quarta-feira, 27 de abril de 2011

Mourinho é o melhor do mundo (só que este Barça existe)

O clássico de Espanha tem sido vivido com muita intensidade por cá. E a nossa casa não é excepção. Por acaso, desta vez, estamos do mesmo lado. Mas por razões diferentes, claro.

O M. é do real por defeito, um mal que se estende à maioria das pessoas do seu clube. No entanto, com o tiki-taka de Guardiola, começou a ver o que é bom e, quando Mourinho e o segundo melhor jogador do mundo foram para Madrid, foi obrigado a começar a torcer pelo Barça.

Já eu sempre fui do Barça. Foi por lá que passaram muitos dos meus ídolos – de Maradona a Baía -, admiro a identidade catalã e acho inevitável a comparação com o meu Futebol Clube do Porto.

Por isso, explico-me: eu não sou contra o real de Mourinho, do segundo melhor jogador do mundo, do nosso Ricardo Carvalho e do nosso Pepe; eu sou é a favor do Barça. E aqui reside uma grande diferença.

Mourinho fez parte do melhor que já tive na minha vida desportiva. Vou sempre admirá-lo pelo que fez connosco.

O Porto de 2002/2003 era fantástico e o de 2003/2004 foi campeão europeu. O chelsea era só um clube rico antes de Mourinho e o inter de Mourinho salvou por momentos uma liga italiana condenada à morte. No real, Mourinho já deu uma lição ao Barcelona de Guardiola e nada nos garante que não dê outra. Ele é assim: quanto mais o mundo torce para que falhe, mais ele ganha.

O currículo de Mourinho é invejável e provavelmente ele ainda vai ganhar em mais clubes. Guardiola já ganhou muito, mas ainda lhe falta ganhar numa equipa que não tenha Messis e Xavis. Tudo verdade. E Mourinho é português, pelo que compreendo que o ego lusitano precise dele para se afirmar numa Europa que por agora apenas nos vê como o país que está pior do que a Grécia.

Mas eu não sou obrigada a torcer por um clube dele. Principalmente quando o clube dele é o da monarquia da espanhola, do centralismo, dos milhões de adeptos daqui até à China (odeio a mania das grandezas, como sabem). E principalmente quando do outro lado está este Barça de Guardiola, a melhor equipa que eu já vi.

Comparar o estilo de jogo do Barça e do real dá vontade de rir. Sim, eu sei que o que interessa é ganhar e, se o Porto fosse a Camp Nou, era eu a primeira a aconselhar o Villas a meter 11 defesas. Mas, como não estamos a falar do meu clube, dá para eu torcer pelos melhores, por favor?

E o Barça é muito melhor do que o real. E o Messi é muito melhor do que o segundo melhor jogador do mundo. E o Pepe é muito bom, mas tem de resguardar a sua imagem de jogador agressivo. E o Ricardo Carvalho é um dos nossos, mas está do lado errado. E o Guardiola faz-me adorar futebol e o Mourinho gosta de jogar à ramaldense.


Para quem acha mesmo que 70% de posse de bola contra um remate à baliza não é suficiente: neste vídeo não são 10 contra 11; é um contra todos.

P.S. somos campeões em juniores e ganhámos por 10 ao slb em andebol. E estamos para aqui a falar do real-Barça porquê?

P.S. 2 Mourinho: ainda tens o número do Villas? Ele pode ensinar-te a dar a volta a um 0-2.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Obrigada, campeões

Não tenho palavras para vos descrever o orgulho que tenho em ser do FC Porto. É mesmo uma coisa que não se explica. Hoje, ao contrário do que sempre rogo, sinto-me mesmo melhor do que os outros todos.

Ontem, não fui à luz. Dizem que não se deve voltar ao local onde se foi extremamente feliz. E eu não queria estragar a noite mágica do dia 3 de Abril. Como pessimista convicta, achava que o Porto não ia conseguir dar a volta ao resultado. Agora sinto-me um bocado estúpida.

Por isso, fui jantar com amigos a um restaurante tipicamente lisboeta, que é como quem diz cheio de mouros. Na primeira parte, parecia que ninguém estava interessado na bola. As pessoas conversavam e riam alegremente, comia-se e bebia-se bem, estava uma noite agradável.

