domingo, 31 de julho de 2011

O leão mete medo

Confesso que até ontem estava sem grande interesse na pré-época do sportem. Gosto do treinador, sei que vieram uns reforços com nomes esquisitos e pouco mais. No fundo, é só mais um clube da primeira liga com o qual não tenho de me preocupar.

No entanto, e como tenho esse infeliz hábito de ler os jornais desportivos, comecei a pensar que devia ter estado mais atenta. Até ontem, contavam-se cinco jogos e cinco vitórias, a equipa era super elogiada e os valores individuais (já chamam isto ao Postiga, vejam lá) vinham a destacar-se. Houve parte de mim que chegou mesmo a acreditar que, com um bom arranque, o sportem podia ser um bom candidato ao terceiro lugar.

Mas depois chegou o dia de ontem. Estádio de alvalade cheio como há anos não se via (o que prova que, além de mim, há pelo menos 49 mil pessoas que ainda vão nas cantigas da imprensa desportiva), uma alegria imensa (tão invulgar por aqueles lados) e muitas palmas para jogadores que já deram tantas provas no futebol internacional como Daniel Carriço. Nada podia falhar.

E não falhou. O sportem, afinal, continua em grande. Leva três secos em casa, consegue ser humilhado no jogo de apresentação aos sócios e provavelmente não vai voltar a ter 49 mil pessoas em alvalade durante muito tempo.

Os novos jogadores, provavelmente enganados por empresários que devem desconhecer a situação financeira do sportem, já estão com aquela cara de quem quer voltar rapidamente para casa da mamã. «Pensava que o sportem ia ser mais forte», desabafou Ricardo Costa. Eu também pensava que se reciclasse o meu lixo o aquecimento global acabava e, para já, ainda não vi nada.

O Domingos, curiosamente, pediu Paciência aos adeptos e o presidente já emitiu um comunicado: «Não estamos a construir uma equipa para um jogo, mas para um ciclo. Será um ciclo de vitórias». Só o facto de já ter ouvido isto do outro lado da segunda circular tantas vezes dá-me segurança suficiente para saber como é que isto vai acabar.

Agora, depois de ter visto um gajo do valência a conseguir marcar um golo no meio de quatro defesas do sportem, já acredito que vamos ter uma grande época em alvalade. O leão, aquele verdadeiro que entrou no relvado, mete medo, mas os lagartos continuam exactamente na mesma.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reforços

