sexta-feira, 20 de maio de 2011

Obrigada, campeões

Helton, o capitão

Fui muito crítica em relação ao Helton nos anos de Jesualdo Ferreira, porque via o FCPorto a sofrer golos nas poucas oportunidades que deixava os adversários terem. Na luz, quando ficou a ajudar um jogador do benfica a levantar-se e assim sofreu o golo decisivo da época passada, ficámos mesmo de relações cortadas. No entanto, este ano, o nosso capitão fez a sua melhor época de sempre e foi mesmo na baliza que os nossos sucessos começaram. O lance de Mossoró, na final da Liga Europa, diz tudo sobre o quanto temos de lhe agradecer.

Rolando, com tranquilidade

Também confesso que o Rolando me assusta, com aquele ar tranquilo de quem não está ali para se chatear. É um jogador que não gosta de suar, porque tem classe suficiente para resolver as coisas sem grande esforço. Há quem diga que faz lembrar Aloísio, eu ainda espero que cresça mais.

Otamendi, a surpresa

Há jogadores que, quando chegam cá, já vêm rotulados como os melhores do mundo e depois falham. E há aqueles que, tal como Otamendi, chegam cá e começam logo a ser dos melhores do mundo. Gosto do estilo, dos golos e da vontade. Uma prova de que para se ser um jogador à Porto nem é preciso muito tempo de adaptação.

Sapunaru, vitalício já!

Passou despercebido nos primeiros tempos do FCP, mas, para mim, hoje é quase um indiscutível. Não só por ser um bom jogador, mas porque há outros pormenores que me impressionam. Primeiro, aquela sua determinação em falar português. Depois, aquela sua vontade de se vingar daqueles que o tramaram na época passada. Por mim, ficava já para sempre.

Fucile, sempre o mesmo

O "afilhado" de Jesualdo já não joga tantas vezes com AVB, mas o discurso continua a ser impecável. Adora o Porto e admiro-o por isso.

Alvaro, sobe rapaz!

Um excelente lateral esquerdo, desvalorizado por um país que acha que um defesa esquerdo não tem de saber... defender, porque o que interessa é ir para a frente que nem um maluco com um cabelo oxigenado.

Guarin, já engoli o sapo

Não gostava de Guarin. Já estão a ver como eu não percebo nada de futebol, portanto. Irritava-me que entrasse sempre sem vontade e que o ano passado tenha feito um grande final de época para que o contrato fosse renovado. Agora percebo que lhe faltava um bom treinador. Guarin foi gigante este ano, tanto como titular como como suplente. Foi decisivo, principalmente na Liga Europa, onde marcou muitos golos importantes e fez aquele trabalho magnífico para o Falcao na final. Por mim, renovem-lhe os contratos que ele quiser!

Fernando, um sinhore

Tem daquelas paragens cerebrais que matam alguns adeptos de futebol com corações mais frágeis, como aquela que deixou o Mossoró sozinho na quarta-feira. Mas compensa ao saber sempre para onde vai a bola e aparecer lá normalmente antes dos outros. Tem um fôlego incrível, nunca revela cansaço (parece o Maniche!!!!).

James, promete...

Entra sempre com uma enorme vontade e nem sempre consegue controlar aquela vontade de fazer bonito, mas os seus pés prometem muitas alegrias no futuro.

Belluschi, assim vale a pena

Mais um que só precisava de um bom treinador para brilhar. Vê-se ao longe o prazer que tem a jogar à bola e dá-nos esse prazer quando faz jogos como o cláCINCO da primeira volta.

Moutinho, foi-se o ódio, ficou o amor

Sempre me disseram que eu tinha uma relação amor/ódio com o Moutinho, tal era a obsessão que tinha em dizer mal dele. Na altura, sinceramente, só via a parte do ódio, mas hoje percebo que, afinal, era tudo amor. Segue as pisadas de grandes médios que temos tido, como Deco e Lucho, e fala como um dragão desde pequenino. Pinto da Costa avisou há muito tempo que este é que era um jogador à Porto. Eu devia ter percebido logo...

