quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mau perder

Não sei perder. Não sei se já repararam que não sou daquelas pessoas que, na derrota, reconhece o mérito do adversário ou admite que não fomos melhores. Não fui educada para isso e, felizmente, nunca tive de me habituar a tal. Ou seja, podia estar aqui a escrever um longo texto sobre os erros que levaram o FC Porto a não passar um grupo razoável da Liga dos Campeões, mas prefiro começar por dizer que perdemos graças à interferência do árbitro no resultado.

Sim, é verdade que não fizemos o suficiente para passar. Mas o futebol nunca foi de justiças, por isso, se o árbitro tivesse visto aquele penalty e se tivesse expulsado aquele senhor que lesionou o Defour até ao próximo ano, podíamos perfeitamente estar aqui a falar de futuros adversários do primeiro classificado do grupo G.

Pronto, agora vamos a coisas sérias. Uma das vantagens de ir ver o jogo ao estádio é que sou eu que decido o que vejo. E então, depois de uma primeira parte razoável, eu decidi passar a segunda a olhar para o ponta-de-lança do FC Porto. Já sabem que ele não jogou de início, porque a equipa marca mais golos sem o seu avançado, não já? Então eu digo-vos que passei 45 minutos a olhar para uma das piores coisas que já vi com a camisola do meu clube.

Não tenho nada contra o Kléber, juro, até o acho giro (um factor muito importante para uma adepta). E até admito que um dia, depois de muito aprender e de rodar por outros clubes, possa tornar-se um bom avançado. De momento, não o é. Longe disso.

Kléber é um daqueles avançados que precisa de apoio do lado direito, do lado esquerdo, atrás e, se possível, à frente. Tipo Nuno Gomes. É um rapaz que corre muito e até parece pressionar, mas não o sabe fazer, por isso só se cansa. Tipo Postiga. Tem técnica, joga bem com os dois pés e de cabeça, mas NUNCA está no sítio certo. Tipo Hugo Almeida. Não ganha uma bola de cabeça, não se antecipa a um defesa, não consegue ter um rasgo de magia. Quando a equipa quer mesmo, mesmo ganhar, ele sai. Tipo Pauleta.

No final, contam-se às dezenas os remates do FC Porto e, se não me engano, nenhum foi feito pelo seu avançado. Como disse? Pois. É que o rapaz até é matador, quando tem uma oportunidade não falha, o problema é criá-la. E pensam vocês: então são os colegas que não o ajudam. Não, não são. Eu vi com os meus olhinhos o Álvaro Pereira a pegar na bola, cruzar para a área, a bola a passar o defesa... E o Kléber a fazer um movimento incrível de recuo, até ir parar ao meio círculo. Infelizmente, o defesa não chegou lá, não cortou mal e a bola não sobrou para ele. Mas podia acontecer...

A culpa não é do Kléber, muito menos do treinador. A culpa é de quem achou que isto chegava para o FC Porto. Não chega e no mercado que aí vem quero ver o que será feito para colmatar essa enorme falha.

O problema é que não há dinheiro. O FC Porto farta-se de vender jogadores por quantias milionárias, mas acabamos sempre a contar os tostões. Principalmente quando descobrimos que o Falcao, afinal, significou apenas 21 milhões de euros a entrar na conta. Um valor vergonhoso, que pode ser necessário para equilibrar a balança, mas que, desportivamente, nos está a sair muito caro. Ainda por cima, reparamos agora que o Danilo acabou por custar 18 milhões. O rapaz ainda nem sequer chegou e eu não só lhe exijo já que faça na perfeição um corte como o do Maicon àquele venezuelano no último minuto, como estou mesmo à espera que um lateral direito de 18 milhões de euros marque, no mínimo, 20 golos até ao final da época.

E, por falar nesse petiz com vontade de ir à casa-de-banho nas bandeirolas de canto, que tristeza ver o meu clube tão assanhado com tamanha pequenez. Eu não tenho problemas nenhuns em insultar um adversário, assobiá-lo, tornar-lhe a vida difícil a cada toque na bola. Mas gosto de escolher bem a quem o faço. Gosto que sejam rivais temíveis, gosto de odiá-los em proporção à sua qualidade que eu não reconheço e gosto que ele dê importância à nossa rivalidade. Já o fiz com João Vieira Pinto, com João Moutinho, com Cristiano Ronaldo e com Figo. Agora, o Danny???? Por favor... Há 50 mil jogadores melhores do que ele.

Mas deixemo-nos de admitir estes detalhes. O facto é que estamos outra vez na Éróligue e ainda bem, porque não íamos fazer nada à Champions. Pena que assim também tenham "pensado" o náite, o city e afins. Fora o sportem, começo a acreditar que este ano temos competição a sério. Até porque já sabemos como vai acabar a Liga dos Campeões (benfica-barcelona).

Olhemos para o futuro. Vem aí um beira-mar temível nos 0 a 0. E nós temos o Kléber. No final do jogo com o zenit, o jogador brasileiro queixava-se do "autocarro" dos russos. No fim-de-semana temo que venha aí um camião. E o rapaz não tem, claramente, carta de pesados.

P.S. O Djaló admitiu hoje que pode vir a jogar no benfica ou no Porto. Uma espécie de ameaça ao sportem, que tanto chora a sua partida. Eu e o M. queremos apenas deixar desde já por escrito que ele pode admitir vir a jogar nos nossos clubes, mas os nossos clubes não admitem que isso aconteça.

P.S.2 O salgueiros comemorou hoje 100 anos. Um clube mítico, um estádio terrível, uns adeptos ferrenhos que baste. Parabéns salgueiral, voltem depressa!

1 comentário:

  1. Bem, ao menos admitiste no início o que qualquer um pensaria no fim. A tua cegueira, desculpa, mau perder :p

    Mas ei, calma, apesar de benfiquista, gosto muito de ler os teus textos ;)

    http://www.tresandaafutebol.blogspot.com/

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