quarta-feira, 24 de agosto de 2011

JVP, uma carreira ao lado

Um dia destes, eu e os meus pais, sempre prontos a grandes desafios intelectuais, começámos a pensar nos jogadores mais detestáveis de sempre. E chegámos a duas conclusões: apesar desta nossa forma doente e deselegante de ver o futebol, afinal nem odiamos muita gente; e o pior de todos é unânime – João Vieira Pinto.

Eu odiava mesmo JVP. Durante anos, dizem que andava com um certo clube que equipa de vermelho ao colo, mas eu nem sequer conseguia ver a qualidade do seu jogo. Era um desespero vê-lo atirar-se para o chão, fazer fitas e ir contra o cotovelo do Paulinho Santos numa clara atitude de provocação.

Eram jogos e jogos a insultá-lo e claro que a transferência para um certo clube que equipa de verde também não ajudou. Aí a coisa até se intensificou. Foi campeão à custa das suas piscinas para os penalties do Jardel e eu continuava a não perceber o que viam nele.

Nem sequer aquele golo no Euro 2000, frente à Inglaterra, me demoveu da minha teoria de que ele era um grande flop. O que demonstra muito do que eu percebo de futebol.

Seguiram-se boavista e braga, como se fosse possível escolher pior carreira. O declínio era evidente, pelo que optei por dedicar-me ao meu segundo grande ódio: João Moutinho. Esta história já sabemos como acaba, portanto voltemos a JVP.

João Vieira Pinto, dizem, é portista de coração. E agora, além disso, é talvez o melhor comentador de futebol português. Faz as melhores análises, é inteligente, sabe ver o jogo e, surpresa das surpresas, é imparcial como nenhum. O que me faz, finalmente, admitir que talvez (mas só talvez) tenha sido dos melhores futebolistas de sempre do nosso país.

O problema, JVP, foi só um: passaste ao lado de uma grande carreira. E ambos sabemos onde a podias ter tido.



Parabéns JVP. Porque os inimigos também engrandecem as nossas vitórias.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O sportem é invencível

Confesso que começo a ficar com medo do sportem. Já lá vão dois jogos no campeonato, um deles no tradicionalmente terrível campo de alvalade, mais um contra um colosso do futebol nórdico, e derrotas… zero. O sportem, na prática, está invencível!

Invencível:
1. Que não pode ser vencido.
2. Insuperável.
3. Irresistível.


O ano passado, após um empate com o FCPorto, no sempre difícil terreno de alvalade, Daniel Carriço dizia que o sportem tinha mostrado que os dragões não eram “imbatíveis”. Ora, repito, isto foi dito APÓS UM EMPATE, quando o meu clube caminhava para um título sem derrotas.

Agora, é a vez dos lagartos mostrarem como estão empenhados em lutar por manter esta invencibilidade. Com o olhanense, num estádio sempre muito hostil para com o sportem (alvalade), a equipa arrancou um empate a 1. Recordem-se que, no ano passado, o empate com o olhanense no sempre complicado campo de alvalade foi a 0, o que demonstra bem a veia goleadora do sportem 2011/2012.

Já em Aveiro, e depois de no ano passado ter empatado aí a 1, o sportem conseguiu manter a baliza de Rui Patrício inviolável, outro adjectivo que Carriço poderá verbalizar com agrado, se se lembrar que, pelo meio, com o Nords-qualquer-coisa, o guarda-redes também não sofreu golos. Um registo notável.

Incrivelmente, os comentadores já começam a falar em “crise” no sportem. Crise? Num clube invencível e imbatível? Mas esta gente está doida? Ou é tudo inveja? Digam isso ao leiria, que em duas jornadas perdeu duas vezes, e vocês vêem como muitos clubes dariam tudo para estar no honroso oitavo lugar ocupado neste momento pelo sportem.

Na análise ao jogo que confirmou a invencibilidade do sportem, os jornais preferem destacar a novela do árbitro Fernando Martins, o homem que provou que qualquer um de nós podia ser árbitro na Primeira Liga, o melhor em campo eleito por unanimidade, tal foi a qualidade da partida. E fala-se muito das duas substituições ainda na primeira parte do Domingos, a única pessoa que ainda acreditava haver um onze equipado de verde e branco minimamente preparado para competir pelo primeiro lugar.

