quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O derby



Eu detesto o sporting. Detesto, dão-me asco, enjoam-me. Quando falo com o F., dizemos "aquela gente" e não os nomeamos por nojo.
A primeira vez que detestei os verdes foi quando em 92/93 o anormal do Balakov, cuja única coisa de jeito que fez na vida foi nascer na mesma terra do Stoichkov, o que lhe valeu um 4º lugar no Mundial de 94, nos marcou um golo para aí aos 10 segundos, enquanto o nosso guarda redes estava perdido nos meios dos fumos que os lagartos tinham mandado para o relvado. Fui para a cama a chorar. Aos 9 anos não aceitamos golos ao 10 segundos, ainda para mais com a brutal conivência arbitral de deixar o jogo começar com menos visibilidade do que o porto - Benfica dessa época, em que o nevoeiro era tal que só nos assinalaram dois penalties contra (o que à época era considerado beneficiarem-nos), enquanto os jornalistas desportivos combinavam dar a mesma nota a todos os jogadores porque não viam o jogo.
Lembro-me do Sousa Cintra - com o seu QI de 25 - rir-se ao dizer que pagava para o Benfica ficar com o Futre e das operações de ajuda financeira que os viscondes faziam a gozar connosco na altura.



Enfim, não suporto os tipos. Enerva-me o elitismo, a suposta nobreza, aquele orgulho patético quando falam de tipos do atletismo.
Como é óbvio, odeio a possibilidade de perder com eles (inclusive, estou preocupado com o excesso de confiança para a meia final da Taça da Liga). Eu, de facto, enervo-me de mais com estas coisas. A cena é a seguinte: eu de olhar fixo no ecrã, sempre a insultar o Soares Dias por dentro e subir com o Luisão para por o Postiga fora de jogo, a Catarina, conformada, a dizer que tinha mais esperanças se fosse um Beira Mar - Benfica e o R., ao canto, a ler o jornal, a rir-se daqueles passes longos (remates?) do Torsiglieri e do Polga pela linha de fundo. O que isto mostra é que crescer com o Artur Jorge, o Michael Thomas e o Pringle deixa marcas: eu espero sempre o pior. Enquanto o mundo inteiro concordava que até a equipa de hóquei do Benfica segurava aquele resultado (mesmo com o guarda redes sentado na baliza), eu achei sempre que aquilo podia virar.



Mas há um momento em que não. Há um passe do Maniche pela linha lateral (com a "pressão" do Carlos Martins - que naquele momento parecia o Patrick Vieira) em que, pela primeira vez na vida, tive pena. Pena, mesmo. Não foi aquela pena a gozar, que uma pessoa diz para chatear o rival. Não, foi mesmo pena. Eu sei, eu sei, devia ter tido logo quando vi o onze deles, mas só tive ali. Depois passou-me e voltei a temer cada canto (sim, é verdade, cada canto), cada jogada.
Agora, mais a frio, já eliminei completamente aquilo da pena. A Catarina defende que eles fazem falta e no final do jogo dei-lhe razão. Mas acho que só lhe dei razão porque estava cansado de defender e pensei a quente. Mais a frio, prefiro que eles continuem assim. É que o golo do Balakov ainda me está encravado na garganta e a criança dentro de mim não é capaz de esquecer.
É que eu cresci com algum respeitinho àquela coisa. Eles tinham o Figo, que não sendo nenhum Rui Costa, era muito razoável. E os centrais eram o Naybet e o Valckx. Os tipos tinham um internacional holandês, que jogava com o Rijkaard (que, por sinal, também lá passou, conquistando tantos campeonatos nacionais como o Liedson, mas em menos tempo) e outros tipos que, ao contrário do Grimi, sabiam controlar aquele objecto redondo. Mas, ao mesmo tempo, nunca ganhavam, o que os continuava a tornar divertidos. Tempos depois - com muita, mesmo muita, mediania de um lado e outro pelo meio - veio aquele etíope que se dopava que nem um louco contra nós e se tornava, a meu ver, em Satanás, mas para pior. Liedson e Luisão foram as figuras do derby nos últimos 8 anos. Mas na 2ª feira nem esse estava. Nem um resquício de respeito por eles eu tinha que ter. Do 11 deles, só João Pereira, como suplente do Maxi e por uma questão de recuperação de personalidade, podia ter lugar no nosso plantel. Uma linha de ataque com um tipo que chama Lyonce à filha, um que não percebe a regra do fora de jogo, uma ex - estrela do Paços, apoiados pelo Cantinflas já não mete tanto respeito. E o Maniche, enfim.