Tenho um grande problema com os reforços do Benfica: sou excessivamente exigente. Para mim, o Benfica tem de atingir um estado de perfeição tal que eu acho que se Maradona tivesse sido contratado para o SLB em 1986 eu diria que o rapaz era demasiado baixo. E isso cria-me um transtorno embaraçante para qualquer adepto, que é o facto de não conseguir ter veredictos certos. É óbvio que eu olhei para o Ramires - cujas transições defensivas ainda fazem o meu coração palpitar de saudades e me dão, até, uma certa melancolia - e vi que o que ali estava era ouro. Mas também achei - era mais novo, é certo - que Paulo Nunes seria o craque que o Benfica precisava para destronar o fóculporto de Mário Jardel e durante anos, mais precisamente de 2004 ao início de 2010/2011, achei que Moutinho era um jogador vulgar destinado a ser capitão do Belenenses aos 33 anos.
Portanto, provavelmente não sou a melhor pessoa do mundo para aferir imparcialmente e com justiça a qualidade dos reforços do meu clube, mas há coisas que até um fanático, mesmo sempre condicionado pela sua cegueira que tentou fazê-lo acreditar que aquele frango do Roberto na pré - época tinha a ver com as bolas novas, consegue ver. Por exemplo, quando Witsel entrou em campo, todos os bons treinadores de bancada da Luz encontraram o menino bonito para 2011/2012. Não é só o facto de, inconscientemente, acharmos que ele pode partir a perna ao Hulk (o que o tornaria o menino bonito da década e não da época), mas sim porque depois de um ano a jogar em 4 (que inclui o Javi a compensar uma subida parva de Coentrão ou David Luiz) - 0 - 6, sabe-me bem perceber que há no plantel alguém que pode fazer com que o meio campo não seja uma zona onde os adversários possam jogar à sueca sozinhos. Se nos lembrarmos dos famosos duelos 2010/2011 que Javi travou contra Belluchi, Moutinho e Falcao (sim, porque o Falcao desce sempre para pressionar o trinco e quem não vê isso não percebe o que aquele jogador vale), Witsel parece-nos vindo num cavalo branco e com umas botas reluzentes.
2 dias depois do jogo ainda não percebi como é que aquele rapaz, que leva a bola de cabeça levantada, que recupera bolas à frente e que tem uma qualidade de passe simples brutal, ficou no banco. É que não vi ninguém melhor do que ele nos onze que começaram. Mas, cá está, o Witsel sofrerá comigo a mais alta das exigências. O Maradona de 86 era baixo demais para o Glorioso, mas o belga parece-me ter as qualidades certas. Isto das duas uma: ou há um romance tipo Ramires, que - não sei se já vos disse - me dá vontade de ir a Stamford Bridge com uma cartolina a dizer "Volta, Ramires e dá-me a tua camisola" em letras muito mal desenhadas, ou então temos mais um caso Paulo Nunes, mas desta vez já com idade para ter vergonha.
Ainda em relação a 4feira, é óbvio que Nolito foi formado em La Masia e que tem uma qualidade de passe que não acontecerá na 8ª geração da família de Matic. O que é estranho é que Jesus tenha achado que o rapaz era individualista. O que é feito daquele tipo a quem achávamos piada em 2009/2010? Nolito individualista? O que mais espanta em Nolito é a maneira como pede o passe e a maneira como joga a dois toques a uma velocidade impressionante. Mas Jesus, esse craque a gerir grupos, resolveu dizer em público que ele joga sozinho.
Enfim, não é que Nolito me impressione por aí além, mas sinto-me estúpido por Jesus me ter convencido em 2009/10 e agora dizer isto. De resto, Enzo Perez parece-me bastante bom e bastante desadequado ao 4-1-3-2, dado que é um extremo e eu para ver o meu lateral sozinho contra 2 jogadores já me chega o Gaitan de um lado.
Dos outros chega-me a consolação, para já, de fazerem com que o César Peixoto deixe de ser o nosso 12º jogador.
Ah, retira um bocado de emoção ao jogo, isto de ter guarda redes. Antes, cada bola no nosso meio campo, cada cruzamento bombeado da pior maneira, de frente para o guarda redes, sem os adversários terem que sequer ir à linha, era um perigo. E com isso ganhava o espectáculo (e as equipas adversárias, também). Agora temos um gajo que, não sendo nenhum Preud`Homme, tem a qualidade de não parecer que se está a aguentar para não chorar durante 90 minutos. Parece pouco mas não é.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O vizinho que afinal está vivo

Vir morar para Lisboa trouxe-me para todo um novo mundo em que quando é golo do Porto o prédio não treme. Aqui, estranhamente, não se festeja cada golo de um adversário do benfica ou do sportem como se disso dependesse a nossa vida. Confesso que ainda hoje me custa ser a única a gritá-los quando o silêncio se instala nos outros apartamentos.

Os nossos vizinhos são maioritariamente lagartos. Descobrimo-lo da melhor maneira: começámos a ouvir as conversas de vão de escada, os queixumes do dia-a-dia, os gemidos de quem sofre intensamente por um destino trágico impossível de evitar. Os nossos vizinhos andam muito calados, portanto.

No entanto, há um lampião que anda a disputar comigo e com o M. o título de "mais louco do prédio". Mesmo antes de o ver pessoalmente, já o conhecia muito bem. Conhecia a sua voz (dos gritos que dá até nos jogos a feijões), os seus gestos (às vezes ouve-se um ou outro móvel com problemas), os seus gostos (o Nuno Gomes era tipo deus, o Cardozo é um grande estúpido) e a sua cegueira (três ou quatro penalties por jogo a favor do slb, no mínimo).

