quinta-feira, 30 de junho de 2011

Querido filho: escolhe bem o nome

Um dia, eu e o M. vamos ter filhos. Não pensamos muito nisso, na verdade. Se vão ser loiros como a mãe ou morenos como o pai. Se vão ter os olhos azuis da mãe ou os olhos de mel do pai. Se vão ser super inteligentes, divertidos e engraçados como a mãe ou um bocadinho menos inteligentes, divertidos e engraçados como o pai. Isso não interessa, desde que sejam saudáveis… e escolham bem o clube.

Vão ter todas as condições para isso. A Norte, terão certamente muitas prendas azuis e brancas. A Sul, o Pai Natal será vermelho. Provavelmente, até serão sócios de dois clubes ao mesmo tempo, até terem idade para desiludir eternamente um dos progenitores. Ou os dois, se vierem a ser uns vermes lagartos. A hipótese de não gostarem de bola nem sequer é colocada (isto se não quiserem ser dados para adopção).

E, como qualquer casal que não tem nada para fazer, é óbvio que já pensamos em nomes. As hipóteses são imensas e pensámos em pedir a vossa ajuda para a lista ir diminuindo.

Nomes preferidos da C.:
1. Jorge Nuno Pedroto Pereira Neves
2. Madjer Juary Viena1987 Pereira Neves
3. Derlei Alenitchev Derlei Sevilha2003 Pereira Neves (reparem que há um Derlei da parte da mãe e outro da parte do pai; afinal, ele jogou nos dois…)
4. Carlos Alberto Deco Alenitchev Gelsenkirchen2004 Pereira Neves (muitos nomes, como um rei, até porque foi contra o Mónaco)
5. Vítor Baía Pereira Neves (se as coisas correrem bem nos próximos meses, ele vai assinar sempre VÍTOR PEREIRA)
6. Radamel Pereira Neves (quando estivermos chateados, vamos gritar: FALCAO, ANDA JÁ PARA A MESA!)
7. Roberto Pereira Neves (e quando o jantar for frango, é ele que faz)

Nomes preferidos do M.:
1. Eusébio da Silva Ferreira Pereira Neves
2. Coluna Simões Águas 60/61 61/62 Pereira Neves
3. Rui Costa Glorioso Pereira Neves
4. Pablito Pereira Neves
5. El Conejo Pereira Neves
6. Luís Pereira Neves (para o pai, todo orgulhoso, o chamar Luisão)
7. André Pereira Neves (para a mãe, furiosa, o chamar Libras Boas)

Nomes que ambos admitem:
Só um: Nicolas Pereira Neves (Otamendi para a mãe, Gaitan para o pai)

Nomes para uma menina:
M.: Águia Vitória Carolina Pinhão Pereira Neves
C.: Jorge Nuno na mesma, porra, agora há liberdade para tudo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bye bye!

Ainda mal recuperado de uma época terrível, de um pesadelo interminável, eis que o inimaginável acontece. André, o tipo que parecia ter sido tirado de um anúncio de relógios, o portista mais portista que o Martins dos Santos e o Calheiros juntos, o cenourinha com aquele ar de boas famílias, foi-se embora. Quando o fóculporto, celebrizado pelo Guarda Abel, que para quem não sabe é um senhor sem os dentes da frente, e pelo "Não vou por aí" assassinado declamado por Pinto da Costa, se via finalmente representado por alguém que os podia fazer parecer finalmente um clube decente, eis que se dá a traição. Mandou-lhes um fax e mandou-os à outra parte.
O futebol, quer queiram quer não, é feito de ódios de estimação. Benfiquista que é benfiquista fica com as bochechas a doer de tanto rir quando acontecem desgraças aos azuis e aos verdes. E para mim, que já estava assustado com a dita criatura ficar a atormentar-me mais um ano, foi uma maravilha vê-lo partir sem sequer avisar. Nem uma choradeira fingida numa conferência de imprensa. Foi-se embora indiferente.
A Catarina escreveu que foi como uma traição de amor. Apesar da confusão que é vê-la deprimida, espero que sim. Melhor só mesmo se o Chelsea ganhar 7-0 no dragão para o ano e ele festejar louco virado para os Super Dragões (menos para a Catarina).
É que nós, os verdadeiros adeptos, desejamos mal. Quando eu vi a Juve Leo cantar "Acabou-se o tacho" às 3.30h da manhã, festejando a suposta vitória de Bruno Carvalho nas eleições, disse à Catarina que tínhamos que ir dormir porque no da seguinte o Godinho Lopes ia ter ganho e ia ter havido pancadaria. Parece recambolesco, eu sei, mas estou altamente treinado a sonhar estes esquemas.
Portanto, foi com regozijo que vi o André render-se às Libras Boas e rumar à chovosa Londres para beber vinho com oligarcas russos, renegando completamente as raízes, a já famosa "cadeira de sonho". Ser rival é querer facadas no orgulho dos outros para nos vingarmos das que já levámos no nosso (e sabe Eusébio o que levámos nós este ano).