Mas o Porto entra em campo na segunda parte com outra cara. Começa a sentir-se aquela garra tão única da nossa gente, aquele querer assoberbado, aquela vontade de atropelar quem se atravessar à nossa frente. Eles vêm aí. Os que dominam o futebol português nos últimos 30 anos, os que já ganharam tudo (perdoem-me, vergonhosamente falta-nos uma Taça Lucílio), os que lhes dão pesadelos à noite. O restaurante começa a tremer.

João Moutinho, ele mesmo, o jogador à Porto - que exibição! -, deu o mote. Sou a única a gritar golo (com a ajuda da B.). Peço desculpa aos lagartos presentes e eles nem percebem. O resto parece que já adivinha o fim da história.



Hulk e Falcao matam-nos. Grito uma e outra vez, parece que estou na luz outra vez. Eles desesperam. Dizem asneiras (poucas, porque em Lisboa a malta é contida), a R. insulta o Jesus, revivem o último clássico. Como é que é possível? O Porto está outra vez a humilhá-los na própria casa.



O penalty inventado fá-los saltar da cadeira. “Foda-se, não é nada!” foi a única coisa que me ocorreu dizer, correndo risco de vida. O A., lampião com olhos na cara e muito viajado, diz que “não é penalty nem aqui nem na China”. Enfim, o normal.

O FCP continuou majestoso, mas aquelas almas gritavam cada vez que o benfica passava do meio-campo como se o Mantorras estivesse prestes a entrar. O benfica é isto: é alegria, é “acarditar” que desta não foi, mas da próxima é que vai ser.

No fim, nem precisei de dizer nada. Estendi os braços e vi que Villas-Boas o fazia exactamente como eu. Porque ele não é só o nosso treinador, ele é tão portista como nós. Ele sabe que montou uma equipa genial, mas, ao contrário do outro, não festeja como se ele tivesse ganho aquilo sozinho. Festeja como um adepto, é um de nós.

Silêncio no restaurante. Entram dois homens, um deles com uma camisola do slb envergonhada por baixo do casaco, e sentam-se na mesa do fundo. Pedem duas cervejas e ficam ali, calados, a olhar para o vazio. Gosto de imaginar o que estão a pensar. Sabe mesmo bem saber que eles sabem que nós somos muito melhores.

Preocupei-me imediatamente com o M.. Ele é um grande benfiquista e não merece sofrer tanto com uma coisa que é tão importante para ele. Custa-me um bocado por ti, sabes? Custa-me pelo meu sogro, que é o lampião com mais sentido de humor do mundo. Custa-me pelo F., que acha que o benfica é o melhor clube do mundo. Custa-me pelo D., que a esta hora já deve estar a tocar uns acordes de Pólo Norte.



Bora a Dublin?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Eles perfeitos e nós nada. E o Falcao? Porra.