Agora um bocadinho mais a sério: o sportem é triste. É triste porque não ganha, não joga nada, tem jogadores maus e ainda se vem queixar dos árbitros, como se não fosse o grande mais beneficiado pela arbitragem nos últimos anos, enquanto os outros dois andam às turras e não reparam.

Ainda não percebi se o Carlos Freitas é o novo comentador desportivo de todos os órgãos de informação ou se é apenas uma parvoíce dar-se tempo de antena a esta gente que, sublinho, não faz nada para ganhar um jogo a não ser pressionar os árbitros.

Sim, eu compreendo que o “pode-ser-o-João” não seja um gajo muito simpático para apitar um jogo quando a equipa está tão má, tão má, que só mesmo um milagre chamado... sei lá... Vítor Pereira (e não é o treinador do FCP, mas sim o gajo que conseguiu não ver três penalties a favor do Porto em alvalade) a podia salvar. Mas a atitude dos dirigentes do sportem conseguiu estar ao nível do Wolfswinkel. Virem queixar-se dos árbitros quando, depois de tantas contratações, o Domingos é obrigado a meter o Djaló de início, é mais ou menos a mesma coisa que o Postiga vir queixar-se dos fiscais-de-linha por levantarem a bandeira só porque entre ele e o guarda-redes há um imenso vazio.

Estou curiosa para ver até onde pode ir esta birra dos lagartos com a arbitragem. Antecipo desde já, a este propósito, a minha disponibilidade para ir apitar o próximo jogo do sportem, no terreno sempre adverso de alvalade.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Explicar o Óbvio

Desta vez é o meu Pai a escrever sobre o que é ser do SL Benfica. O meu Pai é uma pessoa lúcida e esclarecida, como facilmente perceberão e fica aqui, público, o meu obrigado por me ter feito do Benfica.


Como pequena introdução refiro já que tendo nascido na mesma terra que o Sr. Eusébio, o segundo melhor jogador de sempre, depois do Monstro Sagrado (não estou a falar do Montinho, mas do Sr. Mário Esteves Coluna), não sou Português nem Moçambicano ! Sou do Benfica ! Pelo menos é o que está escrito na Nacionalidade, na papelada que tenho para aí. 
Não me considero doente do Glorioso, de modo nenhum ! Ser do SLB é pelo contrário sinal de grande lucidez e de sanidade física, intelectual e moral. Daí o estatuto de imparcialidade que todos facilmente me concedem.
Também sou crente ! No entanto só entro numa Catedral ! Com alguma irregularidade, é certo, como é prerrogativa dos pecadores.
Explicar o óbvio será redundante e uma sequência de pleonasmos ! Porque sou do Glorioso ? Haja paciência !
Cresci com uma das Maiores Equipas da História do Futebol ! Bicampeã Europeia e só não repetimos em 64 e 68 porque as finais foram jogadas em CASA dos adversários ! Já éramos vítima de roubo nessa altura. As décadas de 60 e 70, foram tranquilas em termos desportivos. Quem quiser associar a ditadura à hegemonia do Glorioso é pobre de espírito e de conhecimentos, para não dizer idiota no sentido técnico do mesmo. É conhecido que o SLB, contrariamente aos clubes da moda jornalística atual (Andrades, Lagartos e Padralhada – estádios 28 de Maio e figuras gradas do regime como dirigentes) nunca pactuou com a canalha fascista.
Coincidência ou não, a melhoria dos andrades vem com a passagem do antigo chefe da secção de boxe para o futebol ! A partir daqui é o que se conhece: xitos e cambalachos, pintos e calheiros, abeis e alternadeiras ! Com o beneplácito dos ardinas. Não me quero, no entanto, alongar em discussões sobre "quinhentinhos". Cheguei a pensar num Apito de Abril, mas cedo se percebeu que quem julga neste País é amigo do corrupto. Os tais julgamentos da treta.
Estes últimos anos, temo-nos no entanto mantido na luta, contra tudo e todos. Não temos ganho o desejado e o merecido por razões já expostas.
Sendo nossa característica a de não virar a cara nem dar a face, estou certo que mais cedo que tarde voltaremos a ganhar regularmente (haja transparência e honestidade).
Escrevo isto no dia da abertura da Liga 2011-12 e cheira-me que ainda teremos problemas. A porcaria intensifica-se e chega-se ao cúmulo de ficarmos sem saber se é o treinador dos andrades ou o chefe dos árbitros que fará as nomeações. Quem disser que isto dos nomes é coincidência é mesmo anjinho. Pelas nomeações das 1ª jornada a coisa já cheira a esturro.
Há claras semelhanças entre os anos de fascismo e estes que estamos a passar. Esperemos que sejam menos que 48. O boxeur não viverá tanto ! Espero.
Sabemos que só existem dois emblemas a nível do território: o SL Benfica e os anti-Glorioso, o que nos faz maiores e moralmente superiores.
Viva o  Glorioso SLB !