Este vizinho, que eu tive de aturar na época de 2009/2010 com muito sofrimento, acordou o monstro adormecido da má vizinhança que há em mim. Eu, que até vir para Lisboa não sabia ver jogos no sofá, era uma rapariga calada, quieta até, descansadinha a ver um jogo pela televisão. Agora, vou gritar cada golo à janela para ele ouvir melhor. Grito muito os do Porto, mas dá-me um gozo especial rir-me nos golos contra o benfica. Saem insultos da minha boca que ecoam no prédio e assinalo cada falta com uma convicção tal que qualquer dia está aí a FIFA a bater à porta para me nomear.

O homem, coitado, viu o Porto a ser campeão na luz, a fazer aquela reviravolta na Taça, viu o benfica a ser derrotado em Braga e o meu clube a vencer a Liga Europa. Um dia, algures em Junho, eu e o M. acordámos e vimos o aparato lá fora: duas ambulâncias e um carro do INEM. Olhámos para o pátio e lá estavam eles em casa do famoso vizinho. Saímos para trabalhar e, dois dias depois, vimos a família reunida nesse apartamento, todos de luto, com um silêncio que me deixou a pensar.

Pensei no quanto aquele homem me devia odiar, claro, mas pensei sobretudo em como o futebol é relativo: pensamos muito nele, vivemos até muito para ele, mas nestas alturas sinto-me uma merda por não conseguir desejar que o benfica tivesse ganho alguma coisa para aquele vizinho não ter sofrido tanto em vida.

E esta semana, assim do nada, aparece-me o homem à frente! De boné do benfica e aquele ar tresloucado que, afinal, caracteriza qualquer um de nós, que precisamos urgentemente de futebol a sério para regressar ao normal. Apesar da última época, ele sobreviveu!

Fiquei sem perceber o que aconteceu naquela casa, mas confesso que fiquei contente: este ano, continuo a ter uma motivação para ir gritar golos à janela.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Sai da frente Guedes!

O vídeo é provavelmente o mais estúpido de sempre, mas deixa-nos super orgulhosos por estarmos no top do YouTube, como se isso nos fosse salvar da crise da dívida. Um jovem rapaz de nome Hélio, com ar de quem fuma aquilo que faz descer estradas de skate, grita ao amigo Guedes para sair da frente enquanto se lança numa aventura cujo final é desde cedo previsível. E faz-me lembrar a pré-época dos meus rivais.

De um lado da Segunda Circular, o facto do capitão da equipa querer sair porque a última época foi «desgastante» - «perdemos muita coisa», recorda ele, com ar de quem já não pode ver um rapaz vestido de azul à frente – deve ser totalmente desvalorizado quando, ao mesmo tempo, há jogadores a compararem Jesus a Mourinho e o benfica ao barcelona.

Do outro, umas vitórias nos amigáveis são suficientes para o presidente dar os parabéns publicamente ao treinador e para vir um director dizer que o sportem não tem nada que se comparar com o F. C. Porto (concordo), mas com o barcelona e o real madrid.

Não sei porquê, mas o Garay, o Nolito, o Godinho Lopes e o Carlos Barbosa parecem-me um bocado como o Hélio: o medo, claro, é uma cena que não lhes assiste, mas caminham alegremente para uma valente queda.



É estúpido. Mas nós gostamos de ver.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Há petróleo no Dragão

Ponto prévio: o FCP acaba de contratar um lateral direito por 13 milhões. É a contratação mais cara de sempre do futebol português (paga de uma só vez).

Ponto positivo: se me dissessem há meia dúzia de anos que o FCP um dia ia contratar um gajo qualquer por 13 milhões de euros ia achar que estava tudo doido. O futebol português, historicamente, não costuma ter capacidade financeira para estas loucuras, só ao nível dos grandes clubes com oligarcas russos a abrirem os cordões à bolsa. O que pode ser um sinal de que o Porto, desde as conquistas europeias de 2003 e 2004 e o início de algumas das vendas mais espantosas do futebol mundial (NÓS VENDEMOS O CISSOKHO POR 15 MILHÕES PÁ!!!!), está mesmo a entrar noutro patamar. E se, com isso, continuarem a vir as vitórias, cá estarei para me calar gloriosamente.