Cheguei agora da Luz. Estou um bocado cansado, dói-me a cabeça. Estou lúcido: não há conversas: 5 jogos, 4 vitórias deles, e banhos tácticos atrás de banhos tácticos ao "Mestre". E o sorriso do Papa que alimenta fanaticamente o ódio contra nós. E é bem feita para não sermos tão estúpidos, tão boçais, tão arrogantes, tão portuguesinhos naquela mania do "já cá canta", tão pouco humildes, tão pouco trabalhadores, tão pouco corajosos. Sim, vou bater sem piedade numa equipa que me humilha, a mim, que me cai tudo por dentro quando não ganhamos, a mim e aos meus.
Ainda não tínhamos levantado o título do ano passado e já se prometiam epopeias na Champions. O nosso Presidente, no seu estilo "este título é meu e só ter ganho dois em dez anos é bestial, não é?" prometeu logo o deste ano. Estranha, então, a estratégia de vender os internacionais da selecção brasileira e argentina. Desculpem, não tenho tempo nem paciência para nomear todos os erros tácticos que fomos cometendo desde o Marquês 2009/2010 até ao dia de hoje. Apraz-me falar apenas da atitute. O essencial é que somos uns anjinhos, que somos uns iludidos. É fantástico que 30 anos depois, ainda não tenhamos aprendido quem é Pinto da Costa e os seus acólitos. Vocês viram o jogão dos homens hoje? A vontade de partir tudo, de morrer em campo? Algum Benfiquista sonha com um jogo daqueles no Dragão depois de levarmos 0-2 na Luz? Nem em sonhos, amigos.
Sim, concerteza que eles tem os árbitros, a Liga, a Federação e juízes na mão. Sim, ainda há o doping (ao Moutinho já só lhe falta voar), mas e então? Não é assim há 30 anos? Mas ainda estamos à espera que eles desaprendam? Rapaziada, é acordar, é trabalhar, é lutar. Eles ganham por default, já não somos nós. Já não há Eusébios, nem Colunas nem Nenés. O nosso plantel - vimos todos hoje, não vimos? - não tem qualidade, não é tão bom como o deles, porra.
Os homens atropelaram-nos e nós ali, sentadinhos na bancada, a reviver 30 anos. E se calhar vai ser igual na Liga Europa e para o ano. Porque a nossa direcção é de idiotas chapados que vivem a gamar-nos e que não percebem que para ganhar aqueles gajos é preciso estar sempre a 1000%. É preciso ter sempre um super plantel, super mentalizado, melhor que o deles, melhor que os Jorges Sousas e que os Xistras, melhor que tudo. E que se foda a Liga Europa e a Champions, temos é de ser nós campeões. Mas não, continuamos sem aprender. Continuamos convencidos que vamos ganhar só porque somos o Benfica. Isto desfaz-me. Isto mata-me. Ver, impotente, o jogo do Falcao, é-me melancolicamente doloroso. É um poema triste, mas ainda assim um poema. E a vontade do gajo, a maneira como ele salta, a elegância de cada movimento, de cada proteger da bola. E o Saviola e o Cardozo lá ao fundo, lentos, fazendo-nos a todos pensar qual o benefício de tantas poupanças (além da moralização da Naval do Mozer).
E é isto. Eu já tinha medo antes do jogo e confirmou-se. Vieira conseguiu fazer-me mais uma, conseguiu montar outra vez um Benfica que vou tentar apagar da memória.
Eu só queria acordar e ler amanhã nos jornais que o SLBenfica admitira, com humildade, a derrota. Há que suportar o gozo e a felicidade deles e ir trabalhar. Tentar com as armas que temos vencer o que falta e montar um plantel vencedor. E de preferência não o desfazer logo. Mas isto sou eu a sonhar, claro. Amanhã culparemos o árbrito, falaremos de injustiça, de azar, de qualquer coisa assim. E vamos continuar convencidos que somos os maiores. Talvez até ganhemos a Taça da Liga e alguns irão para o Marquês. O povo alegre, é o que se quer.
Estou farto desta felicidade absurda do Benfica. Estou farto, estou cansado, estou dorido de tanta porrada que levo desde que nasci.
Não me sai da cabeça aquele massacre, eles a aparecerem sempre mais rápidos, sempre mais perto, cada vez mais. Foram perfeitos, foda-se. E a culpa de não estarmos à altura é nossa e isso é embaraçante.
Parabéns, Catarina e família. Que festejem, que fizeram um jogão.
(E o Falcao, foda-se, o Falcao é tão craque)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um campeonato Muito Bom

Esta época tem sido muito boa. Foi muito bom vencer a Supertaça a abrir em Aveiro. Foi muito bom arrancar só com vitórias. Foi muito bom ver os adversários rapidamente a ficarem para trás. Foi muito bom espetar 5 no Dragão aos outros. Foi muito bom vê-los a acreditar que nos iam alcançar. Foi muito bom ver a distância aumentar. Foi mesmo muito, muito bom sermos campeões em pleno estádio sem luz.

Eu sempre fui boa aluna, por isso eu e o Muito Bom conhecemo-nos muito bem. Sei que, para se ter um Muito Bom, é preciso ser inteligente, saber a matéria e implementá-la na prática. O que não foi bem o que aconteceu no dia em que o Futebol Clube do Porto foi campeão.