Varela, como eu gosto

É um extremo como eu gosto: joga simples, não inventa, recebe e cruza, não há nada que saber. Ainda por cima tem aquele sorriso maravilhoso quando ganha, próprio de um rapaz que cresceu numa casa tão infeliz.

Hulk, incrível, claro

Ainda me lembro de muito boa gente a vir com números argumentar que o FCP não saiu nada prejudicado daquele castigo rocambolesco ao Hulk. Notou-se. Muitos golos e muitas jogadas decisivas depois, acho que essas pessoas deviam ter vergonha e pelo menos estar caladas, porque daí não queremos elogios. O rapaz até pode sair este ano (vá, 70 milhões e não falamos mais do assunto!), mas o Rochemback e o David Luiz a correrem atrás dele vão ficar para sempre na minha memória.

Falcao, o melhor 9 do mundo

Não estou a ver nenhum ponta-de-lança no futebol actual que seja melhor do que o nosso e acho que isso diz o suficiente sobre o que penso dele. Espero que fique, para juntos ganharmos muito e vermos aquela cara de miúdo super feliz durante muitos anos. 100 milhões? Pronto, está bem...

Beto, Kieszek, Sereno, Maicon, Rafa, Souza, Ruben Micael, Rodriguez, Mariano e Walter: obrigada também a vocês.

Villas Boas, apontem-lhe o dedo

Era novo, inexperiente, um risco de Pinto da Costa. Como se já não soubéssemos todos onde vão parar as apostas arriscadíssimas do nosso presidente. Fora aquele jogo da taça em que perdemos 0-2, fez tudo bem este ano. E, mesmo esse, sabemos a alegria que nos deu na segunda mão. Não sei se é o novo Mourinho ou não, até porque, até agora, estou a gostar mais dele.

Pinto da Costa, uma nova namorada de 2 em 2 anos

Está velho, senil e acabado? Que continue assim velho, senil e acabado por muitos anos. Por mim, ofereço-me como voluntária para lhe arranjar uma rapariga nova de 2 em 2 anos, porque está provado cientificamente que, de cada vez que aparece uma nova, o FCP ganha umas taças europeias. Obrigada por tudo, senhor presidente.

P.S. 1: irrita-me que esteja tudo muito chateado por não terem visto bandeiras portuguesas na quarta-feira. Primeiro, sendo uma equipa portuguesa, não percebo qual a necessidade de haver bandeiras apenas a reforçá-lo. Se o manchester vencer a Liga dos Campeões, vai ser só bandeiras de Inglaterra... E o barcelona então nem se fala. Eu não me lembro de ver muitas equipas com bandeiras do seu país nestas alturas, acho que o hábito é os jogadores estrangeiros quererem chamar a atenção dos seus países. E, desculpem lá os que se ofendem com isto, mas este é o país que passou a semana anterior à final da Liga Europa a descobrir árbitros que não eram ex-árbitros, espionagem de e-mails e jogadores a fugirem da polícia. Este país não merece o Futebol Clube do Porto que tem.

P.S. 2: também achei piada às virgens ofendidas com um cântico anti-aquele clube que ficou a 21 pontos. Primeiro, registo com prazer que estiveram a ver a festa numa televisão a cores. Segundo, adoro que tenham de contentar-se com um pseudo sentimento de superioridade, já que não há mais nada para se agarrarem (minto, há a taça da liga). E, por último, acho simplesmente ridícula essa necessidade de tratar os adeptos do FCPorto como vândalos quando todos sabemos que os adeptos são todos iguais, só muda o clube. E, por isso, uns ficaram em casa na quarta-feira, mesmo tendo bilhete e viagem (ahahah). E outros, como eu, têm 24 anos e já foram a Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin (em Viena fiquei a ver no colo da minha mãe, uma vergonha). Custa-vos muito? Que pena.

P.S. 3: nas próximas duas semanas estarei em campanha eleitoral. O M. ficará responsável por animar este blog, embora ele próprio esteja a precisar que alguém o anime. Entretanto, no domingo, há outra taça para ganhar. No Porto é assim: ainda agora festejámos uma e já estamos a pensar noutra.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Mingos: não me faças mal

Mingos,

Cresci a gritar os teus golos, a admirar-te como jogador, a ir pedir-te autógrafos às Antas. Foste um dos meus grandes ídolos e, apesar de na escola preferir bonecas e saltar à corda, era capaz de discutir com os rapazes se eras melhor do que o Kostadinov ou não.