(Sonho com o Falcao vestido à Chelsea em pleno dragão. Quero que os azuis sintam que vão ver uma ex-namorada e que esperem aquela melancolia de quem já partilhou tudo. Palmas no aquecimento, como quem diz Então, tudo bem? e diz com os olhos Podia ter sido tão bom. E, sem avisar, o colombiano marca um hattrick, festeja com aquele salto irritante no ar e é como se a ex-namorada dissesse secamente Sim e se virasse de repente para um tipo alto e com livro desconhecido debaixo do braço e o beijasse como quem o quisesse foder a noite inteira.)


De coração partido

Estivemos alguns meses na fase do engate. Havia trocas de olhares, pequenas carícias e alguns sinais de uma académica um pouco diferente de um clube que luta para não descer.

Em conversa, descobrimos um passado em comum. Recordámos as muitas tardes e noites passadas na Superior Sul do Estádio das Antas. Falámos de Bobby Robson como um grande ídolo. Comparámos as nossas histórias de amor. Era evidente para todos: fomos feitos um para o outro.

O namoro começou há um ano. A família desconfiava dele, não o conhecia de lado nenhum, e até tinha ar de engatatão. Mas depressa lhes deu a volta. Convenceu-os que me iria amar para sempre e que eu era a namorada de sonho.

O Verão até começou com um passeio romântico em Aveiro, uma Supertaça que iria marcar a nossa relação. A fase da paixão prolongou-se: 5-0 no clássico, vitórias sucessivas na Europa, os outros casais não tinham vida para nós.

Casámos de luz apagada na luz, tivemos filhos em Dublin e já imaginava a minha vida toda com os Aliados pintados de azul. E, depois, isto.

De um dia para o outro, deixaste-me. Sem dizer nada, apenas com um fax. Trocaste-me por uma idiota russa cheia de dinheiro, muito mais feia e gorda do que eu.

E eu por cá fiquei, de coração partido, com memórias de um casamento curto mas tão feliz, e com um rancho de filhos valiosos que poderão ir atrás de ti.

Durmo mal, penso no que fiz para isto acontecer, não consigo entender o porquê. Poderias ter sido o amor da minha vida, mas, afinal, vais ser só mais um que me enganou.

Estás contente? Estás feliz? Não acredito. Ela não é melhor do que eu. Para ela, serás só mais um capricho. Ela não gosta de ti como eu gostava.

Mas sabes que mais? Não quero saber. Vou ultrapassar isto num instante e andar para a frente. Sei que mereço melhor e que ainda vou ser muito feliz.

Não me peçam é para me apaixonar já outra vez. Isto vai demorar.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sofá de sonho

Agora que o choque já passou, posso voltar a odiar este mundo capitalista.



A mim, nem que me dessem todo o dinheiro do mundo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Ufa, o Pinto não está à venda

Percebo a festa que está a ser feita por Villas Boas deixar o F. C. Porto, não percebo a onda de indignação do nosso lado.

É muito, muito dinheiro mesmo, ninguém o podia recusar. É cedo? Todos esperávamos que ficasse por mais uma época? Sim. Claro. Mas ninguém pode concorrer contra cinco milhões de euros por ano.