Já vos falei aqui dos erros dos quais me apercebi nesse jogo e confesso que soltei uma bela gargalhada quando soube que o senhor Duarte Gomes tinha tido um Muito Bom daqueles que só se compreendem se o aluno for filho da professora. Mas, sinceramente, do que estávamos à espera?

Que de repente o país admitisse que o benfica foi beneficiado? Que alguém dissesse: sim, o Porto foi um justo campeão e o benfica não jogou um caralho? Que o árbitro viesse pedir desculpa?

Camaradas portistas, isto está ganho. Somos campeões! Merecemo-lo porque fomos melhores e eles tiveram a oportunidade de o ver, ao vivo e a cores, no seu próprio estádio. Mostrámo-lo até com o árbitro a roubar escandalosamente para eles. Foi perfeito, percebem?

Por isso, e apesar de achar que temos de estar sempre de olhos bem abertos (até porque vem aí um clássico para a Taça e até, quem sabe, para a Liga Europa), já estou um bocado farta deste circo todo.

É que nós nem precisamos de falar. Eles estiveram lá, eles viram-nos ser campeões logo ali. Eles têm essa imagem, ainda que mais ou menos apagada, na cabeça. Dói-lhes todos os dias.

Nós é que somos os campeões. Nós só temos de festejar e olhar para a Liga Europa, porque o FCP é isto: vencer e querer vencer logo a seguir novamente. Não foi por acaso que os portistas que estiveram na luz saíram do estádio a cantar “O Porto vai ganhar a Taça como em 2003”. Nós só queremos ganhar. Os apagões, os Muito Bons e os castigos ridículos a treinadores que agrediram um jogador são apenas motivos para continuarmos a querê-lo, todos os dias, cada vez mais.

E vamos ganhar. Sabem porquê? Porque o vosso ódio ao Porto é tanto que nos dão ainda mais vontade.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A/C Ricardo Araújo Pereira ou outros incomodados com André Villas Boas