Mantenho-me, ainda assim, nervoso para o jogo da Taça da Liga. Temo sempre que aquele clube hediondo se ultrapasse a si mesmo e nos venha fazer a vida negra à Luz. Detesto os tipos, ainda bem que estão como estão.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carta aberta ao sportem

sportem, por muito que me custe dizê-lo, tenho saudades tuas. Tenho saudades de ver os teus jogos preocupada com o resultado, de torcer contra ti com muita vontade e de esperar que o teu ponta-de-lança perigoso se lesione.

Isto assim não dá. Estou farta de ter pena de ti. Não quero adormecer mais a ver os teus jogos ou rir-me muito enquanto me mantenho acordada. Preciso de vocês, lagartos, para que um derby com o benfica – o meu jogo preferido do ano – não se torne pior que um jogo do coimbrões.



Paulo Sérgio: o que é que ainda estás aí a fazer? Gostas de pegar o touro pelos cornos não é? Eu não percebo nada de tourada, mas parece-me que, depois de levar tantas cornadas, qualquer um salta aquele muro e esconde-se com medo do bicho. Estás à espera de quê? Tens medo do desemprego, da crise, da austeridade? Não te preocupes. A Sporttv está à procura de mais um comentador fraquinho.

Rui Patrício: rapaz, tu não és grande coisa, é verdade, mas com essa altura deves ter pelo menos lugar no portimonense. Sempre te poupavas a umas humilhações.

João Pereira: por mais que tente, não me farto de te ver na lama. Desculpa, mas já são muitos anos a ter-te como rival.

Polga: o senhor já tem uma certa idade, mas um campeão do mundo ainda terá alguma honra. Devia ter apanhado o voo do Liedson.

Torsiglieri: imagino que te tenham dito que vinhas para um dos três grandes portugueses. Mas bastava teres ido ao zerozero veres o plantel, ou os títulos conquistados nos últimos 30 anos, ou os títulos europeus, para teres percebido que era mentira. Para a próxima não sejas preguiçoso.

Grimi: porquê? Por que és jogador de futebol? Quem te deixou? Que cunha tens tu?

André Santos: grande produto da academia. Já te estou a ver em grandes palcos internacionais como o estádio do Génova.

Pedro Mendes: custa-me ver-te. E desta vez estou mesmo a falar a sério. Tu foste um dos nossos, foste dos bons e és muito melhor do que isso. Tenho a certeza que se pedires o Pinto te arranja um lugar qualquer na formação. Faz-te à vida.

Cristiano: nem quero imaginar como deve ser frustrante ver o paços jogar tanto à bola e estar nessa equipa.

Matias: se jogares muito contra o Porto, pode ser que o Pinto tenha pena de ti e te traga para a beira do Moutinho e do Varela.

Floribello: dixxx Há tuya mulhere ke mayx valle cerex tu a fikare kom a Lyonnce em kaza.

Postiga: és um injustiçado. Ninguém te compreende. Os fiscais-de-linha acham mesmo que por só teres o guarda-redes à tua frente estás fora-de-jogo. Os teus colegas só te passam a bola sem querer. Os árbitros marcam sempre falta quando te agarras com toda a força às camisolas dos defesas adversários. E as balizas… essas filhas da mãe estão sempre a mexer-se.

Maniche: com a tua idade, já devias saber que quem “roda” por todos depois não fica com amigos em nenhum lado. Já ganhaste tanta coisa na tua carreira e vais acabar esquecido na mesma.

Diogo Salomão: imagino a tua vontade de ontem sair do relvado e saltar para a beira dos teus amigos No Name. Aqueles cânticos foram maravilhosos, não foram? No “mete o Liedson” e “mete o Moutinho” cheguei a recear assistir a um suicídio em massa na televisão, mas felizmente os adeptos do teu clube já estão habituados a humilhações.

Saleiro: quando os cientistas conseguiram dar vida ao primeiro bebé-proveta em Portugal certamente não estavam à espera que ele se tornasse tão inútil. Um caso a rever para o futuro da fertilização in vitro.

Couceiro: há quem passe a vida a ter sucesso, há quem se especialize em enterrar clubes. Escusado será dizer em qual das duas te enquadras.

Costinha: estiveste quase, quase a tê-los na mão quando proibiste as calças de ganga, mas já nada os consegue travar. Dedica-te, sei lá, a comprar fatos.