Por isso, estou mais numa de insultar o russo. É verdade que Abramovich já nos deu muito dinheirinho, às vezes mais do que realmente valiam os nossos jogadores. E não devemos ser ingratos. Mas custa perder um treinador para a lavagem de dinheiro do petróleo.

Parece-me que Platini devia estar mais preocupado com estes multimilionários caprichosos que andam por aí a desfazer equipas a seu bel-prazer do que com equipas que têm muitos jogadores estrangeiros. Os Abramovich deste mundo não deviam poder tratar clubes como o F. C. Porto como uma loja onde se vendem iates.

Enquanto não se travar esta moda, vamos ser sempre comidos pelos grandes tubarões. E não há cadeira de sonho que o evite.

Deixem-se de mensagens e ameaças revanchistas: o homem aceitou o que qualquer ser humano aceitaria. E lembrem-se que já nos traçaram cenários mais negros noutras alturas e que soubemos sempre sair por cima.

No F. C. Porto, o que conta não são os treinadores ou os jogadores que entram e saem, é o clube. Só há uma pessoa ali que felizmente o russo não pode comprar, que é o nosso presidente. O resto é rotativo.

Boa sorte para o futuro, André.

P.S. Quem virá a seguir? Aposto que certos adversários devem estar em pânico. É que os seus treinadores também têm uma cadeira de sonho.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Parabéns, avó

A minha avó é a melhor pessoa do mundo. Eu sei que toda a gente diz isto dos seus avós, pais, irmãos e etc. Mas normalmente só o dizem até conhecerem a minha avó. E, sendo a minha avó a melhor pessoa do mundo, é natural que eu aproveite o seu exemplo. Porque, afinal de contas, nem toda a gente conhece a melhor pessoa do mundo.

A minha avó também me serviu de exemplo no futebol, claro, porque é a maior portista do mundo. Às vezes também tem a mania de dizer que é do Leixões, porque nasceu por lá, mas rapidamente lhe passa quando o jogo é contra o FCP.

A minha avó é tão portista que conseguiu criar uma família inteira e não sair ninguém ao lado. Todas as crianças que passaram por aqueles braços são hoje portistas. Não sei o que é que ela lhes fez, nem quero saber. Resultou. E os meus filhos hão-de passar por lá também, pelo sim, pelo não.

A minha avó é tão portista que, tal como o Pinto da Costa, não conhece os adversários. Luís Filipe Vieira, por exemplo. Sempre que o senhor aparece na televisão, a minha avó muda de canal. Portanto, não o conhece, não sabe o que pensa, não ouve o que diz. Basicamente, não se incomoda com ele. Um exemplo a seguir, portanto.

A minha avó é tão portista que em cima do móvel onde cabem as fotos de toda a família tem de estar um peluche do FC Porto. Portanto, acima de todos nós. Porque os netos são muito lindos e tal, mas não lhe deram tantas alegrias como o clube (menos eu, que sempre fui a mais certinha, claro!).

A minha avó é tão portista que, no fundo, tem pena do M. ser do benfica. Não o goza, não lhe manda bocas, nada. Só tem mesmo pena. Que é, na minha opinião, a maneira mais brilhante de se tratar um adversário.

A minha avó é daquele tempo em que ser do Porto era uma coisa má. O clube não ganhava, passava a ponte e estava derrotado e estava muito longe de alcançar os rivais lisboetas. Por isso, hoje, nem quero imaginar como deve estar orgulhosa de ver o FCP com mais títulos do que o maior clube do mundo e arredores. Aposto que é quase tanto como eu dela, que é a melhor pessoa do mundo e faz hoje 75 anos.

Parabéns, avó!

Da neta preferida, mais linda, mais fantástica e mais portista (a única, também).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

É preciso ter os coentrões no sítio

O mês de Junho é sempre uma seca. Eu sei que eles são humanos, mas devia haver uma maneira de criar uma competiçãozinha durante as férias, uma coisa que não cansasse muito, até podia ser no Brasil ou na Argentina que é onde eles estão todos, só mesmo para curar esta minha ressaca.