Síndrome José Mourinho: mais um caso de contágio

Quem esteve atento à imprensa do Porto, esta semana, sabe que Pinto da Costa acaba de contratar o melhor treinador de todos os tempos. Dia após dia, Villas Boas foi sendo descrito nos jornais de modo a que ninguém tivesse dúvidas: Villas Boas não é o novo Mourinho; Mourinho é que, com esforço e sorte, poderá vir a ser o novo Villas Boas. Aqueles adeptos que, levianamente, tinham preferência por treinadores com mais de seis meses de experiência, foram confrontados com páginas e páginas de informações detalhadas sobre o extraordinário perfil de Villas Boas e puderam confirmar que estavam a ser ridículos Porque Villas Boas é jovem. Vilas Boas é ambicioso. Villas Boas é extremamente moderno. Villas Boas ainda não parou de evoluir. Villas Boas é extraordinariamente jovem. Villas Boas é arruivado e chama-lhe cenourinha. Villas Boas é mesmo muito ambicioso. Villas Boas tem o número de telefone de José Mourinho na sua agenda. Villas Boas adora os jogadores. Os jogadores adoram Villas Boas. Villas Boas é mais jovem do que quase toda a gente. Villas Boas fez relatórios magníficos para Mourinho. Villas Boas é tão ambicioso que até faz dor de cabeça. Villas Boas quase nunca diz palavrões. Villas Boas dá conferências de imprensa de antologia porque antecipa as perguntas dos jornalistas e ensaia as respostas geniais que vai dar. Villas Boas uma vez falou com um jornalista num aeroporto e deixou-o muito bem impressionado. Até porque é jovem. E ambicioso. Villas Boas tem dupla ascendência nobre: é o 4.º visconde de Guilhomil e o 17.º novo Mourinho. Villas Boas sabe estar. Villas Boas lê os jornais todos logo pela manhã, o que é notável. Villas Boas sabe o que é o esternocleidomastoideu (esta informação não vinha na imprensa, mas julgo que apenas por esquecimento). Villas Boas não treina, orienta processos de treino. Villas Boas não dá instruções, incute conceitos. Sempre de forma jovem e ambiciosa. E foi certamente por tudo isto que, dos 50 nomes de treinadores que Pinto da Costa disse ter na cabeça, houve 49 que não tiveram currículo nem categoria para levar a melhor ao rapaz que nunca treinou numa competição europeia e deixou a Académica num glorioso 11.º lugar, dois pontos abaixo do Paços de Ferreira de Ulisses Morais
Foi uma semana histórica. Certa capa de jornal colocava frente a frente os dois mais prováveis candidatos ao lugar de treinador do Porto e o respectivo resumo de carreira. De um lado, Muricy Ramalho. E, por baixo da fotografia, a legenda: «três campeonatos brasileiros e uma taça CONMEBOL». Do outro lado, Villas Boas. E, no lugar do currículo, vinha escrito: «7 épocas de Mourinho». Era, portanto, o confronto entre um tricampeão do Brasil e um heptacampeão dos relatórios. Sem surpresa, ganhou o último. Como benfiquista, não posso deixar de estar preocupado e julgo que se devem tomar medidas drásticas: avançar para o despedimento imediato de Jorge Jesus e contratar a Sr.ª D. Matilde, a mulher do special one. Tem cerca de 20 épocas de Mourinho no seu palmarés. Parece-me jovem. Caso seja ambiciosa, leia os jornais todas as manhãs e prometa pintar o cabelo de ruivo, é oferecer-lhe um contrato de dois anos com mais um de opção.
Quem julga que exagero acerca das capacidades de Villas Boas não precisa de ler as reportagens da imprensa nortenha. Para se ter uma noção da importância que o novo treinador do Porto tinha na equipa de Mourinho, bastará recordar que, esta época, já sem a preciosa colaboração de Villas Boas, Mourinho ganhou apenas o campeonato italiano, a taça de Itália e a Liga dos Campeões. O leitor lembra-se certamente das célebres imagens de Mourinho agarrado a Materazzi, na despedida de Milão. Pois bem, neste momento tenho a certeza de que ambos a chorar com saudades dos relatórios de Villas Boas. «I rapporti! I rapporti!», chorava Materazzi. «Ma che saudadini!», soluçava Mourinho. «Era cosi giovani e ambizioso!», suspiravam ambos.
A culpa é do próprio Mourinho, que tem esta qualidade única. Os outros grandes treinadores do mundo não transmitem, por osmose, os seus conhecimentos ao resto da equipa técnica. Quem faz relatórios para Fabio Capello não passa a saber treinar como ele. Os adjuntos de Alex Ferguson não se transformam em treinadores geniais (como nós bem sabemos). Mas os que rodeiam Mourinho passam a perceber de futebol por contágio. São contaminados pela especialidade de special one. Pode ser o melhor treinador do mundo, mas é um perigo para a saúde pública.

Ricardo Araújo Pereira, 5 de Junho de 2010, em A Bola




Na altura em que este texto foi escrito, o F.C., conhecendo o meu especial apreço por este humorista, disse-me para o ler. Não o fiz, porque sabia que me ia incomodar. No entanto, domingo, mal cheguei a casa, fui lê-lo. E adorei.

Adorei cada palavra, cada suspiro de medo por um treinador ainda desconhecido, cada pedaço de raiva por Mourinho ter sido um dos nossos.

Este texto - e este título de CAMPEÃO - é para todos aqueles que, tal como RAP, são invejosos, mesquinhos e têm um espírito perdedor. Talvez por serem do benfica, provavelmente por não serem do Porto.

Villas, muito obrigada por um campeonato que eu nunca esquecerei. Este já arrumaste. Agora ataca o próximo:



«Por um Mourinho que cai, um Mourinho se levanta», em Gazzetta dello Sport

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Isto não leva um título concreto porque eu escrever qualquer coisa já um milagre

O que se passou ontem foi um sintoma do que se passa no Benfica e do que é o Benfica desta época. Preso a um sistema táctico que vivia de Ramires, o Benfica entrega sistematicamente os jogos a qualquer equipa madura que aproveita o 3 X 2 no meio campo. Roberto, que faz 3 defesas impossíveis por jogo, surpreende-nos a cada jogada, retirando confiançaa toda a equipa. O Benfica pareceu-me cansado, sem ideias, sem liderança, sem saber muito bem ao que jogava. E isso não é por acaso.