Bettencourt: nunca te conseguirei agradecer o suficiente. Mesmo longe, conseguiste vender o Liedson e poucos se podem orgulhar de fazer um negócio tão determinante como este. Saudades de te ver a tocar maracas, pá!

Dias Ferreira: a presidência está no papo. Não sei se isso significará mais pontos para o sportem, mas pelo menos a taxa de alcoolemia em alvalade tem futuro garantido.

Juve Leos, Directivos, Torcidos, Brigados e todas as mil claques e já poucos adeptos do sportem:







A verdade é que a minha pena pelo sportem choca com uma dúvida: aquela equipa de ontem era a mesma que se matou para conseguir empatar com o Porto? É que, se era, então parece-me que fica provado que o ódio às gentes do Norte já supera tudo. E por falar em gentes do Norte, se aquilo que aconteceu ontem nas bancadas tivesse sido no Dragão, queria ver se os títulos eram “carga policial indigna leões” ou “bestas nortenhas voltam a agredir barbaramente polícias que eram na sua maioria mulheres e crianças”.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Eu estive lá

(escrevi este texto quando Sevilha fez 5 anos. Hoje é um bom dia para o recordar)

“0-2, nós acreditamos” – quando os Super Dragões levantaram a frase na saudosa Curva Sul do Estádio das Antas, poucos acreditariam no vaticínio da claque portista. Não que o Panathinaikos fosse um colosso impossível de ultrapassar, mas a história fazia questão de nos atormentar.

Só 11 homens não cederam a fantasmas e tristes prognósticos: Vítor Baía, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Costinha, Deco, Derlei, Alenichev, Maniche, Paulo Ferreira, Mário Silva e Postiga. Um 4-4-2 – “sem truques” – que nos fez acreditar. Quem não se lembra do nosso (e nunca de mais ninguém) Ninja, manco, de rastos, repleto de cãibras, a marcar dois golos na Grécia?

E aí estávamos nós, na meia-final de uma prova europeia, a sonhar mais alto do que há poucos meses poderíamos imaginar. Disse sonhar? Perdoem-me. Nesta altura a verdade é que já estávamos bem acordados.
Se bem que aquele golo de Claudio López abanou o Estádio das Antas até aos mais profundos alicerces. Seria a Lazio capaz de nos ultrapassar no caminho até Sevilha? Maniche, Derlei (por duas vezes, outra vez) e Postiga fizeram questão de mostrar aos italianos que fazê-lo pela direita é proibido e que a faixa esquerda, com um futebol de outro nível, era toda nossa.

Foi talvez o melhor jogo de uma equipa portista que eu já vi. Ninguém me tira da cabeça, até, que o golo sofrido logo nos primeiros minutos já estava planeado, para apimentar o suspense de um thriller perfeito. A Lazio era a vítima, que corria desenfreadamente para fugir da morte e até conseguiu distanciar-se do vilão perseguidor. Mas o Porto soube ser o mau da fita, que anda devagar atrás da presa, que desaparece e dá uns segundos de alívio, até reaparecer do nada e dar o golpe final. Claudio López não foi, afinal, mais do que aquele tiro que convence o espectador que está a assistir a um final feliz. E a Lazio já devia saber que nenhum vilão morre à primeira.

Roma foi apenas um passeio pela Cidade Eterna, com Vítor Baía – pausa para recordar o melhor guarda-redes do mundo - a demonstrar que as portas estavam mesmo escancaradas para a final. E de repente estava eu numa fila soalheira, à espera que um rectângulo mágico me caísse nas mãos. E, como se o tempo não fizesse parte da nossa dimensão, num instante já estávamos numa camioneta a caminho de Sevilha.

“Começou a invasão”, escrevia um jornal sevilhano na véspera. 70 mil escoceses/irlandeses, 30 mil portugueses e um calor desumano. Como se já não fosse suficientemente doloroso chegar a uma final da Taça UEFA. De Sevilha não tenho muito para vos contar. Não era possível observar a cidade com olhos de turista quando umas horas depois iria estar tanto em jogo. (Um pequeno parêntesis para relembrar o adepto portista que perdeu a vida nas águas de Sevilha. Espero sinceramente que a Taça também tenha chegado até ele)

Estádio Olímpico de Sevilha ou o ideal de qualquer adepto, como lhe queiram chamar. Entro cedo e olho à minha volta. Vício terrível de analisar a bancada antes do relvado. Não sei se demorou 2 ou 20 segundos, mas a nossa parte já está cheia. Não tenho cadeira para me sentar, não tenho água para beber. Devia estar cansada e desesperada com tanta sede. Mas apercebo-me de que o calor não tem nada a ver com as altas temperaturas. Celsius não foi nada naquele dia quando comparado com aquele formigueiro que, se isto fosse um romance, seria um sinal de paixão. E não é que era mesmo?

