segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A C., os amigos... e o futebol

Este texto foi escrito pela S., a minha melhor amiga, que não percebe nada de futebol (é do benfica, imaginem...), mas que compreende quando digo que não posso ir ter com ela quando não a vejo há muito tempo porque joga o Porto.

Cresci benfiquista por uma questão hereditária. O meu pai é benfiquista e o meu avô paterno era benfiquista certamente porque algum antepassado remoto decidiu que era um clube com futuro (e não se enganou). Sou benfiquista mas essa herança clubística nunca foi mais do que um acessório engraçado. Sou benfiquista por piada, por simpatia e até mais por empatia pelo benfiquismo do meu pai. Resumindo, sou benfiquista mas isso está longe de me definir. Poderia ser do sportem (ou nem tanto) e não seria uma pessoa diferente. O futebol nunca sobressaltou a minha vida.

Até há 7 anos atrás, quando conheci a Catarina.

A miúda era dos Super Dragões mas tinha os dentes todos. A conversa dela era interessante e os temas variados. Tinha piada e parecia inteligente. Falava de futebol com propriedade e não usava palavrões como pontuação. Não sei se já disse que ela era dos Super. Imaginem a minha confusão perante a antítese do estereótipo das claques.

"Não posso ir aos anos da x. Joga o Porto."

"Tenho que sair mais cedo. Joga o Porto"

"Vou faltar. Vou à Alemanha ver o Porto"

E a esta loucura somavam-se o pai, a mãe, o irmão. Simpáticos, mas loucos, todos eles. Fazia-me confusão aquela agenda que o FCP moldava. Aceitava que havia coisas superiores a nós, como a fé e a religião. A Catarina acrescentou a essa lista o futebol.

A Catarina trouxe cor à minha vida e, quem a conhece, não tem dúvidas relativamente à cor pintada. Aprendi a respeitar e a gostar desse azul forte que, para ela, é um estilo de vida, uma tribo, uma guerra. Lembro-me de adormecer em Roma, na nossa viagem de finalistas, a ouvir a história da claque do Porto e de outras claques portuguesas. E a gostar. Passei a contar histórias da claque e a rir como se as tivesse vivido com ela. Ainda fico meio embevecida quando a oiço discutir futebol com argumentos tácticos que me soam sempre a fórmulas químicas.

Há 7 anos atrás, eu e a Catarina não éramos amigas. Hoje, sou benfiquista também por empatia pela portista que ela é.

1 comentário:

  1. Catarina como eu gostava que todas as pessoas que eu conheço mudassem de opinião tal como a tua amiga :)
    Agora para ela ter histórias para contar basta traze-la para ver um joguito connosco! Aposto que até de clube muda ;)

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