O episódio do apagar da luz é triste, e mais que isso perigoso. Estavam pessoas no estádio. Foi um desrespeito, uma coisa sem nível, que podia ter causado problemas graves e que não ganhou nada: os rivais festejaram e festajariam sempre na mesma, a única coisa a fazer era deixar que isso acontecesse (o jogo acabado, bem entendido). Apagar a luz, ainda para mais dando azo a todas as bocas relativas ao nome do estádio, não só é uma mancha no historial do Benfica como prova o ADN desta infame direcção que em tudo usa o clube para os seus fabulosos negócios mobiliários e em nada, mesmo nada, respeita a sua história.

O fóculporto ganhou justamente o campeonato, e a culpa de termos perdido por falta de comparência é de quem passou o Verão a dormir, a desfazer a equipa campeã sem pensar em substitutos à altura e até apoiou Fernando Gomes para a presidência da liga.

Resta-nos lutar pelas 3 Taças. Parece inacreditável, mas depois de tanta asneira feita, o Benfica ainda luta por 3 títulos. Sinceramente, não consigo perceber muito bem como é que isso se sucede - é do meu feitio pessimista e do simples facto de não conseguir perceber como é que uma equipa que tem o vazio táctico de deixar o Javi Garcia a lutar contra Moutinho, Guarin (e muitas vezes Falcao) tantas vezes e sem solução - mas é o que aí está. Espero, do fundo do coração, que me compensem o que já sofri esta época (e em toda a minha vida).

A Catarina e a família são as únicas pessoas que merecem o título. O resto dos andrades podiam ter sido regados com ácido sulfúrico ou com mijo (era termos posto isso no sistema de rega). Isso sim, era baixar na moral, mas irritá-los à séria. Porra, eu é que era um grande Presidente e Treinador do Benfica.

O último a sair apaga a luz

Adoro ser do Porto. Este texto - pleno de responsabilidade porque certamente(!) entrará para a história - tinha de começar assim. É mesmo maravilhoso ser do Porto. Foi isso que senti mal ouvi o último apito do jogo: que o Porto, contra tudo e contra todos, é mesmo o melhor.

O FCP esteve sempre na frente deste campeonato, sempre seguro, sempre a marcar mais e a sofrer menos, quase sempre a jogar melhor do que os outros todos. No entanto, o Mal uniu-se com a conversa do costume. Ah e tal porque foram os árbitros. Tumba: 5-0 no Dragão. Ah e tal porque o benfica é que joga melhor. Embrulha: dominados na luz.

O jogo de ontem não era o jogo do título. A 13 pontos do primeiro, os visitados apenas queriam salvar a honra, lutar até a morte pelos três pontos, nas palavras deles. E, perante o que vi ali, parece-me que o que lhes está a custar mais é mesmo isso: falhou-se a honra, o orgulho, as únicas coisas que lhes restavam.



E falhou-lhes também a superioridade moral. Primeiro, cá fora. As imagens dos confrontos com adeptos vermelhos (o Correio da Manhã chama-lhes “presumivelmente afectos ao benfica”, porque com a proibição de adereços do FCP nunca se poderá saber ao certo…) atingiram em cheio os moralistas. Não gostei de ver aquilo, como é óbvio, até porque sei de fonte segura quem foram os habituais provocadores do costume, mas é giro ouvir os fóruns de hoje com lampiões raivosos contra as suas próprias claques. Porque eles são todos muito sérios, não fazem mal a ninguém.

Mais giro ainda foi estar à beira do senhor polícia que disse a célebre frase “sabemos que a claque que vem do Norte é pródiga na utilização de bolas de golfe” enquanto chegavam precisamente esses objectos do céu, mesmo à entrada do estádio que nem entrada para os visitantes tem. Já escrevi várias vezes sobre a vergonha que é a (des)organização dos clássicos na luz, com três filas de stewards para os visitantes serem revistados, aquela entrada de lampiões e visitantes à vez e outras coisas assim, mas parece que me conseguem sempre surpreender.