Não me atrevo a descrever aquele jogo. Tudo o pode ser dito sobre ele será sempre injusto e incompleto. Afinal de contas, estamos a falar dos melhores 120 minutos da minha vida.

De Sevilha para o Mundo,

Vítor Baía, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco, Alenitchev, Capucho, Derlei e Catarina Pereira.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Descubra as diferenças

Às vezes dou por mim confundida. Por um lado, a minha sanidade mental mostra-me uma coisa, mas, por outro, os jornais mostram-me exactamente o contrário. E eu sei que a minha sanidade deve sempre prevalecer, mas às vezes tenho mesmo de fazer este tipo de exercícios para continuar convencida disso. Proponho, então, compararmos esta com a última época para vermos quem é que está maluco aqui.

Em 2009/2010, 19ª jornada: braga 48 pontos, benfica 46, Porto 40

Em 2010/2011, 19ª jornada: Porto 56 pontos, benfica 45, sportem 33

Há um ano atrás, o braga ia em primeiro com menos 8 pontos do que os actuais do FCP. De quem se falava mais? Quem era a equipa maravilha? Nos dois anos, o mesmo: o segundo classificado. Mudou, entretanto, a perspectiva: se em 2009/2010 os 6 pontos de vantagem do benfica para o Porto eram suficientes para estar toda a gente descansada, em 2010/2011 o Porto anda sempre a tremer porque só tem 11.

Em 2009/2010, 19ª jornada: o braga tem 15 vitórias, 3 empates e 1 derrota. O benfica tem 14 vitórias, 4 empates e 1 derrota.

Em 2010/2011, 19ª jornada: o Porto tem 18 vitórias, 2 empates e ZERO derrotas. O benfica tem 15 vitórias, 0 empates e 4 derrotas.

O Porto de 2010/2011 tem mais três vitórias que o melhor braga de sempre e mais quatro do que a equipa maravilha de 2009/2010. E nunca perdeu. Mesmo assim, não tem “o brilho”, “a chama” e outros substantivos tão ou mais inócuos do que estes do que tinha a equipa maravilha do ano passado, que, volto a recordar, ia em segundo nesta altura.

Em 2009/2010, 19ª jornada: o braga tem 29 golos marcados e 8 sofridos. O benfica tem 49 golos marcados e 11 sofridos.

Em 2010/2011, 19ª jornada: o Porto tem 46 golos marcados e 7 sofridos. O benfica tem 40 golos marcados e 16 sofridos.

O FCP deste ano tem menos 3 golos do que o super-hiper-mega “rolo compressor” da época passada. No entanto, a ausência de Falcao é notória e está sempre a deixar os senhores comentadores preocupados com o ataque do Porto. O FCP deste ano tem também menos 4 golos sofridos, o que lhe dá um melhor goal average. No entanto, não vamos sequer comparar o David Luiz e o Coentrão de 2009/2010 com o Otamendi e o Álvaro Pereira de 2010/2011. Nesta época, o primeiro classificado tem mais 6 golos marcados e menos 9 sofridos que o segundo. Mas, mais uma vez, quem está em alta não é quem vai à frente.

Numa destas épocas, houve túneis, relatórios do “pode ser o João” e outras coisas desta estirpe, mas eu cingi-me aos números. Porque, apesar de ser uma menina de Letras, sempre adorei fundamentar-me na Matemática para que, desta forma, não seja possível cada um entender as coisas à sua maneira.

Já não quero saber quem ocupa mais primeiras páginas, já nem me importo que venham dizer que o braga foi "muito macio" (in A Bola) e até pareça que o guimarães fez um grande jogo, já nem me preocupa que o Porto não possa perder na luz para surgir a histeria. Fico-me pelos números.

«Era um jogo complicado. Se havia jogo em que esperava que o F.C. Porto perdesse, era este» (Coentrão)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

0-2 para o lado do Bem

Mal do Benfica quando ganhar a primeira mão de uma eliminatória da Taça for motivo de festa. Mas ganhar ontem foi óptimo, até porque era preciso apagar a última exibição no Dragão e mostrar que, afinal, o fóculporto é batível e tem falhas no plantel e que o Benfica não é o de 2009/2010, mas também não é o dos tempos do Damásio.