Ponto negativo: é de mim ou 13 milhões por um lateral direito brasileiro é dinheiro de caralho? Se fosse o Daniel Alves ou o Maicon eu até me calava, mas assim vão ter de perdoar a minha desconfiança. Sim, eu sei que os olheiros do benfica são bons, e que se eles aconselham é porque o rapaz não nos vai deixar ficar mal, mas olhem que eu já vi coisas muito caras (aí a rondar os 8,5 milhões de euros e cujo nome começa por "R", acaba em "O" e no meio tem "OBERT") a chegarem àquele clube como os melhores do mundo e a saírem de lá com o rabo (do frango) entre as pernas. Por isso, espero mesmo que este Danilo não seja apenas um capricho de quem gozou tanto com eles na época passada (e nos últimos 30 anos, vá) que não precisava mesmo de gastar 13 milhões de euros.

Ponto catastrofista: se nos damos ao luxo de comprar um lateral direito por 13 milhões de euros quando no plantel (pelo menos para já) ainda temos Sapunaru e Fucile, é porque há a certeza de que o clube ainda vai encaixar muito dinheiro nos próximos dias. Falcao, Moutinho, Hulk... Tantos nomes que me lembro que podiam ficar se evitássemos COMPRAR UM LATERAL DIREITO POR 13.000.000 EUROS !!! (acho que com os zeros se percebe mais a minha indignação. Não? Deixem lá então). A menos que haja petróleo no Dragão, como dizia o outro. Se bem que a semana passada, em que estive num abençoado refúgio nortenho em que só se compra o JN e O JOGO, li que o FCP iniciou uma série de parcerias com um banco brasileiro envolvido num escândalo. Eu não gosto de me meter onde não sou chamada, mas não sei porquê mas isto não me cheira nada bem. Uma coisa é a malta roubar Jardéis, Decos, Lisandros, Álvaros e Falcões aos lampiões em grande estilo. Outra é ficarmos agarrados a um cancro financeiro.

Ponto realista: se o gajo for tão bom como o Messi, mas um bocado mais atrás, calar-me-ei para sempre.

domingo, 17 de julho de 2011

A minha tribo

(Eu e o M. desafiámos os nossos pais a escreverem um texto para este blog. Fica aqui o do meu pai, a pessoa que me usou como desculpa para ir ver mais jogos do Porto do que eu)

Sou um índio. Um índio de uma tribo azul e branca. Quando a minha equipa joga, coloco os meus adereços e vou para o meio dos meus, chorando (pouco...) e comemorando (muito...), quer estejam ao meu lado o Madureira , o Pidá, o Miguel Sousa Tavares ou o Francisco José Viegas. Aliás, sinto-me mais confortável com os dois primeiros por perto, embora um deles, por “afazeres diversos”, não tenha podido.

Já sou assim há muito tempo, lembro-me da Constituição nas manhãs de domingo, futebol, andebol de 11 e 7, hóquei em campo... tudo se via, nos tempos em que um miúdo para ver a bola só precisava de saber dizer a senha: “ó senhor, leve-me consigo”.

De tarde era nas Antas, mas aí a minha gente poucas alegrias tinha. Os anos foram correndo, até que chegou o dia...

Domingo, 28 de Maio de 1978, depois de um campeonato cerradíssimo, o benfica entrava nas Antas com um ponto a menos, faltando três jornadas para o fim. Muito calor e um estádio a transbordar, no ano de Pedroto e da frase assassina: “O benfica não tem estofo de campeão”.

Aos 3’, o nosso central, Simões, marca na própria baliza e começa o sofrimento... Tanto para ali chegar, dezoito anos de espera para trás e os nossos que não marcavam. Até que aos 87’, livre contra o benfica. Descaído sobre a esquerda e com o pé do mesmo lado, Ademir cruza para a área, a defesa rechaça para a perna direita do mesmo jogador, que, empurrada pelo destino, marca o golo que mudou a história do futebol em Portugal. Eu estava lá!