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Boi agride boi

Parece que um Benfiquista partiu os dentes a Pedro Proença. Eu devia condenar a violência do acto, mas é difícil não sentir inveja do homem que o cometeu. Proença deve ter sentido mais ou menos aquela dor que eu senti quando ele assinalou aquele penalty do Yebda sobre o Lisandro. Porra, aquilo foi mesmo como levar uma cabeçada. Talvez não tenha sido como levar uma cabeçada de um gajo ao qual os amigos, segundo o Correio da Manhã, chamam "O Boi". Mas ainda assim custou-me. 
Parece é que os seguranças do Colombo foram logo segurar n`"O Boi" em vez de darem lei da vantagem e deixarem jogar. "À inglesa".

Vai haver vantagens, já que sem aqueles dentes, Proença nem precisa de apito. Basta assobiar. Vai deitar alguns gafanhotos, mas ainda assim vai ser diferente. Chato é quando ele cuspir as insígnias da FIFA antes de oferecê-las ao Domingos que, coitado, vai ter que pegar naquilo cheio de baba.


Eu já chamei "boi" ao Proença mil vezes. A ele e a todos os árbitros. Mas isso é porque eles merecem porque são todos do fóculporto e um ou outro além disso é do ceportém. Mas daí a dar uma cabeçada num vai um bocado. Deixem lá o Proença ir ao Colombo à vontade. E ao dentista (pronto, esta última era escusada).

PS: Contratem "O Boi" para steward.

Supernaru

A Supertaça, mais ano, menos ano, vai acabar. Em 33 edições, 18 foram para o FCPorto. Todos os anos há, portanto, e se a Matemática não me falha, cerca de 55% de hipóteses de o meu clube começar a época a ganhar um título, o que é, evidentemente, motivo que sobre para se acabar com esta porcaria.

Parece-me também de certa forma consensual qual o troféu que poderá substituir esta Supertaça. A taça do Eusébio, pelas suas características e, sobretudo, pelo seu potencial vencedor, cumpre todos os requisitos para se tornar uma competição tão ou mais importante do que a já tão marcante no futebol português Taça da Liga.

E, bem vistas as coisas, quem sabe quem é esse tal de Cândido de Oliveira? Ele gostava de tremoços, por acaso? Há alguma estátua dele para a malta ir numa de peregrinação? E, ainda mais essencial, ele por acaso foi amigo do Barbas e do Zé Manel? Não, ah pois não, então bora lá mas é acabar com esta Supertaça que não serve para nada.

Já a taça do Eusébio serviu, por exemplo, para o benfica concretizar uma reviravolta impressionante na pré-época. O sportem, lançadíssimo por cinco vitórias a grandes potências do futebol mundial como o Ankaragücü e a clubes que têm conquistado tudo nos últimos anos como a Juventus, teve o azar de encontrar equipas de um país onde o futebol são 11 contra 11 e há uma bola. Espanha, portanto.

E, assim de repente, aí estava o benfica a fulminar o Trázáspor da Truquia, cujos principais adversários são o Besikas e o Gulatasaray (assim mesmo, como diz o grande mestre da língua portuguesa Jorge Jesus). Messi já é uma sombra de Nolito, Cristiano Ronaldo não tem hipóteses contra Witsel e o Arsenal foi humilhado por um 2-1 na luz. E o título de campeão da pré-época foi assim parar aos seus mais do que merecidos donos.