Luisão é o jogador do Benfica que não pode sair do plantel. É o mais essencial, é o patrão, é o homem que tem que ter o salário que o ponha contente. O jogo que fez ontem foi soberbo - aliás, como tem sido a sua época (o jogo que Luisão faz na Supertaça até à lesão é impressionante). Coentrão é rápido, é perigoso, mas ainda não percebeu que no dragão, com amarelo, não se pode fazer faltas sequer na área deles, porque vai levar o segundo. Luisão, quando viu Hulk em velocidade, ameaçou e depois retraiu-se, levantou os braços e sacou amarelo ao rival. Ontem Luisão cortou tudo e foi o comandante Benfiquista num palco difícil. É pena que não tenha estado à altura no jogo do campeonato, mas ontem mostrou todo o seu valor.

Jogámos bem, fomos espertos a abordar o jogo, aproveitámos os erros (demérito deles nos dois golos, mas há muito mérito em aproveitar as asneiras alheias) e com um a menos a equipa aguentou-se muito bem.
E porque Paulos Batistas há muitos, e já nos fizeram a cama no ínicio do campeonato, julgo que as duas taças nacionais são a maneira de apagar uma época muito mal planeada. Portanto, é preciso ganhar esta eliminatória na Luz, ganhar aos verdes e continuar a perseguição no campeonato à espera de um tropeção azul.

Espanta-me sempre a capacidade da Catarina em ver o jogo pelo lado do Mal. Explico-vos: a Catarina é uma pessoa maravilhosa e, portanto, espero sempre o melhor dela. Assim, não consigo compreender como é que ela não percebe que o Belluchi passar impune o jogo inteiro, a expulsão do Coentrão, o fora de jogo MONSTRO do Varela no lance mais perigoso dos azuis mostram como ainda há um espectro "Agência Cosmos" em todas as arbitragens do clube dela.
Ainda assim, adoro o facto de viveres isto como eu. E, tirando a tua reconhecida imparcialidade e isenção, é bom falar com quem percebe de bola e sabe que um Benfica - porto é para ganhar, não é para jogar bonito nem divertir ninguém.

O clássico, por Catarina e Manel

Há coisas em que nós os dois somos iguais, como já devem ter reparado. E os clássicos entre os nossos clubes são os momentos em que mais o notamos. É por isso que o M. é a pessoa com quem mais gosto de falar após um Porto-benfica, quer ganhe ou perca. Porquê? Eu explico.

Antes do jogo, eu e o M. nem falámos nisso. Fizemos de conta que estávamos muito preocupados com a situação no Egipto. Falámos das compras que precisamos de fazer e não de quem jogaria do lado esquerdo da defesa do Porto. Jogámos scrabble e cartas, mas nunca mencionámos a falta do Falcao ou do David Luiz. Algo nos convenceu que o clássico depende de nós os dois e do que revelamos ao adversário, pelo que este ritual se há de manter.

Quando faltavam alguns minutos para começar, quebrou-se o silêncio. Mandei ao M. esta mensagem: “Sapunaru, Rolando, Maicon e Sereno. Que defesa de sonho”. Eu sou assim, uma pessimista convicta. E o M. compreende-me: “César Peixoto a titular. Tenham medo!” Enquanto a maior parte dos portistas achava que o Porto ia espetar outros 5 e a maioria dos lampiões estava convencida que o jogo de ontem era a final da Liga dos Campeões, nós estávamos borrados de medo.

É por isso que precisamos de trocar estas mensagens. Precisamos de alguém que esteja mortinho por saber o onze titular. Precisamos de alguém que anteveja a imbecilidade do Maicon e do Peixoto. Precisamos de alguém que não esteja todo contente porque vem aí “um grande jogo”. Porra, é um Porto-benfica. É para sofrer e pode não ser nada bonito.

Começou e logo a seguir surge o 0-1. “Este golo não conta para o Maicon?”, pergunto-lhe eu. “Muito mau mesmo”, responde. Eu sei que ele está todo contente, mas mesmo assim é com ele que insulto aquele cromo que, vá-se lá saber porquê, veste a camisola do FCP. Porque o M. está a rir-se do Maicon, mas também foi comigo que desabafou quando o Hulk passou pelo David Luiz como se ele fosse um boneco.