Depois, bem, depois vocês sabem: compramos árbitros (muitos?) e ganhei 20 campeonatos, roubamos jogadores a um clube e ganhei 13 taças e 17 supertaças, pusemos lá o Platini e ganhei 2 uefas, 2 champions, 1 supertaça europeia e 2 intercontinentais.

Pois é C., o papá tem 56 anos e este é o “seu palmarés”. Há por aí melhor????



(foto tirada a 3 de Abril de 2011, o dia em que o FCPorto se tornou campeão sem luz)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Emigra à moda do Porto

Este fim-de-semana, estávamos nós a dividir tarefas lá em casa (sim, somos um casal moderno e eu só levo porrada quando o benfica perde. Ou seja, várias vezes) com a Sporttv ligada (sim, somos daqueles que nem no Verão cancelam a mensalidade para não perdermos aqueles jogos emocionantes do género benfica VS 11-amigos-que-naquele-dia-não-têm-mais-nada-para-fazer) quando começam as notícias dos estágios.

Sem querer de alguma forma ofender os nossos emigrantes, a verdade é que grande parte da nossa curiosidade nestes estágios em terras tão estranhas como Marienfeld recai sobre a expectativa que temos do emigra português. O tuga que vive lá fora anima bastante a nossa pré-época. E, então, parámos para ouvir.

No estágio do FCP, o jornalista perguntava aos emigrantes o que pensavam da saída do Villas-Boas. A resposta de todos foi a mesma: foi um bom treinador, mas já não é nosso por isso não interessa, agora apoiamos o Vítor Pereira. Numa onda catastrofista, o jornalista insistia: e se sai Falcao, Hulk, Moutinho?!? E os senhores continuavam: são muito bons jogadores, mas se houver uma boa proposta para o clube e para eles claro que é normal saírem e depois lá virão outros ou até melhores.

Por momentos, eu e o M. pensámos que o mito do emigrante tinha acabado. Ali estavam dois ou três adeptos perfeitamente normais, com a cassete do FCP completamente engolida e sem aquele ânimo de pré-época que tanto nos fascina. Nada. Pareciam Pintos da Costa em pequenino e com sotaque estrangeiro.

Mas, felizmente, depois veio a reportagem na Suíça. Mal apareceu o primeiro adepto - cabelo à emigra dos anos 80, bigode farfalhudo e t-shirt suada debaixo dos braços - percebemos que ele ainda existe. O senhor, benfiquista claro, dizia que o benfica é o maior, que o jesus é o maior, que o plantel é o maior (e é, porra, eles são tantos!). O jornalista, coitado, tentava levar a conversa para uma onda intelectual: então e o Enzo Perez? "Quem? Ah, esse não o vi, mas é o maior". E o senhor que falou a seguir era igual, mas dizia que o Javi Garcia podia jogar "avec" o Luisão. Só pérolas, portanto.

Isto tudo para dizer que a pré-época do Porto continua a ser uma seca. Não vendemos ninguém, não compramos ninguém, não fazemos uma conferência de imprensa por dia, não estamos na capa d'A Bola tantas vezes como o agora querido André Villas-Boas. Enfim, nem emigrantes de jeito temos.

P.S. só uma nota sobre o bom jornalismo de pré-época: parabéns aos 92832857533535523 jornalistas que tiveram a ideia original de ir fazer uma reportagem às Caxinas sobre a Coentrona

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Dirigir é prever

Bastava alguém na estrutura do SL Benfica ter seguido minimamente a selecção portuguesa no Mundial 2010 (que é como diz, olhar de 15 em 15 minutos para o ecrã) para que ficasse claro que Coentrão não ia estar muito mais tempo no Benfica. E, para os mais distraídos do Mundial, bastava ter visto o Benfica - Lyon.
E escrevo isto porquê? É que ontem tive a triste ideia de olhar para o ecrã durante o Benfica - Servette o tempo suficiente para descobrir que o esteio da nossa defesa é o Miguel Vítor, que tinha pela frente, além da linha avançada suiça, o Jardel, o André Almeida e o Fábio Faria. O arrepio atravessou-me a espinha quando me lembrei de ter lido algures em Maio 2011 (um mês que está brutalmente enevoado na minha memória futebolística) que nos podia calhar o Panathinaikos na pré - eliminatória da Champions. E, assim de repente, não me está a apetecer ver o Jesualdo a rir-se de nós e deste quarteto defensivo.


