segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Lição nº 1

Estamos em tempo de regresso às aulas. Os paizinhos correm para os supermercados para comprar mochilas do Justin Bieber. Os meninos folheiam os livros caríssimos com aquele cheiro a novo que depressa desaparecerá com os primeiros TPC. Os professores queixam-se dos horários, dos alunos, dos pais, do ministério, do tempo, da astrologia e da falta de sorte no Euromilhões. Enfim, é um ano lectivo como outro qualquer.

Eu adorava o regresso às aulas. A ansiedade, a excitação, o receio do desconhecido. Ansiedade de conhecer os novos professores, excitação de rever os amigos, receio de disciplinas mais difíceis. E perguntam vocês: a que propósito está esta gaja a falar disto? Será para disfarçar o terrível resultado de ontem? Sim, também. Mas sobretudo porque queria fazer uma analogia brilhante entre o regresso às aulas e o empate com o feirense, mas entretanto perdi-me e preferia só ficar-me pelo disfarce.

Ora bem, parece-me que o regresso às aulas do meu clube estava a correr bem. Conseguimos segurar alguns jogadores cruciais na equipa, superámos os traumas AVB e Falcao com alguma tranquilidade e, o mais importante, fomos ganhando. Não parecia haver razão para ansiedade.

A equipa já dava espectáculo, Hulk e James numa forma incrível e os adversários, como sempre, iam ficando para trás. De excitação, portanto, já estávamos cheios.

A única coisa que faltou a este FCPorto até aqui foi receio. Ninguém se importou de ficar sem Hulk e Álvaro Pereira para o jogo em Aveiro. Afinal de contas, era só o feirense. Ninguém estranhou ver Mangala, um jovem inexperiente, titular assim de repente. Cristian Rodriguez no 11, numa forma péssima, qual é o mal? Moutinho, Belluschi e Guarin, e ninguém a tapar o meio-campo, qual é o problema? Pior: ao intervalo, com 0-0, fica-se sem ponta-de-lança, porque o salvador Hulk ficou em casa, o Kléber está sempre lesionado e o Walter só é bom a comer picanha.

Até ontem, estávamos todos a dormir. O presidente, que espero que esteja a tratar de trazer um ponta-de-lança em Janeiro. O treinador, que espero que não volte a achar que o feirense é só o feirense. Os jogadores, que espero que na sexta-feira sejam mais espertos. E nós, os adeptos, que temos de reflectir sobre isto tudo.

Não quero com isto traçar nenhum cenário negro. Continuo a achar que somos melhores do que os outros e que se tudo correr bem vamos ser campeões. Acho até que, se tivéssemos tido aquela pontinha de sorte que tínhamos o ano passado, esta vitória tinha sido nossa. Só quero que a lição número 1 seja: os jogos valem todos três pontos.

P.S. Que fique aqui registado que nunca mais vou ao estádio de Aveiro. É provavelmente o estádio português que fica mais perto de uma entrada da auto-estrada, mas a polícia consegue sempre inventar outra forma de, mesmo com o estádio a 1/3 da sua lotação, manter-nos ali uma hora às voltas. Odeio aquilo. Principalmente depois de um empate.

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