. Ninguém no mundo disse, fui eu o primeiro treinador a dizer"). Ou seja, Jesus sempre se achou o maior, o mestre da táctica. O mundo é que demorou - e em alguns casos demora - a reconhecê-lo. E o Benfica que ature isso. Na época passada tivemos um arranque inacreditável em grande parte devido a um planeamento no qual não sei qual foi a sua responsabilidade, mas também devido a uma relação com os jogadores já destruída provavelmente devido ao facto de Jesus os tratar como meros peões na sua estratégia "muita" forte. Depois, além do arranque à ceportém, ainda fomos ao dragão jogar com o Javi sozinho contra o mundo e com o motivadíssimo David Luiz a defesa esquerdo. Ah, grande mestre da táctica. Depois, claro, foi espremer Gaitan e Salvio até chegarmos de gatas a Braga e sermos eliminados pelo Custódio. Enfim.
Mas Jesus continuou. E, a custo, lá aceita que Witsel tem que jogar. E que se o belga não encaixa no 4-1-3-2 kamikaze, então a táctica tem que encaixar no 8. Mas se Rui Costa acha que é mais para o Benfica do que Jesus, este também continuou cá para lhe lembrar que ainda é cão sem dono e deixou um campeão da Europa e do Mundo (e que jogou as finais, não é como o Polga que foi carregar os sacos ao Ronaldinho Gaúcho) fora da Champions.
Honestamente, não sei o que pensar. O Benfica é treinado por um labrego que até sabe umas coisas de bola, mas que tem a mania que o Mourinho nem para adjunto dele serve. Preocupa-me o dia em que este homem sair do SLB e começar a disparar para todo o lado. Preocupa-me mais ver o Javi sozinho, a levar com 3 médios. Quero, horrível e desesperadamente, ser campeão. E não sei se o Jesus é ou não homem para me dar essa alegria outra vez. Espero que sim.


PS: Uma homenagem atrasada e muito sentida, já que Freddie Mercury faria 65 anos há uns dias, se fosse vivo. E com o forte desejo que o puto que gritou um golo imaginário do fóculporto que me fez ter uma paragem cardíaca leve umas boas palmadas do pai:


4 comentários:

  1. Para se inscrever o Capdevilla tinhas de deixar de fora um destes jogadores: Artur, Maxi, Emerson, Luisão, Garay, Jardel, Javi, Matic, Witsel, Bruno Cesar, Gaitan, Enzo Perez, Nolito, Aimar, Cardozo, Rodrigo, Saviola.

    Qual destes deixavas de fora para o inscrever?

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  2. O Rodrigo, e ficávamos com Cardozo, Nélson e Saviola para PL. Para o esquema de 2 avançados, o Gaitan pode fazer de 2ª PL (acho que deve ser a melhor posição para ele).
    Em segunda análise, ficava o Emerson de fora, porque o considero pior que o Capdevilla (o jogo com o Nacional assustou-me).

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  3. É CapdeviLa. Ai, senhores...

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  4. Eu posso estar de acordo com isso, mas parece-me que o Jesus acha o Nélson um jogador mais "verde" (salvo seja...) que o Rodrigo (afinal, o Nélson rodou no Paços e o Rodrigo no Bolton...). Também se podia deixar o Jardel e ficar com o Miguel Vitor como substituto, mais o Javi em caso de extrema necessidade, mas acho que a) o Jesus considera o Miguel o 4º central, e não o quer de início contra os tubarões da Europa e b) ele não quer de modo nenhum ter de tirar o Javi da posição 6 (se for este o motivo não posso concordar mais). Quanto ao Emerson ser melhor ou pior que o Cap, eu tenho gostado dos jogos do Emerson, e o Cap mostrou pouco contra o Feirense. Parece-me um jogador ainda em busca de forma e confiança, após um ano em que pouco jogou, e por esse prisma também se entende a decisão. Enfim, é sem dúvida uma decisão discutível mas não me parece que seja nenhum escândalo como por aí se lê...

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