Passam-se coisas importantes no país. Andei duas semanas em campanha eleitoral e um dos melhores momentos admito que foi a leitura dos jornais desportivos numa esplanada algarvia. Porquê? Bem, eu sei que o novo governo, a troika e a austeridade vão ter um grande impacto na minha vida. Mas os impostos sobem e descem, os salários recuam e avançam, e o meu Porto está sempre cá. Por isso, perdoem-me lá por uma entrevista ao James me parecer mais importante do que uma entrevista ao próximo primeiro-ministro.

Este mês só tem uma coisa boa: é o mês do benfica. Ainda há umas semanas estávamos a vê-los todos tristes, a verem-nos festejar um campeonato, uma taça e uma Liga Europa, e agora é vê-los aí no YouTube, a pesquisar pelos “Enzos” que andam por esse mundo, futuros Ronaldos e Messis mas para melhor.

Adoro o campeonato do mercado por causa disso. E este ano temos ainda um extra: lembram-se daquele lateral esquerdo loiro platinado, que era o melhor do mundo e arredores, que chorava a cada chouro que marcava no último minuto, aquele exemplo de grande lampionismo? Pois é, pelos vistos agora é um atrasado mental.

Vejam lá que ele prefere ir para o real madrid do que ficar no benfica. Eu não percebo porquê. O real madrid ganhou a Taça do Rei, mas não os vi ir muito longe na Taça da Liga. O real madrid discutiu o título até às últimas jornadas (pelo menos A Marca acreditava que sim) e o benfica só não o fez porque a última época não existiu (pelo menos a benfica tv acredita nisso). O real madrid levou 5 em casa do barcelona e… bem, é melhor ficarmos por aqui.

Todo este espectáculo parece-me que pode acabar de duas maneiras: ou o gajo vai mesmo para Madrid por um valor abaixo da cláusula de rescisão mas o Vieira fica bem visto porque, afinal de contas, o atrasado mental é que preferia o real madrid ao grande glorioso; ou o gajo fica e daqui a um mês volta a ser o melhor loiro platinado do mundo porque corre muito contra o FCPorto (e por correr entenda-se andar atrás do Hulk feito maluco).

Desculpa-me, M., por ter de falar nisto, mas o mês de Junho é sempre uma seca no Porto. Não há contratações mágicas, entrevistas chocantes ou promessas de amor eterno de um jogador qualquer que nem sequer saiba ainda muito bem onde é Portugal. A época ainda não começou e já temos os coentrões todos no sítio.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Só faltas tu, Benfica

Imaginem o seguinte: Trinidad, Cuba, uns 35 graus. Uma cidade linda, um silêncio maravilhoso e uma paisagem a fazer lembrar aquelas novelas brasileiras de época. A minha namorada, que é a mulher perfeita, está comigo. Estou de férias, férias do meu emprego de sonho, daquilo que sempre quis fazer, no sítio certo, com pessoas que me dão todo o apoio. A minha família tem os problemas de todas as famílias e, inclusive por isso, é a melhor família que eu poderia desejar. Sou um rapaz novo, com saúde, com a vida à frente e estou em Cuba, numa cidade linda e está um Sol maravilhoso.
A vida é perfeita não, é? É o caralho, é o que é. "1-0 Custodio 20`" - é a mensagem telegráfica do meu pai. Toma lá. O soco no estômago. Tudo o que eu não queria ler. E, de súbito, a imagem de um porto - braga em Dublin começa a desenhar-se na minha cabeça. E, longe, sem ver o jogo, imagino a equipa impotente sem conseguir dar a volta. Sinto-me pequenino, muito pequenino, só me apetece desaparecer. Tive uma vontade muito grande de chorar, de desistir, como se houvesse maneira de desistir disto, de dizer assim "olhe, se faz favor, é para cancelar a opção do fanatismo clubístico, sim?". Mas porquê, porra? Estão quase 40 graus, ainda há dois dias tinha estado numa praia paradisíaca, como nos filmes, há 20 minutos a minha vida era praticamente perfeita, como é que isto aconteceu?