O Porto é que, enfim, anda sempre na mesma. Isto ainda agora começou e já tem um título, o Falcao, e o Hulk, e o Moutinho, e o Rolando, e o Álvaro, e o Fernando nunca mais vão embora para gáudio da imprensa nacional e aquela pressão ofensiva só pode ser possível porque os adversários ou não percebem como usar aquele 4-3-3 tão seguro defensivamente do Jesus, ou têm jogadores tão bons como aquele americano do sportem (grande promessa para este ano nas minhas apostas!). Não sei dizer o nome dele, vamos lá ver se o Rui me dá uma ajuda:



Ah... quase.

O jogo em Aveiro foi super controlado, o guimarães não saiu da toca, pontapé para a frente e pouco mais. Até aqueles adeptos, considerados os mais fanáticos do nosso país, que iam aos 30 mil de cada vez ver jogos da segunda divisão, optaram por ficar em casa, não fosse o James apanhar um avião da Colômbia à última da hora.

Talvez o FCPorto tenha desapontado aqueles que já não conseguem desligar os vídeos do YouTube do Nolito. Aquele primeiro golo, com um calcanhar e um cruzamento de letra, não devem chegar para calar a ameaçadora dupla Postiga-Djaló. Mas, enfim, para mim chegou.

E não posso acabar este texto sem vos explicar o porquê deste título. No futebol temos o hábito de olhar mais do meio campo para a frente porque o que queremos ver são golos. Mas hoje vou falar-vos de um homem lá de trás.

Sapunaru é romeno, muito provavelmente cresceu sem saber o que é o FCPorto, e podia ser só mais um que veste esta camisola por uns tempos. Mas não é.



Vítima daquela grande injustiça na época de 2009/2010 (metam lá outra vez o Hermínio que pode ser que ele consiga mais alguma coisa), teve de ser paciente e ir dar uma volta para regressar em grande.

O ano passado ganhou tudo e lutou sempre até ao limite. Por vezes até exagera, como se viu outra vez na luz. É verdade que tem de se saber controlar (aquele vídeo revelado pelo Porto Canal no famoso túnel é exemplo disso. Enquanto Hulk sorri para os stewards, Sapunaru anda de cabeça baixa. E essa não é a melhor forma de os gozar num momento tão saboroso para nós), mas uma coisa é certa: Sapunaru é um jogador à Porto.

E domingo era vê-lo, em pleno relvado, sozinho, a agitar uma bandeira de uma claque, qual rapazinho mais feliz por ter vencido (mais) um título. Depois, foi buscar um cachecol, beijou-o e quase arrancava o símbolo da camisola, tal era a vontade de nos mostrar como sente o FCPorto.

Sapu: já percebemos. És um dos nossos, pá!

sábado, 6 de agosto de 2011

Cenas da vida de um casal de fanáticos

A arrumar fotos: "E esta com o teu pai, em Amsterdão, é de quando?" Responde a Catarina: "Aahhhh, portanto, vimos lá a final da Champions Barcelona - Arsenal... Maio de 2006!".
E pronto, é assim que arrumamos as fotografias por ordem cronológica.

Em Outubro vamos à Austrália. E antes de imaginar-me no The Great Barrier Reef, o que é que eu pensei? "Epá, isso é capaz de apanhar o fóculporto - Benfica."

E a nossa vida é capaz de vir a ser sempre assim. Já imaginámos a senhora do infantário a perguntar sobre o nosso filho: "Então e o Witsel nasceu em que dia?" E nós: "Epá... Estava a dar um Rio Ave - Paços de Ferreira que ficou 2-2. Chovia... Ah, tantos de Fevereiro!".

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Carta aberta a Radamel Falcao

Escrevo-te um texto à uma da manhã porque não consigo dormir de tanto pensar em ti. Receio olhar para as capas dos jornais e ver lá a notícia. Dou por mim a pensar naquela bola que recuperaste no meio campo. Revejo aquele teu golo decisivo. Lembro-me tão bem daquele teu sorriso para mim, na bancada, ou para qualquer outro adepto que já sente a tua falta.

Sabes, Falcao, eu gosto mesmo de ser do Futebol Clube do Porto. Tenho 24 anos e já fui muito feliz por causa deste clube e dos jogadores que por cá passaram.

Na escola não jogava à bola com os rapazes, claro, mas entrava nas conversas teóricas sobre quem seria mais imprescindível: Domingos ou Kostadinov? Sabia que o Folha (o Richard Gere português) e o Jorge Couto não eram craques, mas batia-lhes palmas pela entrega.