Mas, pelos vistos, já é bom que alguém na estrutura benfiquista saiba - nem que seja pelos jornais - que há uma pré - eliminatória. Ou se calhar são tantos dirigentes ocupados a fixar as datas que nenhum se lembrou que o Coentrão foi vendido e que falta um defesa esquerdo.
É que já nos estou a ver a lamentarmos o 2º golo do Gil Vicente, marcado por um brasileiro qualquer, depois de ultrapassar em velocidade o César Peixoto, e a dizer "ah, que azar ainda não termos ninguém para aquele lugar!".

E, depois, quando chegar um à 5ª jornada e chegar um defesa esquerdo, lamentarmos já termos 7 pontos de atraso para o fóculporto antes de irmos ao Dragão. "Ah, se este gajo tem chegado antes íamos lá em força...". 
Mas isto de prever é muito complicado, afinal o Benfica já comprou:
- Bruno César (nr. 10, mas para jogar a ala esquerdo, porque resultou bem com o Gaitan)
- Enzo Perez (ala direito)
- Nolito (ala direito/esquerdo)
- Nuno Coelho (quem?)
- Matic (trinco)
- Artur (guarda redes que não custou 8,5 milhões)
- Garay (defesa central)
- Wass (defesa direito)
- Mora (avançado)
- Além dos regressos de Rodrigo-6-milhões-para-depois-emprestarmos-e-não-termos-dinheiro-para-um-substituto-do-Ramires, David Simão, Miguel Vítor e Nélson Oliveira.
Ou seja, só com os reforços dava para a seguinte equipa: Artur; Wass, MVitor, Garay; Matic; Nolito, Bruno César, Enzo Perez, Mora e Rodrigo. Epá, espera aí, falta... UM DEFESA ESQUERDO.
Mas, caramba, quem é que podia adivinhar que o Coentrão ia sair? Quem é que pode prever que o governo PSD/CDS não vai aumentar os ordenados? Quem é que pode prever que depois de 31 de Dezembro de 2011 começa o ano de 2012? Quem, no seu perfeito juízo, achava mesmo que seria bom precaver um substituto para a saída de Coentrão que A Bola só anunciou 875439 vezes? "Eu só comecei a achar que era verdade ao 173º telefonema de negociação com o Florentino Perez" - poderá argumentar Vieira.


É que num clube minimamente preparado, este diálogo tinha-se dado algures em 2010/2011.
Rui Costa - "O Coentrão vai sair no final da época."
LFV - "A sério?"
Jorge Jesus - "Epá, partantos, temos dir buscar um defesa esquerde do Criciúma que eu vi na última madrugada."
Rui Costa - "Não, porque o Manel do laemcasamandoeu.blogspot.com está farto que tu gastes dinheiro em gajos como o Filipe Menezes, o Kardec e o Éder Luís, portanto vamos tentar ir buscar um lateral esquerdo alto, que defenda bem, como o Ansaldi."
LFV e JJ em coro - "Ok, esse gajo é capaz de ter razão."

E pronto, era assim. Mas não, no Benfica é normal que a defesa titular chegue a tempo de jogar a Liga Europa e que esteja entrosada lá para a 9ª jornada, que é quando nós iniciamos aquelas recuperações fenomenais de 3 dos 11 pontos que nos separavam dos azuis.
Por exemplo, os azuis já compraram o Kleber porque sabem que o Falcao, mais tarde ou mais cedo, vai ser vendido. Não é preciso uma bola de cristal nem ser o Luís Freitas Lobo. Já no Benfica, tudo parece apanhar a "estrutura" de surpresa. Pelos vistos ninguém esperava a venda de Coentrão. Ou, pior, alguém viu em Fábio Faria uma grande aposta.
Isto põe-me, vá, um bocado irritado. E foi assim que eu saí do meu Benfiquismo curarizado: com uma put@ de uma irritação que vou-vos contar. É que está tudo exactamente na mesma, não se aprendeu rigorosamente nada com o facto de termos comprado Karagounis e Miccoli com 5 pontos de atraso, com a venda do Simão em cima do joelho, e com a venda do Ramires que poderá ter, lá para 2016 um substituto para o mesmo lugar.
E pronto, está tudo montado para perdermos mais um campeonato para o porto nas primeiras 10 jornadas. Acho que para o ramalhete ficar completo só falta mesmo venderem o Cardozo.