Hoje, muito tempo depois, o suficiente para ganhar coragem para escrever este texto, verbalizo aquilo que sinto desde há vários meses: o Benfica é o empecilho da minha felicidade. O Benfica é a única razão pela qual eu não sou verdadeiramente feliz a tempo inteiro (sou-o na maior parte do tempo, estou altamente treinado a recalcar os desaires do meu clube). E quem lê isto se calhar ri-se e pensa que isto é tudo um grande exagero, uma grande metáfora para eu tentar mostrar como o meu clube é tão importante para mim como as putativas paixões do leitor que se ri, sejam elas por carros, selos, livros, uma banda, sei lá. Mas não, isto é mesmo a sério, é literal. Porque raio acordei eu nessa noite em Cuba sobressaltado, como se me tivesse esquecido do gás ligado em Portugal? Com a sensação pungente que algo estava mal, que algo tinha que ser rapidamente remediado sob pena de um desastre? Porque o Benfica tinha ficado fora da final da Liga Europa, arruinando a expectativa escondida de eu poder ser a pessoa mais feliz do mundo caso o Luisão levantasse o troféu. E se o gás ligado podia ter incendiado a casa, era uma chatice e coiso e tal, mas passados 15 anos se calhar já só era gozado por isso nos Natais, neste caso eu sei que, de tempos a tempos, vou acordar a meio da noite com a mensagem "1-0 Custodio 20`" e a desejar que seja tudo mentira. E não é. Não foi mentira.

Sinceramente, não sei muito bem o que acrescentar a isto. Já passou muito tempo e enquanto escrevo sou obrigado a colocar relatos de golos nossos a ver se me animo, o que só acabou de me causar uma fragilidade emocional muito maior porque acabei de me arrepiar com o relato do 2-0 do Aimar aos verdes em 2009/2010, e sabe Deus (o Eusébio, o outro não existe) o que eu fui feliz naquele golo, o que eu me emocionei quando ele picou a bola sob o Grimi e eu a vi bater na rede. Foi como encontrar o sentido da vida, mas talvez num plano mais profundo, mais visceral. E está uma pessoa perdida nesses pensamentos, a guardar esses bocados onde se foi eternamente feliz e que estão cá dentro, guardados no coração, como se fossem um momento marcante de uma história de amor (e são-no, não é - outra vez - uma metáfora), quando me lembro que naquela tarde em Cuba e em Braga tudo se estragou.

As pessoas preocupam-se comigo e, quando a Catarina não está, sugerem-me que o meu sofrimento é maior porque ela é azul e porque goza comigo. A Catarina não goza comigo nem eu com ela. Porque quando o Benfica perde, ela sabe que não precisa de me gozar. Na verdade, quando o Benfica perde, sobretudo quando perde jogos como o de Braga, acho que nem um camião a passar-me consecutivamente sobre um joelho me ia distrair da profunda dor que me causa o Benfica. Eu sei que isto é doentio, que é irresolúvel e essas coisas todas, que todos os anos um gajo escreve isto (a vermelho, azul ou verde), mas às vezes dou por mim às voltas na cama a querer resolver todos os problemas do Benfica, como se isso fosse possível. Como se pudesse, de facto, ir apagar o gás. E às vezes faço-o com uma avidez tal que me apercebo que, no fundo, estou a tentar resolver o único problema da minha vida, a única parte que está errada, que me dá chatices - é como já ter 3 filhos casados, com filhos e empregados e ter um de 16 anos que só faz asneiras. E o pior é que o Benfica não é aquele filho que bebe uns copos e nos obriga a ir buscá-lo às 4h da manhã a vomitar. Não, é um puto que está na heroína, a ressacar.

Isto assusta-me porque eu um dia quero ir a Cuba sossegado, sem medo de deixar o Benfica em Portugal a fazer asneiras. E chateia-me olhar para a minha vida, desde os meus 10 anos, e achar que até agora não foi grande coisa porque desde aí só ganhámos dois campeonatos.

Se não fosse o estado do Benfica, eu era a pessoa mais feliz do mundo.