Por tudo isso, porque quando penso em ti só vejo azul e branco à frente, é-me geneticamente impossível desejar-te mal. Não consigo insultar-te, detestar-te, ver-te como um adversário. Ao ouvir-te hoje a falar com tanta vontade de ganhar, há mesmo um bocadinho muito foleiro de mim que até nem se importava de te ver feliz.

Mas, Mingos, amanhã é dia para o nosso Porto ganhar. Amanhã é dia de ficar na história, de ver os Aliados e o Dragão cheios de povo, de colocar mais um troféu no museu do clube português com mais títulos internacionais. Amanhã vou a Dublin e quero vir de lá com ainda mais orgulho em ser portista.

Eu percebo que queiras ganhar. És um bom profissional, fizeste essa tua óptima equipa e para o ano vais cometer o maior erro da tua vida, por isso é bom que aproveites esta boa fase. Serás sempre um dos nossos, iremos sempre ver-te como um dos bons, mas desta vez lamento dizer-te que não estás do lado certo.



Mingos, por tudo o que me fizeste gostar de futebol, por todos os teus golos que festejei, porque vais ser sempre um dos meus grandes ídolos: amanhã deixa-me ser feliz.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Para o Deco, o Lucho e muitos outros

Decidi quebrar o meu blackout (convenci-me que não falar da final da Liga Europa me vai fazer vencê-la) para vos falar um bocadinho dos que já cá não estão, mas que nunca serão esquecidos.

Esta semana, confesso, emocionei-me com uma entrevista que li no Jogo. Deco fala muitas vezes e nem sempre com razão, mas quando lhe pedem para comentar assuntos do seu FCP a história é outra. Desta vez, deu um conselho a Hulk e Falcao: o dinheiro é importante, mas nunca serão tão felizes noutro clube como no Porto.

Deco sabe-o. Esteve no Barcelona campeão europeu e isso não foi suficiente para o fazer esquecer o azul e branco. Nota-se que o diz com sinceridade, não com aquela graxa típica de jogador que sai do país, mas é constantemente assediado por jornalistas portugueses para tentar sacar uma frase bonitinha sobre o clube luso que representou (ex. David Luiz)

Deco saiu do Porto há 7 anos, está a contar os dias para arrumar as chuteiras e, mesmo assim, sofre pelo FCP. Sabe tocar-nos no coração, a nós, que cantámos tantas vezes “é o número 10, finta com os dois pés...” Chamem-me foleira, quero lá saber, mas adorei.

E, no dia seguinte, leio no mesmo jornal que Lucho se farta de mandar mensagens a Pinto da Costa a dizer que está a torcer por nós e que quer viver para o Porto assim que possa. Lembro-me daquele número 8 todo tatuado, do tango sempre acertado dos seus pés, das palavras sempre bem medidas e acertadas. Que saudades.

Deco e Lucho saíram do Porto por dinheiro. Ganharam muita coisa por cá, eram idolatrados pelos adeptos e saíram a bem, simplesmente porque ambicionavam mais. Mas eles sabem o que deixaram para trás. Sabem que não há igual no mundo.

Na quarta-feira eles também vão estar um bocadinho connosco. Moutinho, com jeitinho, pode recuperar uma bola à Deco. Belluschi, com sorte, pode fazer um passe à Lucho. Helton pode defender à Baía. Sapunaru pode ter a classe de Bosingwa. Álvaro Pereira pode atacar mais do que Paulo Ferreira. Rolando pode ter a calma de Ricardo Carvalho. Otamendi pode fazer um corte maluco à Pepe. Guarin pode resistir como Costinha. Hulk pode explodir como Quaresma. Falcao pode marcar um golo à Lisandro.

Todos eles vão torcer por nós. E nós queremos festejar também por eles.

Obrigada por tudo, Deco.

Cá te esperamos, Lucho.