sábado, 12 de novembro de 2011

Ode a Javi Garcia

Gosto de Javi Garcia desde a primeira vez que o vi com o manto sagrado. Um amigável em Amsterdão, contra  o Ajax. Um contra ataque holandês e Javi, implacável, matou a jogada com uma falta dura, o suficiente para sossegar o adversário e não levar amarelo. No olhar, um espírito de missão, uma implacabilidade, um querer maior que tudo, de superação. Javi é o nosso soldado desconhecido.
O Benfica construiu a sua história através de muitos Javis, de muitos homens que, vestidos de vermelho, se superaram. O meu protótipo de jogador do Benfica não é Rui Costa, que era um príncipe e andava de camisola por fora dos calções, com aquele ar meio melancólico, quase poeta. O Benfica, apesar de todos os craques - poetas que teve e terá, é feito de outra massa, é feito dos Paneiras. Paneira era um médio direito que, além da deliciosa finta para fora da qual usava e abusava, era um líder, era um exemplo. Paneira, ao contrário das acusações de Alan, chamou "preto de merda" ao Abel Xavier sem por a mão à frente em Leverkusen. Tudo porque o lateral decidiu subir desalmadamente pela sua ala, quando o Benfica tinha a eliminatória a favor. Abel, que ainda não era louro, mas já era burro quanto baste, voltou atrás na sua decisão sem se preocupar em acusar Paneira de racismo.
Javi Garcia, pelo que põe em campo, pelo que corre, pelo que se mata como homem comum que nunca poderá correr pelo campo como se fosse um poeta, devia orgulhar todos os Benfiquistas. Javi não pode ser acusado de seja o que for, por nós, do Benfica, porque Javi, sem ter um nome tão português como Vítor, já é mais do Benfica do que muita gente (confesso que ia escrever, só para provocar, Nuno Gomes. Consta que assinou um abaixo assinado com o plantel do Braga contra Javi Garcia, o que diz bem do que o desejo de ir a um Europeu pode fazer ao Benfiquismo do Nuno, esse "ponta de lança" que o Cardozo e o seu pé esquerdo vulgarizam todos os dias).
Gosto de Javi porque Javi entra em campo com a faca nos dentes, como se fosse o último dia da vida dele. Gosto de Javi porque os adversários o odeiam. Javi personifica um Benfica que não se acagaça em campo, como o Tavares em San Siro. Estou-me a borrifar para o Alan, estou-me a borrifar para a suposta polémica. Mas apeteceu-me agradecer a Javi, com esta minha modesta contribuição, a entrega. E, em parte, porque torço para que o Javi tenha insultado o Alan do piorio. É, por assim dizer, um regresso a Leverkusen, com um insulto a um gajo com um cabelo péssimo. E porque depois de nos insultarem 90 minutos, apagarem as luzes - tudo com o "nosso" presidente sentado ao lado do deles, haja finalmente um jogador do Benfica que responde, como quem afirma que até sob tiroteio defendia a camisola. É assim que eu vejo Javi, um homem em guerra pelo Benfica.
Não sei se um dia Javi será o nosso capitão. Mas desejo - nem que seja pelo facto de conseguir a proeza de tornar Miguel Sousa Tavares ainda mais azedo - que fique connosco muito e muito tempo. Gracias, hombre!

2 comentários:

  1. anda muito parada a escrita por estas bandas...

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  2. Ler novamente este post até me dá vontade de chorar...

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