terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Querido Pai Natal

O M. é ateu, eu sou agnóstica. As nossas famílias têm tanto de crentes como o Luís Filipe Vieira de honesto. O meu sogro tem um nome proibido de entrar em igrejas, o meu pai não entrou numa igreja nem no baptizado dos filhos. Enfim, há todo um espírito religioso nesta casa, como devem imaginar.

O Natal, no entanto, é muito mais do que isso. Fomos educados para sentir esta época pelo que tem de verdadeiramente importante: a família, uns jogos de cartas e muito álcool.

Além disso, o Natal sempre foi, para todos, símbolo de futebol. Nesta altura do ano, há duas tradições sagradas: o FC Porto ter 10 ou mais pontos de vantagem sobre os (vamos chamar-lhe assim para sermos simpáticos porque, afinal, é Natal!) rivais, e o sportem já ter falecido.

Quando conheci o M., percebi que isto era uma certeza nacional, ainda que a primeira parte não fosse motivo de tanta festa como na minha cidade. Este ano, no entanto, não é bem assim.

Começámos a época a dizer que o sportem agora não chegava nem ao ano lectivo e afinal os lagartos ainda estão aí para as curvas. E dissemos logo que, se até ao Natal Porto e benfica não descolassem, íamos sofrer até ao fim.

Os jogos em Aveiro e na Madeira demonstraram isso mesmo. Aquele golo que o beira-mar falha no último minuto não é normal, como não é normal que o benfica não jogue nada mas tenha um emplastro chamado Cardozo a encostá-las lá para dentro quando já ninguém acredita.

Quando o Rui Orlando, da SportTv, gritou golo do Élio, corri furiosa para o quarto enquanto o M. – imagino – sorria. Foram segundos de terror, a questionar-me por que é que aquilo só nos acontece a nós e por que me parece o futebol (qual futebol, o mundo!) tão injusto. Felizmente, foi só um susto (qual susto, quase que morria!) e o FC Porto continua na frente. Infelizmente, o jogo nos Barreiros não acabou aos 83 minutos, quando tudo me parecia tão bem, nem teve um árbitro melhor, que tivesse visto a falta sobre o guarda-redes no lance que origina o golo.

Por isso, Pai Natal, eu e o M. (que, ressalvamos, não acreditamos em ti nem no que tu significas, mas somos boas pessoas) só temos uma prenda a pedir-te: acaba com esta merda depressa para podermos pensar noutras coisas importantes como a crise, o euro e não sei quê.

Por mim, deixo-te já uma sugestão: faz com que o Porto descole e os outros fiquem, como sempre, a lutar pelo campeonato da Segunda Circular. M., sem querer parecer muito infantil... EU DISSE PRIMEIRO, ZERINHAS INFINITOS MIL, QUEM DIZ É QUEM É E EU DIGO QUE SOU CAMPEÃ!!!

1 comentário:

  1. Querida C.,

    O destinatário das tuas preces não está decididamente correcto !
    Costumas escrever, com algum êxito, ao árbitro-natal ! Até porque eu, o verdadeiro, visto-me de vermelho !

    Pai Natal.

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