sábado, 9 de julho de 2011

Pré - época

Estou neste momento a ver um clássico da pré - época que é o SL Benfica - equipa-miserável-de-Nyon e tiver que ver na net quem seria este número 34, porque o Roderick ainda é fácil de reconhecer - é mau demais para ser confundido - agora este 34 eu nunca tinha visto. E descobri que é o André Almeida.
Isto antigamente era impossível acontecer-me. A pré - época era uma altura sagrada para decorar os números nas camisolas e acreditar piamente que aquele brasileiro que eu nunca tinha ouvido falar era, como vinha n`A Bola, um craque.
E só isso explica o facto de eu ainda hoje me lembrar que o Jamir vinha conotado como um especialista nas bolas paradas (lembro-me que marcou um nuns 5-1 que espetámos a uma equipa de Leste qualquer), apesar de não me lembrar de ser anunciado que o homem era lento como tudo.
A pré - época é um momento magnifico na vida dos adeptos optimistas e essa criatura morreu em mim sensivelmente aos 13 anos. Acontece que passei grande parte da minha vida a acreditar no Pai Natal: o regresso de Ricardo Gomes e Valdo, aquele fabuloso trio de brasileiros de 94/95 Clovis - Paulão e Edilson, mas é-me difícil espelhar o que me senti traído em relação a pré - épocas como em 97/98.
Durante o Verão de 1997, eu era um miúdo. E os miúdos acreditam em tudo o que querem acreditar. E eu queria acreditar que o Benfica ia ser campeão. Nesse Verão, lançou-se um mito ao qual eu me agarrei desenfreadamente: Paulo Nunes. Todos os dias havia uma notícia sobre Paulo Nunes. Um pé no Benfica, outro pé noutro clube qualquer. E, claro, um rol de elogios infindável. O homem era género de Maradona, mas com mais técnica. Eu tinha 13 anos e pouca experiência de vida. Se fosse hoje tinha olhado para a cara dele e lido "Bairro Alto" na testa. Mas eu tinha 13 anos e queria muito acreditar que o Benfica ia finalmente acabar com o reinado azul.


Não consigo encontrar dados na net (fiz uma busca rápida), mas a minha memória é que depois de um braço de ferro intenso (o que na minha cabeça só valorizava o Paulo Nunes), lembro-me de ver anunciada a contratação na SIC, de madrugada, em casa dos meus tios. Era agora. Íamos ser Campeões. E logo na primeira jornada 4-0 ao Campomaiorense, com dois golos do brasileiro, um deles de calcanhar.
O pior foi que perdemos a seguir em Setúbal, empatámos com a Académica em casa e perdemos com o recém promovido Rio Ave. E pronto, o resto é história. A partir daí, exceptuando uma ou duas tiradas meio estúpidas, acabei por acreditar pouco na pré - época.
E isso leva-me a este ano.  Ainda dorido com tudo o que sofri na época passada (sim, eu considero as humilhações da época passada uma coisa pessoal para me castigar não sei bem do quê), ainda não consigo ligar-me a nada. Vejo o impressionante rol de nomes que chegam sem ver sequer um video no Youtube, não me esforço minimamente para resolver o problema da inscrição dos estrangeiros.
E dei logo Coentrão como uma saída adquirida, que não chorei nem celebrei. Este defeso espero apenas que o fóculporto veja a sua equipa desfeita (que é como quem diz: Falcao e Moutinho) e depois logo se verá.

Se eu tivesse 13 anos, esta pré - época, com tantos nomes, estava a ser espectacular.