Vi chegar o Drulovic e aquele pé esquerdo inconfundível, que nos apresentou as trivelas muito antes do Quaresma. Vibrei com o maluco do Yuran, roubado ao eterno rival. Achei que o Edmilson e o Artur deviam ser titularíssimos da selecção brasileira. Até o Sérgio Conceição me chegou a parecer uma estrela.

Depois, mais crescida, tive o prazer de ver jogar Mário Jardel. Porra, que saudades. Aquele jeito tosco de meter a bola lá dentro. De cabeça, de ombro, de costas, com uma bomba fora da área de pé esquerdo (FCP VS farense). Nunca tinha visto uma coisa assim. E o Capucho, as melhores pernas de sempre do futebol português, a entregá-las de bandeja.

Também levei com muita porcaria. Muitos Pizzis, Alessandros e Romeus. Um Clayton que um dia se lembrou de marcar um golo à Maradona em Berlim. O Pena, que por obra e graça de nosso senhor jesus cristo chegou a ser o melhor marcador do campeonato. O Postiga, enfim, que tu deves saber o que vale.

Já na adolescência, veio o McCarthy, o rebelde das cabeleireiras, e aquela música que comecei a entoar por vários estádios. O Porto, nessa altura, deixou de ser só o meu clube. Era também a minha missão. Cantei pelo ninja Derlei, o ídolo das conquistas europeias, e pelo Jankauskas, só porque o cântico era giro.

Desesperei com o Hugo Almeida e vi o desconhecido Bruno Moraes a marcar aquele 3-2 contra os vermelhos na baliza mesmo à minha beira. Esperei que o “fabuloso” Fabiano se revelasse e o Sokota revelou-se um fiasco. O Adriano deu-me uns campeonatos, o Jorginho fez-me gritar tanto em alvalade e o Renteria matou-me com aquele golo falhado de baliza aberta na luz.

O Lisandro, esse, cheirou-me logo a craque. O raio do argentino era tão bom. Sempre a correr, sempre em todo o lado e a marcar que se fartava. Mesmo tendo nascido tão longe e com aquele sotaque muito pouco nortenho, era um jogador à Porto. Mas depois lá tive de me despedir dele. Foi para o Lyon ganhar mais dinheiro. Está num clube pior e se tivesse ficado tinha ganho muito mais. Mas é sempre assim que o filme acaba.

Por isso, já estou preparada. Eu sei que vais embora, como todos estes avançados que, pela porta grande ou pela pequena, lá foram saindo. Sei que qualquer anormal com 45 milhões de euros no bolso não te vai deixar escapar. Deste demasiado nas vistas. Tornaste-te, a meu ver, o melhor ponta-de-lança do futebol actual e isso é capaz de ter chamado a atenção dos gajos. E, vás para onde fores, de certeza que vais ganhar muito e conquistar outros adeptos, porque és daqueles casos raros que ainda sabe o que vale uma camisola.

Ainda assim, Falcao, à uma da manhã, escrevo-te a pedir que fiques. Esquece o dinheiro, a ambição de outros campeonatos e o sucesso que, mais cedo ou mais tarde, vais alcançar. Por um momento, por esta portista que não consegue dormir, pensa no quanto te queremos, ouve-nos a cantar para ti... e fica. Só mais um aninho, para tentarmos chegar mais longe do que na época passada. Depois podes ir à tua vida. E, para nós, como diz a canção, serás dragão até ao fim.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

8,6 Milhões

Como é óbvio, todos os Benfiquistas festejam hoje o facto de Roberto, esse guarda redes que seria excelente senão fosse péssimo, como se escreve (e bem) no Ontem Vi-te No Estádio da Luz, ter sido vendido ao Zaragoza.
A venda de Roberto , para mim, é o equivalente à devolução de comida estragada a um supemercado. Uma pessoa refila, devolvem-nos o dinheiro, mas da diarreia de três dias já ninguém nos livra.
Sabe bem devolver comida estragada em vez de sermos obrigados a comer mais? Sim. Sabe bem receber aquele dinheiro que achámos tão mal entregue enquanto a nossa barriga dava voltas? Sim. Mas melhor, melhor, era não termos tido caganeira, não é verdade?