Desta vez, depois de uma hora esmagada numa fila que parecia não querer andar para adiar a entrada dos campeões, fui apalpada por todo o lado, tive de me descalçar, mas… preparem-se… nem me viram o bilhete!!! Portanto, imaginem não sei quantos stewards, mais não sei quantos polícias, uma confusão estúpida, e a Catarina a passar por todos com ar de parva porque podia não ter gasto aqueles 22 euros. Enfim, sejam bem-vindos ao estádio da luz.

Depois, foi a vez da superioridade moral falhar lá dentro. O FCP foi tão melhor do que o benfica dentro do campo que aqueles argumentos do tipo “o Porto é só corruptos” e “andam a roubar desde que está lá o Pinto da Costa” caíram por terra mais depressa do que o Jara. Aliás, o FCP foi tão prejudicado pelo árbitro que até deu vontade de rir.

A saber: há um penalty da Coentrona sobre o Hulk quando ainda está 0-0, o Aimar devia ter sido expulso aos 6 minutos por rasteirar por trás o Falcao (o primeiro amarelo é ao reclamar uma lei da vantagem quando nem falta do Otamendi era, já que o senhor Saviola faz o seu velho truque de mandar o seu joelho contra as costas do adversário), não é penalty a favor do benfica, o Roberto não é expulso (graças a deus nosso senhor jesus cristo!), o Javi, esse jogador sempre leal, nunca violento, devia ter sido expulso ao pontapear por trás o Varela, o Otamendi é incrivelmente mal expulso e a Coentrona devia ter sido expulsa mais do que uma vez. Enfim, é uma arbitragem portuguesa, com certeza.

O cúmulo da superioridade moral foi atingido com o “apagão”. Devo dizer-vos que foi um momento inesquecível. Um estádio vazio, às escuras, com água a sair da terra e música aos berros com a letra “benfica, vencer, vencer”... Foi poético, romântico até, e teve a sua dose de karma q.b., uma vez que o ano passado queriam que tivesse acontecido o mesmo no Dragão. Eu, como não sou moralista, achei piada ao mau perder. Diverti-me com a volta ao estádio que os jogadores fizeram com muito sentido de humor, adorei o túnel que fizeram à frente dos stewards, que vergonhosamente não os deixaram vir festejar com os adeptos. Foi muito melhor assim.


«Era demasiado duro para qualquer adepto do Benfica. Feio gesto, mas até certo ponto entendível», em "A Marca"

A festa foi maravilhosa, nos Aliados, no Dragão, no Marquês, por todo o país, por todo o mundo. O Porto está a crescer. E por isso começo por dedicar este título a todos os pipoqueiros que passaram o ano a assobiar no nosso próprio estádio. A esses, desejo-lhes tudo de mal, que tenham vergonha na cara e se enfiem em casa nestes dias. Vocês não merecem ser portistas.

Como sou um exemplo máximo de fair-play, quero também dedicar este título a quem o tornou possível. A Pinto da Costa e André Villas Boas, claro, aos fantásticos jogadores, obviamente, mas sobretudo a quem deu o empurrão matemático necessário para fazermos a festa na cara deles: Jorge Jesus. Aquele golpe de génio de dar o jogo com o portimonense como ganho, colocando uma equipa de suplentes, deu-nos os números que precisávamos. Obrigada, electricista.


Pára de os provocar com essa mão, pá!

Este título também tem se der dedicado ao melhor rival deste ano. O rapaz oxigenado prometeu que iam lutar até à morte e deve ter passado tão mal a noite que não posso deixar de o animar. Eu ou este companheiro de equipa, de uma maneira mais... sexual, digamos.



Como não sou ingrata, quero agradecer também ao nosso clube satélite da segunda circular. Acho ridículo os lagartos estarem contentes com os nossos feitos, mas percebo que tenham imaginado um bocadinho de vós naquele estádio.



E porque um bom portista nunca esquece outro, este título é seu Pôncio, como lhe prometi.

Por último, para quem se preocupa, lá em casa está tudo bem. O M. é o melhor lampião do mundo e foi para o quarto enquanto eu via a festa na televisão. Gosto muito de ti e a partir de agora vou mandar sempre a mesma piada quando formos a sair de casa: o último apaga a luz.