No 0-2 eu já não tenho reacção. O M. diz só “Que frango...”. Deve estar aos saltos em casa do D., mas diz-me aquilo porque sabe que eu e o Helton estamos de relações cortadas desde que ele sofreu um golo na luz por estar a ajudar um jogador do benfica a levantar-se. Somos ambos malucos e, por isso, achamos que, actualmente, no futebol mundial, já não há guarda-redes de jeito. O Júlio César ameaçou ser, mas não é completamente brilhante. O Cech desde que ficou com a cabeça avariada não é a mesma coisa. E o Moretto ainda está a crescer :)

Há um fora-de-jogo mal assinalado que deixava o Belluschi sozinho e um penalty por assinalar contra o benfica. “Bela arbitragem”, digo-lhe eu. “Não é penalty e o Varela também estava offside naquele centro perigoso”. Claro que acho que ele é cego, mas se fosse ao contrário eu sei que diria a mesma coisa, portanto adoro-o.

Depois Coentrão é expulso. “Roubo inacreditável”, diz ele. “Concordo”, respondo. É que o Cardozo entretanto tinha dado uma cotovelada ao Sapunaru. Como vêem, é possível os rivais estarem de acordo.

Não falamos mais até nos encontrarmos em casa. Acordo o M. para lhe perguntar onde é que vai fazer o altar ao Maicon. Ficamos uma hora a falar do jogo. De como são estranhas as lesões no Porto. De como o Otamendi é melhor que o Maicon. De como tirar o Belluschi para meter o Guarin é um bocado estúpido. De como o David Luiz fez falta ao Porto. De como o Coentrão foi comido mil vezes, mas o povo gosta. De como o resultado teria sido maior se naquela jogada de 4 para 3 os jogadores do benfica fossem bons. De como os comentadores da Sporttv, supostamente um do Porto e outro do benfica, eram ambos do benfica.

Nós entendemo-nos. E estou morta por chegar a casa para nos rirmos dos jornais de hoje. A Bola fez uma capa inteira com um jogo da meia-final da Taça de Portugal, quando em tantos títulos do Porto se esqueceram de fazer o mesmo. O Jogo titula “Jesus e os dois anjinhos”, como que a dizer que o Maicon e o Fernando não são tão portistas como eles. O Record não lemos, claro.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Se Liedson tivesse sido do Porto

Estávamos em 2003 quando Liedson assinou pelo FC Porto. Mourinho viu nele um ponta-de-lança eficaz, que compensa em golos o que lhe falta no físico. Ainda chega a tempo de jogar a final da Liga dos Campeões e de entrar para a melhor equipa da Europa desse ano. Pinto da Costa consegue que os interessados - Chelsea, Manchester, Barcelona e Real Madrid – não o comprem. Está decidido: só sai do Porto por 50 milhões.

A época seguinte foi mais complicada. A indisciplina reinava no balneário e Liedson chegou a dar umas chapadas bem merecidas em Derlei, Costinha e Maniche. Era o ídolo dos adeptos, portanto. Foi o melhor marcador do campeonato.

Em 2005/2006 tudo volta ao normal. O FCP é campeão e Liedson obviamente supera Meyong na lista de melhores marcadores. Seguem-se mais três anos de escudo na camisola e a dupla Liedson-Lisandro deixa a Europa em euforia.

Liedson perdeu umas taças para o sportem, mas riu-se muito a ver Rodrigo Tiuí como o principal avançado dos lagartos. Já o benfica foi sempre goleado pelos dragões, com Liedson a marcar hattricks sucessivos graças ao seu talento natural em derrotar lampiões.



No túnel da luz, Liedson levou um murro de Rui Costa e ficou com os lábios todos rebentados como se pode ver na imagem, mas a CD da Liga ignorou tudo, claro.



Liedson acabou por ser vendido esta segunda-feira ao Chelsea por 48 milhões de euros. Pinto da Costa cedeu dois milhões porque vem Drogba em troca. Recordaremos para sempre o maior goleador da história do futebol português, um ponta-de-lança com raça, que dava sempre o seu melhor e cuja sucessão felizmente está assegurada por Falcao.

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A história não foi bem esta, porque Liedson teve o azar de ir parar ao sportem. Em vez disto, foi maioritariamente um grande palhaço que passava a vida a atirar-se para o chão. Nos intervalos, andava com a equipa às costas, pelo que é bom saber que estamos cada vez mais próximos de assistir ao fim do clube de alvalade.

Adeus Liedson, tenho pena que não fiques pelo menos até ao clássico com o benfica porque era normalmente nesses jogos que conseguia ver o teu talento.

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Ontem também David Luiz abandonou o nosso futebol. É uma pena. Vou ter saudades.